Lugar de filho de político é na escola pública?


Votei no Cristovam Buarque no 1º turno da última eleição. Não que eu achasse que ele teria qualquer chance. Mas eu quis dar um voto para a educação. Para colocar o tema na vitrine. E o Cristovam era o cara ideal para isso, pois sua campanha foi monotemática. Independente de sua estratégia, ficou patente para mim que ele é coerente ao ler sobre a lei abaixo no blog Nosso Futuro Comum.

Trata-se de uma ideia supersimples, mas com um potencial incrível. A proposta é que todos os políticos coloquem seus filhos na escola pública. O objetivo é que com isso haveria uma boa melhora na qualidade da educação pública.

Confesse que andei pensando ultimamente na hipótese de colocar meu filho em escola pública. Mas simplesmente não tenho coragem. Já ouvi de pessoas que pouparam tudo o que seria gasto (ou investido?) em uma escola particular no ensino fundamental e médio para dar aos filhos quando completassem 18 anos. Assim, poderiam escolher estudar em uma escola particular ou pública. Não sei se sou muito medroso ou mesmo conservador, mas o fato é que no papel de pai todo o esforço é feito para que o filho tenha o melhor. E o melhor em questão de educação é mesmo a escola privada, ainda que para lá de cara.

Talvez seja o caso de esperar para uma lei dessas ser aprovada para então poder colocar os filhos na escola pública. Conheçam a lei abaixo.

Pergunta: já está disponível para votação no VoteNaWeb?

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SE VOCÊ CONCORDA COM A IDÉIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM.

Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país.
O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.

http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007
Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

PARABÉNS PARA O SENADOR CRISTOVAM BUARQUE.
BOA SORTE JUNTO A SEUS PARES.

IDÉIA SENSACIONAL!!!!

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº , DE 2007

PLS – PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 480 de 2007

Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º
Os agentes públicos eleitos para os Poderes Executivo e Legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica.

Art. 2º
Esta Lei deverá estar em vigor em todo o Brasil até, no máximo, 1º de janeiro de 2014.
Parágrafo Único. As Câmaras de Vereadores e Assembléias Legislativas Estaduais poderão antecipar este prazo para suas unidades respectivas.

JUSTIFICAÇÃO
No Brasil, os filhos dos dirigentes políticos estudam a educação básica em escolas privadas. Isto mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público.
Talvez não haja maior prova do desapreço para com a educação das crianças do povo, do que ter os filhos dos dirigentes brasileiros, salvo raras exceções, estudando em escolas privadas. Esta é uma forma de corrupção discreta da elite dirigente que, ao invés de resolver os problemas nacionais, busca proteger-se contra as tragédias do povo, criando privilégios.
Além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos.
Pode-se estimar que os 64.810 ocupantes de cargos eleitorais – vereadores, prefeitos e vice-prefeitos, deputados estaduais, federais, senadores e seus suplentes, governadores e vice-governadores, Presidente e Vice-Presidente da República – deduzam um valor total de mais de 150 milhões de reais nas suas respectivas declarações de imposto de renda, com o fim de financiar a escola privada de seus filhos alcançando a dedução de R$ 2.373,84 inclusive no exterior. Considerando apenas um dependente por ocupante de cargo eleitoras.
O presente Projeto de Lei permitirá que se alcance, entre outros, os seguintes objetivos:
a) ético: comprometerá o representante do povo com a escola que atende ao povo;
b) político: certamente provocará um maior interesse das autoridades para com a educação pública com a conseqüente melhoria da qualidade dessas escolas.
c) financeiro: evitará a “evasão legal” de mais de 12 milhões de reais por mês, o que aumentaria a disponibilidade de recursos fiscais à disposição do setor público, inclusive para a educação;
d) estratégica: os governantes sentirão diretamente a urgência de, em sete anos, desenvolver a qualidade da educação pública no Brasil.
Se esta proposta tivesse sido adotada no momento da Proclamação da República, como um gesto republicano, a realidade social brasileira seria hoje completamente diferente. Entretanto, a tradição de 118 anos de uma República que separa as massas e a elite, uma sem direitos e a outra com privilégios, não permite a implementação imediata desta decisão.
Ficou escolhido por isto o ano de 2014, quando a República estará completando 125 anos de sua proclamação. É um prazo muito longo desde 1889, mas suficiente para que as escolas públicas brasileiras tenham a qualidade que a elite dirigente exige para a escola de seus filhos.
Seria injustificado, depois de tanto tempo, que o Brasil ainda tivesse duas educações – uma para os filhos de seus dirigentes e outra para os filhos do povo –, como nos mais antigos sistemas monárquicos, onde a educação era reservada para os nobres.
Diante do exposto, solicitamos o apoio dos ilustres colegas para a aprovação deste projeto.
Sala das Sessões,
Senador CRISTOVAM BUARQUE

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2 Comentários

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2 Respostas para “Lugar de filho de político é na escola pública?

