Arquivo do mês: outubro 2008

Mutirão do lixo eletrônico

Hoje é dia de mutirão do lixo eletrônico. Tempos atrás, vi uma matéria na National Geographic que mostrava a degradação de cidades em países asiáticos que recebiam lixo eletrônico de diversos países. Havia crianças separando peças naquelas cenas clássicas de degradação. Depois de ver essa matéria, fiquei sem coragem de jogar no lixo minha impressora velha, que custava 350 reais para arrumar (enquanto uma nova custava 299 reais).

Aí, resolvi enviar um e-mail para a HP. Vejam abaixo:

“Chat Transcript Begins Here
——————————

——————————–

Jose Eduardo

Obrigado por entrar em contato com o Centro de Soluções da HP Brasil. Em que posso lhe ajudar?

Rodrigo Vieira

Jose Eduardo
Boa noite.

Rodrigo Vieira
Boa noite. Tenho uma impressora
antiga (hp492c) e não vale a pena consertá-la. Gostaria de saber como
fazer para reciclá-la, pois não gostaria de jogar no lixo.

Jose Eduardo
Senhor, para melhor atendê-lo, é necessário efetuarmos algumas perguntas durante o atendimento, podemos prosseguir ?

Rodrigo Vieira
OK

Jose Eduardo
Informo-lhe
que não tenho informações de um procedimento de reciclagem de
equipamentos, sendo que esse atendimento é voltado para suporte técnico
de equipamentos da HP.

Jose Eduardo
Posso lhe ajudar em algo mais?

Rodrigo Vieira
sim,
gostaria de ser atendido na minha demanda. Vc poderia dizer quem
poderia ajudar? entendo que é um dever da HP ajudar a colaborar com o
correto descarte dos materiais por ela produzidos.

Jose Eduardo
Um momento, por gentileza.

Jose Eduardo
Me informe sua localização, por gentileza.

Rodrigo Vieira
estou em são paulo, zona oeste (vila madalena)

Jose Eduardo
Dessa forma, irei lhe indica um Centro Autorizado da HP, somente um momento, por gentileza.

Jose Eduardo
Anote os dados de nosso Centro Autorizado mais próximo da sua localização.

Empresa: MULTISERVICE
Telefone: 11 3672-4800
Endereço: Rua Cardoso de Almeida,797
Bairro: Perdizes
Cidade: São Paulo
Estado: SP

Empresa: SJ TECH
Telefone: 11 3064-9994
Endereço: Avenida Rebouças, 1461
Bairro: Jardins
Cidade: São Paulo
Estado: SP

Empresa: TECNOCOOP
Telefone: 11 5539-0188
Endereço: Rua Carlos Petit, 287
Bairro: Vila Mariana
Cidade: São Paulo
Estado: SP

Rodrigo Vieira
Amigo, já fui lá em um deles que disseram que não ficam com a impressora
e indicaram ligar para a HP. Temo que vcs não saibam como lidar com
isso, o que é um contrasenso com a maneira como se posicionam ‘empresa
com responsabilidade social’.

Rodrigo Vieira
Quem poderia me dar uma resposta formal sobre essa questão?

Jose Eduardo
Informo-lhe
que a HP não tem nenhum programa para reciclar os equipamentos antigos,
dessa forma, recicle da forma que melhor considerar.

Jose Eduardo
Posso lhe ajudar em algo mais?

Jose Eduardo
Senhor Rodrigo?

Jose Eduardo
Como não obtivemos resposta de sua parte, permita-nos desconectar essa sessão de chat. Obrigado pela atenção.

Jose Eduardo
Tenha uma boa tarde.”

Fiquei com a impressora parada, ocupando espaço em casa, até descobrir o site http://www.sucataeletronica.com.br e vender a impressora por R$ 1,70 para a reciclagem. Acessei lá e não estava funcionando. Espero que não tenha fechado.

Recentemente, o G1 publicou uma matéria sobre isso:

http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL615099-6174,00-SAIBA+O+QUE+FAZER+NA+HORA+DE+DESCARTAR+SEU+ELETRONICO+USADO.html

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Mutirão do lixo eletrônico acontece no dia 30 no estado de SP

Quando um celular, uma bateria ou uma pilha recarregável deixam de ter utilidade, o que deve ser feito? essa dúvida paira na cabeça de muita gente. As pessoas, por não saberem onde descartar esses materiais, acabam depositando-os em lixos comuns que vão para aterros de resíduos domiciliares. É aí que começa o Problema: a destinação inadequada do lixo eletrônico, ou e-lixo, pode causar a contaminação de rios e Reservatórios, do solo, além de trazer danos à saúde humana.

