Arquivo do mês: maio 2009

Paulo Coelho 2.0

Esse Paulo Coelho é impressionante. O cara parece a Madonna, sempre se reinventando. Pop total. Agora, no mundo 2.0, o sujeito inventa um filme colaborativo, baseado em filmes enviados pelos leitores do livro “A bruxa de Portobello”, publicado em 2007.

Tem muita gente batendo cabeça, tentando entender como navegar nesse mundo. E o sujeito está lá, voando. Se continuar assim, um dia eu até acredito que ele é capaz de fazer chover ou de passar incólume, invisível na frente das pessoas, como certa vez ele falou em uma entrevista à revista Playboy — uma esquisitice que nunca saiu da minha cabeça!

Para constar: o máximo que li até hoje dele foi o Alquimista. Para mim, é suficiente, mas é impossível não reconhecer o talento do sujeito. Ele simplesmente descobriu a fórmula da literatura universal contemporânea. Somente “O Alquimista” já foi adotado em escolas de 30 países! De tirar o chapéu…

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Colaboração, Nova Sociedade

Uma espécie de troglodita

“Tal como Ishmael, o narrador de Moby Dick, o grande romance de Herman Melville, sempre que me surpreendo meio rabugento, sempre que minha alma mais parece um inverno úmido e chuvoso, sempre que passo meses seguidos diante do computador, sob luz artificial, como uma espécie de troglodita, recluso, preso ao teclado para ganhar a vida, é então que convenço de que chegou a hora de voltar ao mar. Por isso, aceite a proposta de embarcar no Pacific Storm. Como a viagem teria início em 3 de janeiro, tomei três decisões de Ano-Novo. primeiro, seria afável com os companheiros de bordo. Segundo, tornaria meu texto o mais conciso possível. Por último, iria me conter para não fazer nenhuma alusão ao escritor Herman Melville. Já contei que vamos sair em busca de uma baleia branca?”

Revista Nat Geo, março de 2009. Matéria Ainda azuis, de Ken Brower

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Os dinossauros e a Igreja

Luta ferrenha entre o Inamosaurus e o Dentes Afiados, os monstros da vez no Parque dos Dinossauros lá em casa. De repente, um deles morre. Ou os dois. Então, Augusto pergunta, pegando o globo de plástico três vezes maior do que uma bola de futebol:

– Escolhe um lugar para eles serem enterrados, pai.
– Hmmm, deixa eu ver… África?
– Não, na África, não, porque se um dos animais comer o osso, ele vai ficar congelado para sempre. É porque eles têm ossos de gelo.
– Então vamos escolher outro lugar.
– Já sei. Gelo! – diz ele, apontando para a Groenlândia.
– Ok, boa!
– Vamos ver. Abre o caixão, pá, fecha o caixão! Terra, terra. Pronto. Ah, não, peraí. Tem que colocar na Igreja… Não, melhor não. Na Igreja, não, porque eles são maus.
– Ah, é, por quê? O que tem na Igreja, filho?
– Jóias!
– Jóias? Ahhhhh… E o que é a Igreja, Gutão?
– Ah, é aquele lugar onde se coloca o caixão embaixo, lembra?

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

A geração que vem por aí

Fui almoçar com três grandes amigos hoje. Essa já foi a terceira sessão do almoço, dessa vez com um novo convidado na turma. É um momento para trocar ideias, descompromissadamente, e refletir sobre a vida.

Falamos sobre criatividade, de como “encontrar ‘sims’ nos ‘nãos'” e valorizar o trabalho dos funcionários, sobre empreendedorismo e sobre a próxima geração que vem aí, a geração G, de generosidade. Fiquei refletindo sobre esse último ponto e depois vou tentar conseguir a referência do estudo para compartilhar. O que os autores apontam é que a geração que está chegando nas empresas é chamada de Millenial. É a turma que está vivenciando a emergência desse novo mundo pós virada de milênio (que para muitos começou com a queda do mundo de Berlim e que para outros começou mesmo depois do 11 de setembro de 2001 — Bin laden, lembram?).

Essa geração dos Millenials é muito conectada. Faz as coisas em modo Beta (sempre em aperfeiçoamento), não tem medo de não entregar um produto pronto, compartilha muitas coisas, divide ideias e busca um jeito de construir em conjunto. Em geral, essas pessoas estão conectadas e vivem num ambiente — a rede — em que se valoriza como nunca a vontade e a disposição de colaborar. É o contrário da geração do controle, que precisava da informação para dominar, controlar e direcionar. O poder do controle. Delete. Isso está ficando para trás.

O processo de criação é muito diferente. No sistema operacional Linux, por exemplo, gratuito, os programadores que mais contribuem ganham o reconhecimento e notoriedade da rede. Mas não ganham nenhum tostão. Em ferramentas como Facebook, Orkut e Twitter, as pessoas competem por popularidade. Quem tem mais amigos ou mais ‘seguidores’. É um incrível jeito novo de ver e agir no mundo. Os blogueiros buscam o reconhecimento e — quem sabe — algum dinheiro. Mas isso chega até a ser secundário. Veja o caso dos piratas da rede, que disponibilizam arquivos e até fazem legendagens de séries de TV americanas para as pessoas verem — de graça — em seus computadores, antes de chegaram ao Brasil e a outros cantos do mundo. Sobre isso, vale a pena ler a matéria “Os capitães da pirataria”, da Revista Trip.

