Arquivo do mês: setembro 2010

O poder das empresas de mudar o mundo

Abaixo, compartilho o material que prepararei para minha fala no TEDx Santos, no último 28 de setembro. Em breve, deveremos ter o vídeo da palestra. E aí voltarei ao assunto aqui. Espero que gostem.


O incrível potencial de conexão das pessoas pode provocar a mudança de prática das empresas, que podem mudar o mundo. É claro que ninguém resolve nada sozinho. As empresas precisam da ajuda de governos, academia, mídia, enfim, a sociedade como um todo. Mas quero focar aqui no poder das empresas.

A economia é o jeito pelo qual estamos organizados. Com honrosas exceções que confirmam a regra, como Gandhi, Martin Luther King e Madre Teresa de Calcutá, são os recursos financeiros que influenciam a mudança do mundo.

Nos últimos 10 anos encontrei casos de empresários e empreendedores que estão mudando o mundo com uma série de pequenas ações.

Esta história passa um pouco pela minha carreira. Sou jornalista e depois de alguns anos trabalhando na imprensa em veículos como Veja, Você s/a e Zero Hora, recebi o convite para trabalhar no Banco Real em 2003. Aceitei. Não porque sempre tive o sonho de trabalhar em um banco, mas porque achava que um banco que negava empréstimos de milhões de reais para alguns clientes por questões ambientais e na outra ponta fazia empréstimos de quantias como 1000 reais no microcrédito investia em algo que sempre acreditei: valores.

Tomei a decisão ir trabalhar no Banco e quando me dei por conta, eu, um surfista, estava usando terno, gravato e sapato e meia preta todo o dia. Depois de uma breve passagem pelo marketing, fui para a Diretoria de Desenvolvimento Sustentável para ajudar a estruturar a comunicação sobre o tema. Nestes últimos sete anos, tive a oportunidade de conhecer uma grande quantidade de empreendedores e pessoas que praticam a sustentabilidade como estratégia central de negócio.

Gostaria de apresentar a vocês aqui alguns destes nomes. Quero por meio disso mostrar que está ao alcance de todos e que podemos, sim, fazer um mundo melhor por meio do ambiente dos negócios.

Há um ditado budista que diz que não conseguiremos fazer um mundo melhor com 100 grandes ideias, mas sim com pequenas ações no dia-a-dia.

Há estudos mostrando que das 100 maiores economias do mundo, cerca de 50 são empresas (os dados variam ano a ano de acordo com o faturamento das empresas e PIB dos países). É reflexo de um processo que começou na revolução industrial e fez o poder mudar de mãos: da igreja e Estado para a instituição corporação.

As empresas têm o poder econômico e são capazes de influenciar até decisões de governo e mudanças nas cadeias de negócios.

E aqui fica a pergunta para reflexão: como usar bem este poder? O que valorizar? O que queremos construir com as empresas?

Vou citar alguns exemplos agora: há pouco anos, quando começou a olhar de forma estrutuada para o tema sustentabilidade, o Walmart, uma das maiores empresas do mundo, tomou a decisão de não mais comprar de fornecedores que não pescassem de de maneira sustentável. Isso provocou uma grande mudança em milhares de fornecedores ao redor do mundo que começaram a cuidar destas questões.

Farra do Boi na Amazônia, estudo do Greenpeace

Não precisamos ir longe. No ano passado, o Greenpeace lançou um relatório chamado a Farra do Boi sobre o avanço da pecuária sobre a Amazônia. Em seguida, três grandes varejistas decidiram que não mais comprariam carne de frigoríficos que não conseguissem provar que os animais abatidos não vinham de pastos criados com o desmatamento ilegal. A reação foi rápida e os frigoríficos mudaram suas práticas.

Está cada vez mais claro que as restrições financeiras ajudam a mudar algumas práticas. Mas será que é somente disso que precisamos ou que conseguiremos fazer a mudança necessária?

A resposta é não. E há exemplos disso. São os empresários e empreendedores, os heróis do dia-a-dia, que provam que não.

São líderes que reconhecem a importância da interdependência em nosso dia-a-dia. E sabem que suas atitudes são capazes de mudar o ambiente de negócios para melhor.

As empresas que estão conquistando mercados hoje estão deixando de lado a máxima cristalizada de Milton Friedman, prêmio Nobel, que o negócio dos negócios são os negócios. Sim, são os negócios, mas também algo mais: investir em modelos de negócios sustentáveis.

Peter Drucker, o grande guru da administração moderna, lembra que as empresas existem por uma finalidade: o cliente. Vamos pensar por um momento no cliente como sociedade, ousando criar algo em cima da obra de Drucker.

