Arquivo do mês: setembro 2009

Pessoal do boteco São Bento, o mundo mudou!

Alguém aí pode explicar para o pessoal do Boteco São Bento (em São Paulo, na Vila Madalena) que o mundo mudou? Três jornalistas, que mantém o blog Resenha em 6, resolveram criticar o boteco depois de uma má experiência. Os donos tiveram a ‘genial’ ideia de querer processar o blog. E aí, o que era conhecido por pouca gente caiu na rede.

Agora, todo mundo sabe que o atendimento do boteco é ruim e os caras do site entraram no mapa.

Esse é o mundo 2.0. Qualquer tentativa de controle pode acabar num tremendo fracasso. Acho que isso vai virar case.

Vejam duas notícias sobre isso:

Críticas a bar em blog criam polêmica (INFO) 

Chamado de “pior bar do sistema solar”, boteco ameaça processar blog (FOLHA)

PS: Nunca estive lá e não sei como é o chopp…

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O que vale mais: o meio ou a mensagem?

No post passado, falei aqui sobre a entrevista de Chris Anderson (autor de Free) para a revista alemã Der Spiegel. Anderson levanta questões relevantes sobre como a mídia vai se portar nos próximos anos. O problema é grande. Tem a ver com identidade. Com a maneira como se busca e se apresenta notícias.

Recentemente, algumas questões importantes surgiram nessa área.  Como o pagamento por notícias (clique aqui para ler post sobre isso) e a emergência de fontes alternativas de informação. Um bom exemplo disso é o blog da Petrobras, que nasceu com a intenção de dar a versão da empresa sobre a história, de modo a contrapor a opinião dos jornalistas. A Petrobras começou de maneira arrogante, publicando no site as perguntas enviadas pelos jornalistas antes mesmo de a reportagem ser publicada. Com isso, a empresa feria o relacionamento entre fonte e repórter, traindo a confiança do jornalista, que não mais entraria em contato com a empresa por medo de ver sua pauta ser ‘furada’. Depois de muita pressão da imprensa, a Petrobras logo recuou e passou a publicar sua versão da história somente depois de a matéria ter sido publicada. Foi o movimento certo. Independente dos métodos, o blog da Petrobras trouxe à tona a discussão da ‘propriedade’ da notícia.

Desde que a imprensa foi inventada por Gutemberg, os donos dos veículos são os donos da informação. Só publicava quem tinha jornal, revista, rádio ou qualquer outro meio. Até que os blogs começaram a surgir na internet, por volta do ano 2000. Os blogs nada mais são do que a democratização da informação. Qualquer um pode falar o que quiser, quando quiser, sem precisar do “poder econômico” para ser dono de um meio de comunicação. É o poder “democrático” da informação. Esse cenário é o que possibilita a grande discussão em andamento sobre o futuro da mídia. Na semana passada, saiu a notícia de que a BusinessWeek, uma das principais publicações de economia do mundo, perderia US$ 46 milhões neste ano. Já havia perdido US$ 47 milhões no ano passado. Enquanto isso, o Twitter, uma ferramenta que agrega conhecimento e dissemina a notícia de maneira gratuita estava sendo avaliado em 1 bilhão de dólares sem nem mesmo ter um modelo de negócios conhecido. Ainda não se sabe como ganhar dinheiro com o Twitter.

Ou seja, vale mais hoje possibilitar o acesso à informação e conectar as pessoas do que deter os meios para disseminá-la (leia mais no post “Você ainda lê jornais? ). Veja o que diz o editor da Wired Chris Anderson na entrevista que comentei aqui na semana passada:

“Jornais não são importantes. Pode ser que sua forma física, impressa, não funcione mais. Mas o processo de compilar informações, analisá-las, agregar valor a elas e distribuí-las ainda é válido.”

Some-se a essa fórmula nova outra variável, dois intangíveis que agora entraram na conta: atenção e reputação. É sobre isso que vou tratar no próximo post.

