Da arte de ver a floresta e não só as árvores


Abaporu, fruto da semana de arte moderna - o Brasil precisa olhar mais para fora

Abaporu, fruto do movimento antropofágico - o Brasil precisa olhar mais para fora

Estive em uma conferência do semanário inglês The Economist na semana passsada. É muito relevante ver a opinião que os gringos têm de fora sobre o Brasil. Havia muita gente de peso. Além dos editores da revista, gente como Jorge Castañeda, César Gaviria, Ricardo Lopes Murphy, Eduardo Giannetti da Fonseca, entre outros.

Os empresários brasileiros estavam todos contentes com o fato de que nosso mercado doméstico é muito forte, amplo, e isso nos ajudou a vencer a ‘marolinha’ da crise. Ficou claro para mim que isso é uma visão de curto prazo. A China e a Índia conseguiram chegar ao estágio atual porque diversificaram seus negócios com outros países. Na visão dos especialistas, os chineses tiveram um grande apoio do governo para expandir os negócios e a Índia contou com o empenho de seus empreendedores. E que faltaria isso no Brasil.

A lógica é a seguinte: se o mercado interno é tão grande e as margens de lucro são ótimas, para que sair do Brasil? Está diagnosticada a falta de internacionalização das empresas brasileiras: falta de vontade. Para dizer que isso é preguiça, falta um passo. Não é o caso de ser tão leviano assim, obviamente, mas é um argumento pertinente.

Outro ponto que deu pano para discussão foi a questão do talento. O Brasil está passando por um momento privilegiado na questão demográfica. Há muita gente na chamada economia ativa. Como em poucas vezes acontece na história. Isso quer dizer que tem muita gente para trabalhar, mas não quer dizer que é gente boa, capacitada para o trabalho. A impressão que se tem no mercado — e muito se ouve falar por aí – é que há dificuldades de contratar pessoas, pois não há gente de qualidade. Um dos presentes se levantou e disse que ele havia implementado muitos projetos no Brasil, China e Índia e que pessoas nunca foram o problema. Nas palavras dele, as barreiras sempre estiverem na tecnologia e infra-estrutura. Problemas de deslocamento, trânsito, conexão com intranet etc. Ou seja, nada de falta de talento, mas sim de planejamento. Isso assusta quando pensamos nas Olimpíadas que vêm por aí.

Outros pontos entraram na discussão, como protecionismo, a necessidade ou  não de o Brasil exercer papel de liderança na América Latina, entre outras. Mas o que mais me chamou a atenção foi aquilo que não foi dito, que deixou de ser assunto. A questão ambiental.

Quem acompanha minimamente essa questão, sabe que a preocupação com o meio ambiente é central no planejamento de 5, 10 anos das empresas. A pressão cada vez maior da sociedade e  de reguladores fará com que, acreditando ou não, as empresas mudem suas posturas em relação ao meio ambiente. Para não ser injusto, somente o Eduardo Giannetti falou algo sobre isso, mas mesmo assim de ‘contrabando’, quando disse que não queria falar da posição de Zelaya, porque não entendia, mas que gostaria de falar de meio ambiente se possível. Mas ninguém mais perguntou nada… Perdeu-se a chance. As empresas ao lado dos governos têm enorme capacidade de provocar a mudança necessária nos padrões de desenvolvimento da sociedade.

E para acabar com algo menos árido do que The Economist, segue um vídeo muito bacana de uma empresa hidrelétrica alemã, chamada RWE, que capturou de maneira onírica o importante papel das empresas nessa transformação do mundo.

Essa capacidade de enxergar a floresta e não somente as árvores é fundamental para as instituições e pessoas enxergarem de forma mais precisa o papel de cada um. Os brasileiros deveriam ouvir mais a opinião de fora, se abrir mais para o mundo. (Isso não é novidade, já está há décadas entre nós! A Semana do modernismo, o movimento antropofágico já apontou o caminho há muito tempo, porque a gente esquece?) e as empresas deveriam todas ter essa percepção que a RWE teve. Divirtam-se com o vídeo e com a capacidade de expressar ideias em imagens.

2 Comentários

Arquivado em Uncategorized

2 Respostas para “Da arte de ver a floresta e não só as árvores

  1. Pingback: É nóis na Economist! « A Ficha Caiu

  2. Pingback: O melhor de 2010 (final) + inspiração para 2011 | A Ficha Caiu

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s