O aumento da percepção da interdependência e da relevância de todos interessados nas decisões do cliente, a empresa só existe se estiver de acordo com as vontades da sociedade. Regulações, disputas de clientes, multas ambientais – se a empresa fizer algo que não agrada ao cliente, à sociedade, será processada por isso.

Neste sentido, o lucro não é um fim, algo a ser buscado – mas sim uma medida de sucesso, o teste de viabilidade. Se atender ao cliente, à sociedade, o lucro será consequência.

Essa perspectiva tira o foco de resultados e leva para a visão de que é necessário gerar valor. O que importa cada vez mais quando olhamos para os resultados da empresa não é somente o quanto os resultados mostram, mas como eles foram atingidos.

Nos próximos anos, quatro tendências vão marcar o mundo dos negócios: colaboração, ética, transparência e sustentabilidade. De certa maneira, elas estão todas ligadas e as empresas que olharem para isso terão grandes vantagens competitivas.

Algumas empresas conseguem lucrar colocando estas questões no dia-a-dia dos negócios. Empresas que negligenciam ou ignoram estão virando pó.

Vale lembrar do que aconteceu com as grandes empresas em casos nem tão recentes, mas emblemáticos: Enron, WorldCom. Estas empresas manipularam os balanços para mostrar bons resultados para os acionistas. Acabaram desmascaradas.

A capa da Time com as mulheres que denunciaram os escândalos da Enron e outros


Pesquisas indicam que os seres humanos são movidos à reciprocidade. As redes sociais espelham isso. O famoso toma-lá-dá-cá. Se você fizer algo que eu gosto, devolverei isso a você. Se me fizer mal, farei mal a você também. Estas empresas trapacearam, tiveram falhas graves de gestão e tentaram esconder isso dos consumidores e da sociedade. A WorldCom entrou em processo de falência e foi adquirida por outra empresa. A Enron faliu em 2001 e levou junto a consultoria Arthur Andersen, que aprovara os balanços.

Aparte a visão maniqueísta, são exemplos claros da visão sistêmica, de que as empresas fazem parte de um todo e não operam de maneira independente.

Na outra ponta, temos empresas como a Natura, que alavancou sua marca investindo em questões relevantes para seus consumidores, fornecedores e sociedade, criando produtos que valorizam o meio ambiente e as relações entre as pessoas. Em 2005, depois de uma trajetória brilhante, a Natura abriu o capital, num processo muito bem-sucedido. Em 2007, no entanto, teve problemas de gestão de produtos e não conseguiu atender a demanda dos consumidores. O mercado penalizou as ações das empresas e o momento serviu para a Natura se apoiar firmemente nos seus valores. Não cedeu às pressões do mercado e deu a volta por cima e em 2009 foi escolhida a empresa do ano pela revista Exame.

A Natura, melhor empresa de 2009

Outro exemplo vem dos Estados Unidos. Em 1972, foi fundada a incrível Patagônia, empresa de roupas e materiais esportivos, que ajudou a criar uma rede de empresas chamada 1% para o planeta e entre outras coisas, deixa que os funcionários montem suas agendas de acordo com suas vontades, como surfar ou escalar montanhas em dias perfeitos para isso. O fundador escreveu um livro chamado Let My People Go Surfing. Nele, fala da maturidade de reconhecer a responsabilidade de cada um e valorizar isso para criar um bom ambiente de trabalho. Então, não se trata de ser ‘bom mocinho’, mas de apostar na maturidade.

O livro com a biografia de Yvon Chouinard e a história da Patagonia

Mas eu queria também falar aqui de outros casos nem tão conhecidos, mas igualmente relevantes. Nem só de grandes empresas é feito o mundo dos negócios. Muito pelo contrário. As pequenas empresas, que representam o maior contingente de empregos no Brasil. Hoje, de cada três novas vagas, duas são geradas nas PMEs.

Há empreendedores de pequenas e médias empresas que encontraram seus nichos e encontram eco para o que fazem no reconhecimento do mercado.

Ione Antunes é outro exemplo. Ela criou em 1996 a empresa Help Express, de entregas de materiais por meio dos famosos motoboys. Ione desde o início acreditou que os motoboys não precisariam ser maltratados ou que era necessário remunerá-los por entrega em vez de assinar suas carteiras. Sempre cuidou bem deles e até os estimulou a criar um código de ética, onde constam pérolas como: Não ficarás no fliperama e não chutarás o retrovisor alheio. Na última década, com estes cuidados simples, mas poderosos, Ione conseguiu fazer sua empresa crescer na faixa dos 40% ao ano.