PS: Um ‘efeito colateral’ dessa discussão é o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista. É um exemplo particular brasileiro dessa ‘crise de identidade’ da imprensa. Veio em boa hora a decisão. Afinal de contas, não se mede a capacidade de alguém identificar, organizar e publicar uma notícia.

PS2: Outro exemplo dos novos tempos é a matéria do New York Times que fala sobre a contratação de um repórter por um time de Hóquei, já que os jornais estão dedicando cada vez menos recursos para fazer essa cobertura.

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Por onde você se informa? Conheça o ponto de vista de Chris Anderson

A revista Poder (muito boa, por sinal) reproduziu uma entrevista da alemã Der Spiegel com o polêmico Chris Anderson, da revista Wired e responsável pela  criação do conceito de Cauda Longa (link) e agora pelo conceito de Free. No primeiro caso, ele dizia que a pulverização na distribuição de informações gerava um mercado de nichos, no qual não mais existe sucessos estrondosos, mas uma série de pequenos hits. Agora, radicalizou e acha que o mundo vai ser free ou com livre acesso a músicas, filmes ou livros e todo o tipo de conteúdo online. Essa conversa já deu boas discussões e debates na web. A discussão principal é: quem vai pagar a conta.

Na entrevista Anderson falou de temas muito polêmicos. Veja alguns trechos interessantes (e minha opinião entre parênteses e itálico):

– Não utilizo mais a palavra ‘mídia’, nem a palavra ‘notícia’. Elas eram usadas para definir o que era publicada no século 20. Agora, estão bloqueando nosso caminho (…). O que significa notícia para você, quando a maioria das notícias é criada por amadores hoje. Notícia é algo que vem de um jornal ou de um amigo? (Tanto faz, na minha opinião.) Eu simplesmente não consigo encontrar uma definição para essa palavra. Aqui na Wired, paramos de usá-la.

– A informação chega a mim de várias formas, via Twitter, e-mail, RSS, conversas. Eu não saio por aí buscando informação. Eu escolho minhas fontes e confio nelas. Se acontecer algo relevante no mundo, eu saberei. (Bingo, com o twitter, eu quase não acesso mais o G1, o UOL —  sei tudo por lá.)

– Nós estamos deixando de assistir às notícias televisivas, de ler jornais. E ainda assim ficamos sabendo do que importa, sem ficar à mercê dessa enxurrada de notícias ruins. Quando uma informação chega a mim, ela já foi analisada por alguém em quem confio. (Pontos de atenção aqui: há poucos dias, o guru mau-humorado da Web Andrew Keen lançou uma notícia falsa que se disseminou no Twitter. Outra coisa, Anderson é jornalista. Então, soa um pouco contraditória, ainda que eu entenda seu ponto.)

Polêmicas das boas! Mas ainda não acabou. A segunda parte vem aí… E viva os dilemas do mundo 2.0.

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Altos e baixos na cobertura de sustentabilidade

Na semana passada, a revista Veja teve um sopro de oxigênio e publicou uma entrevista interessante com a consultora francesa Élisabeth Laville, que assesora grandes companhias em assuntos ambientais (veja aqui). Ela fala na necessidade de as empresas adaptarem seus modelos de negócios à sustentabilidade. A principal frase que resume tudo o que ela disse está abaixo:

“Plantar árvores não é o suficiente para uma companhia convencer o consumidor de que protege o ambiente. É preciso fazer mais”

Muito interessante a abordagem dela e mais ainda vê-la no espaço nobre da maior revisa semanal brasileira. Mais uma prova de que o tema entrou de vez na pauta. O ponto negativo é que ela fez pregação contra comer carne.

Se o consumidor sabe que comer muita carne vermelha não é bom para a saúde, como dizem os estudos de cardiologia há duas décadas, e que sua produção tem impacto nas mudanças climáticas, é sua responsabilidade comer menos carne. A carne responde por 20% das emissões de dióxido de carbono (CO2) no mundo. A partir do momento em que recebo essas informações, fazer algo é minha responsabilidade como consumidora

Como gaúcho, não consigo abrir mão disso! Ainda mais depois da bela parrilla que comi na 6a feira no restaurante Parrila Del Sur.

