E lá vem a Geração Z!


Não conhecia muito bem o Ronaldo Lemos além de sua coluna na Trip até ver sua palestra no TEDxSP. O cara é o maior estudioso de Tecnobrega do mundo (!) e é um dos envolvidos no Creative Commons, o movimento que privilegia o Copyleft no lugar do Copyright, partindo da premissa que a internet é de todos para todos.

Pois bem, recebi hoje da minha colega Aline esse e-mail abaixo que acendeu uma faísca nos pensamentos. Comecei a pensar nessa próxima geração (Geração Z), a partir do que vejo lá em casa. Meu moleque de 5 anos nem aprendeu a ler, mas já joga videogame como adulto. Sabe onde tem que clicar, apoiado nas características intuitivas dos games. Jogando Wii (que ainda acho um videogame um tanto infantil), ele inspira o menor de 1,5 ano a querer jogar também. Que fica imitando os movimentos aleatoriamente, mas sabe muito bem que apertar um botão tem uma relação causa-efeito. O maior também navega por sites da internet e pede para enviar mensagens (imaginárias, é claro) para os amigos.

Quando veja essa comunidade Creche e Escola Fake (abaixo) fico de cabelo em pé com o que vem pela frente!

Não é novidade saber que essa geração é muito capaz e preparada para o mundo digital. Mas já ver em ação o que podem fazer é incrível. Todos esses nascidos em 1994 já vieram a um mundo onde internet não é novidade. É algo que sempre existiu.

Ainda hoje falava de videogame com um colega. Sobre os finados Hotbit e Expert. E de como era preciso “carregar” os programas via fita cassete durante 30 minutos para poder jogar. Disk drive era um artigo para poucos. Muito mais exclusivo do que é um iPhone hoje. Quanta diferença em apenas 15 anos.

O que teremos nos próximos 15 anos? Será que existe algum Julio Verne pós-moderno capaz de responder a essas questões como ele o fez no século 19. Difícil… Quem mais se aproxima disso?

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INTERNETS

Ronaldo Lemos

Internet, a nova geração

Rupert Murdoch está preocupado com o Google. O magnata da mídia, dono da News Corp. (que inclui a Fox, o seriado “House” e o “Wall Street Journal”), acha que o site de buscas está competindo de maneira indevida com ele. Isso porque o Google exibe, nos resultados de pesquisa, notícias produzidas por vários grupos de mídia (como a Fox) sem ter uma política de remuneração bem definida para isso.

A questão é complexa e merece uma discussão bem maior do que o espaço desta coluna.

Por ora, quero falar de uma outra preocupação que deveria estar no radar do sr. Murdoch. Trata-se da chegada da galera chamada de geração Z. São as crianças e agora pré-adolescentes que nasceram a partir de 1995.

Obviamente, não dá para saber ainda características definidas. Mas indícios mostram que essa geração promete virar de cabeça para baixo sua relação com a mídia.

Veja, por exemplo, a comunidade Creche e Escola Fake (“CEF” para os íntimos) no Orkut. Frequentada principalmente por crianças de 8 a 12 anos, ela é uma amostra das possibilidades (e problemas) que essa nova geração vai nos colocar. São hoje mais de 95 mil membros.

A comunidade funciona como uma espécie de novela escrita coletivamente. As crianças pegam fotos de bebês e de outras crianças que encontram na internet (de preferência bebês fofos de origem nórdica), criam perfis falsos e começam a inventar histórias para os “fakes”.

A coisa é complexa, especialmente porque as narrativas evoluem (as crianças crescem, namoram, casam) e estão todas entrelaçadas. É como brincar de casinha, mas elevado à infinita potência. Há desde concursos de popularidade entre os “fakes” e os “offos” e as “offas” (as pessoas reais por trás dos perfis “fake”) até programas de rádio com as últimas notícias.

A geração Y, hoje com 30 e poucos anos, conseguiu fazer coisas incríveis na rede, como a Wikipedia. Mas essa geração falhou em construir coletivamente narrativas estáveis e contínuas que pudessem abranger centenas de milhares de pessoas. Ao que tudo indica essa é uma tarefa que a geração Z faz sem pensar muito. E, com isso, pode contribuir para redefinir a mídia estilo Murdoch.

MONITOR

JÁ ERA

Geração X (nascida entre 1966 e 1976) no centro das atenções

JÁ É

Geração Y (nascida entre 1977 e 1994)

JÁ VEM

Geração Z (nascida entre 1995 e 2012)

5 Comentários

Arquivado em Mundo 2.0, Nova Sociedade, Questões, Uncategorized

5 Respostas para “E lá vem a Geração Z!

  1. Pingback: Os invencíveis Apaches e a sociedade em rede « A Ficha Caiu

  2. Eu sou da CEF.E posso dizer que não há nada disso,aquilo é um passatempo,como drogas, VICIANTE.O convívio é muito bom,adoramos lá.Agora me digam,quem ainda não foi criança?a geração de nossos pais teve uma infancia diferente,dicerto.Nossa geração é assim e não podemos fazer nada.A Creche e Escola fake é muito legal,e tem pessoas legais.Usamos fotos de crianças,algumas vezes pra representar a infância perdida de uns,ou simplismente por usar.Todos na CEF,estão pirando por conta disso,achando que vão deletar a comunidade.Não é por isso,mais sim pela criança que há dentro de vocês.Nada de problemas,nem novela,vocês estão loucos,o Fake é uma coisa completamente diferente disso,que não posso descrever com palavras,só convivendo,todo o dia,para ver.
    TomasN. lewis.

    • Interessante… Outro ponto de vista. Não conheço a FAKE, mas me parece muito mais plausível que seja como o Tomas falou. Poderia até se chamar comunidade Peter Pan, não?

  3. Dakota Vampire

    Eu tambem frequento a CEF a muito tempo,e la para mim e o meu segundo lar,nao vejo nada demais em nossa convivencia.Nunca tive problemas com meus pais que sabem o que eu faço na internet e não se importam com o conteudo da CEF,que não é nem um pouco explicito

  4. Rebecca Vaudeville

    Se somos tachados de inconstantes, superficiais (Geração Y), imagine esse povo da Z que daqui a pouco estarão chegando ao mercado de trabalho…

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