A questão da destinação correta do e-lixo é o que a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA) pretende abordar, no dia 30 deste mês, quando realizará o Mutirão do Lixo Eletrônico. Prefeituras de todo o Estado receberão urnas para a coleta dos materiais. Empresas de diversos segmentos atuarão como parceiras no mutirão, coletando o e-lixo, incentivando e divulgando a ação para seus funcionários. Na capital, a  população poderá trocar o lixo eletrônico por minicoletores para serem utilizados em casa ou no trabalho. O Brasil superou a marca dos 130 milhões de celulares. Há no País mais de 30 milhões de computadores, que são substituídos cada vez mais rapidamente por novas máquinas.

Reciclagem – O mutirão abordará também a questão da reciclagem, já que muitas substâncias contidas em equipamentos eletrônicos podem vir a ser reutilizadas, ao invés de descartadas. De um quilo de celular, por exemplo, podem ser reaproveitados de 100 mg a 150 mg de ouro, 400 mg a 600 mg de prata, 20 mg a 30 mg de paládio, 100 g a 130 g de cobre e 200 g de plástico. Ou seja, o e-lixo pode significar também fonte de renda asociada à preservação ambiental.

O Mutirão do Lixo Eletrônico integra o projeto ambiental estratégico Mutirões Ambientais, da SMA. Desde setembro do ano passado, o projeto realizou cinco iniciativas: Mutirão Verde (plantio e conservação de árvores), Mutirão Ambiental (evite sacolas plásticas), Mar Limpo (recolhimento de resíduos sólidos no mar), Mutirão Azul (uso racional da água) e Mutirão da Carona (uso racional de veículos e redução da poluição
 atmosférica).

 Lixo eletrônico ou e-lixo

 • No lixo eletrônico é possível encontrar substâncias tóxicas, como chumbo, cádmio, arsênio e mercúrio
 • Anualmente, são gerados 50 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos no planeta
 • Um celular tem em média vida útil de 18 meses
 • O Brasil possui 138 milhões de celulares – 72 aparelhos para cada 100 habitantes
 • A cada segundo, 23 celulares são fabricados no mundo
 • Um chip eletrônico exige 72 g de substâncias químicas e 32 litros de água para ser produzido
 • A cada quatro anos, as empresas substituem os seus computadores; nos domicílios, a troca é feita a cada cinco anos
 • Das pilhas comuns vendidas no Brasil, 40% são falsificadas

 (Fontes: Abinee, Anatel, CDI, Motorola, SBPC, Vivo)

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Sonho de surfista…

Aconteceu de novo. Mais um dos incríveis sonhos recorrentes relacionados ao surfe. O argumento é sempre o mesmo. Estou em uma praia desconhecido que reúne elementos de praias que eu já conheço (Essa lembrava a praia Mole, de Santa Catarina). Estou sempre com amigos. O mar está aparentemente bom. Aí, chega a minha hora de surfar e estranhas coisas acontecem. Ou perco a cordinha da prancha. Ou começa a ventar. Ou as ondas diminuem consideravelmente. Ou não consigo entrar nas ondas. Dessa vez, foi um pouquinho diferente. Vamos lá.

Estava no mar junto com o Bruno, meu irmão. Era um campeonato de ondas grandes na Austrália, na praia de Raleigh Heads (?). A pontuação era dada por insanidade. O drop (descida da onda, em ‘surfês’) mais radical ganhava mais pontos. Lembro que era a última onda e que a praia não tinha muitas belezas naturais. Era uma praia de tombo, o máximo que consegui lembrar e anotar em meio à madrugada (atendendo a um chamado do faminto Vicente).

Então, veio a minha onda. Era grande. ‘Botei para baixo’ numa massa de água considerável (só de lembrar já dá medo!). Então, coloquei os pés na prancha e joguei algo lá de cima nas costas de alguém que estava na frente, remando para pegar a onda no meu lugar. Desci a onda, caí e levei uma “vaca” e tanto. (“Vaca”, em surfês, quer dizer um caldo bem dado.) Lembro de rolar na areia junto com a espuma branca da onda, até raspar na areia. Levantei e levei a pontuação. Fiquei em terceiro lugar, com 900 e poucos pontos, atrás de alguém com 970 e do campeão com mais de 1000 pontos. Mas ainda não havia acabado a competição. Em seguida, o Vicente chamou. Antes da última onda.

