“É para isso que serve a vida? Eu disse que não.”


Muhammad Yunus pergunta em Davos: "É para isso que serve a vida?"

Depois da crise financeira que abateu o mundo em 2008, o famoso encontro dos mais poderosos capitalistas do mundo em Davos, Suíça, começou a tomar contornos diferentes. No ano passado, chegou-se até a questionar  o que seria sucesso. Uma frase de Charles Schwab, publicada nos jornais foi marcante:

“O que queremos é uma reforma do capitalismo. Temos de trazer de volta valores que foram perdidos. Trata-se de uma crise que irá transformar o mundo. (…) O sistema precisa ser menos ganancioso e mais profissional. (…) Precisamos fazer uma diferenciação entre empresas que geram valor e aquelas que apenas ganham fazendo transações. Lucros não podem vir a qualquer custo.”

Algum tempo depois, foi a vez de Jack Welch se arrepender de focar a estratégia da empresa na geração de valor para o acionista somente.

“A princípio, a geração de valor para o acionista é a ideia mais tola do mundo. (…) Numa entrevista sobre o futuro do capitalismo, em que foram discutidos diversos temas, o jornal me perguntou o que eu achava da “geração de valor para o acionista como estratégia”. Eu disse que a pergunta, a princípio, colocava em questão uma ideia tola. A geração de valor é resultado – e não estratégia.”

Davos e Jack Welch repensando o jeito de fazer negócios é algo para se comemorar. Parece que estamos chegando ao fim da era do capitalismo inconsequente, que nos fez avançar até onde estamos: para um mundo de incerteza em que correntes de pensamento de degladiam para ver quem tem mais razão, se os que dizem que a humanidade corre sérios riscos no planeta ou se aqueles que dizem que os ambientalistas são ansiosos desprovidos de razão ao mesmo tempo em que defendem que o aquecimento é um fenômeno natural cíclico e, portanto, frequente.

Mas, já diz o ditado, onde há fumaça, há fogo. E basta olhar para a janela para ver metrópoles ardendo em poluição. Isso não pode ser normal….

Não por acaso, novas correntes de pensamento estão emergindo. Há dois anos, Muhammad Yunus ganhou o prêmio Nobel da Paz, pelo trabalho à frente do microcrédito. Yunus dá as pessoas uma esperança de vida melhor, investindo na chamada base da pirâmide, despejando confiança em forma de microcrédito, pequenas quantias que fazem grandes diferenças na vida das pessoas.

Nessa edição de Davos, Yunus foi uma das estrelas para inspirar os participantes para um mundo melhor. Receber e dar voz a Yunus é um grande sinal de que os poderosos que se reúnem em Davos ano após ano estão, ainda que timidamente, abrindo os olhos para um novo modelo de convivência entre dinheiro e pessoas. Deixo uma passagem marcante dele por lá:

“Professores dizem vão às aulas, tirem boas notas, para assim entrar em uma boa faculdade, conquistar um diploma para ter um bom emprego, assim você pode trabalhar para um corporação, para então fazer muito dinheiro para a pessoa que é dona da empresa. É isso. Nada mais. É para isso que serve a vida? Eu disse que não. Não é para fazer dinheiro. É para ajudar pessoas.”

Para quê — mesmo — servem nossas vidas?

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8 Comentários

Arquivado em Nova Sociedade, Sustentabilidade, Uncategorized

8 Respostas para ““É para isso que serve a vida? Eu disse que não.”

  1. Excelente, Rodrigo! food for thought. É preciso realmente para pra pensar se o que estamos fazendo nas nossas vidas contribui para tornar a vida de outros melhor. Se cada um desse sua pequena contribuição, é como manter uma cidade limpa: basta não jogar o seu lixo na rua. Simples assim. Parabéns por mais um texto fantástico.

  2. Oi Ro,
    Fantástico este teu post. Concordo que deixar pessoas ricas ainda mais ricas não é uma causa que motiva as melhores pessoas – nem o melhor nas pessoas.
    Direto de Joinville,
    Gabi.

  3. Oi, Mariela e Gabi, dinheiro não compra felicidade. Mas manda buscar! Piadas à parte, há coisas mais importantes na vida. Só que nem todo mundo consegue descobrir!

  4. Pingback: Tweets that mention “É para isso que serve a vida? Eu disse que não.” « A Ficha Caiu -- Topsy.com

  5. Parabéns pelo seu excelente blog, especialmente este post.
    Abraços, @AnonimoFamoso.

  6. Luilton, valeu pela audiência. A mensagem é forte, faz a gente pensar porque mesmo estamos por aqui!
    abraço

  7. Douglas

    Senti um leve tom de revolta positiva. Oportuna! Am I right?

  8. Cara, esta é a questão que está sempre na minha mente, há anos. O que estou fazendo? Para quê? Qual o propósito.
    Alguém fez um comentário e eu resgatei. Acho que não por acaso na véspera de voltar ao batente! A questão segue firme, como sempre deve ser!
    Feliz 2011!
    abracão

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