Arquivo do mês: outubro 2009

Quem nasceu para Rio de Janeiro pode virar Costa Amalfitana?

Rio de Janeiro algum dia pode virar a Costa Amalfitana?

Quando pisei em Positano, em 2002, foi impossível não lembrar das favelas do Rio de Janeiro. Lembro direitinho de ter brincado com minha esposa dizendo que aquilo ali não era muito diferente do Rio de Janeiro, só mais chic. Casas penduradas em uma encosta à beira mar, uma colada na outra, pequenas ruelas servindo de ruas. É ou não é uma descrição que lembra as favelas do Rio? Com um pouco de boa vontade e um banho de IDH, não poderia o Rio virar um pedaço do mediterrâneo em solos tropicais? No meio desta semana tive a sensação de que essas ideias não eram delírios só meus.

Não, teve alguém que foi mais a fundo nessa ideia maluca. O nome dele é Rolf Glaser, um empresário alemão, que colocou R$ 1,1 milhão de reais na ideia de transformar o Rio em Positano! A matéria que conta a história dele no Estadão fala de sonhos de banho de IDH, mas entregue um belo balde de água fria. Esbarrou na burocracia, na falta de vontade, em obstáculos intransponíveis. A frase dele é melancólica: “Perdi muito dinheiro. A prefeitura fez uma série de exigências e inviabilizou o negócio. Acho que algumas pessoas não gostam da favela, mas também não querem fazer nada para mudar a comunidade”, avaliou Rolf.

O alemão sonhou grande e morreu longe da praia. Foi embora para a Alemanha. Detalhe que está perdida em um canto da matéria: Positano já foi uma região pobre, resgatada com investimentos privados.

Quanto teremos de coragem, audácia e vontade de mudar para fazer o Rio de Janeiro diferente, melhor, até 2016. É um sonho ou um delírio?

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Ideias que transformam o mundo – agora no Brasil!

Dia memorável hoje. Começou e terminou em torno do tema ideias. Estamos passando por uma revolução silenciosa no país, dessas que veremos os resultados em 20 anos. Como nunca antes, as ideias estão fluindo com liberdade no Brasil. O melhor exemplo disso é o encontro que teremos em São Paulo, em novembro próximo, o TEDxSP.

Trata-se de um evento ‘licenciado’ para o Brasil a partir da incrível comunidade TED, que foi criada em 1984 (nem sabia que era há tanto tempo) para disseminar ideias. Quem não conhece, precisa conhecer.

A versão brasileira terá 32 participantes (alguns nomes já estão no site www.tedxsaopaulo.com.br) e palestras de 5 a 15 minutos. O tema do evento é inspirador: O que o Brasil pode fazer pelo mundo.

Depois do post de ontem (link) e das conversas que tive hoje, tenho a certeza de que estamos nos mobilizando no lado certo. É empolgante participar de coisas relevantes, dessas que a gente sabe que terão um grande impacto positivo.

Fiz minha inscrição algumas semanas atrás e fiquei para lá de feliz quando recebi a boa notícia no e-mail que chegou com o convite.

Fiquei feliz no papo de hoje em conhecer melhor o Dudu Camargo, da Colmeia, e tive o prazer de conhecer o Helder Araújo, da Webcitizen. São dois caras que estão fazendo um trabalho incrível em suas empresas e que junto com outros oito estão viabilizando a versão brasileira do TED. Helder, que já esteve em um dos TEDs, foi muito feliz quando disse que pós-ditadura e com liberdade de expressão, “os brasileiros se lambuzaram no mel do criticismo”. Quis falar sobre aquela onda de críticas que se abate sobre alguém que apresenta um projeto. Crítica é bom, claro, mas é preciso propor algo depois.

A crítica não pode terminar nela, temos que construir algo. Meu lado jornalista não deixa a crítica de lado, mas se tem algo que aprendi no mundo corporativo nos últimos anos foi acolher as ideias e trabalhá-las construtivamente a partir da crítica. Pois o TED é uma saraivada de ideias, algumas mais, outras menos acabadas, mas ideias que encontram espaço livre para decolar.