E para ficar no tema dieta e sustentabilidade, aproveito para colocar aqui uma matéria que mostrei no curso de sustentabilidade e comunicação que dei lá em POA. Era uma capa da mesma Veja sobre dieta (maio de 2009). Só que no abre da matéria, falavam em desenvolvimento sustentável. Se alguém aí conseguir descobrir o link, gostaria de saber!

Capa da Matéria da Veja sobre Dieta

Capa da Matéria da Veja sobre Dieta

Desenvolvimento Sustentáve & Dieta. Hã?

Desenvolvimento Sustentáve & Dieta. Hã?

Dieta & Desenvolvimento Sustentável... cada uma.

Dieta & Desenvolvimento Sustentável... cada uma.

Nesse final de semana, em POA, foi tranqüilo falar sobre o conceito de sustentabilidade no pedaço do curso que falava disso. Fiquei impressionado com o nível dos alunos e com o nível de discussão que surgiu. Com certeza o pessoal não escreveria essas coisas acima. Novos tempos!

Atualização de 25/09

Recebi de um amigo via e-mail o seguinte raciocínio. Não veio via comentário, mas acho que vale compartilhar:

“A resposta é elementar.

Carne animal, grãos, legumes, verduras — enfim, quase tudo o que comemos – são produzidos  em grandes áreas cultiváveis.

Se a gente come muito, é preciso plantar muito. Como é mais ou menos pacífico o entendimento de que não é possível fazer um roçado sobre um ipê, quanto mais se come, mais árvores são derrubadas.

Sacou? O negócio, portanto, é fazer dieta.”

Eu agregaria: ou viver de luz! Como não é possível, teremos que continuar buscando o equilíbrio.

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Chapeuzinho Vermelho & Millor

E ontem, depois de postar aqui a versão da Chapeuzinho Vermelho na mídia, recebi da amiga Fatima Torri a história de Chapeuzinho na genial versão de Millor. Eis (não sei nem em qual tag classificar. Vai em Literatura):

Chapeuzinho Vermelho

MILLÔR FERNANDES

“Era uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia da história) uma menina, linda e um pouco tola, que se chamava Chapeuzinho Vermelho. (Esses nomes que se usam em substituição do nome próprio chamam-se alcunha ou vulgo). Chapeuzinho Vermelho costumava passear no bosque, colhendo Sinantias, monstruosidade botânica que consiste na soldadura anômala de duas flores vizinhas pelos invólucros ou pelos pecíolos, Mucambés ou Muçambas, planta medicinal da família das Caparidáceas, e brincando aqui e ali com uma Jurueba, da família dos Psitacídeos, que vivem em regiões justafluviais, ou seja, à margem dos rios. Chapeuzinho Vermelho andava, pois, na Floresta, quando lhe aparece um lobo, animal selvagem carnívoro do gênero cão e… (Um parêntesis para os nossos pequenos leitores — o lobo era, presumivelmente, uma figura inexistente criada pelo cérebro superexcitado de Chapeuzinho Vermelho. Tendo que andar na floresta sozinha, – natural seria que, volta e meia, sentindo-se indefesa, tivesse alucinações semelhantes.).

Chapeuzinho Vermelho foi detida pelo lobo que lhe disse: (Outro parêntesis; os animais jamais falaram. Fica explicado aqui que isso é um recurso de fantasia do autor e que o Lobo encarna os sentimentos cruéis do Homem. Esse princípio animista é ascentralíssimo e está em todo o folclore universal.) Disse o Lobo: “Onde vais, linda menina?” Respondeu Chapeuzinho Vermelho: “Vou levar estes doces à minha avozinha que está doente. Atravessarei dunas, montes, cabos, istmos e outros acidentes geográficos e deverei chegar lá às treze e trinta e cinco, ou seja, a uma hora e trinta e cinco minutos da tarde”.

