25 anos atrás


Algumas memórias rápidas que me vêm à cabeça da época em que vivemos na gloriosa Cachoeira do Sul, a 190 quilômetros de Porto Alegre, dos meus 7 aos 10 anos: um abacateiro gigante no pátio, uma inundação em uma chuva torrencial que deixou dois dedos de água dentro de casa, um boco de jogar bolita no carpete de casa (era perfeito!) e duas noites marcantes. Na primeira delas, passava um jogo maluco na TV. O Grêmio jogava contra um time de branco. Um bando de argentinos ensandecidos que não aceitavam a derrota em casa. Ainda mais por 3×1. Deram o sangue e tiveram um bando de gente expulsa. Acabaram o jogo com sete em campo e com 3×3 no placar. Mas não foi suficiente. E o Estudiantes ficou fora e o Grêmio foi para a final contra o Peñarol. Eu tinha sete anos e estava aprendendo a ser gremista, ganhando à base de sofrimento. Da final eu lembro apenas que um tal de César fez o gol do Grêmio e fomos campeões da América. Depois veio a musiquinha… Só perguntar para o Augusto (Grêmio, Grêmio, Nós somos campeões da América).

E então veio a segunda noite. Essa já era em dezembro. O Grêmio ia jogar a final do campeonato mundial. Quem ganhasse seria o melhor time do mundo. Embora tivesse sete anos, já sabia dar a importância para isso e fiz todo o esforço do mundo para ficar acordado até a meia-noite, horário que o jogo começaria lá no Japão. Aguentei firme. Por 15 minutos… Estava na casa da minha avó (meus pais foram ver o jogo sei lá onde) e acordei correndo no outro dia pedindo para passar em casa, louco para tomar a primeira providência: perguntar quanto tinha sido o jogo! Quando meu pai falou que o Grêmio tinha ganhado por 2×1 do Hamburgo, com dois gols do Renato Portaluppi e que portanto tinha sido campeão do mundo, senti meu corpo esquentar, meu peito inflar e minha garganta clamar: “Mãe, cadê minha bandeira?” Obviamente, eu queria ir para a rua balançá-la, cheia de orgulho. Em cidade pequena do interior isso seria perfeitamente possível, não fosse por um detalhe: um colorado tinha passada a mão na bandeira.

Verdade. Na noite anterior, depois do jogo meu pai e minha mãe saíram de carro para comemorar o resultado do jogo. Meu pai ainda não era, argh, colorado. Torcia para o Cruzeiro, um falecido time de Porto Alegre. Na janela do carro, minha mãe tremulava a tricolor. Ao que um invejoso colorado — e assim, com muita inveja ele permaneceria por mais 23 anos — passou a mão na bandeira.

Tudo bem. Eu fiquei sem bandeira. Mas não sem voz. E fui para frente da casa gritar: Grêêêêêêêêêêmioooooooooo, Grêêêêêêêêêêmiooooooooooo. De uma vez por todas. Exatamente 25 anos atrás.

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