Vamos pensar em outro exemplo. Academia de ginástica. Quem nunca começou a fazer academia e se sentiu incomodado com a barriguinha ou mesmo com o ritmo que os treinadores tentavam impor? E aquele ambiente 100% geração saúde… Tony, um empresário paulistano, percebeu que isso incomodava seus pais e por conta disso nunca encararam uma academia. Segundo ele, muita gente vai fazer atividade física por recomendação médica e precisa se sentir à vontade para continuar o ritmo de exercícios. Então, ele, que sempre gostou de esportes, criou um conceito diferente de academia, a Ecofit, para acolher estas pessoas. Cresce 30% ao ano…

(Este caso não entrou na fala por conta do tempo.) Agora, vamos pensar no turismo. Em pousadas em locais paradisíacos. Estes locais, quando viram moda, correm o risco de perder seu maior encanto, o caráter preservado. Em 1992, um empresário dono de pousada, decidiu reproduzir no Brasil o conceito de Relais Chateau, de pousadas de charme, que existe na Europa e em outros lugares do mundo. E criou por aqui a Roteiros de Charme. Para fazer parte da associação, a pousada precisa cumprir requisitos básicos de charme, sofisticação, estar em um lugar agradável e ter cuidados sociais e ambientais. Todos os associados passam por vistoria periódica. Mais do que isso: cada associado leva para sua região a preocupação com os cuidados das pessoas e do meio ambiente por meio de palestras para outros hotéis da região. A Roteiros de Charme vai muito bem, obrigado.

(Este caso também não entrou na fala por conta do tempo.) Em outro exemplo, o americano Ray Anderson, fundador da Interface, fabricante de carpetes, diz que mudou seu negócio por basicamente duas situações. Por que leu um livro chamado Ecologia do Comércio, de Paul Hawken e por que um consumidor perguntou a ele o que fazia com os carpetes usados… Ele não sabia a resposta. Mas não teve medo da pergunta e a levou para dentro da empresa, para transformar seu negócio.

Estes casos mostram empresas absolutamente afinadas com seu tempo. O Brasil e o mundo evoluem rapidamente, junto com o ambiente dos negócios. Os consumidores estão mais exigentes e cobrando seus direitos. Há muitos lugares para se fazer ouvir: além dos tradicionais rádio, TV e jornal, há sites de Procon, de estímulo a cidadania, sem falar das redes sociais: Facebook, Orkut, Twitter etc.

Os jovens e consumidores em geral já não prestam atenção somente às propagandas, mas cada vez mais naquilo que é dito sobre as marcas em diversos lugares, como nas redes sociais. É lá que eles buscam informações de compra.

O mundo é cada vez mais transparente, não há como empurrar uma imagem para o consumidor e entregar outra coisa. Este ano tivemos um episódio que já ganhou seu espaço na história. Foi o caso da British Petroleum, a BP, que estava querendo mudar seu nome para Beyond Petroleum, para ligar a marca ao desenvolvimento de energia limpa. O desastre com a plataforma Deepwater Horizon, um dos maiores da história, jogou tudo por água acima. Independente de quem tenha sido a culpa, este foi um abalo tremendo na imagem da BP. E uma perda de 70 bilhões de dólares em valor de mercado… Além do CEO que foi demitido.

O vazamento que custou 70 bilhões de dólares para a BP

Imagem é tudo neste novo mercado. A reputação está na lista principal das prioridades de CEOs mundo inteiro. Ignorar a voz dos consumidores é se fechar para este mundo. Ouvi-la é se conectar.

O que importa é o que fazemos no dia-a-dia. Cada decisão de negócio. Os empreendedores e empresários que são movidos por uma causa, querendo transformar o ambiente onde atuam suas empresas não buscam desculpas nos impostos ou na fiscalização antiética. Eles direcionam o foco dos seus negócios para colocar em práticas seus valores, sua visão de mundo. Estes empreendedores têm o lucro trabalhando a favor da causa.

Na década de 80, a indústria tabagista fez de tudo para esconder os impactos do cigarro no corpo humano, lembrou um artigo da Harvard Business Review recentemente. No início deste milênio, a indústria alimentícia foi pró-ativa para substituir a gordura trans na alimentação, para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Também no início desta década, os bancos começaram a analisar os impactos socioambientais dos empréstimos. Ou seja, o dinheiro que estou concedendo para clientes. Como ele vai ser usado? Se, por exemplo, em negócios como o desmatamento ilegal, além de prejudicial ao meio ambiente, pode virar uma multa que vai inviabilizar a empresa e vai impactar no pagamento do empréstimo. Uma incrível mudança de atitude num curto período de tempo.

Ao contrário da visão cartesiana, as empresas são cada vez menos vistas como sistemas mecânicos, mas sim como organismos vivos, que fazem parte de um todo. E organismos vivos possuem valores, que influenciam as atitudes na sua essência.