Ouvindo isso o Lobo saiu correndo, estimulado por desejos reprimidos (Freud: “Psychopathology Of Everiday Life”, The Modern Library Inc. N.Y.). Chegando na casa da avozinha ele engoliu-a de uma vez — o que, segundo o conceito materialista de Marx indica uma intenção crítica do autor, estando oculta aí a idéia do capitalismo devorando o proletariado — e ficou esperando, deitado na cama, fantasiado com a roupa da avó.

Passaram-se quinze minutos (diagrama explicando o funcionamento do relógio e seu processo evolutivo através da História). Chapeuzinho Vermelho chegou e não percebeu que o lobo não era sua avó, porque sofria de astigmatismo convergente, que é uma perturbação visual oriunda da curvatura da córnea. Nem percebeu que a voz não era a da avó, porque sofria de Otite, inflamação do ouvido, nem reconheceu nas suas palavras, palavras cheias de má-fé masculina, porque afinal, eis o que ela era mesmo: esquizofrênica, débil mental e paranóica pequenas doenças que dão no cérebro, parte-súpero-anterior do encéfalo. (A tentativa muito comum da mulher ignorar a transformação do Homem é profusamente estudada por Kinsey em “Sexual Behavior in the Human Female”. W. B. Saunders Company, Publishers.) Mas, para salvação de Chapeuzinho Vermelho, apareceram os lenhadores, mataram cuidadosamente o Lobo, depois de verificar a localização da avó através da Roentgenfotografia. E Chapeuzinho Vermelho viveu tranqüila 57 anos, que é a média da vida humana segundo Maltus, Thomas Robert, economista inglês nascido em 1766, em Rookew, pequena propriedade de seu pai, que foi grande amigo de Rousseau.”

(Millôr Fernandes, “Chapeuzinho Vermelho”, em “Lições de um Ignorante”).

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Chapeuzinho vermelho na mídia

A história não é nova, mas é muito boa (recebi de uma prima hoje e compartilho aqui). Por mais que alguns editores queiram negar, não existe a imparcialidade no trato das notícias. Ao escolher uma foto ou uma frase, o jornalista está editando a matéria. Ponto. Dito isso, cada veículo acaba ficando com uma cara. E o público sabe disso e opta por um outro de acordo com o que acredita. Como se fosse uma caricatura dessas identidades, alguém genialmente bolou as seguintes manchetes para a história da Chapeuzinho Vermelho e do Lobo Mau na mídia. É claro que é uma brincadeira… Divirtam-se.

JORNAL NACIONAL
(William Bonner): ‘Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem.’.
(Fátima Bernardes): ‘… mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia’..

PROGRAMA DA HEBE
(Hebe Camargo): ‘… que gracinha gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?’

BRASIL URGENTE
(Datena): ‘… onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva… Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.’

REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo para salvar menor de idade carente.

AGORA
Sangue e tragédia na casa da vovó

REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: ‘Até ser devorada,eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa’

PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte)
Veja o que só o lobo viu.

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador)
Lenhador mostra o machado.

SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! mito ou verdade ?

DISCOVERY CHANNEL
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.

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Você sabia? 4.0 (Did you know? 4.0)

É normal ficar impressionado com os números do mundo 2.0. Tem um video que rola na internet chamado Did you know? Já estava na terceira versão e agora acabei de descobrir a versão 4.0. Ainda está somente em inglês e apresenta informações que são chocantes. Só um rápido exemplo: as 3 principais emissoras de TV aberta dos EUA recebem 10 milhões de visitantes únicos por mês. Somente o You Tube, My Space e Facebook recebem 250 milhões de visitantes únicos por mês. E atenção: nenhum desses sites exisita há seis anos. Já as emissoras juntas têm 200 anos de experiência… Veja o video e tire suas próprias conclusões.

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