E aí, veterano?


Cabeça-feita. No dicionário dos surfistas define o estado de espírito depois de uma sessão boa de surfe. Nem precisa ser das melhores – e frequentemente não acontece assim. Algumas poucas e boas ondas em um dia de vento maral (que vem do mar e estraga a formação das ondas) foram suficientes para isso hoje. Saí do mar depois de duas horas e fiquei esperando meu amigo Leandro e a namorada Talita aparecerem perto do carro, como combinamos. (Senti uma saudade danada de quando íamos eu e Ju para Ubatuba, no Félix, ou Juqueí, namorar na praia. Logo vamos de novo. Agora com quatro no carro!) 

Demorou um pouco até o Leandro – que conheceu hoje o Guarujá e diz que ia transformar isso em ‘lifestyle’ apareceu. Sem a chave do carro, que estava a uns 200 metros de distância. Passamos em frente ao campeonato que, para variar, fechava metade da extensão da praia do Tombo para quem não estava competindo. Eis que bem na frente do palanque um sujeito me aborda. Deve ter visto meu ‘bronzeado’ de meses sem praia, e algumas entradas no cabelo e mandou: “E aí, veterano, quer cobrar filmes de surfe?”, perguntou enquanto tirava vários CDs debaixo do braço, todos sem capa e com a maior cara de produção caseira. “5 reais cada um.” Mandei um obrigado e 2 segundos depois, Leandro não perdoou: “Fala, Veterano!”. Demos boas risadas enquanto eu refletia sobre o ‘feedback’ e lembrava que fiquei duas horas dentro da água que pareciam quatro… Fora de forma, com 32 anos, não é fácil surfar! Veterano total…

Já em São Paulo, na padaria, a caixa fala: “Tome seu troco, garoto.” Curiosas as perspectivas. Engraçado como não me identifiquei com nenhuma das duas…

Só sei que em duas horas dentro da água, não lembrei por nenhum mísero momento da crise financeira. Além da desconexão mental da rotina (conexão total com o mar), o surfe dá o privilégio de interagir com vários elementos da natureza.

Pés embaixo da água, sol na pele, vento no rosto. Isso faz uma falta do caramba no dia-a-dia.

Sonho com o dia de surfar a primeira onda com o Augusto e  com o Vicente.

E sonho também quando fico a partir de três semanas sem surfar. Sonhos recorrentes. De lugares desconhecidos, porém familiares. As imagens fundem dois ou três lugares que já conheço. Hoje mesmo misturava a parte sul da Ilha de Barbados, com um trecho da Playa Negra, na Costa Rica. Nunca consigo surfar. Hoje mesmo, as ondas diminuíram muito no sonho. Outras vezes não tenho cordinha da prancha. A quilha quebra. O vento aperta. Não encontro a entrada da praia. Enfim, muitas metáforas. Minha ex-psicóloga ia gostar disso. Pena que me dei alta antes de ela poder ouvir! Um amigo já disse: o surfe é minha terapia…

Realidade dentro do sonho. Ou sonho dentro da realidade?

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Uma resposta para “E aí, veterano?

  1. lu

    segundo a “minha terapeuta” o mar é nosso inconsciente….ou quem sabe o retorno pra o útero. 🙂 conexões a parte, ah como é bom um mergulhinho, né não veterano?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s