Arquivo do mês: agosto 2008

Dinossauros, escova de dentes e big bang

 – Papai, cadê meu dinossauro?

– Qual?

– Aquele, do Parque Villa-Lobos!
– Qual, filho?

– Aquele que se transforma em bicicleta!

– Ah, ta lá atrás, na área de serviço — falei, lembrando que na realidade, a bicicleta é que tinha se transformado em dinossauro…

E lá se foi ele pegar o dinossauro.

– Vamos lá, dormir? – pergunta para o dinossauro. “Vou colocar ele na jaula, se não ele fica preso e come tudo.”

 

Agora, um pouco de realidade.

– Vamos escovar os dentes -, diz a avó.

– Um menuto! – responde ele, com acento no ‘e’!

Agora há pouco, depois de sair correndo da frente do computador, onde estava clicando aleatoriamente em todos os links disponíveis:

– Pai, vem aqui no computador! Como é o que o universo nasceu?

– Com uma explosão do Big Bang (a mãe desaprova essas respostas, mas se ele pergunta, eu acho melhor responder. “Cuidado para não criar um nerd”, diz ela. Eu fecho a porta do quarto e fujo do olhar!)

– Então me mostra!

E lá fui eu a procurar vídeos do Big Bang na internet. Achei um que veiculou no Fantástico. Mostra o o universo nascendo a partir de uma explosão em uma área equivalente a de uma cabeça de alfinete (Clique para ver).

Muito cabeça?

 

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Pirulito

Lembro como se fosse ontem. Tinha acabado de sair do prédio onde morava na rua Dr. Veiga Filho, em Higienópolis, a caminho da garagem, que ficava na Av. Angélica, cerca de 200m de distância. Depois de uns 50 passos na noite amena de São Paulo, cruzei o bar New York, na esquina da Veiga Filho com a Angélica. De relance, vi um sujeito magro, alto e cabeludo. Igualzinho ao amigo conhecido como Vileiro, homenagem às sandálias havaianas que usava na faculdade, lá em Porto Alegre (Vila, em Porto Alegre, é quase sinônimo de favela. Definitivamente não tem o ar cult chic que a palavra ostenta em São Paulo).

Pois o sujeito era tão igual, tão igual ao Vileiro, que resolvi até checar. Eu já havia passado cinco passos dele. Parei, pensei e voltei para ter certeza. Olhei bem na cara dele (que visivelmente já havia tomado uma quantidade de cervejas o suficiente para a Lei Seca colocá-lo na cadeia caso estivesse dirigindo) e confirmei: era ele mesmo. “Caramba, tu por aqui?” Nessa hora, pode usar o tu sem ninguém perguntar de onde eu sou no Sul. “Sim, e tu tá fazendo o quê?” Bla bla bla. Dali em diante, retomamos o contato e a amizade, dentre as mais fortes desde que mudei para São Paulo.

Lembrei disso graças a um episódio de hoje. Na volta do aniversário do colega do Augusto, recebi mais uma das missões de pai: passar na padaria e na farmácia para comprar pão e fraldas. É quase como pão e circo – e no fundo não é muito diferente (no bom sentido, é claro)… Deixei o Augusto no carro, na frente da padaria – devidamente trancado e com o rádio ligado tocando o CD do espetáculo Pra Nhá Terra, dos meninos de Araçuaí – e comprei o que precisava. Abri a porta do carro e Gutão pediu para eu comprar um pirulito – de maçã do amor (?!). Eu respondi que não, que tinha muita fila e eu não estava a fim. Ele chorou e ditatorialmente eu disse que ia tentar comprar na loja ao lado da farmácia e, caso não tivesse, eu voltaria na padaria para comprar. Ele não gostou, chorou, mas engoliu.

E logo paguei o preço pela preguiça. Tive que voltar na padaria. E então, aconteceu o mesmo que aconteceu com o amigo “Vileiro”. Encontrei outro amigo, da época de faculdade, a quem não via fazia pelo menos 8 anos, o Diego. Está trabalhando em uma agência, em São Paulo. Coincidência? Já combinamos de marcar um almoço parar descobrir. O cara surfava naquela época. Quem sabe não é mais um parceiro de surfe, artigo já nem tão raro por aqui.

O pirulito de maçã do amor estava em falta. Comprei um Sete Belo mesmo. Gutão se lambuzou igual.

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Tudo do meu jeito?

