Arquivo do mês: dezembro 2008

Sonhar grande custa o mesmo que sonhar pequeno

Para quem quiser investir 11 minutos nesse final/início de ano, recomendo a animação sobre o sonho de Soichiro Honda, enviado por um ex-colega de trabalho.

O filme, um curta metragem de animação que é uma verdadeira obra de arte (música, traço, ritmo, narrativa), mostra quando Soichiro Honda teve a idéia de incorporar um motor a sua bicicleta. E assim nasceu a Honda. De um sonho que ele teve. É altamente inspirador e na hora me fez lembrar uma das frases marcantes que ouvi (em 2004): “Sonhar grande custa o mesmo que sonhar pequeno”

Vale a pena assistir: www.micheledauria.com

Feliz ano novo para os fiéis leitores desse blog. Além dos suspeitos de sempre, a família, há outros leitores que prestigiam. São poucos, mas existem! Que os sonhos de 2009 sejam enormes!

Para a minha esposa amada: 2009 será um ano de gentilezas! Te amo!

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Touradas

A gente vai mudando de opinião na vida. E isso é ótimo.
Sempre gostei de touradas. Ultimamente, porém, venho sendo cada vez menos simpático a elas. Não sou e não quero ser radical. E gostaria de assistir a uma antes de ter uma opinião formada. O texto abaixo, porém, é fuerte. Foi publicado na Folha de S. Paulo, no dia 24 de dezembro. E a proposta de não viajar à Espanha é radical demais.

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Condene visitas à Espanha enquanto esse rito de crueldade macular de sangue seus esplêndidos tesouros culturais
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NAS HORAS que precedem a tourada, auxiliares se ocupam de preparar o touro. Penduram-lhe no pescoço pesados sacos de areia, para fatigar os músculos que acionam as chifradas. Passam-lhe vaselina nos olhos para embotar-lhe a visão. Desde a véspera, ou até antes, não o alimentam.
Na pouca água que lhe dão, misturam purgantes: perda de fluidos e sais na diarréia irão levá-lo mais cedo à exaustão.

A intenção é reduzir-lhe a capacidade de lutar, não a disposição, que
buscam excitar ao confiná-lo em curral escuro e exíguo. Ali,
golpeiam-lhe os rins e espicaçam os testículos com longas agulhas.
Quando finalmente o deixam galopar para a falsa liberdade da arena, o touro primeiro estaca, aterrorizado, furioso, aturdido pelo sol que
reverbera na areia.

Depois, ataca o primeiro inimigo a provocá-lo: o picador, toureiro
montado e armado de lança, pernas protegidas por armaduras. Enquanto chifra o cavalo (precariamente protegido pela “calzona” de camurça) e o comprime contra o muro da arena, o touro expõe a nuca a pontaços da “puya”, ponta piramidal da lança. Afiadas arestas da “puya” rasgam o couro e rompem tendões e ligamentos sem aprofundar os ferimentos.

Para prevenir importunos relinchos de terror, prévia operação sem
anestesia terá extirpado as cordas vocais do cavalo. Se incapacitado
por chifradas, ele será abatido. Mas, caso lhe sobre alguma força,
passará por grosseira sutura dos ferimentos, sempre sem anestésico,
para ser aproveitado na tourada seguinte. (Tipicamente, cada corrida
sacrifica seis touros numa tarde.) Em média, cavalo de tourada
sobrevive a três ou quatro espetáculos.

Depois do picador, toureiros subalternos virão atormentar o touro com as bandarilhas que lhe fincam no dorso enquanto o rodeiam e confundem.
Corcovos para livrar-se desses dolorosos arpões coloridos meramente
aumentam lacerações e o sangramento do touro, mas divertem e excitam o público.

Entra em cena o matador. Também ele terá passado por preparativos
esmerados. Entre estes, oração contrita perante réplica da chorosa
Virgem da Macarena, santa tutelar dos toureiros. Na arena, depois de
elaborado balé de esquivas e rodopios da “muleta” (capa usada no ato final), o toureiro se posta diante do touro exausto e atordoado,
arranca em curta corrida e crava-lhe a espada num dos lanhos abertos pela “puya”.

A lâmina pode penetrar mais de meio metro, perfurar um pulmão e também alguma artéria grossa; hemorragia profusa fará o touro golfar sangue enquanto sufoca e tomba.
Tentará reerguer-se, mas outros toureiros acorrem para cravar-lhe
entre vértebras da nuca repetidos golpes de “puntillas” (adagas), para
destruir-lhe a medula espinhal e paralisá-lo. Exultação orgástica do
público.

