Três tendências sustentáveis


Se você fosse um presidente de uma grande empresa e estivesse preocupado com o tema sustentabilidade nos negócios, por que você estaria preocupado com isso? Uma pesquisa da Accenture chamada de “Nova Era da Sustentabilidade”, lançada recentemente, fez uma consulta a quase 800 CEOs do mundo inteiro sobre a evolução da prática da sustentabilidade nos negócios e suas principais preocupações com o tema. As três principais conclusões da pesquisa reforçam o que está no ar, mas só se torna evidente com estudos assim: 1. O consumidor é (ou será) o rei. 2. Importância da tecnologia e inovação. 3. Colaboração é crítica.

O debate atual sobre a sustentabilidade tem em seu eixo essas três variáveis. O consumidor (também no papel de cidadão) está no centro da questão ao pedir e cobrar mudança das práticas das empresas. Há alguns meses, assisti a um debate com Ray Anderson, CEO da Interface, uma das maiores fabricantes de carpetes do mundo. Anderson é uma referência no mundo da sustentabilidade e foi um dos protagonistas do documentário The Corporation, sobre o crescente papel das corporações no mundo dos negócios. No debate, ele contou uma história reveladora sobre como o tema se tornou importante para sua empresa. Certo dia, disse ele, um dos clientes perguntou como era o descarte dos carpetes usados e o que estavam fazendo para evitar a poluição do meio ambiente. “Não sabíamos a resposta, mas fomos atrás.” A história da Interface rendeu um livro, uma autobiografia de Anderson chamada “Confessions of a Radical Industrialist” e traz detalhes sobre o tema.

O que à época parecia uma questão isolada, hoje se tornou uma tendência. A própria pesquisa da Accenture mostra que 58% dos CEOs dizem que os clientes são seus principais stakeholders, mais do que empregados (45%) e governos (39%). A segunda tendência apontada pelo estudo tem a ver com tecnologia. Nada menos do que 91% dos CEOs apontam que suas empresas irão usar novas tecnologias para integrar a sustentabilidade na gestão nos próximos cinco anos. Sem dúvidas, uma nova abordagem para geração eficiente de energia, uso de energia renovável e de informação e comunicação será determinante para os avanços no tema. Historicamente, a humanidade tem recorrido à tecnologia para resolver questões prementes e fundamentais, como aconteceu na alimentação e colocou por terra a teoria de Thomas Malthus, que apontava para uma escassez mundial de alimentos.

Recentemente, o americano Matt Ridlley lançou o livro “The Rational Optimist” (ainda sem tradução em português), reforçando o ponto da tecnologia como panaceia universal e dizendo que sempre podemos contar com a tecnologia para nos salvar. Como ponto de atenção, vale lembrar que seremos 9 bilhões de pessoas em 2025.

Muitas pessoas, com muitas questões em aberto e um mundo ávido por recursos naturais para garantir vidas mais confortáveis para todos. E aqui entra a terceira tendência do estudo com os CEOs: a colaboração. Um total de 78% dos CEOs acredita que os problemas de hoje são muito grandes e complexos para serem resolvidos sozinhos.  A colaboração exige uma atuação aberta, baseada em relações de troca sólidas. Ninguém faz nada sozinho.

Com a cobrança e urgência de se reinventar os negócios, é forte a tentação das empresas comunicarem sobre os benefícios da sustentabilidade.

A velocidade com que a a informação trafega pelo mundo hoje deixa claro que vivemos na era da comunicação. Com a cobrança e urgência de se reinventar os negócios, é forte a tentação das empresas comunicarem sobre os benefícios da sustentabilidade. Indagados sobre os fatores que fizeram os CEOs tomarem ações relativas à sustentabilidade, 72% responderam que foi por preocupação com marca, confiança e reputação. Muito a frente do segundo colocado, o potencial de aumentar receitas e diminuir custos, que levou  44% das respostas. Ou seja, comunicação está no topo das preocupações dos presidentes de empresas em todo o mundo.

Num ambiente em que todos querem disseminar suas práticas sustentáveis, em que os consumidores estão mais atentos, a comunicação está virando um item de primeira necessidade. Mas como e quanto as empresas estão falando? Mais do que fazer, a necessidade que se coloca agora é de comunicar – e bem.

(Publicado originalmente no site da Revista Amanhã)

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