Com certeza, esse sonho daria uma sessão de terapia (se eu não tivesse me dado em alta depois de um ano! Podia ter uma ‘fast terapia’. Tipo: uma sessão só para desvendar sonhos como esse).

Acabei de procurar Raleigh na wikipedia. Raleigh é o nome de uma praia na… Austrália. Raleigh também é uma grafia encontrada para Rayleigh Wave, um tipo de onda sísmica, observada em terremotos. Raleigh é ainda o sobrenome de um escritor inglês (Walter), que era poeta, soldado, cortesão e explorador. Caramba, alguém aí tem o telefone de um psicólogo?!? Pelo menos uma coisa eu entendo desses sonhos: preciso surfar mais!

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Fala, louco! (parte 3 – última)

O post passado despertou uma série de memórias na lista de discussão que une a turma da infância. Bendita internet! Lembraram da história do garrafão de vinho roubado (essa ainda conto aqui) e da banda Chulé de Coturno, entre outras passagens hilárias da história. Tive boas idéias para escrever mais sobre o passado. Valeu, galera. Agora, segue aí a terceira e última parte do texto sobre o Teta e a galera de Porto Alegre (link para a 2a parte):

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Teve um que até se arriscou a cantar ópera. Foi o mesmo Cecé, protagonista de muitas histórias divertidas, na janela de um dos veranistas do Rivera, um senhor, do qual não lembro o nome e que tinha a fama de mau. Em uma volta do centro, por volta da meia-noite, Cecé começou a cantar em falsete, o mais alto possível, na janela do sujeito. Por semanas tentou-se descobrir o culpado. O Teta ficou indignado, acobertou o Cecé, mas não perdeu a chance de lembrar que o tal vizinho ameaçou dar um tiro no cara que cantou na janela dele. Só precisava descobrir quem…

Amainar conflitos é uma especialidade do Teta. Foi assim que o conheci a primeira vez. Ainda não o conhecíamos o Teta, quando fomos até o Rivera na casa de alguém que havia alugado um apartamento lá para o Verão. Estávamos eu, o Marcelo e o Glauber, se não me engano, junto com a Vivian Beiço (espero que ela não leia isso ou poderia ficar brava com o apelido). Subíamos os degraus do segundo andar quando ouvimos alguém chamar a Vivian de vagabunda. Sem entrar no mérito se o cara tinha ou não razão, precisávamos fazer algo contra aquilo. Saímos do prédio e voltamos com reforço: uns quatro carinhas subiram até o terceiro andar descobrir quem havia falado. Vimos o cara se esgueirando para se esconder em um dos apartamentos ao final do corredor. Fomos até lá dar uma prensa neles. Então, apareceu outro cara, sorridente, na frente do apartamento. E foi logo falando: “E aí, Marcelo?!”. Marcelo respondeu: “Felipe! E aí, meu?!” Os dois se conheciam do colégio, mas ainda não sabiam que veraneavam na mesma praia e que todos se tornariam grandes amigos (inclusive o sujeito que havia ‘elogiado’ a Vivian). Conversa vai, conversa vem, o Felipe (que mais tarde ganhou o apelido de Teta, pelos mamilos levemente protuberantes), acabou salvando a pele desse outro cara (o Alexandre, Xande, que mais tarde ganharia o apelido de Periquito, abreviado para Pirica — em função do nariz adunco e da testa levemente achatada, que de fato lembram a ave).

Arestas aparadas, alguns dias depois Felipe e Alexandre apareceram na minha casa, a famosa Vila Ondina (que depois foi batizada de Vila Sulema, em homenagem à minha falecida avó). Queriam nos convidar para jogar um campeonato de futebol, que estavam organizando no Rivera. Começava ali um ciclo que se estendeu por sete maravilhosos anos, que moldaram amizades para toda a vida. Nesse círculo, Teta foi uma peça-chave, conectando novos amigos na rede. Sempre apoiado no verbo. Não por acaso se formou advogado. Temporariamente ele está sem voz, graças a um acidente. Mas não por muito tempo. Faz pouco, o Grêmio perdeu de 4×1 do Inter. Falei com o Teta. Depois de me dar ‘oi’, ele falou: 1, 2, 3, 4. Essa é minha única diferença com ele. Eu sou gremista, ele colorado. Mas, caramba, ninguém é perfeito, certo? Não é, louco!?

