O que vale mais: o meio ou a mensagem?


No post passado, falei aqui sobre a entrevista de Chris Anderson (autor de Free) para a revista alemã Der Spiegel. Anderson levanta questões relevantes sobre como a mídia vai se portar nos próximos anos. O problema é grande. Tem a ver com identidade. Com a maneira como se busca e se apresenta notícias.

Recentemente, algumas questões importantes surgiram nessa área.  Como o pagamento por notícias (clique aqui para ler post sobre isso) e a emergência de fontes alternativas de informação. Um bom exemplo disso é o blog da Petrobras, que nasceu com a intenção de dar a versão da empresa sobre a história, de modo a contrapor a opinião dos jornalistas. A Petrobras começou de maneira arrogante, publicando no site as perguntas enviadas pelos jornalistas antes mesmo de a reportagem ser publicada. Com isso, a empresa feria o relacionamento entre fonte e repórter, traindo a confiança do jornalista, que não mais entraria em contato com a empresa por medo de ver sua pauta ser ‘furada’. Depois de muita pressão da imprensa, a Petrobras logo recuou e passou a publicar sua versão da história somente depois de a matéria ter sido publicada. Foi o movimento certo. Independente dos métodos, o blog da Petrobras trouxe à tona a discussão da ‘propriedade’ da notícia.

Desde que a imprensa foi inventada por Gutemberg, os donos dos veículos são os donos da informação. Só publicava quem tinha jornal, revista, rádio ou qualquer outro meio. Até que os blogs começaram a surgir na internet, por volta do ano 2000. Os blogs nada mais são do que a democratização da informação. Qualquer um pode falar o que quiser, quando quiser, sem precisar do “poder econômico” para ser dono de um meio de comunicação. É o poder “democrático” da informação. Esse cenário é o que possibilita a grande discussão em andamento sobre o futuro da mídia. Na semana passada, saiu a notícia de que a BusinessWeek, uma das principais publicações de economia do mundo, perderia US$ 46 milhões neste ano. Já havia perdido US$ 47 milhões no ano passado. Enquanto isso, o Twitter, uma ferramenta que agrega conhecimento e dissemina a notícia de maneira gratuita estava sendo avaliado em 1 bilhão de dólares sem nem mesmo ter um modelo de negócios conhecido. Ainda não se sabe como ganhar dinheiro com o Twitter.

Ou seja, vale mais hoje possibilitar o acesso à informação e conectar as pessoas do que deter os meios para disseminá-la (leia mais no post “Você ainda lê jornais? ). Veja o que diz o editor da Wired Chris Anderson na entrevista que comentei aqui na semana passada:

“Jornais não são importantes. Pode ser que sua forma física, impressa, não funcione mais. Mas o processo de compilar informações, analisá-las, agregar valor a elas e distribuí-las ainda é válido.”

Some-se a essa fórmula nova outra variável, dois intangíveis que agora entraram na conta: atenção e reputação. É sobre isso que vou tratar no próximo post.

PS: Um ‘efeito colateral’ dessa discussão é o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista. É um exemplo particular brasileiro dessa ‘crise de identidade’ da imprensa. Veio em boa hora a decisão. Afinal de contas, não se mede a capacidade de alguém identificar, organizar e publicar uma notícia.

PS2: Outro exemplo dos novos tempos é a matéria do New York Times que fala sobre a contratação de um repórter por um time de Hóquei, já que os jornais estão dedicando cada vez menos recursos para fazer essa cobertura.

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Arquivado em Jornalismo, Mundo 2.0, Nova Sociedade

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