Arquivo do mês: fevereiro 2010

Argumentos “inteligentes” anti-Marina

Esta veio via e-mail. Vou preservar o nome de quem enviou para mim o e-mail, assim como o da inteligente pessoa que teve a capacidade de escrever isso.

Quando você vota em alguém, não vota em tudo o que a pessoa acredita. Mas vota naquilo que o político defende e você acredita. É uma diferença sutil e um tanto óbvia mas importante na hora de escolher o candidato.
Acredito que o criacionismo possa até mesmo ser uma limitação à campanha de Marina, mas na hora me vem à mente a frase de Voltaire: “Não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres”. É isso.

“Prezado professor:
 Marina acredita no criacionismo e que Jesus é filho do cruzamento de uma mulher com um pombo. Isso é futuro?
 Números brasileiros:
 O lucro do Banco do Brasil em 2009 chegou a R$ 10.148 bilhões. Ou 15,2% acima do lucro de 2008.
 O consumo industrial de energia subiu 13,2% em janeiro.
 De rabo de boi congelado a jatos da Embraer, abrimos o leque de exportações, passando de 15% para 25,8% nossas vendas ao Continente asiático.
 A Usiminas anuncia plano estratégico com investimentos de R$ 3,2 bilhões.
 O salário mínimo, que comprava 0,9% da cesta básica em 2003, hoje compra 1,8 cestas.
 E até o Fundo Previ teve crescimento real considerável: os ativos, em bilhões de Reais, saltaram de 116 em 2008 para 142 em 2009.
 O Carrefour anuncia que o Brasil passa a ser praça vital para as atividades (e sobrevivência) do grupo.
 Os investimentos em infra-estrutura para os próximos quatro anos devem chegar a R$ 274 bilhões.
 Botecos, quitandas, restaurantes e lojinhas da cidade estão repletos de anúncios “precisa-se”.
 São números que impressionam a todos e deixam a oposição completamente sem discurso. E sem discurso, meu caro, nenhuma causa sai vencedora.
 Fulano de Tal”

 

jornalista

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Devassando os limites?

A polêmica da cerveja Devassa dá muito pano para manga. Sob o ponto de vista de marketing, a marca que contratou a atriz-barra-modelo Paris Hilton fez um golaço. Conseguiu a atenção de todos: no youtube, no twitter, no jornal, na boca das pessoas. Perfeito. Alguns dias depois, passada a ressaca do Carnaval, veio a ressaca do anúncio. O jornal de hoje traz a notícia de que algumas pessoas estão tentando tirar o anúncio do ar, sob a pecha de sexista, com apelo à sensualidade e apelo imperativo ao consumo. Em suma: perturbador da moral. E é mesmo?

Foi interessante acompanhar reações no Twitter, onde a palavra #devassa se tornou trending topic (entre as mais citadas):

@lalcubierre: O anúncio da Devassa tem a ver com um Brasil de fachada. O Brasil real é moralista enrustido.

@mulhermidia: Se queremos um mundo mais humano e justo, como podemos aceitar que comparem uma cerveja com nome Devassa ás mulheres?

@andrelalves: Mais uma vez o Brasil dá provas de sua HIPOCRISIA!! #Devassa não pode mas o apelo sexual que vemos em tudo é “normal”! http://bit.ly/akryOp

@Marcello_Serpa: Devassa perseguida pelo ministério Público? Se eu fosse uma cervejaria lançaria hj a cerveja “Santa”, “Recatada” , “Virtuosa” ou “Virgem”.

@Evalenesilva: Conar qr tirar Paris H. da propag.”cerveja Devassa”alegando apelo à sensualidade e apelo imperativo ao consumo. http://tinyurl.com/ycbuqwt

@fabiobetti O Brasil pode ser moralista enrustido, mas nunca proibiu a bunda de fora e nem a grana na cueca.

Falei com um amigo (@umlitrodeletras ) sobre sobre isso. Ele ligou para dar a dica de fazer esse post. Começou questionando se eu não achava muito moralista essa repercussão da mídia. Eu disse que achava, sim, mas que queria fazer uma ponderação. A seguinte: a sociedade precisa de limites para a vida ser aceitável coletivamente. Talvez a Devassa não seja tão devassa assim (apesar de que a Paris Hilton é para lá de devassa, como vocês devem ver nas fotos abaixo e lembrar do vídeo quente que retratava ela em ação com o namorado), mas ela está beliscando alguns limites.

O Brasil não é tão moralista como a reação das pessoas. Porém, se uma mensagem que testa os limites não tiver repercussão, provavelmente a próxima dará um passo além. Foi assim com a novela quando a Flavia Alessandra testava os limites do pole dancing, não foi? Foi assim quando a atriz Lilian-alguma-coisa apareceu com a periquita de fora ao lado do nada saudoso Itamar Franco.

Durante os quatro dias do Carnaval, tudo pode. Até vagabunda sem calcinha ao lado do Presidente. Mas aí, a ressaca passa e a vida volta ao normal.