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Fala, louco! – parte 2

Segue a 2a parte do texto sobre Teta e a turma do Rivera (link para a 1 parte):

O contraponto da liberdade era a melancolia da cidade. A praia ficava com cara de cidade-fantasma no inverno. Não tinha nem gente suficiente para jogar futebol. Triste, como a cara de um dia cinzento. Nos feriadões de final de ano, 7 de setembro, 12 de outubro, 15 de novembro, até rolava um jogo de bola. Às vezes a gente encontrava figuras de verão errando por lá, como Dudu Winter, Renatinho Negão, Guto e outros. E aí saía jogo.

À noite, o centro de Capão era o retrato do abandono. Aqueles que se arriscavam encontravam quase tudo fechado: o Gut-gut (que fazia batidas memoráveis), o Bolicho (uma casa de boliche erguida toda de madeira. Um clássico da cidade. Com madeira que estavam lá há décadas, decadente que só. Cada vez que alguém jogava uma bola rezava não para derrubar os pinos, mas sim para não furar o chão!”). Até o fliperama ficava fechado. Não podíamos jogar a Copa do Mundo, em que a regra clara era: “Quem mandou golear o primeiro?. Se isso acontecesse,o segundo ficava mais forte e assim por diante. Era assim o mecanismo do jogo. Ou pelo menos a gente achava que era.

O que funcionava bem na cidade era o vento gelado, que dificilmente era amainado pelo calor das lindas meninas do sul do País. Poucas se arriscavam no inverno… Era quase uma insanidade passear no centro de Capão no inverno. Por isso a gente ficava pelas casas, tomando vinho de garrafão (Sangue de Boi, ou Sâng du boá, em bom francês), fazendo caipirinha de Velho Barreiro, jogando War ou conversa fora.

No verão era tudo diferente. Disputávamos aguerridos campeonatos de botão. Na primeira divisão só jogava a gurizada maior. A segunda divisão era para os irmãos menores. Dificilmente alguém saía de uma divisão para outra. A não ser quando o último colocado fosse o Cecé Carapa. Só pelo prazer de vê-lo jogar contra a molecada. A regra não durou mais de um campeonato, pois logo o Cecé subiu para a primeira divisão. Os jogos aconteciam dentro do salão de festas do Rivera, que tinha um grande pátio interno. Lá a galera corria – entrava e saía sem pedir autorização para ninguém, em um tempo em que segurança era uma palavra que pouco preocupava.

Tudo sempre acontecia no Rivera, o ponto de encontro da galera. Tinha cada espécie por lá… O Dudu Gordo era uma delas. Ele não fazia parte da panelinha, mas na volta do centro de Capão era figurinha carimbada nos papos filosóficos, que incluíam as seguintes pautas: a próxima bagunça que seria feita, certa menina da galera que andava saindo com alguém que não era da turma, a tática para vencer o time de futebol rival, a próxima festa da Saac ou da Rocky Point, em Atlântida. No caso do Dudu Gordo, o assunto era o fato de que ele era amigo dos seguranças de porta de puteiro em Porto Alegre…

No Rivera também tinha um pessoal de uma banda chamada Transaminase. O hit deles era uma música da Bandalhera chamado “Campo Minado”. O Dudu Gordo jurava de pé juntos que eles haviam composto. Tinham canções próprias também. Uma delas era: “Capão é um balneário/que acomoda muita gente/no inverno é frio para caralho/ e no verão é quente.” A Bandalheira era a versão praiana das bandas de rock de garagem que abundam em Porto Alegre. De certa maneira (acho que por falta de outras), era a referência para os projetos de roqueiros da turma que nunca vingaram. Marcelinho, meu primeiro grande amigo e ponto de contato com a turma do Rivera, e Cecé eram os que mais chegavam perto de conseguir tocar algo. O panamenho JJ era o mestre – e segue tocando até hoje, muito bem, por sinal. Mas a carreira musical nunca passou de uma brincadeira para todos.

Teve um que até se arriscou a cantar ópera. (continua)

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Fala, louco!

Essa vai para o meu amigo Teta e para todos que orbitaram em volta do Rivera. Vai em partes. Segue a primeira:

Fala, louco! – parte 1

Cada vez que eu penso em ligar para o meu amigo Luiz Felipe, o Teta, em Porto Alegre, eu logo lembro que preciso de alguns bons minutos para concluir a conversa. Por um simples motivo, o cara fala muito! Longe de ser ruim, um bate-papo com o Teta sempre é divertido e cheio de tiradas engraçadas. Uma das preferidas era: “Vem na minha que tu te dá bem”.

