Webcidadania, WikiLeaks, e webjornalismo in loco


A Webcidadania ganha força

Com a largada da campanha eleitoral e com a crescente mobilização e conscientização da sociedade (ainda que tenhamos muito a percorrer), vale falar um pouco de política.

No dia 29 de julho passado foi lançado o site Ficha Limpa, pela  Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (Abracci), com o apoio do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). O site  apresenta um cadastro voluntário e positivo de candidatos que atendem à Lei Ficha Limpa e se comprometem com a transparência de sua campanha eleitoral. Trata-se de uma referência de candidatos que, além de se posicionarem de acordo com a lei, mostram compromisso com a transparência através da prestação de contas semanal de sua campanha eleitoral, informando a origem dos recursos obtidos e os gastos.

O site ainda não tem nenhum político cadastrado, mas essa iniciativa é parte de um movimento maior que começa a emergir na sociedade brasileira, e que atende pelo nome de webcidadania.

Vou citar dois que valem a pena e que já estão bem mais avançados:

Vote na web – para acompanhar de perto os projetos de lei  e dar uma prévia do voto da sociedade antes que os políticos se encarreguem de decidir por todo. Entre os destaques desta semana estão a “lei da palmada”, sobre castigos físicos impostos por pais aos filhos e uma lei que permite políticos a se candidatarem a cargos eletivos mesmo que não residam no domicílio eleitora.

Cidade Democrática – para criar e apoiar propostas para uma cidade melhor. Permite que se identifique pessoas com mesmos interesses para fortalecer o apoio a causas.

A arte de procrastinar

Esse é um vídeo muito legal, praticamente uma obra de arte digital sobre o que fazemos quando não estamos fazendo aquilo que deveríamos estar fazendo. Ou simplesmente aproveitando o não fazer nada.

A polêmica capa da Time

Esta capa deu o que falar durante a semana. Lembra uma clássica foto da National Geographic. Segundo o editor da revista, houve uma grande reflexão sobre colocar ou não a foto e se decidiu que sim para chamar a atenção do que pode acontecer se o Afeganistão for deixado para os talibãs. Houve até uma consulta a psicólogos infantis para saber o tamanho do trauma que poderia causar a crianças que veriam a capa da revista nas bancas. Há quem diga que é jogo baixo para convencer os americanos que o país deve continuar enviando tropas ao Afeganistão, mas algo não se pode negar: a jovem em questão teve o nariz cortado por ter fugido dos sogros, que a maltratavam. Uma barbárie em pleno século 21.

A capa da Time da semana passada e a clássica da NatGeo, de 1985

O penar de Palmares

Excelente post no blog Sustentável é Pouco do jornalista Denis Russo Burgierman sobre o que restou de Palmares depois dos estragos causados pela chuva. Traz um olhar novo para uma tragédia que foi coberta aquém do que deveria pelos grandes veículos da imprensa. Denis foi até lá, lembrando que jornalismo de verdade se faz no local e não pelo telefone.

O que sobrou de Palmares (AL)

WikiLeaks – o jornalismo nunca mais será o mesmo

O site voltou a ser notícia com o vazamento de milhares de documentos relativos ao Afeganistão. A pressão está forte sobre a estratégia americana, mas não parece que sairão do Afeganistão tão cedo. De certeza, fica a grande complexidade e irracionalidade da guerra, tão bem expressa nesta resposta de Eric Stover à repórter Carolina Rossetti em entrevista no Estadão:

O que significa contar a verdade sobre a guerra?

É o papel da inteligência – e dos jornalistas – penetrar o nevoeiro da guerra. Mas não existe uma coisa como total transparência em tempos bélicos. A névoa sempre ganha. Para citar McNamara: “A guerra é tão complexa que ultrapassava a habilidade da mente humana de compreender todas as suas variáveis. Nosso julgamento, nosso entendimento, não são adequados. E nós matamos pessoas sem necessidade.” Essa é a verdade da guerra.

Vale ainda conferir o post de Sergio Abranches com reflexão sobre o WikiLeaks

TED Talk da semana – Julian Assange

A entrevista surpresa com um dos líders do WikiLeaks, no TED Global (legendas em espanhol). Sua frase no dia, que já virou clássica e retuitada aos montes: “Homens capazes e generosos não criam vítimas, eles cuidam das vítimas.”

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3 Comentários

Arquivado em Comunicação, Jornalismo, Mundo 2.0, Nova Sociedade, política, Sustentabilidade

3 Respostas para “Webcidadania, WikiLeaks, e webjornalismo in loco

  1. Pingback: Webcidadania, WikiLeaks, e webjornalismo in loco « A Ficha Caiu | Vivo Media Group

  2. Rodrigo,
    inspirador !!
    1) um chamado: iniciativas em prol da cidadania e da transparência
    2) uma advertência: o que as retarda
    3) circunstâncias: má gestão pública e produtos de guerra
    4) visão: o nosso papel e nossa capacidade de corresponder.
    A sociedade e a guerra, conceitos coletivos podem vencer essas batalhas contra a vida e o seu desenvolvimento, mas as pessoas unidas formam uma inteligência coletiva e ativa mudanças que queremos ver no mundo.
    Vamos nessa,
    abraços

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