Aviso de utilidade pública: as inscrições ainda estão abertas. O questionário é um tanto trabalhoso para se preencher, mas pode valer muito a pena. Se não valer, no mínimo, foi uma experiência de autoconhecimento.

Uma dica para começar conhecendo bem o TED é essa incrível palestra da autora do livro Comer, Rezar e Amar, Elizabeth Gilbert (com legendas em português). Vale a pena.

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Da arte de ver a floresta e não só as árvores

Abaporu, fruto da semana de arte moderna - o Brasil precisa olhar mais para fora

Abaporu, fruto do movimento antropofágico - o Brasil precisa olhar mais para fora

Estive em uma conferência do semanário inglês The Economist na semana passsada. É muito relevante ver a opinião que os gringos têm de fora sobre o Brasil. Havia muita gente de peso. Além dos editores da revista, gente como Jorge Castañeda, César Gaviria, Ricardo Lopes Murphy, Eduardo Giannetti da Fonseca, entre outros.

Os empresários brasileiros estavam todos contentes com o fato de que nosso mercado doméstico é muito forte, amplo, e isso nos ajudou a vencer a ‘marolinha’ da crise. Ficou claro para mim que isso é uma visão de curto prazo. A China e a Índia conseguiram chegar ao estágio atual porque diversificaram seus negócios com outros países. Na visão dos especialistas, os chineses tiveram um grande apoio do governo para expandir os negócios e a Índia contou com o empenho de seus empreendedores. E que faltaria isso no Brasil.

A lógica é a seguinte: se o mercado interno é tão grande e as margens de lucro são ótimas, para que sair do Brasil? Está diagnosticada a falta de internacionalização das empresas brasileiras: falta de vontade. Para dizer que isso é preguiça, falta um passo. Não é o caso de ser tão leviano assim, obviamente, mas é um argumento pertinente.

Outro ponto que deu pano para discussão foi a questão do talento. O Brasil está passando por um momento privilegiado na questão demográfica. Há muita gente na chamada economia ativa. Como em poucas vezes acontece na história. Isso quer dizer que tem muita gente para trabalhar, mas não quer dizer que é gente boa, capacitada para o trabalho. A impressão que se tem no mercado — e muito se ouve falar por aí – é que há dificuldades de contratar pessoas, pois não há gente de qualidade. Um dos presentes se levantou e disse que ele havia implementado muitos projetos no Brasil, China e Índia e que pessoas nunca foram o problema. Nas palavras dele, as barreiras sempre estiverem na tecnologia e infra-estrutura. Problemas de deslocamento, trânsito, conexão com intranet etc. Ou seja, nada de falta de talento, mas sim de planejamento. Isso assusta quando pensamos nas Olimpíadas que vêm por aí.

Outros pontos entraram na discussão, como protecionismo, a necessidade ou  não de o Brasil exercer papel de liderança na América Latina, entre outras. Mas o que mais me chamou a atenção foi aquilo que não foi dito, que deixou de ser assunto. A questão ambiental.

Quem acompanha minimamente essa questão, sabe que a preocupação com o meio ambiente é central no planejamento de 5, 10 anos das empresas. A pressão cada vez maior da sociedade e  de reguladores fará com que, acreditando ou não, as empresas mudem suas posturas em relação ao meio ambiente. Para não ser injusto, somente o Eduardo Giannetti falou algo sobre isso, mas mesmo assim de ‘contrabando’, quando disse que não queria falar da posição de Zelaya, porque não entendia, mas que gostaria de falar de meio ambiente se possível. Mas ninguém mais perguntou nada… Perdeu-se a chance. As empresas ao lado dos governos têm enorme capacidade de provocar a mudança necessária nos padrões de desenvolvimento da sociedade.

E para acabar com algo menos árido do que The Economist, segue um vídeo muito bacana de uma empresa hidrelétrica alemã, chamada RWE, que capturou de maneira onírica o importante papel das empresas nessa transformação do mundo.