Acenos de lenços brancos sinalizam ao diretor da tourada que conceda ao toureiro a honra de decepar uma orelha do touro que, ainda consciente, bufa sangue e agoniza. Insistência do público rende as duas orelhas. Enquanto contorna a arena para exibir os troféus, o
toureiro pisa cravos vermelhos, leques, mantilhas: oferendas
simbólicas de mulheres excitadas pela virilidade do herói.

Matanças e torturas recreativas continuam vastamente distribuídas no mundo: boxe, rinhas de galo, rodeios, lutas de cães, caçadas e
pescarias “esportivas” -difícil completar a lista. Mas, enquanto boxe
e rinha conotam crueza cafona, vulgaridade e gangsterismo barato,
tourada é sofisticação perversa, com pretensões de refinamento
aristocrático, arte, romance -e interesses financeiros muito mais
cobiçosos.

Esses atributos a projetam como epítome de todas as tradições que
degradam por igual espectadores, promotores, patrocinadores e os
governantes que prevaricam ao dever de proscrevê-las. Alguns, como a família real espanhola, até as prestigiam.

A maioria do povo espanhol não se compraz com touradas. Porém, para elevá-lo da indiferença à vergonha, turistas deveriam gastar noutros países os US$ 50 bilhões que todo ano deixam na Espanha. Boicotar também patrocinadores de touradas, como a Pepsi-Cola, e oportunistas como Giorgio Armani, que desenhou o “traje de luces” para o matador Ordóñez usar na “Corrida Goyesca” de setembro último.

Protestos e boicotes funcionam: forçaram a Mattel a tirar de linha
bonecas Barbie fantasiadas de toureiro. Aliste-se. É simples: condene
visitas à Espanha enquanto esse rito de crueldade macular de sangue
seus esplêndidos tesouros culturais.
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ALDO PEREIRA , 76, é ex-editorialista e colaborador especial da Folha.

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Ego, sabedoria e respiração

Algumas reflexões sobre um almoço que tive ontem com dois grandes amigos.

1. “O ego fere a índole”. Foi uma frase ouvida no almoço. Li um livro legal sobre isso na maternidade, enquanto a Juliana descansava, à espera do Vicente (foram 15 horas de parto!). Chama “A New Earth – Awakening to your life’s purpose”. É de um sujeito chamado Eckhart Tolle. Ele fala em autoconhecimento e sobre descobrir o seu propósito na vida. Segundo ele, para que isso possa acontecer, é necessário antes se livrar do ego. Para ele, o ego tenta a todo o momento dominar o pensamento e é bastante sedutor para isso. È um papo-para-lá-de-cabeça, mas quantas vezes não somos seduzidos a ‘aparecer’ aqui ou ali sem se dar conta dos impactos que isso possa causar. Para refletir…

2. Outra frase: “Você é muito inteligente, mas não é sábio.” Essa um dos amigos, budista, ouviu de um lama. Ele recebeu essa mensagem como mantra. Profunda. Inteligência é uma coisa, mas sabedoria é outra totalmente diferente. Para ser sábio, tem que ser inteligente. Mas não adianta ser inteligente para ser sábio. Rumo à sabedoria, esse amigo repete esse mantra sem parar.

3. Um coach americano escreveu um livro com dicas para presidentes de empresas (CEOs.) Chama-se “What got you here won’t get you there.” Uma dica simples e poderosa é a terceira coisa que destaco do almoço. Respire antes de falar qualquer coisa. Uma das pessoas que começou a praticar isso, segundo o autor do livro Marshall Goldsmith, deixou de falar, emitir uma opinião, em 80% das vezes. Isso vale para líderes de equipes em momentos de discussão, quando um subordinado dá uma idéia. Se o chefe comenta em cima dessa idéia, ela pode deixar de ser de quem falou e passa a ser do líder, pela força de sua palavra. Isso é ruim, pois desmotiva as pessoas. Outras vezes, o que você vai falar é irrelevante para o momento. Esse mesmo autor fala que isso ajuda a deixar de interromper as pessoas. Quantas vezes no ímpeto de falar algo você atropelou alguma pessoa? Um dos amigos no almoço contou ter interrompido as pessoas mais de 40 vezes em um dia.

Três pontos interessantes para se pensar nesse final de ano.

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Somos todos arquitetos de escolhas

Cada vez que decidimos apresentar uma informação em detrimento de outra, estamos ajudando alguém a entender ou fazer uma outra decisão. Essa é a essência do pensamento do professor da escola de negócios da Universidade de Chicago (Chicago Booth), Richard Thaler, que esteve no dia 10/12 em São Paulo para o lançamento do seu livro com o título de “Nudge: O Empurrão para a Escolha Certa”. O livro é sobre economia comportamental, uma disciplina que ganhou força recentemente, principalmente a partir do lançamento do livro Freakonomics.

