Pirulito


Lembro como se fosse ontem. Tinha acabado de sair do prédio onde morava na rua Dr. Veiga Filho, em Higienópolis, a caminho da garagem, que ficava na Av. Angélica, cerca de 200m de distância. Depois de uns 50 passos na noite amena de São Paulo, cruzei o bar New York, na esquina da Veiga Filho com a Angélica. De relance, vi um sujeito magro, alto e cabeludo. Igualzinho ao amigo conhecido como Vileiro, homenagem às sandálias havaianas que usava na faculdade, lá em Porto Alegre (Vila, em Porto Alegre, é quase sinônimo de favela. Definitivamente não tem o ar cult chic que a palavra ostenta em São Paulo).

Pois o sujeito era tão igual, tão igual ao Vileiro, que resolvi até checar. Eu já havia passado cinco passos dele. Parei, pensei e voltei para ter certeza. Olhei bem na cara dele (que visivelmente já havia tomado uma quantidade de cervejas o suficiente para a Lei Seca colocá-lo na cadeia caso estivesse dirigindo) e confirmei: era ele mesmo. “Caramba, tu por aqui?” Nessa hora, pode usar o tu sem ninguém perguntar de onde eu sou no Sul. “Sim, e tu tá fazendo o quê?” Bla bla bla. Dali em diante, retomamos o contato e a amizade, dentre as mais fortes desde que mudei para São Paulo.

Lembrei disso graças a um episódio de hoje. Na volta do aniversário do colega do Augusto, recebi mais uma das missões de pai: passar na padaria e na farmácia para comprar pão e fraldas. É quase como pão e circo – e no fundo não é muito diferente (no bom sentido, é claro)… Deixei o Augusto no carro, na frente da padaria – devidamente trancado e com o rádio ligado tocando o CD do espetáculo Pra Nhá Terra, dos meninos de Araçuaí – e comprei o que precisava. Abri a porta do carro e Gutão pediu para eu comprar um pirulito – de maçã do amor (?!). Eu respondi que não, que tinha muita fila e eu não estava a fim. Ele chorou e ditatorialmente eu disse que ia tentar comprar na loja ao lado da farmácia e, caso não tivesse, eu voltaria na padaria para comprar. Ele não gostou, chorou, mas engoliu.

E logo paguei o preço pela preguiça. Tive que voltar na padaria. E então, aconteceu o mesmo que aconteceu com o amigo “Vileiro”. Encontrei outro amigo, da época de faculdade, a quem não via fazia pelo menos 8 anos, o Diego. Está trabalhando em uma agência, em São Paulo. Coincidência? Já combinamos de marcar um almoço parar descobrir. O cara surfava naquela época. Quem sabe não é mais um parceiro de surfe, artigo já nem tão raro por aqui.

O pirulito de maçã do amor estava em falta. Comprei um Sete Belo mesmo. Gutão se lambuzou igual.

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1 comentário

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Uma resposta para “Pirulito

  1. lu

    pode ser que esteja sendo chata, ou paranoica, mas num deixa o gutão mais trancado no carro não. 🙂
    infelizmente não vivemos num pais dos mais seguros e tranquilos, infelizmente os cuidados mesmo que aparentemente excessivos, são necessários. bjo

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