Essa capacidade de enxergar a floresta e não somente as árvores é fundamental para as instituições e pessoas enxergarem de forma mais precisa o papel de cada um. Os brasileiros deveriam ouvir mais a opinião de fora, se abrir mais para o mundo. (Isso não é novidade, já está há décadas entre nós! A Semana do modernismo, o movimento antropofágico já apontou o caminho há muito tempo, porque a gente esquece?) e as empresas deveriam todas ter essa percepção que a RWE teve. Divirtam-se com o vídeo e com a capacidade de expressar ideias em imagens.

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O lado A é melhor que o lado B? — Qual o impacto das redes sociais na produtividade?

Ontem saiu uma pesquisa (repercutida no Financial Times e na Exame) que fala nas perdas de produtividade das redes sociais para as empresas. Seria o "Lado B" das redes sociais. O número é chocante: US$ 2,3 bilhões para as empresas. Em média, as pessoas ficam 40 minutos por semana nessas redes sociais, segundo o estudo. Não vi em profundidade (não achei no site ou no google e procurar mais, aí, sim, seria perda de tempo…), mas imagino que a empresa tenha dividido as receitas totais da empresa, por número de horas/homem e subtraído os 40 minutos semanais apontando, assim, a perda de resultado.

A consultoria, que se chama Morse (uma empresa de tecnologia da informação provavelmente querendo vender firewalls e preocupada com sobrecarga de servidores), provavelmente deixou de lado os ganhos de produtividade que o fato de manter as pessoas conectadas com o mundo traz. Sobre isso, não há estudo, pois é muito mais difícil de se medir. Caímos na questão dos intangíveis (que envolve marca, reputação, engajamento com os públicos, sustentabilidade), itens que não estão nos balanços das empresas e ninguém ainda conseguiu mostrar como trazem bons resultados (objetivamente) às empresas. Mas que trazem, trazem (“No creo em brujas, pero que las hay, las hay”). Retenção de talento, desejo dos clientes de escolherem tal empresa ou serviço, atração de capital etc. Os questionários de prêmios em sustentabilidade, que nos acostumamos a preencher nos últimos anos, estão cheios dessas perguntas. Inclusive no do próprio Financial Times, que repercutiu essa pesquisa.

O caminho de identificar o valor das redes sociais é muito mais difícil do que o de apontar o dedo e encontrar problemas. É claro que há problemas. Mas também há problemas em gestão de pessoas, nas áreas de negócios, em todo o lugar. E o problema da dispersão não vai se resolver cortando acesso a redes sociais. O mundo 2.0 está cada vez mais interconectado. Encontrar jeitos de afastar as pessoas de desconectá-las é o mesmo que se fechar em quatro paredes.

Para não ficar somente na verborragia contra as tentativas de desqualificar as redes sociais como lugares improdutivos, segue um link com um estudo (Deep social media engagement pays dividends) mostrando que as empresas que mais investem em redes sociais aumentaram suas receitas em 18% nos últimos 12 meses. Esse é o "Lado A" das redes sociais

Em resumo, diz que, em média, as empresas que mais investem no engajamento via mídias/redes sociais aumentaram suas receitas em 18% nos últimos 12 meses, enquanto as menos engajadas viram as receitas cairem 6% no mesmo período.

Vai de novo para o pessoal da Morse ler: Em resumo, diz que, em média, as empresas que mais investem no engajamento via mídias/redes sociais aumentaram suas receitas em 18% nos últimos 12 meses, enquanto as menos engajadas viram as receitas cairem 6% no mesmo período.

O estudo considerou empresas do ranking 2008 BusinessWeek/Interbrand Best Global Brands ranking.
Foi analisada a performance de cada uma dessas empresas em mais de 10 canais de redes sociais, entre os mais relevantes (como Facebook, Twitter, Wikis etc).

As marcas mais engajadas e com melhor retorno são:

1. Starbucks (127)
2. Dell (123)
3. eBay (115)
4. Google (105)
5. Microsoft (103)
6. Thomson Reuters (101)
7. Nike (100)
8. Amazon (88)
9. SAP (86)
10. Tie – Yahoo!/Intel (85)

Com base nos dois lados da moeda, fica a pergunta: as redes sociais são boas ou ruins para a produtividade?

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Você é bonito?

