Fala, louco! (parte 3 – última)


O post passado despertou uma série de memórias na lista de discussão que une a turma da infância. Bendita internet! Lembraram da história do garrafão de vinho roubado (essa ainda conto aqui) e da banda Chulé de Coturno, entre outras passagens hilárias da história. Tive boas idéias para escrever mais sobre o passado. Valeu, galera. Agora, segue aí a terceira e última parte do texto sobre o Teta e a galera de Porto Alegre (link para a 2a parte):

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Teve um que até se arriscou a cantar ópera. Foi o mesmo Cecé, protagonista de muitas histórias divertidas, na janela de um dos veranistas do Rivera, um senhor, do qual não lembro o nome e que tinha a fama de mau. Em uma volta do centro, por volta da meia-noite, Cecé começou a cantar em falsete, o mais alto possível, na janela do sujeito. Por semanas tentou-se descobrir o culpado. O Teta ficou indignado, acobertou o Cecé, mas não perdeu a chance de lembrar que o tal vizinho ameaçou dar um tiro no cara que cantou na janela dele. Só precisava descobrir quem…

Amainar conflitos é uma especialidade do Teta. Foi assim que o conheci a primeira vez. Ainda não o conhecíamos o Teta, quando fomos até o Rivera na casa de alguém que havia alugado um apartamento lá para o Verão. Estávamos eu, o Marcelo e o Glauber, se não me engano, junto com a Vivian Beiço (espero que ela não leia isso ou poderia ficar brava com o apelido). Subíamos os degraus do segundo andar quando ouvimos alguém chamar a Vivian de vagabunda. Sem entrar no mérito se o cara tinha ou não razão, precisávamos fazer algo contra aquilo. Saímos do prédio e voltamos com reforço: uns quatro carinhas subiram até o terceiro andar descobrir quem havia falado. Vimos o cara se esgueirando para se esconder em um dos apartamentos ao final do corredor. Fomos até lá dar uma prensa neles. Então, apareceu outro cara, sorridente, na frente do apartamento. E foi logo falando: “E aí, Marcelo?!”. Marcelo respondeu: “Felipe! E aí, meu?!” Os dois se conheciam do colégio, mas ainda não sabiam que veraneavam na mesma praia e que todos se tornariam grandes amigos (inclusive o sujeito que havia ‘elogiado’ a Vivian). Conversa vai, conversa vem, o Felipe (que mais tarde ganhou o apelido de Teta, pelos mamilos levemente protuberantes), acabou salvando a pele desse outro cara (o Alexandre, Xande, que mais tarde ganharia o apelido de Periquito, abreviado para Pirica — em função do nariz adunco e da testa levemente achatada, que de fato lembram a ave).

Arestas aparadas, alguns dias depois Felipe e Alexandre apareceram na minha casa, a famosa Vila Ondina (que depois foi batizada de Vila Sulema, em homenagem à minha falecida avó). Queriam nos convidar para jogar um campeonato de futebol, que estavam organizando no Rivera. Começava ali um ciclo que se estendeu por sete maravilhosos anos, que moldaram amizades para toda a vida. Nesse círculo, Teta foi uma peça-chave, conectando novos amigos na rede. Sempre apoiado no verbo. Não por acaso se formou advogado. Temporariamente ele está sem voz, graças a um acidente. Mas não por muito tempo. Faz pouco, o Grêmio perdeu de 4×1 do Inter. Falei com o Teta. Depois de me dar ‘oi’, ele falou: 1, 2, 3, 4. Essa é minha única diferença com ele. Eu sou gremista, ele colorado. Mas, caramba, ninguém é perfeito, certo? Não é, louco!?

1 comentário

Arquivado em Amizade, Infância

Uma resposta para “Fala, louco! (parte 3 – última)

  1. Bruno

    Muito legal a amizade dessa galera que se estende até hoje, por mais que estejam todos vivendo por pagos distantes!!!
    Um abraço pra rapaziada!!

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