  1. Salve Rodrigo!

    Admiro o Sen. Cristóvam Buarque em sua ‘quixotesca’ luta pela Educação. Tema de altíssima relevância para nosso futuro e quase monocórdico tema da sua (dele) vida pública. Palmas para ele pois sempre de alguma forma consegue suscitar a discussão sobre o tema.

    Entretanto, acho que com esta proposta o Sen. Cristóvam está a um passo de uma rocambolesca comparação com o Sen. Suplicy e sua Renda Mínima. E isso, por mais que os temas sejam pertinentes e defensáveis, não é um elogio. Está a um passo da demagogia.

    Senão, vejamos:

    Sou em princípio contra qualquer tutela do Estado no que o cidadão deva ou não fazer. Esteja o cidadão no alto de sua vassoura ou de um mandato.

    (Em tempo: o primeiro é, de longe, muito mais necessário que o segundo a despeito do que pense o arauto da República de Higienópolis em momento de incontinência via satélite.)

    Forçar um político a colocar seu filho em escola pública é forçar você ou a mim fazer o mesmo. Quero que você tenha a liberdade de colocar o seu filho na escola que você quiser você optando em disputar um cargo eletivo ou não.

    Sou fruto da escola pública. Meu pai ascendeu social e econonômicamente pois teve acesso a educação gratuita. O básico em um seminário depois em um tecnico e superior públicos em Agronomia. Quando chegou minha hora fiz meu segundo grau técnico e engenharia em escola pública de altíssima qualidade (CEFET-PR) e aliviei o orçamento doméstico.

    A Escola Pública de qualidade não é um fenômeno que aconteça por decreto. É o sonho de uma sociedade. E em exemplos pontuais a escola pública e de qualidade já se mostrou viável pois a sociedade decidiu que assim era necessário. Mas uma sociedade que há pouco não conseguia nem comer, ainda não chegou a um consenso que esta – a Educação – é sua pauta.

    Vai chegar a hora da Educação. Não acredito que da forma que nós conhecemos pois a tecnologia deve mudar isso, mas de qualquer forma é premente e urgente. Mas sinceramente não acredito que o caminho seja através de mais uma lei das muitas que só servem para tutelar inutilmente a sociedade.

    Eu dou meus pitacos no Votanaweb e é impressionante como 95% das leis são inúteis e idiotas tentativas de tutelar a sociedade no que ela deve ou não deve fazer.

    O Sen. Cristóvam ir por esse caminho é jogar na lama sua história e não atacar o problema principal: construir a base política, social e econômica para que a mudança ocorra. E ele sabe o caminho de fazer a verdadeira revolução. Já fez isso com o Bolsa-Escola no DF e deu no que deu, uma coisa muito mais ampla e eficiente hoje chamada Bolsa-Família.

    A atual proposta escora-se no que a classe média-alta brasileira tem de mais podre: o desejo de vingança, de ver alguém – não ele – ser subjulgado em algum nível para ter um mínimo de senso de justiça, uma medíocre justiça. Por isso tem um viés demagógico muito forte.

    Uma coisa eu tenho certeza: não é essa lei que fará com que tenhamos uma Educação pública e universal de qualidade. Ou mesmo que fará você ou eu colocarmos nossos filhos em uma escola pública.

  2. Carlos Vicente,
    gosto dos seus argumentos. Parece dar a impressão de que o senador Cristovam Buarque está jogando para a torcida, mas pode ser um ato extremo para chamar a atenção para algo.
    Não sei se melhoraria algo e com certeza é uma medida paliativa. Acredito que essa ideia seja menor diante do desafio enorme da educação, pelo qual ele levou meu voto de ‘incentivo’ na última eleição.
    O problema da educação no Brasil é geracional. Hoje mesmo no trabalho vi o comentário de um colega no blog da empresa e fiquei surpreso de ver um jovem escrevendo tão mal o português sem nem saber se expressar direito. Ele está trabalhando em uma grande empresa! Aí fica mais claro o que os jornais dizem quando lembram que estamos sofrendo com o ‘apagão de talentos’. Quem vai construir a infra da Copa do Mundo e das Olimpíadas? São estes jovens de má-formação que, na falta de melhores opções, acabarão sendo contratados. Ê, Brasil!
    Em sete anos não se resolve o problema da educação… Não mesmo. E pouco avançamos – ainda que tenhamos avançado – nestes últimos anos… um tanto desanimador.

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