As empresas e os empreendedores não podem ser vistos como mal necessário, que precisa ser vigiado ou regulado. Mas para ganhar esta confiança, os líderes precisam expandir o alcance da empresa para além do lucro, criando um novo jeito de fazer negócios. E vejam só: empresas que se preocupam mais com estas questões têm uma melhor performance financeira. É o que temos percebido na análise de risco socioambiental das empresas elegíveis.

A preocupação com o novo jeito de fazer negócios está cada vez mais sendo valorizada pelo mercado, como na criação de índices e rankings. Um índice que mostra as 100 empresas mais éticas, feita pelo instituto Ethisphere, mostra que as empresas mais éticas tiveram performance até 50% superior comparado às empresas presentes no S&P 500, índice que reúne 500 grandes empresas. Outro estudo, da A.T. Kearney, mostrou que durante a crise financeira em 2008, as empresas que mais se preocupavam com sustentabilidade tiveram também performance melhor. A listas das melhores empresas para trabalhar tem retorno na bolsa maior do que as listadas nas maiores e melhores da Exame.

Ou seja, Respeito é bom – e dá lucro!

Pergunte para Ione e seu time de motoboys. Tony na Academia. Helenio no Roteiros de Charme. Ray na Interface. Yvon na Patagonia. Fábio Barbosa no Santander…

A causa de cada um deles é muito clara. É a mesma que a minha: acreditar que podemos transformar o mundo por meio da ação das empresas.

Para encerrar fica a pergunta: que mundo queremos valorizar com nossas empresas? Como podemos usar o poder transformador das empresas para construir um mundo melhor? Qual a sua causa?

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5 Comentários

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O mergulho e o branded content

Dean's Blue Hole, nas Bahamas (foto de Timothy Shea, flickr)

Fui apresentado a um incrível video no final de semana. O campeão mundial de apneia, Guillaume Nery, mergulha no Dean’s Blue Hole, o buraco submarino mais profundo do mundo, nas Bahamas.

Dean's Blue Hole: base jumping a mais de 200 metros de profundidade

A descrição do YouTube diz que o video é uma ficção. Não importa: a edição e o show de imagens são de encher os olhos. E quem se importa com a exposição explícita das marcas? Isso é branded content, tendência de comunicação. Conteúdo de primeira, patrocinado por marcas. Outro exemplo disso é a campanha da Perrier, com uma estonteante atriz americana Dita Von Teese

Água para apagar o fogo: branded content da Perrier

A Patagonia também investe em branded content no site Footprint Chronicles, mostrando a pegada ecológica de uma série de produtos da marca.

Patagonia e a pegada ecológica dos produtos no Footprint Chronicles

O branded content deixa claro que existe algo muito mais inteligente a ser feito com as marcas do que merchandising capenga em novela. E reforça a máxima do jornalismo que não existe texto longo ou curto, existe, sim, texto chato ou bom…

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Ideia barata e muito cara

Muito boa a capa do Extra hoje. Uma ideia de R$1,10, barata, mas muito cara para o Brasil.

O resultado do STF ontem dá uma medida do quanto a sociedade está carente de valores sérios e relevantes para o país.

Vale ainda ler a Eliane Cantanhede, na Folha. Dá um alento. E quando ela fala que a campanha está morna, não é para menos, com tanta decepção com a liderança política do país. Mas não somos nós que deixaremos barato, certo?

Vejam também a matéria sobre Guilherme Leal, vice da Marina, na Piauí que está nas bancas.

Vamos lá, a chance de mudarmos esta eleição está nas nossas mãos, literalmente.