Lembro do vocalista de uma banda gringa (não lembro o nome…) que tocou pelado em um show aqui no Brasil e foi parar na delegacia. O sujeito se saiu com essa: “Vejo pela TV todo mundo pelado no carnaval no Brasil. Por que eu também não poderia?” Não sei se alguém explicou para ele, mas isso só vale no Carnaval….

O calor dos trópicos, a diversidade, a sensualidade da mulher brasileira, a cordialidade do homem brasileiro são lados positivos de uma cultura que tem uma grande liberalidade política, uma semi-barbárie no trânsito, uma condescendência com os ídolos como jogadores de futebol que aprontam de tudo e nada pagam. Essa antropologia rasa como uma boa conversa de botequim regada a cerveja Devassa são algumas das faces de uma vida atraente que os brasileiros levam. Estrangeiros que provam desse paraíso ou ficam por aqui ou dão um jeito de voltar. É bom viver na liberalidade do Brasil. Mas há limites. Como sociedade em processo de amadurecimento, ainda estamos descobrindo quais são eles.

Deixo uma pergunta: com toda a verba publicitária de uma marca de cerveja, com o poder de escolher o que colocar no ar e com uma agência de publicidade na mão, a coisa a se fazer é uma campanha tipo “Devassa”? Sei lá… cada um trabalha para construir a sociedade que acha melhor. Ou para encher os bolsos e só. Só lembrando, a dona da marca é a Schincariol, que recentemente teve diretor preso em operação de sonegação da Polícia Federal.

Para ler mais:

https://afichacaiu.wordpress.com/2009/09/04/dm9ddb-and-their-video-for-wwf-on-vimeo/

Alguns anúncios criativos de cerveja

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O lado obscuro da preservação ambiental na Costa Rica?

Sempre falo bem da Costa Rica aqui no blog. Já escrevi sobre os rankings de felicidade entre os países aqui e aqui. Publiquei também o maravilhoso discurso do presidente Oscar Arias, perguntando sobre o que nós, latinos, fizemos de errado. Desta vez queria colocar um contraponto – ou confirmar se é verdade ou não o que recebi por e-mail.

As fotos abaixo vieram acompanhadas do título: VERGONHA MUNDIAL NAS PRAIAS DA COSTA RICA! ROUBAM OS OVOS PARA VENDER.

Pela cor da areia, tez da pele e feições das pessoas, tudo indica que é da Costa Rica mesmo. Não conheço muito sobre preservação de tartarugas e se seria o caso de recolher os ovos para algo. Me parece o que é no e-mail mesmo, roubo… O problema é que esses e-mails que circulam às vezes não são o que parecem. As fotos não tem datas, não tem fontes, circulação livremente sem nenhuma referência…

Se alguém tiver alguma luz sobre esse assunto, favor comentar.

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Criacionismo e evolucionismo, lado a lado

Esse é bom para colocar lenha na fogueira da discussão criacionismo vs evolucionismo. Duelity é uma obra de arte muito legal para explicar as duas visões de mundo, via storytelling. Ambos são visões do mundo que se propagam da maneira mais básica, desde as fogueiras de nossos ancestrais na entrada das cavernas: via contação de histórias. Encontrei no Brainpicker. Pena que é só em inglês.

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A transparência vai melhorar sua vida. Veja como

Hoje o NY Times publicou um artigo sobre a elite poderosa dos tempos atuais. A tese principal do autor David Brooks é a de que hoje é menos importante fazer parte de um clube e mais importante ser inteligente e trabalhador. Mas, que apesar das oportunidades serem cada vez maiores para as pessoas, nunca a confiança na elite foi tão baixa quanto hoje. A promessa de meritocracia não foi preenchida. E apesar de o nível de talento hoje ser maior do que nunca, a reputação está em baixa. O autor identifica cinco possíveis causas:

1. Meritocracia – ela é importante, sim, mas está relacionada com o contexto. A minha interpretação é: de nada adianta você ser extremamente talentoso se não tiver boa capacidade de relacionamento interpessoal. Algumas pessoas poderiam chamar isso de ‘puxa-saquismo’, mas acho que seria visão bem curta.

2. O novo sistema em que vivemos criou o um novo padrão social. Hoje, os padrões de vida são muito, muito diferentes, pois já não dependem de costumes restritos à localizações geográficas. Pessoas do interior podem viver e trabalhar na capital. E o ponto do autor é que as pessoas podem não se sentir tão mais conectadas às lideranças de suas classes, como se sentiam antes.

3. A solidariedade com a liderança de classe é mais fraca hoje. Antes, os escândalos eram facilmente acobertados. Hoje, como há muitos aspirantes à liderança, as pessoas puxam com prazer o tapete das outras.

4. Os horizontes de tempo diminuíram. Antes, como as gerações se sucediam no comando de empresas, o pensamento de longo-prazo era naturalmente encorajado. Hoje, as pessoas têm que responder ao implacável tempo do mercado, o que encoraja comportamentos questionáveis, como inflar balanços. ou buscar criar uma marca rapidamente. Todos querem fazer ‘grandes movimentos’. Os exemplos do autor são: Clinton quis transformar o sistema de saúde. Bush tentou transformar o oriente médio. E Obama está tentando transformar o sistema de saúde, energia e muito mais. “Há menos ênfase na mudança gradual e mais na ‘grande tacada’. Isso produz falhas espetaculares e mais incertezas.”