Pois só sendo bonito para entrar na Beautifulpeople.com, a rede social que está chegando no Brasil. Hmmmm. O problema é que o conceito de beleza é um tanto abstrato (há estudos que dizem que a beleza de um rosto tem a ver com a simetria das linhas) e sempre vai ficar aquela questão: Quem decide quem é bonito e mesmo até o que é ser bonito. Essa é uma discussão para lá de intrincada, motivo de palavras e mais palavras de um sem fim de filósofos. No fundo, no fundo, tenho a impressão de que é o que conta mesmo para a avaliação do ‘objeto’ beleza é o senso comum. É o que faz, por exemplo, um leão-de-chácara de balada escolher quem vai ou não entrar na festa em que o patrão disse que só entra moça bonita ou moço bem-apessoado.

A discussão é antiga, remonta até Platão, pelo menos. Ele disse que a beleza é inerente ao objeto em si, independente dos olhos de quem estiver de fora. Para Kant, a experiência da beleza tem a ver com os requisitos básicos de cognição e assim ele confere à beleza um componente de necessidade para ‘organizar o mundo’, distinguir e ordenar padrões (senso comum?). (Ainda não estudei tanto filosofia, mas sei dar uma busca no Google. Achei essa referência interessante e de lá tirei essas citações.)

Ora, nesse caso específico, a beleza para um leão de chácara é a capacidade de cognição para diferenciar um homem feio de um bonito e uma mulher feia de uma bonita. E assim, deixá-los entrar na festa…

A realidade tem alcance maior do que uma balada, rede social , catálogos de publicidade ou essa superficial explicação dessas linhas.

A certeza que fica é que a beleza física das pessoas (de acordo com os padrões vigentes) é efêmera (precisa lembrar?). No longo prazo, não é bom negócio apostar todas as fichas na beleza. Modelos que o digam. Aos poucos, o trabalho começa a minguar e ficam fora do mercado. O que era motivo de alegria, reconhecimento, felicidade e dinheiro vira história do passado, em muitos casos, de frustração descontada em cirurgias plásticas deformadoras.

O modelo atual de publicidade carrega em si um paradoxo. Mulheres e homens bonitos servem para vender produtos – que supostamente irão deixar as pessoas mais felizes no final do dia (“Vida Líquida”, de Zygmunt Bauman é um livro e tanto sobre isso). E o que importa, porém, não é a televisão nova de LCD, a roupa do moda ou um carro do ano na garagem. A felicidade, essa sim, conta muito mais para o bem-estar das pessoas. E não depende de dinheiro. Há estudos que comprovam. No livro “Felicidade — Diálogos sobre o Bem-Estar na Civilização”, lançado em 2002 pelo economista Eduardo Gianetti da Fonseca, ele diz: “Em geral, estudos revelam de forma clara que o dinheiro compra a felicidade onde a renda per capita é inferior a 10 000 dólares”, escreve ele. “Acima disso, porém, essa correlação desaparece.”

Estou lendo um livro (há um tempão, entre muitos outros) sobre felicidade (“Stumbling on Happiness”), de um professor de psicologia de Harvard chamado Dan Gilbert. Até agora, em nenhuma das páginas encontrei referência e correlação entre beleza (física) e felicidade.

Como as pessoas envelhecem e o conceito de beleza se esvaece com as folhas do calendário que ficam para trás, o que vale no fim  das contas é mesmo a felicidade.  A revista Trip fez uma capa memorável sobre esse assunto:

Você é feliz? - Capa clássica da revista Trip

Ou seja, não fique triste se você não for convidado para fazer parte dessa ‘rede social’.

Agora essa | Uma rede social só pra gente bonita | será q você entra? http://www.bluebus.com.br/show/2/93154/agora_essa_uma_rede_social_so_pra_gente_bonita_sera_q_voce_entra

13:24 Lançado na Dinamarca alguns anos atrás, o site de relacionamento Beautifulpeople.com vai começar a funcionar globalmente essa semana. Para se cadastrar, é preciso enviar uma foto e deixar que os usuários ativos decidam se sua beleza é ou nao suficiente para que você entre na rede. Só 20% dos candidatos sao aprovados. De acordo com o diretor do site, “as pessoas estao cansadas de desperdiçar tempo e dinheiro encontrando pessoas que nao sao atraentes na net”. Até o momento, sao 180 mil membros. Você se habilita? ;- )

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Dia perfeito em Padang-Padang

Dia desses encontrei o trabalho genial de um cara chamado Jonathan Harris. O site é chamado número 27. Diz que tem esse nome porque é um número importante para a família.

