Arquivo do mês: dezembro 2009

Feliz 2010 com Fragmentos do Evangelho Apócrifo, de Borges

Borges é um craque da literatura, ninguém duvida disso. E os craques sempre são capazes de surpreender. Tenho a ligeira impressão de que já deveria ter conhecido antes esse material abaixo, mas tive contato com ele há poucos meses em uma das edições atrasadas da revista Piauí, que guardo para ler com tempo e saborear. Foi citado pelo José Serra, em uma entrevista concedida à revista.

É muito inspirador e queria dividir com vocês, agradecendo pela audiência durante 2009, ano em que resolvi investir tempo neste blog. Algumas vezes, é difícil manter a frequencia, mas a troca de ideias faz valer a pena.

Valeu! Vou continuar na toada em 2010. “Que seja eterno enquanto dure”, já dizia o poeta. E que seja eterno enquanto e valer  a pena – emendo.

E Feliz 2010 para todos nós, com a companhia de Borges e muitos outros craques das letras e que nos ajudam a entender o mundo.

Abraço

Fragmentos do Evangelho Apócrifo

3 Mal-aventurado o pobre de espírito, porque sob a terra será o que é agora na terra.

4 Mal-aventurado o que chora, pois já cultiva o hábito infeliz do pranto.

5 Afortunados os que sabem que o sofrimento não é uma coroa de glória.

6 Não basta ser o último para ser alguma vez o primeiro.

7 Feliz o que não insiste em ter razão, pois ninguém a tem ou todos a têm.

8 Feliz o que perdoa os outros e o que perdoa a si mesmo.

9 Bem-aventurados os mansos, porque não condescendem à discórdia.

10 Bem-aventurados os que têm fome de justiça, porque sabem que a nossa sorte, adversa ou piedosa, é obra do acaso, que é inescrutável.

11 Bem-aventurados os misericordiosos, porque sua felicidade está no exercício da misericórdia e não na esperança de um prêmio.

12 Bem-aventurados os de coração limpo, porque vêem Deus.

13 Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque lhes importa mais a justiça do que o seu destino humano.

14 Ninguém é o sal da terra; ninguém, em algum momento da sua vida, não o é.

15 Que a luz de uma lâmpada se acenda, mesmo que nenhum homem a veja. Deus a verá.

16 Não há mandamento que não possa ser infringido, e também os que digo e os que os profetas disseram.

17 Aquele que matar pela causa da justiça, ou pela causa que ele crê justa, não tem culpa.

18 Os atos dos homens não merecem nem o fogo nem os céus.

19 Não odeies o teu inimigo, pois se o fazes, és de algum modo seu escravo. Teu ódio nunca será melhor que a tua paz.

20 Se a tua mão direita te ofender, perdoa-a; és teu corpo e és tua alma e é árduo, senão impossível, fixar a fronteira que os divide…

24 Não exageres o culto da verdade; não há homem que ao cabo de um dia não tenha mentido com razão muitas vezes.

25 Não jures, pois todo juramento é uma ênfase.

26 Resiste ao mal, porém sem espanto e sem ira. A quem te ferir na face direita, podes voltar a outra, desde que não te mova o temor.

27 Não falo de vinganças nem de perdões; o esquecimento é a única vingança e o único perdão.

28 Fazer o bem ao teu inimigo pode ser obra de justiça e não é árduo; amá-lo, tarefa de anjos e não de homens.

29 Fazer o bem ao teu inimigo é a melhor forma de satisfazer a tua vaidade.

30 Não acumules ouro na terra, porque o ouro é pai do ócio, e este, da tristeza e do tédio.

31 Pensa que os outros são justos ou sê-lo-ão, e se não for assim, não é teu o erro.

32 Deus é mais generoso que os homens e os medirá com outra medida.

33 Dá o que é santo aos cães, joga tuas pérolas aos porcos; o importante é dar.

34 Procura pelo prazer de procurar, não pelo de encontrar…

39 A porta é que escolhe, não o homem.

40 Não julgues a árvore por seus frutos, nem o homem por suas obras; podem ser piores ou melhores.

41 Nada se edifica sobre a pedra, tudo sobre a areia, mas nosso dever é edificar como se fosse pedra a areia…

47 Feliz o pobre sem amargura ou o rico sem soberba.

48 Felizes os valentes, os que aceitam com ânimo semelhante a derrota ou as palmas.

49 Felizes os que guardam na memória palavras de Virgílio ou de Cristo, pois estas darão luz aos seus dias.

50 Felizes os amados, os que amam e os que podem prescindir do amor.

51 Felizes os felizes.

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Avatar é uma mensagem e tanto para nós

Avatar faz pensar

Quando ouvi falar de Avatar, o filme já estava para estrear. Não sabia muito o que esperar, apenas que traria uma grande revolução do cinema em 3D. Com as repercussões positivas na mídia e com o barulho que se criou pré e pós-lançamento, aproveitei a primeira oportunidade de ir ao cinema e consegui assistir.