E só lembrando, vale o clique: youtube.com/obrasilnaoedopt

ELIANE CANTANHÊDE

Rio e DF, pé no acelerador

BRASÍLIA – O Rio de Janeiro e o Distrito Federal têm uma característica curiosa: ambos antecipam tendências e às vezes chegam tão antes dos demais que acabam com resultados que fogem do óbvio e vão na contramão do resto do Brasil em disputas para presidente.
E não é de hoje. Na última eleição presidencial antes da ditadura e na primeira depois, o DF teve um resultado distinto do nacional. Jânio Quadros, em 1960, e Fernando Collor, em 1989, viraram onda nacional, mas perderam no DF. E Collor foi derrotado também no Rio.
São eleitorados que surpreendem ainda pelo descompasso entre o voto de vanguarda para a Presidência e o conservador e atrasado para os governos locais. Daí por que o Rio é capaz de eleger o Garotinho e depois a Garotinha, enquanto o DF, coitado, já passou por nada mais, nada menos que quatro governos de Joaquim Roriz.
Por isso, vale focar no resultado do Datafolha de quinta-feira nessas duas unidades da Federação. No Rio, Dilma caiu três pontos e no DF, sete. Mas o mais significativo foi a arrancada de Marina Silva, que encostou em Serra no Rio e ultrapassou o tucano no DF, onde já está em segundo lugar.
Aos números. No Rio, Dilma tem 45%, Serra, 23% e Marina, 22%. No DF, Dilma tem 36%, Marina, 26% e Serra, 23%. Não precisa pesquisar muito para ver o contraste entre esses resultados e o resto do país. Marina, por exemplo, está em ascensão, mas ainda com 13% na sondagem nacional.
A eleição, nas ruas, continua completamente sem sal, sem emoção, sem bandeiras e até sem adesivos em carros -conforme registram correspondentes estrangeiros no Brasil-, mas está apimentada no confronto entre as campanhas e ainda cercada de dúvidas relevantes até o dia 3, ou o dia D.
Afinal, assim é que é bom. Por isso, eleição no Rio e no DF sempre dá samba. Sem contar que, às vezes, dá uma ressaca desgraçada.

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Dá para viver no limite? Isso é bom?

Será que estamos ultrapassando demais os limites?

Ontem participei de um debate incrível no OnWeek mediado pelo mestre Ricardo Guimarães (@ricardo_thymus) e acompanhado por Denise Hills (Itaú) e Angélica Blanco (Managemente & Excellence).

A conversa era sobre sustentabilidade e dinheiro, mas o Ricardo soube nos conduzir para discutir algo muito maior, sobre limites, nossa relação com o planeta, o tamanho da consciência dos empresários e empreendedores, biomimética. Enfim, foi um grande papo. Brinquei ao final que só faltou a cerveja, de tão descontraído e divertido que foi.

Era tarde, pouca gente ficou até o fim do evento para pegar o debate que começou às 20h. Mas quem ficou lá, deu contribuições incríveis, como o Bob Wolheim (@bobwolheim), idealizador do evento, e Luiz Algarra (@lalgarra), da Papagallis. Algarra contou do seu vizinho Afrânio, que não se importa com os limites e é feliz mesmo assim.

O resumo da conversa foi: “Pode ser bom viver dentro dos limites”.

A humanidade não respeita limites, em geral, por que sempre pode superá-los. O chip cada vez menor e cada vez com mais informações. O smartphone com cada vez mais tecnologia. A banda larga cada vez mais rápida. O carro cada vez mais barato e mais fácil de comprar. A passagem de avião cada vez mais acessível. Parece que não limites. Mas onde isso tudo vai acabar?

E qual o papel das empresas nisto tudo? Certo momento, Ricardo perguntou: “Ok, mas qual o bom exemplo de empresa que faz isso, reconhece limites e olha para isso e para a sustentabilidade como algo positivo?” Não resisti e falei da Patagonia (veja mais aqui). Yvon Chouinard, o empreendedor, criou um negócio em que não está muito preocupado em crescer, crescer, crescer. Ele tem seu público definido, pessoas que não se importam em pagar a mais por determinados produtos, sabendo que vão encontrar qualidade e design. No caso dele, crescer talvez seja abrir mão disso. Mas ele não quer abrir mão dos valores. E a empresa é um sucesso. Não porque é grande. Mas porque tem seu tamanho certo. Reconhece seus limites e acha bom viver dentro deles.

Ou seja, limite pode ser bom. Agora, vai contar isso pro filho pequeno!

Segue abaixo alguns tweets com o melhor da discussão por quem estava acompanhando.

@ItsDigital

Pq fazemos o q fazemos? RT @BobWollheim Temos um vazio, nos falta SIGNIFICADO. Por isso queremos + @ricardo_thymus #onweek

@pvcampos10

#onweek O significado é a finalidade da vida, mas é preciso mudar de percepção de “ser o melhor do mundo” para ” ser o melhor para o mundo”

@BobWollheim

Vc não é consumidor, mas usuário. Fica mais sustentável! @ricardo_thymus #onweek

@LucasCSantos

#OnWeek Sustentabilidade não precisa ser limite, pode ser só otimização, bom-senso…

@LucasCSantos

#OnWeek @ricardo_thymus O significado traz felicidade…

@BobWollheim

Temos um vazio, nos falta SIGNIFICADO. Por isso queremos + @ricardo_thymus #onweek

@pvcampos10

RT @BobWollheim: Prefiro estar certo do que ser coerente @ricardo_thymus #onweek // e qdo se fala em sustentabilidade como fica a coerência?