O sujeito trabalho com projetos que ‘reimaginam’ o que as pessoas podem fazer com as máquinas e vice-versa. Mas o mais legal do site é a foto diária que ele publica. Gostei do formato e vou fazer aqui, devagar, com uma foto semanal, já que não tenho tanto tempo assim!

Dia perfeito
Dia perfeito em Padang-Padang, Bali, 2000

Essa foto foi tirada em um dia perfeito entre os 6o que fiquei na Indonésia, em 2000. A viagem uma janela mágica que se abriu entre dois empregos e que não deixei passar! Não há um dia desde então (sem exagero!) que eu não tenha alguma referência, alguma lembrança a essa aventura no outro lado do mundo.

Essa foto representa nas minhas memórias o que mais próximo se pode chegar perto da onda perfeita (lembrando que nunca existe a onda perfeita — ela é sempre a próxima!). Esse lugar fica na parte sul da ilha de Bali. Chama-se Padang-Padang. Quer dizer algo próximo à “grama” e tem a palavra repetida como em muitos vocábulos balineses. A foto foi tirada com uma lente de 300 mm a partir de um Warung — barracas típicas, construídas com madeira e palha que são onipresentes nas areias da do sudeste asiático. Fazem às vezes de bar e local de descanso. Desse Warung, em Padang-Padang, se pode pode ver uma das ondas mais perfeitas do mundo. Lembro desse dia, de tempo bom, água quente, excelentes ondas e cheio de amigos por perto. O que mais um surfista pode querer?

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O consumismo e o crime do AfroReggae

O assunto do assassinato de Evandro João Silva, do AfroReggae continua nos jornais. Hoje está com um bom espaço, mas duvido que fique até 4a feira nos jornais.

Já estive do lado da imprensa, fazendo a cobertura de assuntos como esse ou muitos outros. A vida sempre continua. E outros assuntos surgem. Notícias econômicas, culturais, sobre esportes e… sobre crime. Até 4a feira, outro crime chocante, outra notícia impactante, ocupará os jornais e deixará o assunto do AfroReggae de lado. Não é uma visão cínica, cética ou pessimista. É apenas tristemente realista. E não estou colocando a culpa nos jornais, mas na roda viva da violência, dos crimes estúpidos, de ações nonsense, da lógica de um mundo em transformação que simplesmente não encontra espaço para dar boas condições de vida para 6 bilhões de pessoas.

Somos movidos pelo hiperconsumismo que todos nós validamos e estimulamos via novelas, shopping centers e pelo desenvolvimento frenético da tecnologia. Aparelhos tecnológicos com não mais do que dois anos de vida são transformados  em lixo com o ‘novo lançamento’.

Nem todos têm dinheiro para comprar. Mas todos querem. Há mais de 15 anos, voltei de uma viagem ao exterior e presenteei meu irmão com um tênis adidas inédito no Brasil. Chamava a atenção. Foi parar nos pés de um ladraozinho de tênis qualquer. Ontem, a babá do meu filho contou que seu filho também teve os tênis (novos) roubados.

A mesma história de 15 anos, mas não a mesma história do AfroReggae. Essa acabou muito pior. Acabou em morte.

Hoje, sete dias depois da morte, o coordenador do AfroReggae José Junior publicou a carta abaixo no jornal.

Carta publicada por José Junior no Estado de S. Paulo em 24/10/09

Carta publicada por José Junior no Estado de S. Paulo em 24/10/09

Tristemente chocante.

O que pode ser feito para mudar essa realidade? Conhecer e apoiar de alguma maneira o trabalho do AfroReggae (site e flickr) já é um jeito de fazer algo.

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