Futurista, o filme é cheio de referência a clássicos da ficção científica: Star Wars, Robocop, Matrix, Alien, o Oitavo Passageiro e até História Sem Fim. Referências que foram usadas para construir uma história para lá de original e absolutamente afinada com os tempos atuais.

A grande mensagem do filme é verde. Fala de sustentabilidade. Fala na diversidade. Na possibilidade de convivência. No amor como liga de um mundo melhor. Os vilões inescrupulosos estão lá. Donos do progresso. Com os fins prontos a justificar os meios. O herói do filme é um herói por acaso. Alguém por quem o destino escolheu. E o roteiro é uma catapulta para jogar a platéia dentro do filme via tecnnologia 3D.

Muitos escreveram que essa era a ressurreição da tecnologia 3D. Não por acaso. Já havia visto o Viagem ao Centro da Terra, que esboçava alguns truques de ilusão em 3D. Com Avatar, por meio de seres mistos, meio humanos, meio felinos, de 3m de altura, esculpidos em computador, a experiência 3D é levada ao extremo. O filme ganha muita vida graças a essa tecnologia.

É na Floresta que James Cameron fez seu grande serviço para a humanidade neste final de primeira década do terceiro milênio. Com a projeção de Hollywood + 300 milhões de dólares, Cameron colocou o tema sustentabilidade em evidência com um filme de primeira categoria — que vai concorrer a muitos oscars, não tenho dúvida.

Os azuis (smurfs galácticos) Na’Vi, vivem em absoluta harmonia com a floresta, soberana em Pandora, um planeta inóspito para a raça humana. Os humanos precisam do raro mineral Unobtainium (um nome estranho, em um dos poucos deslizes do filme) para sustentar os lucros e satisfação dos acionistas de uma grande corporação. Como em nossa economia contemporânea, os acionistas são pintados como capitalistas sedentos por lucros de curto prazo, pouco se importando com as conseqüências disso. Ainda mais por estarem em um planeta a mais ou menos 6 anos de viagem da distante Terra, longe das repercussões da mídia e da sociedade…

Pandora, terra dos Na’Vi é um velho oeste galáctico. É uma luta de nós vs eles. O problema é que o ‘nós’ é construído de maneira tão estereotipada e ao mesmo tempo tão real, que o espectador, nós, não consegue se reconhecer como espécie. Em pouco tempo, conseguimos identificação no outro, nos Na’Vi. Como se fôssemos avatares da nossa consciência, imersos numa vida paralela, idealizada, em harmonia com a natureza, com algo que viemos nos afastando desde a revolução industrial. E para a qual estamos desesperadamente tentando voltar agora.

Como metáfora de um momento da espécie humana, na sua incrível aventura na espaçonave Terra, Avatar passa uma mensagem e tanto (longe do ‘ecochatismo’). A mensagem de que sem a Terra (Eywa, para os Na’Vi), nós não somos nada. Tão simples e tão óbvio. Nada além de uma espécie que poderia ser chamada de ‘baratas’, tal qual os humanos chamam o povo Na’Vi a bordo de uma gigantesca bolha pressurizada. Realmente para pensar. Segue o trailer:

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A ética do bem comum

No meu trabalho, temos à disposição uma ferramenta muito bacana de redes sociais, com blogs, enquetes, fóruns etc. Estou aprendendo muita coisa bacana.

Compartilhar conhecimento é a melhor coisa que a humanidade inventou desde a internet. Ajuda a todos a terem vidas melhores e mais inspiradas.

Pensando nisso, compartilho aqui um texto que meu colega Fabio Torelli colocou no blog pessoal dele, inspirado em uma fala do genial Oscar Motomura.

Aproveitem:

Copyright © AMANA-KEY • REFLEXÕES SOBRE ÉTICA E O FAZER ACONTECER

 Se ética é a escolha pelo bem comum (o bem de todos os seres vivos, do todo maior) o que seria não ético?

 Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir não agir porque existem dificuldades e incertezas… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir omitir suas propostas, ideias e ações para não ir contra a maioria… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir viabilizar o viável em vez de procurar tornar possível o impossível… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir usar apenas parte do seu potencial (“poupando-o” para interesses pessoais)… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir não agir, se manter em silêncio, deixando o medo prevalecer… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir se conformar com a “letra da lei” em vez de persistir pelo “espírito da lei”… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir não fazer face aos desafios de grande escala e complexidade porque parecem “além da conta” e porque ninguém até hoje tentou… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir protelar ações ousadas de novo e de novo esperando “o momento certo”… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir não ir em frente porque não será reconhecido como o autor da ideia… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir “entrar no jogo” fingindo não perceber manipulações em processo… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir viver no reino das ideias, dos diagnósticos e das teorias em vez de assumir os riscos da ação… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir rejeitar toda e qualquer

proposta “diferente” (inclusive suas próprias) mesmo quando as ideias tradicionais não estiverem funcionando… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir rejeitar qualquer proposta que pareça “idealista” ou “utópica”… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir deixar tudo como está porque o caminho para a perfeição é muito complexo e difícil de implementar…..definitivamente não é ético. 

(Insights de Oscar Motomura durante o concerto que seguiu o workshop sobre

Limites Morais em Talberg, Suécia, Verão de 2008.)

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A incrível aventura humana é muito maior que Copenhague

Por muito tempo achamos que tudo girava em torno da Terra. Galileu Galilei – lembra das aulas de história? – foi condenado porque disse o contrário. “Eppur si muove!”, ele disse, para nos mostrar que girávamos em torno do sol. E que o sol era uma entre bilhões de estrelas de uma entre bilhões de galáxias formada por um universo que de alguma forma jogou energia para todos os lados formando partículas que se organizaram em moléculas, que se organizaram em genes, que por sua vez se organizaram em proteínas formando um DNA, a base dos seres humanos.

Somos seres pequenos, ínfimos, que ainda estamos descobrindo como se comunicar uns com os outros (a Web 2.0 nada mais é do que uma tentativa embrionária que potencializa a linguagem em uma potência ainda a ser medida). O que dirá de se comunicar com outras vidas.

O universo é grandioso demais para termos a pretensão de acharmos que somos a única forma de vida viável. Um incrível acidente da natureza? (leia post que escrevi sobre isso no Planeta Sustentável) Pode até ser, dadas as incríveis casualidades que formaram essa espécie inteligente que é capaz de escrever linhas como essas. Mas isso é pouco dada a grandiosidade do universo.

Ainda conhecemos apenas 10% do fundo do mar em nossa própria casa. Ainda não somos capazes de chegar a um consenso sobre o nosso próprio futuro (COP15). Ainda nos matamos para termos o direito de adorar um Deus melhor que o do outro.  Mas temos a ousadia suficiente para voar até o satélite que orbita nosso planeta e também para lançar telescópios para espiar o mundo lá fora. E descobrimos que ainda temos muito para descobrir.

Nesse video abaixo do American Museum of Natural History há um momento angustiante para mim. É quando o Cosmos virá uma esfera com espaços negros ao redor. Impossível não pensar no magnifíco filme o Show de Truman. Há algo fora das fronteiras do universo? Nosso cérebro mal entende a dimensão de nosso universo, o que dirá de um universo de 11 dimensões, como a teoria das cordas propõe?

Estamos todos conectados via uma imensa máquina que nunca desliga (a internet) e ao mesmo tempo vacinamos crianças pequenas via agulhas medievais perfurando quadríceps em formação. Reorganizamos móleculas para criar substâncias pesadas, que fazem mal à nós mesmos, para em seguida descobrir que a casca de banana é capaz de nos livrar do mal que causamos (Milena Bonilo, no TEDxSP).

Aos poucos, vamos descobrindo que apesar de toda racionalidade que tentamos imprimir em nossa vida, não passamos de energia organizada em forma de átomos. E que mal conseguimos conviver no espaço que o universo reservou para nós: a Terra.

Nesse final de ano, pós-fracasso da COP15 (mais um exemplo de que não conseguimos caber no nosso espaço, que gastamos mais do que nosso orçamento), vale investir 24 minutos para assistir a esses dois incríveis videos que falam de grandiosidade, da inevitabilidade do universo à força de vontade da superação. Das possibilidades de entender e escolher. O vago transformado em concreto. A vida na Terra é a vitória do improvável (Deus?). E, somente agora, depois de 500 mil anos depois de começarmos a nos organizar em sociedade, como espécie, estamos começando a aprendendo a valorizá-la. (Nunca é demais lembrar que se a história do planeta fosse um dia de 24 horas, nós, seres humanos teríamos surgido há um minuto e dezessete segundos antes da meia noite.)

