Somos todos arquitetos de escolhas


Cada vez que decidimos apresentar uma informação em detrimento de outra, estamos ajudando alguém a entender ou fazer uma outra decisão. Essa é a essência do pensamento do professor da escola de negócios da Universidade de Chicago (Chicago Booth), Richard Thaler, que esteve no dia 10/12 em São Paulo para o lançamento do seu livro com o título de “Nudge: O Empurrão para a Escolha Certa”. O livro é sobre economia comportamental, uma disciplina que ganhou força recentemente, principalmente a partir do lançamento do livro Freakonomics.

 

Thaler e o co-autor Cass Sunstein defendem a tese do Paternalismo Libertário. Sob essa lógica, são, sim, as pessoas que precisam tomar suas decisões. Mas se tiverem um ‘empurrãozinho’ tomarão decisões melhores. Um ótimo exemplo está já no início do livro: uma pessoa responsável pela nutrição em um complexo educacional. Imagine que na hora de escolher como ordenar os alimentos no refeitório dos estudantes ela tenha as seguintes alternativas:

 

  1. Arrumar os alimentos para melhorar a vida dos alunos, considerando todos os aspectos.
  2. Escolher a ordem dos alimentos aleatoriamente.
  3. Tentar arrumar os alimentos para fazer com que as crianças escolham os mesmos itens que escolheriam sozinhas.
  4. Maximizar as vendas dos produtos dos fornecedores dispostos a oferecer as maiores propinas.
  5. Maximizar o lucro, ponto final.

 

Alguém poderá dizer que a primeira escolha é intrusiva ou paternalista. Ok, pode ser. Mas as outras são muito piores, concorda? Esse é o ponto: se você pode ajudar as pessoas a terem dias melhores, pode fazer isso com escolhas pensadas. Isso vale para planos de aposentadoria (dar ou não a opção de continuar contribuindo automaticamente ao final de um determinado período de um plano ou mesmo fazer a contribuição aumentar proporcionalmente a cada aumenta de salário) ou doação de órgãos (definir que todos são doadores até opção contrária ou fazer as pessoas optarem na hora de renovar documentos como carteira de identidade ou licença de motorista).

 

Se pararmos para pensar sobre isso, as aplicações são inúmeras. Há um exemplo bem-humorado no livro. No sanitário público do aeroporto internacional de Amsterdã, alguém teve a idéia de pintar uma mosca na cerâmica dos vasos do banheiro masculino. Com esse ‘estímulo’ conseguiram diminuir em 80% o total de respingos. A explicação do economista responsável pelo experimento: “Quando um homem vê uma mosca preta, ele mira nela.”

 

Agora, o que mais é possível fazer tendo sabendo disso? Há mais um exemplo interessante no livro. Na Califórnia, alguns moradores passaram a receber um aparelho chamado Ambient Orb. Trata-se de uma lâmpada instalada junto ao relógio de energia que passa a brilhar mais forte quando o consumo de energia está alto. Simplesmente por terem essa informação, os moradores conseguiram diminuir em 40% o consumo de energia. No fundo, no fundo, é uma questão quase elementar, mas que, se levada a sério quando pensamos em sustentabilidade ou em políticas públicas, pode melhorar a vida de muita gente.

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1 comentário

Arquivado em Sustentabilidade

Uma resposta para “Somos todos arquitetos de escolhas

  1. Gabi

    Ro,

    Gostei desse exemplo do consumo de energia. Talvez essa seja uma das pequenas instituicoes que precisamos comecar a criar para modelar o comportamento em direcao a um consumo menos insustentável.

    Danke! Vou anotar a dica do livro!

    Abracos,
    gabi

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