E de fato, várias vezes me dei bem do lado do Teta. Uma das melhores de todas, sem dúvidas, foi o Kayapó, o nosso glorioso time de várzea que muitas vezes fez a alegria (algumas vezes a decepção) da rapaziada. O Kayapó foi uma continuação das peladas do Rivera, QG da turma em Capão da Canoa. Na frente do prédio, tinha um areião brabo onde espetávamos as traves e fazíamos partidas memoráveis em sessões de futebol que duravam até três horas e só eram interrompidas por dois motivos: altas ondas em Capão ou o pôr-do-sol tardio do verão riograndense. O plantel do futebol além de mim: Teta, Marcelinho, Duda, JJ, Paes, Gugu, Cecé Carapa, Renatinho Negão, Leandrinho, Pilotto, Pirica, Bob, Simpson, Wagner, Terek, Dudu Winter, Filipones e outros que provavelmente estou esquecendo. Os coroas também jogavam: Cauby (pai do Pirica), Rogério, Lobato, entre outros, como o narrador Paulo Britto e até jogadores refugo da dupla Grenal. Partidas memoráveis…

Sempre me dei bem no Rivera, também na ‘cola’ da mãe do Teta, a tia Waner. Principalmente nas vezes em que atacávamos os habilmente esculpidos bombons de chocolate com recheios de leite condensado, ameixa ou cereja, para citar os meus três preferidos. Ou então quando devorávamos o mundialmente famoso pudim de queijo que ela fazia, controlado a ferro e fogo pelo guardião Teta, que sempre flexibilizava, atendendo a vontade da turma.

Os bombons e o pudim de queijo quase sempre regavam uma animada conversa adolescente entre às 15h e às 17h, enquanto fazíamos a digestão, esperando o sol baixar para começar as partidas de futebol. O aparelhinho de som Samsung (comprado em Riviera, na fronteira do Brasil com o Uruguai, em Santana do Livramento, terra da família de Teta) tocava a última aquisição nos CDs. Invariavelmente, alguma banda de hard metal (poser, diriam alguns) ou de rock nacional, com farta preferência para as primeiras. Firehouse, Poison, Guns ‘n’ Roses, Twister, Warrant, White Lion e qualquer outra banda do gênero faziam sucesso.

Os finais de semana de inverno no Rivera eram a redenção. Sem nenhum pai ou mãe por perto, a gente dominava a mesa de canastra para jogar War ou Scotland Yard, revezando espaço entre a galeria que dava para o pátio do prédio ou a varanda que permitia checar as condições do mar, que na maioria das vezes estava muito gelado para motivar uma sessão de surfe.

O contraponto da liberdade era… (continua – 2a parte). 

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Kayapó e casamento em Porto Alegre

Nesse final de semana que passou fui até Porto Alegre para o casamento do Marcelo, amigo de infância. No sábado, aproveitei para jogar futebol no Kayapó, time de futebol onze de várzea que ajudei a fundar. Uma das coisas que ainda sinto falta dos pagos gaudérios é desse futebol, quase 10 anos depois de sair de lá. Mais do que um time, o Kayapó era uma espécie de terapia semanal. Em São Paulo, consegui trocar por finais de semana de surfe. Mas são atividades complementares, não substituíveis. Menos mal que desde que cheguei em Sampa já comecei a bater bola semanalmente. Ver o Kayapó em ação 15 anos depois de fundado foi muito legal. Bacana de ver funcionando uma ‘instituição’ que começamos há tanto tempo, por pura diversão. Antes do jogo começar, Leandrinho juntou a turma, trocou umas palavras com o time e me ‘apresentou’. Conhecia quatro caras dos 15 que estavam lá. Tinha até moleque de 20 anos. Que tinha 5 quando o time foi formado! É a renovação do Kayapó. O resultado? Ganhamos de 3×2. Joguei 45 minutos e foi como se tivesse jogado 90. Oito anos sem jogar futebol de campo fazem uma diferença! 

Depois do futebol, o casamento. Rever amigos de infância e conversar como se a última vez que tivéssemos conversado fosse ontem é mesmo sensacional. Em um bate-papo filosófico com minha amiga Sha, chegamos à conclusão de que não é fácil manter essa rede de amigos viva. É preciso assiduidade e compromisso. Se marcar um encontro com a turma, é preciso ir. Afinal, só a presença de todos é que faz sentido e mantém a rede viva. Ela estava comentando que tem outra turma do colégio que tenta se manter unida, mas não com a mesma eficiência. Parece simples, mas não é. Pense aí quantas vezes a turma do colégio ou da faculdade marcou encontro e meia dúzia apareceu. Falei com o Gugu sobre isso também. A tese dele: “essa galera toda só se reúne aqui para essa festa porque o nosso passado comum foi muito afudê”. Concordo 100%.