@BobWollheim

Sustentabilidade é uma utopia – @rodrigocvc – #onweek

@BobWollheim

A gente não é coerente em quase nada. Denise/Itau – #onweek

@luisguggen

Case da marca Patagonia como uma boa referência sobre negócios x sustentabilidade #onweek

@BobWollheim

Sensualizar a sustentabilidade! @ricardo_thymus – #onweek

@BobWollheim

Insight: o limite fica bom quando é escolha! Denise/Itau – #onweek

@la_perroni

Estamos prontos pra ver ética como inspiração? #onweek

about 15 hours ago via web

@BobWollheim

A gente tá pronto ou temos empresários excessivamente jovens? @ricardo_thymus – #onweek

about 15 hours ago via Twitter for iPad

@LucasCSantos

#OnWeek @ricardo_thymus sendo o melhor mediador de debates q já vi. Tem q cutucar e questionar o participante! =)

@smwsaopaulo

RT @BobWollheim Todo mundo diz q sustentabilidade é fundamental. Mas qdo a gente traz o tema, o povo não vem. INCOERENCIA ou o QUÊ? #onweek

about 15 hours ago via HootSuite

@BobWollheim

Quando coloca limite pro seu filho isso é bom ou ruim? R Guimarães – #onweek

about 15 hours ago via Twitter for iPad

@la_perroni

“Quer coisa pior que tomar banho rápido?” Ricardo/Thymus – #onweek

about 15 hours ago via web

@resultson

“tem que entender que sustentabilidade não é só falar de meio ambiente, mas de questões que permeiam a nossa vida como um todo” #onweek

about 15 hours ago via web

4 Retweets

@BobWollheim

Decrescimento é algo que se começa a pensar e discutir @rodrigocvc – #onweek

about 15 hours ago via Twitter for iPad

@BobWollheim

Temos que fazer as pazes entre LIMITE e LUCRO. Ricardo Guimaraes – #onweek

about 15 hours ago via Twitter for iPad

1 Retweet

camacedo1

Na natureza não existe desperdício, quem inventou isso foi o homem! #onweek

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Vida, rara e cara

Neste final de semana, o cientista e colunista da Folha Marcelo Gleiser escreveu uma coluna muito boa na Folha, falando de quão rara é a vida, o que me faz pensar como devemos aproveitá-la bem. Certamente não temos noção da grande sequência de coincidências que nos traz até aqui e uma reflexão destas nos ajuda a pensar melhor.

Uma breve história de quase tudo, livraço de Bill Bryson

Compartilho aqui pela genialidade das breves palavras e aproveito para colocar um link para a resenha do livro ˜Uma breve história de quase tudo”. Escrevi para o Planeta Sustentável, da Editora Abril, como tarefa de `povoar` o site com resenhas logo no seu início. No livro, o autor Bill Bryson teve a ousadia de querer falar dos detalhes da formação da vida e o fez com maestria. Contar 13 bilhões de anos em 484 páginas, de forma lógica e empolgante é tarefa de gênio. Os pontos que estão neste link foram os que mais chamaram a atenção. Principalmente para a ˜loteria” da vida.

Segue abaixo o texto do Marcelo Gleiser e logo em seguida uma maravilha da vida.

Quão rara é a vida?

(Marcelo Gleiser)

NO DOMINGO PASSADO, escrevi sobre as recentes afirmações de Stephen Hawking. Para ele, a ciência demonstrou que Deus não é necessário para explicar a criação. Outro argumento que Hawking usou é que o Universo é especialmente propício à vida, em particular à vida humana. Mais uma vez vejo a necessidade de apresentar um ponto de vista contrário. Tudo o que sabemos sobre a evolução da vida na Terra aponta para a raridade dos seres vivos complexos. Estamos aqui não porque o Universo é propício à vida, mas apesar de sua hostilidade.