 

Thaler e o co-autor Cass Sunstein defendem a tese do Paternalismo Libertário. Sob essa lógica, são, sim, as pessoas que precisam tomar suas decisões. Mas se tiverem um ‘empurrãozinho’ tomarão decisões melhores. Um ótimo exemplo está já no início do livro: uma pessoa responsável pela nutrição em um complexo educacional. Imagine que na hora de escolher como ordenar os alimentos no refeitório dos estudantes ela tenha as seguintes alternativas:

 

  1. Arrumar os alimentos para melhorar a vida dos alunos, considerando todos os aspectos.
  2. Escolher a ordem dos alimentos aleatoriamente.
  3. Tentar arrumar os alimentos para fazer com que as crianças escolham os mesmos itens que escolheriam sozinhas.
  4. Maximizar as vendas dos produtos dos fornecedores dispostos a oferecer as maiores propinas.
  5. Maximizar o lucro, ponto final.

 

Alguém poderá dizer que a primeira escolha é intrusiva ou paternalista. Ok, pode ser. Mas as outras são muito piores, concorda? Esse é o ponto: se você pode ajudar as pessoas a terem dias melhores, pode fazer isso com escolhas pensadas. Isso vale para planos de aposentadoria (dar ou não a opção de continuar contribuindo automaticamente ao final de um determinado período de um plano ou mesmo fazer a contribuição aumentar proporcionalmente a cada aumenta de salário) ou doação de órgãos (definir que todos são doadores até opção contrária ou fazer as pessoas optarem na hora de renovar documentos como carteira de identidade ou licença de motorista).

 

Se pararmos para pensar sobre isso, as aplicações são inúmeras. Há um exemplo bem-humorado no livro. No sanitário público do aeroporto internacional de Amsterdã, alguém teve a idéia de pintar uma mosca na cerâmica dos vasos do banheiro masculino. Com esse ‘estímulo’ conseguiram diminuir em 80% o total de respingos. A explicação do economista responsável pelo experimento: “Quando um homem vê uma mosca preta, ele mira nela.”

 

Agora, o que mais é possível fazer tendo sabendo disso? Há mais um exemplo interessante no livro. Na Califórnia, alguns moradores passaram a receber um aparelho chamado Ambient Orb. Trata-se de uma lâmpada instalada junto ao relógio de energia que passa a brilhar mais forte quando o consumo de energia está alto. Simplesmente por terem essa informação, os moradores conseguiram diminuir em 40% o consumo de energia. No fundo, no fundo, é uma questão quase elementar, mas que, se levada a sério quando pensamos em sustentabilidade ou em políticas públicas, pode melhorar a vida de muita gente.

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Tão perto e tão longe

Cheguei em uma praia sensacional da Indonésia. Alguns amigos já estavam lá. A praia é grande e há ondas em toda a extensão, com lajes de coral esparsas. Tem mais ou menos do tamanho de Itamambuca ou da praia do Rosa. À esquerda de quem olha para o mar, a cerca de 1 quilômetro, há um morro. Estou no canto direito. O mar está um pouco ventoso. Há algumas pessoas surfando, mas as ondas não estão nada demais. Ao lado, separada por um morro, outra praia belíssima. Do alto, se pode conferir o mar, a partir de uma visão privilegiada.

Pego minha prancha verde com um detalhe em branco, especial para surfar ondas rápidas e tubulares, e vou conferir. Quem sabe essa outra praia não apresenta melhores condições? Subo o morro. A subida não é tão longa, curiosamente inversamente proporcional ao visual lá de cima. Milhares de metros abaixo, vejo um rio correndo. Já não consigo distinguir direito a praia ao lado. Embora ela esteja desenhada perfeitamente na minha cabeça, não a vejo. A paisagem é idêntica a de um fiorde. Muito verde entrecortado por pedras. É muito alto.

Para enxergar o mar, preciso passar por um caminho estreito, carregando a prancha por uma das bordas, segurando com a mão por cima, em formato de pinça. Como ela é grande, fica difícil carregá-la dessa maneira. Vem uma rajada de vento e a derruba. A prancha cai, bate numa pedra e fica presa por um triz. Estendo a mão e tento alcancá-la. O vento sopra mais forte e a prancha não resiste. Rola fiorde abaixo e vai ficando menor, menor, cada vez menor. E desaparece.

Nesse momento, penso que isso podia ser um sonho, pois aí eu não teria perdido minha prancha. Então, olho para frente e vejo que o caminho para checar a outra praia é muito estreito. E com o vento forte, já não consigo me equilibrar. Agachado para aumentar o equilíbrio, olho para baixo e vejo quão alto e belo é esse lugar. Por fim, ouço um choro de criança e acordo. É o Vicente chamando, às 7h da manhã de domingo. E aí me dou conta que tive mais um sonho recorrente. Tão perto e tão longe do surfe.

