Tão perto e tão longe


Cheguei em uma praia sensacional da Indonésia. Alguns amigos já estavam lá. A praia é grande e há ondas em toda a extensão, com lajes de coral esparsas. Tem mais ou menos do tamanho de Itamambuca ou da praia do Rosa. À esquerda de quem olha para o mar, a cerca de 1 quilômetro, há um morro. Estou no canto direito. O mar está um pouco ventoso. Há algumas pessoas surfando, mas as ondas não estão nada demais. Ao lado, separada por um morro, outra praia belíssima. Do alto, se pode conferir o mar, a partir de uma visão privilegiada.

Pego minha prancha verde com um detalhe em branco, especial para surfar ondas rápidas e tubulares, e vou conferir. Quem sabe essa outra praia não apresenta melhores condições? Subo o morro. A subida não é tão longa, curiosamente inversamente proporcional ao visual lá de cima. Milhares de metros abaixo, vejo um rio correndo. Já não consigo distinguir direito a praia ao lado. Embora ela esteja desenhada perfeitamente na minha cabeça, não a vejo. A paisagem é idêntica a de um fiorde. Muito verde entrecortado por pedras. É muito alto.

Para enxergar o mar, preciso passar por um caminho estreito, carregando a prancha por uma das bordas, segurando com a mão por cima, em formato de pinça. Como ela é grande, fica difícil carregá-la dessa maneira. Vem uma rajada de vento e a derruba. A prancha cai, bate numa pedra e fica presa por um triz. Estendo a mão e tento alcancá-la. O vento sopra mais forte e a prancha não resiste. Rola fiorde abaixo e vai ficando menor, menor, cada vez menor. E desaparece.

Nesse momento, penso que isso podia ser um sonho, pois aí eu não teria perdido minha prancha. Então, olho para frente e vejo que o caminho para checar a outra praia é muito estreito. E com o vento forte, já não consigo me equilibrar. Agachado para aumentar o equilíbrio, olho para baixo e vejo quão alto e belo é esse lugar. Por fim, ouço um choro de criança e acordo. É o Vicente chamando, às 7h da manhã de domingo. E aí me dou conta que tive mais um sonho recorrente. Tão perto e tão longe do surfe.

1 comentário

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Uma resposta para “Tão perto e tão longe

  1. Dizem que o sonho, em geral, não é literal, né, mi amor? O que será que essa impossibilidade quer mesmo te contar?? Bjos, Ju

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