Avatar é uma mensagem e tanto para nós


Avatar faz pensar

Quando ouvi falar de Avatar, o filme já estava para estrear. Não sabia muito o que esperar, apenas que traria uma grande revolução do cinema em 3D. Com as repercussões positivas na mídia e com o barulho que se criou pré e pós-lançamento, aproveitei a primeira oportunidade de ir ao cinema e consegui assistir.

Futurista, o filme é cheio de referência a clássicos da ficção científica: Star Wars, Robocop, Matrix, Alien, o Oitavo Passageiro e até História Sem Fim. Referências que foram usadas para construir uma história para lá de original e absolutamente afinada com os tempos atuais.

A grande mensagem do filme é verde. Fala de sustentabilidade. Fala na diversidade. Na possibilidade de convivência. No amor como liga de um mundo melhor. Os vilões inescrupulosos estão lá. Donos do progresso. Com os fins prontos a justificar os meios. O herói do filme é um herói por acaso. Alguém por quem o destino escolheu. E o roteiro é uma catapulta para jogar a platéia dentro do filme via tecnnologia 3D.

Muitos escreveram que essa era a ressurreição da tecnologia 3D. Não por acaso. Já havia visto o Viagem ao Centro da Terra, que esboçava alguns truques de ilusão em 3D. Com Avatar, por meio de seres mistos, meio humanos, meio felinos, de 3m de altura, esculpidos em computador, a experiência 3D é levada ao extremo. O filme ganha muita vida graças a essa tecnologia.

É na Floresta que James Cameron fez seu grande serviço para a humanidade neste final de primeira década do terceiro milênio. Com a projeção de Hollywood + 300 milhões de dólares, Cameron colocou o tema sustentabilidade em evidência com um filme de primeira categoria — que vai concorrer a muitos oscars, não tenho dúvida.

Os azuis (smurfs galácticos) Na’Vi, vivem em absoluta harmonia com a floresta, soberana em Pandora, um planeta inóspito para a raça humana. Os humanos precisam do raro mineral Unobtainium (um nome estranho, em um dos poucos deslizes do filme) para sustentar os lucros e satisfação dos acionistas de uma grande corporação. Como em nossa economia contemporânea, os acionistas são pintados como capitalistas sedentos por lucros de curto prazo, pouco se importando com as conseqüências disso. Ainda mais por estarem em um planeta a mais ou menos 6 anos de viagem da distante Terra, longe das repercussões da mídia e da sociedade…

Pandora, terra dos Na’Vi é um velho oeste galáctico. É uma luta de nós vs eles. O problema é que o ‘nós’ é construído de maneira tão estereotipada e ao mesmo tempo tão real, que o espectador, nós, não consegue se reconhecer como espécie. Em pouco tempo, conseguimos identificação no outro, nos Na’Vi. Como se fôssemos avatares da nossa consciência, imersos numa vida paralela, idealizada, em harmonia com a natureza, com algo que viemos nos afastando desde a revolução industrial. E para a qual estamos desesperadamente tentando voltar agora.

Como metáfora de um momento da espécie humana, na sua incrível aventura na espaçonave Terra, Avatar passa uma mensagem e tanto (longe do ‘ecochatismo’). A mensagem de que sem a Terra (Eywa, para os Na’Vi), nós não somos nada. Tão simples e tão óbvio. Nada além de uma espécie que poderia ser chamada de ‘baratas’, tal qual os humanos chamam o povo Na’Vi a bordo de uma gigantesca bolha pressurizada. Realmente para pensar. Segue o trailer:

10 Comentários

Arquivado em Nova Sociedade, Questões, Sustentabilidade

10 Respostas para “Avatar é uma mensagem e tanto para nós

  1. NOSSA! Como deve ser chato esse filme!
    Obrigado pela resenha, agora não preciso mais assistir!

  2. OSWALDO PEPE

    Rodris, essa busca pelo pseudo contato com a natureza chama-se Primitivismo: eh uma saudade de um tempo que nunca houve, so muito recentemente conseguimos algum poder real sobre a natureza – com a descoberta de como corrigir solos, do sabao para lavar as maos ou com a tranferencia, digamos assim, da fonte da verdade (Deus) para a Ciencia… antes a natureza era sempre nossa inimiga… Pandora eh uma caixa, um vaso que nao se deve abrir, em hipotese nenhuma, veja porque no google, eh uma linda historia. E Unobtainium eh “o que nao se pode obter”. O buraco, eh mais embaixo, sugiro. Olhando de longe, me parece mais uma manipulacao do sentimento coletivo, sem apontar resolucoes… muito longe de Blade Runner, que tratava com categoria do problema da Vida…

    • Pepe, na mosca, como sempre.
      Avatar é, sim, uma manipulação do sentimento coletivo que eu vejo com bons olhos. Se a ciência não consegue encantar as pessoas com cálculos de graus centígrados vs aquecimento global, que seja com o diretor de Titanic via hollywood. Não aponta resoluções, é verdade, mas coloca o problema na mesa. Em 3D!
      Gostei da sua reflexão sobre a natureza, excelente. Engraçado ver como o primitivismo está vestido de avanço tecnológico no Renascimento que vivemos hoje e sobre o qual temos conversado. É só abrir as páginas da Veja que está nas bancas para ver o desespero em ‘domar’ o vento e o sol em busca de fontes de energia. Unobtainium? Pandora (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pandora)? Esperança? Está tudo aí na nossa cara – e não necessariamente em 3D. A mitologia grega continua mais atual do que nunca.

      Ps: Blade Runner é outro patamar de cinema aliado à poesia, tenho que admitir. Mas também não apontava resoluções. Levanta dúvidas e mais dúvidas e acaba com um enigma…

  3. Pingback: O preço das decisões equivocadas « A Ficha Caiu

  4. Oi Rodrigo, bem legal o seu post! E que bom que você também viu uma mensagem de sustentabilidade bem amarrada. Achei que eu estava sozinha -hehehe… Super produções inevitavelmente provocam o deprezo de muita gente. Preconceito? Um abraço

  5. Amanda

    Explendida a resenha assim como o filme.
    Cheio de mensagens subliminares e ao mesmo tempo obvias, motrando uma realidade através de ficção, pra meros ignorantes é bobagem mesmo, realmente nem Jesus agradou a todos…
    Pelo menos o filme e o post, com certeza me agradaram e me ajudaram muito!
    Muito obrigada, abraço.

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