5. A sociedade está muito transparente. Desde Watergate, nos EUA, e na última década, no Brasil, os governos estão cada vez mais analisados de perto. É como em fábrica de salsicha, o que se vê ali não é muito bom. Com mais transparência no governo, menos as pessoas tendem a confiar.

A conclusão do autor é de que não devemos voltar no tempo, mas que nosso sistema atual trouxe muitos problemas sérios, que ficam mais evidentes com o passar do tempo. 3

A minha conclusão é de que essa mudanças estão apenas no começo. Estamos vivendo uma incrível transformação da sociedade, acelerada pela velocidade da troca de informações, em tempo real. Ninguém mais esconde nada. Qualquer manifestação ganha escala com a internet via twitter, youtube, facebook e outras tantas ferramentas.

Sem dúvida, tanta exposição é perigosa para muita gente, mas acredito que, no médio prazo, isso pode trazer mudanças significativas na sociedade. Há quem ache que estamos vivendo uma grande era de espetacularização e só. Para mim, estamos vivendo uma era de evolução considerável de comportamentos.

Recentemente, me chegou às mãos uma newsletter da Columbia University, sobre Ética nos Negócios. Uma das faculdades mais importantes do mundo falando sobre isso é sinal de que a luz está sendo colocada na direção correta.

As mudanças já estão acontecendo e deixo aqui os exemplos do escândalo da Enron, dos políticos que estão caindo (em ritmo lento, é verdade) no Brasil e da possível saída do Google da China. São todos sinais dos novos tempos.

Enfim, talvez não seja o fato de que as lideranças não são tão mais confiáveis. Talvez, sim, o fato de que a transparência tenha chamado a atenção para o mundo real. Nesse momento, isso não é positivo para a reputação, mas certamente é um indutor de novos comportamentos, que vai melhorar nossas vidas. Afinal, é muito melhor viver sem ter o que esconder, certo?

Leia mais:

https://afichacaiu.wordpress.com/2009/12/08/denis-meu-feedback-sobre-a-gotas/

https://afichacaiu.wordpress.com/2009/11/05/evolucao-2-0/

https://afichacaiu.wordpress.com/2009/11/03/empresa-2-0-e-um-caminho-sem-volta/

https://afichacaiu.wordpress.com/2009/10/06/maior-transparencia-no-mundo-digital-ou-o-fim-dos-jabas-nos-blogs/

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E o coentro levou…

Excelente essa campanha de publicidade.

Foi um sujeito no Rio de Janeiro, da Hortifruti, uma rede de venda de legumes, verduras e frutas. Há 2 anos, ele resolveu invoar em suas propagandas, criando uma série baseada em títulos de filmes onde os atores principais são os próprios produtos da loja.

Os cariocas ficavam na expectativa da próxima propaganda, que era sempre estampada em um outdoor no Centro do RJ… e o lançamento sempre as segundas-feiras.

Criativo, barato e com alto impacto. Vale a referência.

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A neve… Ah, a neve…

E o sol apareceu, trazendo com ele a rotina de viver com neve.

Posso dizer uma coisa: não é fácil. O que é bonito na televisão, com o Papai Noel caminhando na neve com um saco de presente nas costas, na vida real é um inferno. Washington DC parecia um atoleiro da América Central.

Algo que exigia uma trabalheira danada para limpar, coisa que quem vive na neve está acostumado a fazer correndo, para a situação não ficar piorando, piorando…

Caminhar vira uma aventura. É preciso cuidado máximo para não escorregar, principalmente para quem está sem sapatos impermeáveis.

Todo mundo caminha em fila indiana, com muita cortesia. Com exceção do cara que ficou bravo e passou a chutar o morro de gelo na frente dele, respingando neve por todo o lado em mim. America is a free country, eles dizem. Tinha umas cinco pessoas em volta. Ninguém nem olhou para o sujeito maluco. Cada um faz o que quer, desde que não atrapalhe os outros… Sempre é preciso achar o caminho em meio a 30 cm de neve. Seja ele naturalmente cavado pelas pegadas em fila indiana ou seja ele civilizadamente cavado pela prefeitura :

Com o frio congelante, da-lhe roupa por cima de roupa. Experimentei sair no pior dia da nevasca. Fiquei um minuto sem luvas e minha mão quase congelou. Não é brincadeira. Sem roupa apropriada, é hipotermia na hora.

É difícil dirigir…

E até pegar o carro para dirigir…

É claro que as paisagens são deslumbrantes. Esta é a parte boa, efêmera, fugaz como um olhar…

E aos poucos, a neve começa a derreter e a vida, com fome, a renascer.

Enquanto algumas coisas permanecem imutáveis, com muita, pouca ou quase nenhuma neve.

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