American Way of flying


A bit of American Way of life today. Um brioche cheio de açúcar, com uma manteiga para passar no pão. Três pedaços de fruta. Melancia, melão e laranja. Mas podia ser laranja, melancia e melão —  o gosto era quase igual. Chafé no lugar de café. Tinha esquecido como é ruim esse costume de colocar muita água para pouco café. E fome para passar na alfândega. Como em qualquer aeroporto do mundo (ainda vão inventar um design inteligente – não criacionismo, pelo amor de Deus!), filas na imigração.

– O que vc vai fazer nos Estados Unidos?

– Onde você vai ficar?

– Até quando vai ficar?

– O que você faz no Brasil?

– Já esteve aqui antes?

– Quando foi a última vez?

A tensão paira no ar. É preciso concentração para não gaguejar.

Pá, pá, pum (sons de carimbo). Passaporte jogado na bancada. E um seco “Have a good Day.” “Thank you. Bye.” Não fui capaz de desejar um bom dia a ele. Até que deveria, mas tenho a impressão de que não ia fazer diferença…

Uma caminhada até a área de bagagens. Os carrinhos são bem melhores e inteligentes que os brasileiros. Uma rodinha só na frente faz uma grande diferença na agilidade. Hello, alguém aí da Infraero já pensou nisso antes?

Um cachorro dentro de uma gaiola late desesperado pelo dono. Sorte (ou azar) dele que não precisa passar pela imigração. Dois caras chegam, param ao lado do cachorro e perguntam. “Are you ok, buddy?” E pegam uma maleta verde, grande, pesada e dão tchau para o cachorro. Três passos depois, e o bicho já está latindo de novo.

Logo na saída da área de coleta de bagagem está o ‘recheck’. E lá vai a mala de Dallas para San Francisco.  Queria ser a mala agora, assim não precisaria passar pela segurança de vôo.

O banheiro com a água quente de sempre. Não posso regular. E se eu quiser água fria? O quanto se gasta de energia para aquecer a água que eu nem quero quente?

Do banheiro para o portão C21. Procedimento de segurança. Laptop separado. Líquidos num saco plástico. Policial negra com olhar fixo no meu. Faço cara de tranqüilidade e tiro meus tênis. E o cinto. E o relógio. E o blackberry. E, por fim, a jaqueta. Laptop em uma bandeja com relógio e cinto. O americano atrás de mim aponta o sinal na minha frente. Meu filho de 5 anos entenderia mais fácil e rápido do que eu. Laptop em uma bandeja em uma imagem. E na outra um laptop, com relógio e celular. Com um ‘x’ bem grande de proibido. Mais preocupado em ver a cena, esqueci do detalhe. E lembrei que na América é melhor você focar no que está a sua frente do que olhar à frente, se é que me entendem. É tudo muito arriscado para fazer diferente. Ah, ninguém vá voar com a meia furada, hein?  Além de ter que tirar os sapatos ainda ter meia furada é humilhação demais para um vôo só.

(O comandante avisa que acabamos de passar por Ship Rock, no Novo México. Uma formação rochosa na paisagem surrealista sobre a qual sobrevoamos, onde as plantações são interrompidas por uma escarpa abruta, uma erosão gigante que faz lembrar que a superfície da terra é uma casquinha nas dimensões avantajadas de nosso planeta.)

Ship Rock, no Novo México

A policial me olha de novo. Será que ela adivinhou que meu sobrenome é sírio-libanês?

Na frente do portão, um buldogue de 1,85m com cara de mau. Aposto que nos finais de semana ele faz barbecue na grelha e toma cerveja dando risadas com os amigos. É só parte do trabalho dele essa cara de mau. Tenho certeza.

(Mais uma chamado do comandante para ver o Glen Canyon – com visibilidade infinita praticamente, o vôo é maravilhoso).

Glen Canyon, variação geológica do Grand Canyon!

Passei, mesmo sem acondicionar meus líquidos (pasta de dente, remédio para nariz) em um saco plástico. Já estava preparado para dizer que fazia muito tempo que eu não viajava para cá, não sabia das novas regras etc.

Agora, Skylink, o trem para o outro terminal. Um lindo dia raia pelas janelas do SkyLink. Nenhuma nuvem no céu. Uma armada de pássaros passa elegante em pequeno plano. Um jumbo pesado rompe o ar, apontando o infinito em segundo plano, sem a menor graça perto do balouçar errático das asas dos pássaros que revezam na liderança da armada.

Starbucks na entrada do vôo. Um cookie para não morrer de fone. Por trás das grades do corredor, brilha o logotipo da American, refletindo o sol nascente. Uma metáfora perfeita para as salas da imigração. O sol da América brilhando tão perto e tão longe do desejo de muitos. A fronteira do México está logo ali.

Em São Francisco, surpresa, a mala não está. Vou esperar no hotel para ver se a recuperam. Duas horas de sono para recuperar da noite na classe econômica antes de reencontrar a cidade, 11 anos depois da última vez que estive aqui.

4 Comentários

Arquivado em Viagens

4 Respostas para “American Way of flying

  1. Gabi

    Ro,

    Boa sorte com a mala! Considerando que nao é Alitalia e, sim, American Airlines ela deve chegar logo.🙂

  2. Pingback: O melhor de 2010 – parte 3 | A Ficha Caiu

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