E toda vez é a mesma coisa, relembrando as mesmas histórias. E rindo sem parar. Deveríamos ter mais festas como essas. Só faltou levar a Ju, o Gutão e o Vico, que com 2 meses de idade ainda está muito novinho para viajar longe. Mas festas de casamento não vão faltar para ele!

No domingo, deu tempo de acordar, trocar uma idéia com meus pais (muito bom voltar às origens — valeu, pai e mãe, pelo alto astral de sempre!), almoçar e pegar o avião de volta. Apesar da Gol, que tentou atrapalhar cancelando meu vôo de volta sem avisar nada. Por sorte, ainda deu para entrar no avião seguinte, devidamente munido de chocolates especiais, atendendo à encomenda do Gutão. Só não deu para comprar o o copo do Grêmio que ele pediu. Fica para a próxima!

PS: Porto Alegre continua uma cidade muito agradável. Cheia de árvores, limpa, bem sinalizada, com distâncias reduzidas (o aeroporto fica a apenas 10 minutos do centro da cidade). Já imaginaram São Paulo assim? Uma corrida de táxi que atravessa a cidade custa só 35 reais. Ah, se fosse mais perto de Santa Catarina e de uma praia com boas e constantes ondas…

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Liberdade e endorfina

“A espécie humana não aceita lidar com a realidade.” – T.S. Eliot

Ontem li uma matéria na revista Trip que perguntava para as pessoas qual tinha sido o momento em que elas haviam sido mais livres. Lembrei de alguns momentos na hora e de outros depois. Mas só há pouco caiu a ficha do momento em que me senti mais livre. Meu amigo Marcelo, que vai casar nesse final de semana (e está deixando a ‘liberdade’ para trás, na visão de alguns, mas não na minha), deve lembrar.

Estávamos em uma surftrip no Farol de Santa Marta, em Santa Catarina. Para quem nunca foi para lá, o farol me lembra a imagem dos filmes de Hollywood sobre a Baja California. Uma vegetação meio rasteira com bastante areia para todo o lado. Só faltariam aqueles fuscas com rodão, que não por acaso se chamavam Baja. É um lugar atípico no litoral de Santa Catarina, que é farto em vegetação da Mata Atlântica. Tem uma paisagem lunar, com praias belíssimas. Uma delas, a Galheta Norte, é a que a gente estava nesse dia.

A viagem desde Porto Alegre durou 3 horas e meia. Fomos  no Uno Mille preto de guerra, com vários quilômetros rodados atrás da onda perfeita. Fomos direto para a praia, depois de ultrapassar as dunas que teimavam em invadir a estrada de terra. Não havia absolutamente ninguém. Era um final de tarde. Ainda deveria ter no máximo mais 30 minutos de surfe. Desci do carro, olhei para um lado: só mar. Olhei para o outro: um morro verde, enorme. Olhei para trás, algumas casas, quase soterradas pela areia, todas fechadas. Olhei para o outro lado, a imensidão da baía que se perdia centenas de metros adiante. Tive uma vontade súbita de gritar e pular. Uma catarse estimulada pela sensação gostosa de estar ao ar livre. Um minuto de insanidade, com gritos, pulos e uma euforia inexplicável.

Um dia desses ainda vou encontrar um pouco dessa substância que meu cérebro gerou naquele momento. Endorfina pura. Tá quase ali com a sensação de uma onda bem surfada. O problema é experimentar essa sensação uma vez. A vontade de encontrar de novo fica sempre, sempre por ali.

Lembrei disso esses dias, quando o Gutão disse que o espaço em casa era muito curto e que isso era ruim porque ele queria correr muito. “Não pode ter nada ali”, disse apontando para o sul, “nem ali, nem ali, nem ali”, virando o braço para leste, norte e oeste. “Quero correr, correr, correr. Para todas as direções.”

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Mais uma do Gutão: cheguei em casa hoje, falei com a Ju, com o Zé, amigo nosso e colega dela e fui para o quarto dar um alô para ele. Disse, com a maior cara de quem esperava eu entrar no quarto: “Papai, tava pensando em você. Vi uma foto sua e te lembrei!

Parabéns para meu irmão Brunildo, que fez 29 anos hoje e se diz mais experiente! Dá-lhe, cineasta!

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