O dia em que a ficha caiu


Sempre pensei que um filme vale a pena quando saio da sala com pelo menos uma frase ou passagem que fica martelando na cabeça. Pode ser até um filme despretensioso ou bobo. Mas se tiver alguma passagem para se guardar, já está valendo. Algumas dessas passagens ficam para sempre na cabeça, outras vão embora logo depois que o filme acaba. Mas há passagens da vida. Elas são bem mais fortes – e duradouras do que aquelas dos filmes. Uma delas me fez publicar esse blog.

Eu trabalhava em uma redação quando recebi o convite de uma assessoria de imprensa para almoçar com alguns executivos de um banco. Eles estavam com um papo estranho para um banco. Contaram sobre um programa (microcrédito) para emprestar quantias pequenas, como R$ 500, na favela e ao mesmo tempo negavam crédito de milhões de reais para algumas empresas por que não se encaixavam nos critérios que o banco escolhia para financiar empresas? Havia outras coisas interessantes, mas nada me deixou mais intrigado que esse paradoxo.

Pois bem, o encontro foi tão significativo que rendeu muito, muito mais do que uma simples matéria. Seis meses depois, aceitei o convite para trabalhar no banco. Não foi uma decisão fácil. O que um jornalista, pensava eu, faria num banco? Por outro lado, pensava em como muitas coisas haviam ficado claras na minha cabeça.

A preocupação com a preservação da natureza sempre foi um ponto importante para a minha vida. Como surfista, já havia surfado em diferentes lugares do mundo, em praias urbanas e selvagens. Por isso, sabia muito bem qual o impacto que o homem é capaz de causar no meio ambiente. O bem-estar das pessoas era outra coisa que me preocupava. Uma coisa foi o que aprendi em casa, com a família, sobre respeitar o próximo e tratar todos da mesma maneira, não importando classe social, origem, raça, etc.

Enfim, preocupação com o meio ambiente e com as pessoas. Como aliar isso com o lucro? Cresci ouvindo falar no progresso a qualquer custo e na distribuição desigual de renda.

Assim, até hoje, tenho aquele almoço vívido na memória. Nesse dia, percebi que era possível (e necessário) fazer algo para ajudar a construir um mundo melhor. Mudando atitude. Separando o lixo, economizando água, usando madeira certificada etc – e espalhando essas idéias adiante.

Posso dizer que esse foi o dia em que minha ficha caiu. Qual foi o seu?

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