A geração atual é um preview, um trailer, uma preestreia da Geração G. Porque a atual já compartilha e recompensa bem quem o faz. Mas que tal uma geração onde essa seja a regra. Pois é essa tal da Geração G, de generosidade. Onde o compartilhar será parte do dia-a-dia. E as pessoas serão remuneradas por isso. Como seria uma empresa, uma organização governamental, uma ONG nesse mundo novo? Como todos concordamos no almoço — gostaria de estar na ativa, trabalhando, para ver essa turma em ação.

Não perco por esperar o próximo encontro!

2 Comentários

Arquivado em Amizade, Colaboração, Nova Sociedade

Luzes no deserto

O filme da Vivo em que vários carros formam um coração é legal. Esse da Honda é demais.

Honda Insight – Let It Shine from Honda on Vimeo.

Deixe um comentário

Arquivado em Inspiração

A vida de Roberto

Conheça o Roberto. É um sujeito que, como eu ou você, está descobrindo o valor e a importância da sustentabilidade para o mundo e para o dia-a-dia. Não lembro a primeira vez que ouvi falar da palavra. Lembro, sim, de ficar indignado com águas poluídas desviando a atenção das ondas enquanto surfava com amigos na praia gaúcha Capão da Canoa. Em geral, acontecia depois de uma chuva forte. A água ficava marrom, com embalagens e palitos de picolés, algumas garrafas plásticas (era meio que novidade na época) e  muitos papéis que eram jogados no meio-fio e corriam para a praia.

Nessa trajetória, um dia foi marcante. O seriado Armação Ilimitada mostrava Juba e Lula dentro da água, sentados em suas pranchas e tentando desviar de cocôs boiando. Trash e patético – e  muito educativo. Era uma espécie de ‘visão’ do que aconteceria dali para frente. Incontáveis quilômetros de praias poluídas pelo mundo. Várias praias fechadas para o banho a cada veraneio pelos estados brasileiros. E o tal ‘mar de plástico’, que já virou notícia pelo mundo.

Aos poucos, comecei a ler mais. Lembro da primeira vez que propus uma pauta sobre balanços sociais para meu editor na Veja (em 1999) e o cara perguntou: “Balanço o quê?” Insisti e escrevi matérias sobre o assunto até o dia em que, em uma das apurações, conheci uma empresa que estava reinventando seu negócio, buscando maneiras de colocar isso em prática. Aceitei o convite para trabalhar lá e entrei em contato com inúmeras possibilidades da sustentabilidade, uma palavrinha tão difícil quanto importante.

Minha vida se transformou. Reciclagem, cuidado com as pessoas, respeito, transparência, ética. Tantas palavras politicamente corretas que às vezes até enchem o saco. O negócio é tentar não ser ecochato ou biodesagradável. O desafio é encontrar o equilíbrio. Talvez falar para as pessoas o quanto isso é importante para a vida delas, mas deixar que elas descubram. Nosso papel, dos ecochatos e biodesagradáveis camuflados, é estimular. E encontrar maneiras de falar. Acho que o Roberto é um bom exemplo disso. Chegará o dia em que não precisaremos mais falar sobre isso, pois afinal será o (único) jeito de fazer as coisas, mas enquanto isso, temos muita gente a convencer.

Veja, opine e faça o curso também!

1 comentário

Arquivado em Nova Sociedade, Sustentabilidade, Uncategorized

Deixe as pessoas surfarem!

Estava conversando sobre trabalho com um amigo e ao final ele me falou:

ps2. Estou lendo um livro que você precisa ler. “let my people go surfing” – conhece?

Dei a seguinte resposta:

Esse livro sobre Patagonia é genial! Um dia ainda tenho uma empresa assim! Imagina… Surfar sempre que  as ondas estão boas!

E aí veio a resposta dele, genial:

…um dia quiz ter uma empresa para fazer as coisas do jeito que achava que deveriam ser…funcionou, mas aí percebi que elas eram boas somente para mim.
…Dai cheguei a conclusão que temos que lutar para que as coisas sejam melhores todo o tempo e onde quer que estejamos.
Vamos lá, se parar para surfar significa + qualidade de vida e felicidade no trabalho, por que não?
…assim como Yvon Chouinard fez, é preciso mudar o modelo mental do mundo corporativo, só isso.
Vamos nessa.

Bom, o livro trata da história da empresa Patagonia, que nasceu do sonho de Yvon Chouinard de fazer um negócio que fosse bom para ele, mas também para os clientes.  Hoje, a Patagonia é uma das empresas mais inovadoras na maneira como produz roupas e acessórios, com esforço para diminuir o impacto ambiental. E as pessoas podem surfar (ou fazer outras coisas) na hora em que quiserem, desde que façam direito seu trabalho.

Segue a capa do livro. É uma referência muito legal de um jeito diferente de ver o mundo corporativo. Inspirador.

Let my people go surfing, de Yvon Chouinard

3 Comentários

Arquivado em Felicidade, Inspiração, Nova Sociedade, Surfe, Sustentabilidade