Agora mesmo tive um papo surreal com o Augusto, do alto de seus quatro anos e três meses. Dizia ele, indignado no banho: “Você sempre me atrapalha, porque sempre quer fazer tudo do seu jeito! Eu quero só fazer as coisas do meu jeito. Quero que todo mundo sempre faça as coisas para mim!” 

Tive que gastar o verbo para explicar para um mini-ser desses que nem tudo dá para ser sempre do nosso jeito, pois vivemos com um monte de gente, e cada um tem suas vontades e bla bla bla… E que tudo que eu falava para ele como sendo do meu jeito era na verdade para ser do melhor jeito para todos e bla bla bla. Mas confesso que fiquei a pensar com o feedback

Cada uma, viu?

__________

Continuação do post, 21 minutos depois. Gutão vendo pica-pau no sofá da sala. A vó pergunta se ele quer comer alguma coisa. O moleque dá um piti: “Eu nunca consigo relaxar, eu não consigo ficar em paz! Vocês ficam me perguntando coisas!” Caramba! Diria a Juliana: tá virado num mói de coentro. Não sei bem o que quer dizer isso, mas quer dizer que a coisa é radical! Mais reflexões…

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Dois mundos?

Semana passada, publiquei um post no trabalho que fala da diferença de estágios da sustentabilidade entre o nascimento do Augusto e do Vicente. Vou reproduzir aqui:

“Nessa semana nasceu meu segundo filho, o Vicente. Ele é irmão de Augusto, que já está com 4 anos e alguns meses. Há pouco mais do que isso estou trabalhando aqui no Banco Real e há pouco menos na diretoria de Desenvolvimento Sustentável. Logo que o Augusto nasceu, lembro de ter trocado uma mensagem com Malu Pinto, nossa diretora. Eu disse para ela que o Augusto teria uma educação 3Ps (em referência ao termo em inglês triple bottom line, people, planet and profit – pessoas, planeta e lucro, em português). Malu gostou bastante e naquele momento, essa mensagem chamava a atenção. Agora, acho que seria uma grande obviedade escrever isso para os colegas que trabalham na área. O tema está de tal maneira incorporado em nosso dia-a-dia que quase já virou lugar-comum. Obviamente ainda temos um longo caminho pela frente, mas uma breve recapitulação de quatro anos é bastante interessante e animadora.

Olhando pela ótica do Banco, conseguimos ter uma idéia do que aconteceu. Nos anos de 2005 e 2006 fizemos um trabalho de formiguinha, tentando convencer colegas do Banco que valia a pena incorporar a sustentabilidade no dia-a-dia. Conseguimos o empenho de muita gente, mas ainda pouco perto do que poderíamos. Em 2007 que tivemos a grande virada, quando de repente todos começaram a se preocupar com o aumento dos furacões e com as mudanças no clima. O lançamento do Relatório do IPCC formado por cientistas da ONU, colocou o tema na pauta de maneira avassaladora. Nosso trabalho de sustentabilidade ficou bem mais fácil a partir daí. Rompemos uma barreira, a da desinformação. A partir daquele momento, não precisaríamos mais explicar que enfrentávamos um problema de escassez de recursos naturais, de aquecimento global, etc. As pessoas se sensibilizavam mais facilmente com a proliferação de notícias sobre o assunto na televisão, jornais e revistas e em uma infinidade de blogs e outros veículos.

O que estamos vendo nesse ano é a discussão cada vez mais acirrada sobre como promover o desenvolvimento da Amazônia sem destruir a floresta, sobre a insustentabilidade do trânsito pesado de veículos, sobre a busca de alternativas globais de redução de emissão de gases de efeito estufa, entre outros assuntos… Além disso, economistas começaram a perceber que a natureza é finita e que é preciso encontrar um equilíbrio entre a utilização dos recursos naturais e o crescimento econômico. Não precisamos mais ‘caçar’ notícias de jornal para falar sobre sustentabilidade para colocar em apresentações. Pelo contrário, há até editoriais de grandes veículos arranhando o tema.

Ou seja, se fala cada vez mais em mudar os modelos de crescimento que conhecemos há séculos. Nesses quatro anos, também chegamos à conclusão de que temos cada vez menos tempo para fazer as mudanças que precisamos. Mas também que já rompemos a inércia. O físico Albert Einstein dizia que não vamos resolver os problemas com a mesma mentalidade que os criamos. Sendo bastante otimista e olhando para os últimos quatro anos, arrisco a dizer que estamos mudando nossa mentalidade. E que o Vicente e seu irmão Augusto ainda têm boas chances de viver em um mundo melhor (dia desses, voltando da escola, Augusto passou por uma calçada onde uma mulher varria o chão com água e falou: “Que coisa… Ela está jogando água fora”. Animador, definitivamente).”