The Known Universe by American Museum of Natural History

Jill Bolte Taylor, sobre o funcionamento do cérebro, no TED

No video acima, Jill Bolte Taylor falou uma frase linda: “There is a we inside of me.” Existe um nós dentro de mim. Ela falou dezenas de vezes a palavras ‘beautiful” em sua apresentação. Não à toa. A vida é bela. Como a Terra é bela. E a beleza é difícil, já dizia o poeta americano Ezra Pound.

PS: Vale a pena ver essas incríveis fotos apenas do ano de 2009. É mesmo incrível e grandioso a aventura humana.

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Muito com pouco

Acabei de ver esse video e fiquei totalmente impressionado. O que é possível fazer com o talento? A versão que corre é que se trata de um trabalho que custou menos de 300 dólares. Não posso acreditar que seja tão baixo.

Trata-se de um curta metragem uruguaio de ficção científica sensacional: “Ataque de Pânico”.

Os efeitos especiais são maravilhosos, melhor que 99% dos filmes de ficção científica que passam na Sessão da Tarde.

A vida do diretor Frederico Alvarez mudou de uma hora para outra depois de publicado esse curta.

Do momento que ele postou o vídeo no You Tube até a assinatura do contrato com o produtor de Hollywood Sam Haimi da triologia Homem Aranha foram 10 dias, inacreditável

Uma produtora bancou 30 milhões de dólares para ele fazer o próximo filme. Somente ele será remunerado com 1 milhão de dólares.

A grande questão é: como isso seria possível, descobrir um talento desses, há 15 anos, sem web, sem redes sociais, sem youtube? Além de tudo, o mundo 2.0 é um revelador de talentos, um incrível estopim para a criatividade humana. Quero ver o que esse cara ainda vai aprontar por aí. :


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Os invencíveis Apaches e a sociedade em rede

Tive um inspirador almoço hoje com @haraujo e @dudex. Um dos assuntos que surgiram foi a diferença entre chefe e líder. Ou entre líder e exemplo, na versão do @haraujo, que contou a inspiradora história da liderança Apache, que vou reproduzir de ‘orelha’ (contando com que o @haraujo possa passar depois a fonte mais completa).

Eu não sabia, mas os americanos demoraram 300 anos para dominar os índios apaches enquanto que os espanhóis levaram só 10 anos para derrotar os incas. E não porque espanhóis eram melhores que americanos. O fato é que os incas tinham uma liderança baseada em um chefe, controle e comando. Quando pegaram o chefe inca, o povo ficou desnorteado e foi mais fácil subjugá-lo.

Com os apaches, a história foi diferente. Eles não tinham um chefe, mas um grande líder — ou um exemplo. Era a pessoa mais inspiradora da tribo, cujos valores e práticas eram reproduzidos por muitos outros índios. Por mais que os americanos pegassem um líder, os outros já sabiam o que fazer e como manter a postura, cultura e crenças da tribo. Era uma sociedade que vivia em rede, trocando informações para continuar coesa.

Para pegá-los, os americanos tiveram que usar um estratagema engenhoso. Os apaches conseguiam viver com pouca comida. Um búfalo era suficiente para partilhar a carne entre muita gente. E ninguém ficava com mais, todos tinham a mesma parte. Assim, privá-los de recursos não era uma estratégia que funcionava bem. Então, os americanos resolveram apresentar a fartura para os índios e deram a eles muitos búfalos para cuidar. E criaram a hierarquia, à medida que os índios começaram a distribuir entre si quantidades diferentes de búfalos por pessoas. Com a hierarquia, foi-se e a rede e assim foi mais fácil dominá-los.

A humanidade está se organizando em rede em uma escala nunca antes vista. Digo em escala, pois a estrutura de redes não é novidades e até formigas o fazem (o livro Emergência, de Steven Johnson fala sobre isso). A internet é uma grande máquina que está até sendo cotada até para levar um prêmio Nobel da Paz. Pensem nisso, é uma máquina que nunca desliga! (No almoço lembramos na hora do computador Hal, de 2001 – uma odisséia no espaço). Como os índios apaches, não há um líder central e essa é a grande beleza das redes. Se sobrarem dois computadores conectados um ao outro de milhões disponíveis pelo mundo, ainda assim a rede existirá.

Um mundo sem hierarquia obviamente nunca existirá, mas a associação em redes é muito benéfica para todos. Essa é a tese central do Renascimento que estamos vivenciando sem ter a menor ideia da dimensão e de onde isso vai parar!

