O preço das decisões equivocadas


Qual dessas fotos abaixo é do Haiti?

Foto 1

Foto 2

Acertou quem disse a foto 2. Essa é uma foto da clássica apresentação de Al Gore e que está disponível também no primeiro livro dele sobre o assunto, batizado de “Verdade Inconveniente”. Mostrei aos colegas de trabalho. Apesar das brincadeiras de que as fronteiras não são assim tão bem definidas e que essa fotos poderia ser de qualquer ângulo no Google Earth, a foto chamou a atenção. É impossível ficar indiferente a ela quando se sabe que ela mostra a fronteira entre Haiti (lado esquerdo) e República Dominicana, na ilha caribenha Hispaniola.

Lembrei automaticamente do livro Colapso, de Jared Diamond. Neste incrível livro, Diamond apresenta um extenso estudo para mostrar porque algumas sociedades foram adiante e outras não. A tese dele é de que as sociedades que fazem pouco caso do meio ambiente acabam perecendo. Cedo ou tarde. A Ilha de Páscoa representa essa teoria à perfeição. Lá, os chefes das tribos entraram numa batalha estúpida para ver quem construía o maior Moai e deu no que deu. Ao consumir toda a floresta, a sociedade foi desaparecendo até sobrarem pouquíssimos nativos. Acompanhadas, ironicamente, de seus gigantescos moais que lá estão até hoje.

Entre Haiti e República Dominicana, aconteceu algo parecido. No século 20, alguns dirigentes dominicanos acharam que era importante preservar a floresta e começaram a cuidar do assunto. Hoje, a República Dominicana é um dos principais destinos turísticos do Caribe. Além de ter 74 reservas ambientais (o equivalente a 32% do território). Já no Haiti… São quatro parques… O descaso com o tema aliado a questões históricas importantes colocou o país no rol dos mais atrasados do mundo. Enquanto a renda per capita de um haitiano é de US$ 1,3 mil, a de um dominicano é de US$ 7,4 mil. No Brasil, a renda per capita é de US$ 9,4 mil, para comparar. Elio Gaspari abordou o tema comparando com o filme Avatar, num texto muito bom, na Folha de S. Paulo. Vale conferir aqui.

Ainda sobre o Haiti, outro texto relevante, desta vez do Estadão dá conta de que o país é o que é hoje graças a um sucesso no passado. O Haiti foi um dos  primeiros países colonizados a conquistar a independência no século 19, num movimento que ficou conhecido por haitianismo. A possibilidade da revolta de escravos espalhou o temor nos países colonialistas. E de tão bem sucedido na luta contra a escravidão, o Haiti gerou seu isolamente em relação a outros países das Américas, começando o esquecimento que dura até hoje (há teses que dão conta de que o haitianismo serviu no Brasil como uma liga para as elites regionais, uniu o país e evitou a fragmentação, como ocorreu na América Espanhola). Assim, de Pérola do Atlântico, o Haiti virou o exemplo mais bem-acabado de um país fracassado, assolado por altos índices de mortalidade infantil, baixa expectativa de vida e ditaduras tirânicas, entre outras mazelas.

(Sobre a foto 1:  é um exemplo de como as irresponsabilidades só podem aumentar com a velocidade da internet. A foto postada acima é um erro –grave. É de um terremoto que aconteceu na China, em maio de 2008. Repare nos uniforme vermelhos. O jornal Zero Hora identificou e corrigiu o erro num post muito interessante (clique aqui).)

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Arquivado em Interdependência, Mundo 2.0, Nova Sociedade, Sustentabilidade

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