Original em: http://sustentabilidade.bancoreal.com.br/blog/post.aspx?ID=14 

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Vico!

As imagens apareceram aleatoriamente na tela do computador. Primeiro o mar de Recife, depois o Gutão, em Floripa, depois o amigo Miguel, depois fotos da família. E eu pensei: quanta coisa legal para descobrir aqui fora. É, Vico, lá vem você para o mundo. Falei para a Ju ao meio-dia que depois da consulta na ginecologista, eu tinha saído em outro mode. Ou seja, como diz o título desse blog: a ficha caiu. Vou ser pai pela 2a vez.

A gente passou no hortifruti ao meio-dia de 6a feira. Um tanto peculiar, eu diria. Entre abacates, melão, abacaxi e maçãs e a melancia que se transformou a barriga da Ju, eu pensava nas boas novas. Meu celular vibrou: mensagem do Ale, o amigo jornalista farejando notícia a mais de 1000 km daqui em Brasília. Dizia ele: não esquece de avisar os amigos do Planalto quando o Vico nascer. Levou a notícia em primeira mão.

Depois, uma volta no metrô, a caminho da Paulista. O metrô estava mais lento. E a Paulista também. Mas não o meu e-mail. Ainda tinha que despachar várias mensagens antes de sair. Consegui me livrar de tudo às 20h30. A cada e-mail disparado, um pensamento. Esqueci do charuto… onde meus pais vão ficar… não consegui nem lavar o carro… que roupa eu levo na mala… tem que levar o computador para a maternidade para disparar as fotos. Quando eu momentaneamente esquecia disso, algum colega perguntava quando o Vico ia nascer. E a ansiedade só fazia aumentar.

Deu a hora de ir embora. Peguei uma pipoca e a cada floco que eu comia, eu lembrava do Gutão e tentava imaginar o que se passa naquela cabecinha. Acho que só coisa boa, tamanha foi a felicidade dele quando ouviu que o irmãozinho ia nascer logo.

O Gutão, quando nasceu, veio em um dia de sol, de vitória do Grêmio, de altas ondas em Floripa. Nem chequei a previsão ainda (nem das ondas, nem do tempo. O tricolor já é líder do Brasileirão!), mas tenho certeza que o Vico vem no melhor dia, o dia dele. Gutão previu que ele nasceria no dia 16 de agosto. E acertou, o moleque.

Bom, vamos lá. Enquanto meu amigo Teta se recupera lá em Porto Alegre, a gente recebe vida nova aqui em São Paulo. Bora lá, Vico! Bem-vindo. E ajuda tua mãe, cara! Não demora que aqui fora é massa!

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Darwin

Acabei de ler o livro com a biografia do Darwin. Foi uma verdadeira vitória. Com filho pequeno, conseguir ler um livro de 700 páginas é uma vitória. Fiquei impressionado com a quantidade de detalhes que os dois autores conseguiram levantar. Tá certo que o próprio Darwin ajudou com um diário. Mesmo assim é admirável ver o trabalho que foi feito.

Crescemos ouvindo na escola que uma viagem à Galápagos mudou a história da humanidade. Não é bem assim. Darwin viajou o mundo inteiro a bordo do Beagle, um navio que tinha o objetivo de descobrir rotas de comércio. Em cada passagem, Darwin coletava um mundo de espécies e enviava de volta à Inglaterra, sua casa. Trabalhava pesado, dia-a-dia. Uma dessas paradas foi a ilha de Galápagos. A análise dos materiais coletados na época o ajudou a formular a teoria da Evolução das Espécies, um trabalho que levou nada menos do que 10 anos.

Sabendo o ‘estrago’ que faria no pensamento vigente na época, Darwin sofreu muito fisicamente. Ficava longos períodos doentes enquanto gestava sua obra, sem coragem de publicar. Foi falando aos poucos do que tinha em mãos, até publicar o livro e virar quase persona non grata. Aos poucos foi consquistando adeptos e, no final das contas, foi enterrado na Abadia de Westminster, apesar da série de desafetos que conquistou na Igreja.

Pensar em Darwin, no trabalho pesado, me faz crer na possibilidade de transformação e evolução da humanidade. E ainda tem gente que não acredita que somos primatas evoluídos!

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