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E lá vem a Geração Z

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E lá vem a Geração Z!

Não conhecia muito bem o Ronaldo Lemos além de sua coluna na Trip até ver sua palestra no TEDxSP. O cara é o maior estudioso de Tecnobrega do mundo (!) e é um dos envolvidos no Creative Commons, o movimento que privilegia o Copyleft no lugar do Copyright, partindo da premissa que a internet é de todos para todos.

Pois bem, recebi hoje da minha colega Aline esse e-mail abaixo que acendeu uma faísca nos pensamentos. Comecei a pensar nessa próxima geração (Geração Z), a partir do que vejo lá em casa. Meu moleque de 5 anos nem aprendeu a ler, mas já joga videogame como adulto. Sabe onde tem que clicar, apoiado nas características intuitivas dos games. Jogando Wii (que ainda acho um videogame um tanto infantil), ele inspira o menor de 1,5 ano a querer jogar também. Que fica imitando os movimentos aleatoriamente, mas sabe muito bem que apertar um botão tem uma relação causa-efeito. O maior também navega por sites da internet e pede para enviar mensagens (imaginárias, é claro) para os amigos.

Quando veja essa comunidade Creche e Escola Fake (abaixo) fico de cabelo em pé com o que vem pela frente!

Não é novidade saber que essa geração é muito capaz e preparada para o mundo digital. Mas já ver em ação o que podem fazer é incrível. Todos esses nascidos em 1994 já vieram a um mundo onde internet não é novidade. É algo que sempre existiu.

Ainda hoje falava de videogame com um colega. Sobre os finados Hotbit e Expert. E de como era preciso “carregar” os programas via fita cassete durante 30 minutos para poder jogar. Disk drive era um artigo para poucos. Muito mais exclusivo do que é um iPhone hoje. Quanta diferença em apenas 15 anos.

O que teremos nos próximos 15 anos? Será que existe algum Julio Verne pós-moderno capaz de responder a essas questões como ele o fez no século 19. Difícil… Quem mais se aproxima disso?

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INTERNETS

Ronaldo Lemos

Internet, a nova geração

Rupert Murdoch está preocupado com o Google. O magnata da mídia, dono da News Corp. (que inclui a Fox, o seriado “House” e o “Wall Street Journal”), acha que o site de buscas está competindo de maneira indevida com ele. Isso porque o Google exibe, nos resultados de pesquisa, notícias produzidas por vários grupos de mídia (como a Fox) sem ter uma política de remuneração bem definida para isso.

A questão é complexa e merece uma discussão bem maior do que o espaço desta coluna.

Por ora, quero falar de uma outra preocupação que deveria estar no radar do sr. Murdoch. Trata-se da chegada da galera chamada de geração Z. São as crianças e agora pré-adolescentes que nasceram a partir de 1995.

Obviamente, não dá para saber ainda características definidas. Mas indícios mostram que essa geração promete virar de cabeça para baixo sua relação com a mídia.

Veja, por exemplo, a comunidade Creche e Escola Fake (“CEF” para os íntimos) no Orkut. Frequentada principalmente por crianças de 8 a 12 anos, ela é uma amostra das possibilidades (e problemas) que essa nova geração vai nos colocar. São hoje mais de 95 mil membros.

A comunidade funciona como uma espécie de novela escrita coletivamente. As crianças pegam fotos de bebês e de outras crianças que encontram na internet (de preferência bebês fofos de origem nórdica), criam perfis falsos e começam a inventar histórias para os “fakes”.

A coisa é complexa, especialmente porque as narrativas evoluem (as crianças crescem, namoram, casam) e estão todas entrelaçadas. É como brincar de casinha, mas elevado à infinita potência. Há desde concursos de popularidade entre os “fakes” e os “offos” e as “offas” (as pessoas reais por trás dos perfis “fake”) até programas de rádio com as últimas notícias.

A geração Y, hoje com 30 e poucos anos, conseguiu fazer coisas incríveis na rede, como a Wikipedia. Mas essa geração falhou em construir coletivamente narrativas estáveis e contínuas que pudessem abranger centenas de milhares de pessoas. Ao que tudo indica essa é uma tarefa que a geração Z faz sem pensar muito. E, com isso, pode contribuir para redefinir a mídia estilo Murdoch.

MONITOR

JÁ ERA

Geração X (nascida entre 1966 e 1976) no centro das atenções

JÁ É

Geração Y (nascida entre 1977 e 1994)

JÁ VEM

Geração Z (nascida entre 1995 e 2012)

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