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25 anos atrás

Algumas memórias rápidas que me vêm à cabeça da época em que vivemos na gloriosa Cachoeira do Sul, a 190 quilômetros de Porto Alegre, dos meus 7 aos 10 anos: um abacateiro gigante no pátio, uma inundação em uma chuva torrencial que deixou dois dedos de água dentro de casa, um boco de jogar bolita no carpete de casa (era perfeito!) e duas noites marcantes. Na primeira delas, passava um jogo maluco na TV. O Grêmio jogava contra um time de branco. Um bando de argentinos ensandecidos que não aceitavam a derrota em casa. Ainda mais por 3×1. Deram o sangue e tiveram um bando de gente expulsa. Acabaram o jogo com sete em campo e com 3×3 no placar. Mas não foi suficiente. E o Estudiantes ficou fora e o Grêmio foi para a final contra o Peñarol. Eu tinha sete anos e estava aprendendo a ser gremista, ganhando à base de sofrimento. Da final eu lembro apenas que um tal de César fez o gol do Grêmio e fomos campeões da América. Depois veio a musiquinha… Só perguntar para o Augusto (Grêmio, Grêmio, Nós somos campeões da América).

E então veio a segunda noite. Essa já era em dezembro. O Grêmio ia jogar a final do campeonato mundial. Quem ganhasse seria o melhor time do mundo. Embora tivesse sete anos, já sabia dar a importância para isso e fiz todo o esforço do mundo para ficar acordado até a meia-noite, horário que o jogo começaria lá no Japão. Aguentei firme. Por 15 minutos… Estava na casa da minha avó (meus pais foram ver o jogo sei lá onde) e acordei correndo no outro dia pedindo para passar em casa, louco para tomar a primeira providência: perguntar quanto tinha sido o jogo! Quando meu pai falou que o Grêmio tinha ganhado por 2×1 do Hamburgo, com dois gols do Renato Portaluppi e que portanto tinha sido campeão do mundo, senti meu corpo esquentar, meu peito inflar e minha garganta clamar: “Mãe, cadê minha bandeira?” Obviamente, eu queria ir para a rua balançá-la, cheia de orgulho. Em cidade pequena do interior isso seria perfeitamente possível, não fosse por um detalhe: um colorado tinha passada a mão na bandeira.

Verdade. Na noite anterior, depois do jogo meu pai e minha mãe saíram de carro para comemorar o resultado do jogo. Meu pai ainda não era, argh, colorado. Torcia para o Cruzeiro, um falecido time de Porto Alegre. Na janela do carro, minha mãe tremulava a tricolor. Ao que um invejoso colorado — e assim, com muita inveja ele permaneceria por mais 23 anos — passou a mão na bandeira.

Tudo bem. Eu fiquei sem bandeira. Mas não sem voz. E fui para frente da casa gritar: Grêêêêêêêêêêmioooooooooo, Grêêêêêêêêêêmiooooooooooo. De uma vez por todas. Exatamente 25 anos atrás.

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Presentes legais

Ontem no trabalho entrevistei um especialista sobre Consumo Consciente. A idéia era debater o tema nessa época de consumo desenfreado de presentes de Natal. Eu, que gosto muito pouco de ir a Shopping Centers, achei muito legais as dicas. Ele contou na conversa que certa vez fez um Amigo Secreto em que todos os participantes tinham que escrever um texto, além de dar o presente. O resultado é que até hoje todos lembram algumas passagens dos textos, mas ninguém lembra qual presente que ganhou. Presente não é marca, não é preço. É o que representa. Um dos presentes mais legais que dei até hoje foi um livro de fotos de 1 ano do Auguso. Dei para a Juliana no dia das mães. Ela gostou e eu também. Dia desses escrevi um texto de aniversário para o meu pai. Ele gostou, além da minha mãe, do meu irmão, da Juliana e de todos que leram. Não custou nem um centavo. E a emoção que despertou não tem preço.

O entrevistado falou também que gostou muito de quando ganhou um ingresso de 4 reais para uma exposição de uma artista que gosta muito. Disse que provavelmente não iria na exposição e que foi um dos presentes mais inusitados do ano. Outro dia, um colega do banco ganhou um curso de vinhos de presente. Não consumiu nada para produzir e o deixou muito feliz.

Assim como as coisas mais importantes da vida, um presente bom não é aquele que satisfaz desejos de marca, preço ou poder. É, sim, o que nos deixa felizes, contentes, animados. Parece tão simples, mas vale lembrar que o simples é o oposto do fácil. O que acontece é que nem sempre temos vontade de colocar a cachola a funcionar. Para quem for me dar presente  no Natal, a dica está dada! J

 

 

 

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