Note que, ao falarmos sobre vida, temos de distinguir entre vida primitiva (seres unicelulares) e vida complexa. Vida simples, bactérias de vários tipos e formas, deve mesmo ser abundante no Cosmos.
Na história da Terra -o único exemplo de vida que conhecemos-, os primeiros seres vivos surgiram tão logo foi possível. A Terra nasceu há 4,5 bilhões de anos e sua superfície se solidificou em torno de 3,9 bilhões de anos atrás. Os primeiros sinais de vida datam de pelo menos 3,5 bilhões de anos, e alguns cientistas acham que talvez possam ter 3,8 bilhões de anos. De qualquer modo, bastaram algumas centenas de milhões de anos de calma para a vida surgir. Não é muito em escalas de tempo planetárias.
Esses primeiros seres vivos, os procariontes, reinaram durante 2 bilhões de anos. Só então surgiram os eucariontes, também unicelulares, mas mais sofisticados. Os primeiros seres multicelulares (esponjas) só foram surgir em torno de 700 milhões de anos atrás.
Ou seja, por cerca de 3,5 bilhões de anos, só existiam seres unicelulares no nosso planeta. O que aprendemos com esses estudos é que a vida coevoluiu com a Terra. O oxigênio que existe hoje na atmosfera foi formado quando os procariontes descobriram a fotossíntese em torno de 2 bilhões de anos atrás. Estamos aqui porque oxigenaram o ar.
Devemos lembrar que seres multicelulares são mais frágeis, precisando de condições estáveis por longos períodos. Não é só ter água e a química correta. O planeta precisa ter uma órbita estável e temperaturas que não variem muito. Só temos as quatro estações e temperaturas estáveis porque nossa Lua é pesada.
Sua massa estabiliza a inclinação do eixo terrestre (a Terra é um pião inclinado de 23,5), permitindo a existência de água líquida durante longos períodos. Sem a Lua, a vida complexa seria muito difícil.
A Terra tem também dois “cobertores” que a protegem contra a radiação letal que vem do espaço: o seu campo magnético e a camada de ozônio. Viver perto de uma estrela não é moleza. Precisamos de seu calor, mas ele vem com muitas outras coisas nada favoráveis à vida.
Quem afirma que o Universo é propício à vida complexa deve dar uma passeada pelos outros planetas e luas do nosso Sistema Solar.
Ademais, o pulo para a vida multicelular inteligente também foi um acidente dos grandes. A vida não tem um plano que a leva à inteligência. A vida quer apenas estar bem adaptada ao seu ambiente. Os dinossauros existiram por 150 milhões de anos sem construir rádios ou aviões. Portanto, mesmo que exista vida fora da Terra, a vida inteligente será muito rara. Devemos celebrar nossa existência por sua raridade, e não por ser ordinária.

Uma onda perfeita em slow motion

A capacidade de surfar uma onda como esta é algo que não se pode descrever com palavras. Capturar em slow motion é a segunda coisa mais próxima que se pode fazer para entender isso sem passar pela experiência. A primeira é ver as imagens cada vez mais frequentes dos surfistas dentro do tubo. Abaixo, do meu amigo Pedro Manga em ação no Taiti.

TED Talk da semana – Peter Tyack

Peter Tyack fala sobre a oculta maravilha do som submarino na expedição Mission Blue, do TED:

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Sustentabilidade não é competição, é colaboração

Escrevi o texto abaixo para o site da Ideia Sustentável. Segue também o link original.

Sustentabilidade não é competição, é colaboração

A oportunidade de compartilhar boas práticas.

O mês de fevereiro de 2007 foi um divisor de águas para o movimento de sustentabilidade. Até então, falar sobre tema significava ter de explicar o be-a-bá para praticamente todo mundo. Mas, naquele momento em especial, com a publicação de um relatório do IPCC, apontando com mais de 95% de certeza que o homem é responsável pelo aquecimento global, a discussão mudou de figura. Grandes veículos da mídia impressa e eletrônica começaram a cobrir o assunto e temas como meio ambiente, negócios verdes e responsabilidade socioambiental passaram a fazer sentido para muito mais gente.

Essa foi a boa notícia, que trouxe outra nem tanto como consequência: a virtual “banalização do tema”. Tudo passou a ser sustentável – e até desconto em matricula virou responsabilidade social. Se antes os comunicadores tinham o desafio de explicar a importância da sustentabilidade, agora passaram a ter outro: apresentar a prática da sustentabilidade.

Na ânsia de posicionar suas marcas, empresas dos mais variados setores começaram a anunciar que praticavam a sustentabilidade há décadas (muitas antes mesmo do termo ter sido criado). Outras eram sempre pioneiras em diversos itens. A competição começava a se instalar num tema que, acima de tudo, exige colaboração. Afinal de contas, sustentabilidade não é uma corrida para ver quem fez primeiro ou quem fez melhor. Sustentabilidade é uma utopia, no melhor sentido da palavra, o de projetar a construção de um mundo ideal para inspirar a mudança. Ou seja, criar condições de vida melhores, mais seguras e em harmonia com o planeta e desejos da sociedade.

Com esse pano de fundo da discussão, há pouco mais de um ano, em reunião no Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), representantes de diversas empresas chegaram à conclusão de que uma grande oportunidade estava sendo deixada de lado: a de compartilhar as boas práticas de muitas empresas para o aprendizado comum. Daí, nasceu o Guia de Comunicação e Sustentabilidade, de autoria do CEBDS, que pode ser baixado gratuitamente em www.cebds.org.

Dentre o detalhamento do Guia e de todas as boas práticas elencadas, vale destacar alguns sobre esta maneira de comunicar:

1. Fale primeiro e faça depois – em nenhum outro campo de comunicação corporativa, essa afirmação é tão verdadeira. Sustentabilidade está diretamente ligada à transparência e respeito. Ignorar isso é ir contra a própria marca e – mais do que isso – subestimar a inteligência do consumidor.

