Prêmio Nobel para a Colaboração ou o fim dos síndicos de prédios


Não tinha prestado a atenção devida à escolha do Prêmio Nobel de economia deste ano. Até hoje, quando li algo sobre isso na coluna do Elio Gaspari, na Folha deste domingo. Chamou a atenção o fato de a premiada, Elinor Ostrom, ser mulher, mas o foco foi para o lado errado. Ostrom estuda a colaboração, a inteligência coletiva. Um de seus livros tem o título (tradução livre): “Governando Comunidades com Áreas de Uso Comum” e tem como exemplo comunidades de pescadores do Japão, sistemas de irrigação espanhóis, entre outros.

A tese de Ostrom desmente a ideia de que a propriedade comum acaba em colapso econômico e destruição do meio ambiente, conforme disse Gaspari. Isso é balela. A inteligência de dez pessoas numa sala é muito maior do que o da pessoa mais inteligente. Precisamos (nós, humanidade) aprender como utilizar isso cada vez mais. Pricipalmente nesse momento é que é preciso reinventar o estilo de vida e encontrar novas maneiras de se relacionar com o planeta. Continuar confiando somente nas lideranças atuais é como disse Albert Einstein inócuo. “Não é possível resolver os problemas usando a mesma mentalidade com que foram criados.” É preciso pensar diferente. E colaborativamente…

(Se esse pensamento fosse mais disseminado, talvez não mais existisse espaço para os síndicos de prédios! Que apesar de estarem lá para facilitar, quase sempre acabam tumultuando as decisões coletivas. É ou não é? Reunião de condomínio é para desacreditar na capacidade altruísta da raça humana…)

Abaixo, o que Gaspari escreveu. E quem quiser saber mais sobre a economista, a Wikipedia tem boas informações.

PS: Podem falar que o Nobel da Paz foi precipitado para o Obama, mas o que eu acredito mesmo é que a academia sueca está é bastante antenada para onde o mundo está indo e o quê as pessoas estão valorizando. Para Obama foi, na verdade, um prêmio para a esperança e boa fé na humanidade. (O pessoal da academia sueca deve morar em casas, sem frequentar reuniões de condomínio!)


ÀS VEZES A PATULEIA ENSINA AOS SÁBIOS Uma pessoa capaz de lembrar que “o mundo tem problemas, mas as universidades têm departamentos” deveria ganhar algum prêmio. Elinor Ostrom ganhou o Nobel de Economia sem ser economista e escreveu um livro onde só há algarismos na numeração das páginas. Seu estilo pode ser seco, mas entende-se tudo o que diz. Chama-se “Governing Commons” (Governando Comunidades com Áreas de Uso Comum, numa tradução livre).
A professora Ostrom dissecou comunidades de pescadores do Japão, sistemas de irrigação espanhóis e grupamentos de suíços. Seu objetivo foi desmentir a ideia segundo a qual a propriedade comum acaba em colapso econômico e destruição do meio ambiente. Pelo contrário, desde que sejam respeitados alguns princípios (e ela ensina quais) a propriedade comum funciona, e bem.
Quem acredita na eficácia da criação das regiões metropolitanas e na centralização das delegacias educacionais pode ler na internet um trabalho da professora (infelizmente, em inglês), intitulado “A Análise de Políticas no Futuro das Boas Sociedades”.
Ostrom mostra como essas ideias perderam adeptos, diz porquê e recomenda, entre outras coisas, que se acredite menos em reformas concebidas por sábios e mais naquilo que as comunidades têm a dizer.
Chega-se ao artigo passando “Policy Analysis in the Future of Good Societies” e “Elinor Ostrom”, no Google.

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Arquivado em Colaboração, Mundo 2.0

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