2. Coerência – os consumidores, principalmente aqueles mais preocupados com a sustentabilidade, acompanham o passo a passo das empresas. Se hoje alguém falar em um anúncio que está preocupado em construir um mundo melhor e amanhã tiver alguma postura que contradiz esta prática, será cobrado por isso.

3. Sustentabilidade não é uma área na empresa. É uma atitude, um jeito de fazer. Não adianta ‘terceirizar’ a prática para o departamento de comunicação ou mesmo de sustentabilidade e no dia a dia continuar fazendo do mesmo jeito, justificando os meios para chegar aos fins.

4. Ninguém fala sozinho – acabaram-se os dias da comunicação de mão única. Os públicos de hoje estão cada vez mais buscando o diálogo e muito menos propensos a ouvir passivamente o que está sendo dito a eles. Fenômenos como o crescimento de redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut são exemplos latentes disso. Mesmo que sua marca não tenha uma presença ativa nestes ambientes, ela estará lá de qualquer maneira. Furtar-se a este diálogo é perder uma ótima oportunidade de estar em sintonia com as mudanças que o mundo e os consumidores apresentam às empresas.

5. As empresas são co-responsáveis pela mudança da sustentabilidade. E este tema passa pela comunicação. Das 100 maiores economias do mundo, cerca de metade são empresas. É aí que reside o potencial da mudança, de inspiração. Usar a comunicação a favor disso, de maneira propositiva e consciente, é um grande ativo para as marcas. Os consumidores querem se associar às marcas que promovem causas boas e relevantes.

6. Humor e senso comum. Para falar de sustentabilidade, é importante fugir do jargão. Outro dia, em uma reunião, alguém perguntou o que era “skateholder” (segurador de skate, em tradução livre), querendo perguntar sobre “stakeholder”. Obviamente, ao usar um estrangeirismo temos um problema para tratar de algo tão simples, que pode ser traduzido por “públicos de relacionamento”. É muito melhor buscar um jeito mais leve de falar.

Todo dia, os consumidores são bombardeados por milhares de mensagens publicitárias. Some-se isso ao fato de que sustentabilidade não é sequer uma palavra fácil de ser pronunciada ou mesmo um conceito fácil de ser entendido. A capacidade ou não de as empresas conseguirem engajar os consumidores neste movimento, depende da legitimidade e criatividade para abordar o tema. Por isso, o papel de comunicação é fundamental. O velho guerreiro Chacrinha já falava lá atrás: “Quem não se comunica, se trumbica.” Em tempos de informação trafegando à velocidade da luz, essa lição continua atual e verdadeira.

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Crianças aprendem (muito) com crianças

TED Talk da semana – Sugata Mitra

O video abaixo não é novo, mas é muito poderoso e sempre vale ver de novo.

Fala sobre o que as crianças podem aprender com os adultos e suas atitudes. O filósofo americano Ralph Emerson tem um  frase lapidar sobre isso: “Suas atitudes falam tão alto, que não consigo ouvir o que você diz”. Mas ainda bem que os adultos não aprendem somente com as crianças… Por isso, vale conhecer o trabalho de Sugata Mitra, que mostra como as crianças ensinam a elas mesmas. Usando isso de forma consciente, é possível potencializar seu aprendizado.  O vídeo abaixo foi publicado em 2007. Em julho passado, Mitra fez outra palestra, em Oxford. Ainda não foi traduzido para o português.

Ainda na pegada “criançada”, este site de uma escola de enfermaria reuniu 25 TED Talks que todos pais deveriam assistir. Vale  conhecer o link.

Mais sobre crianças: conheça o projeto The great football giveaway – este projeto maravilhoso entrega bolas de futebol para crianças carentes africanas. Incrível a felicidade que uma coisa redonda, que pica e é macia é capaz de proporcionar. O futebol é e sempre será uma caixinha de surpresas.

Bolas de sabão gigante

Poesia pura, ainda mais por ser na praia. Quem não lembra de infância…

Diversidade animal

Existem algo como 30 a 50 milhões de espécies animais no planeta. Estamos acostumados a ver em nosso dia-a-dia apenas uma parte bem pequena deste total. Este link mostra espécies incrivelmente estranhas de bichos. É interessante para adultos, mas quem gosta mesmo de ver bichos como este abaixo é a criançada!

Apenas uma amostra dos animais incríveis das fotos do link

Eleições em dois turnos

Tem muita gente que fica em dúvidas sobre votar ou não em quem realmente gosta para não correr o risco de ver eleito no primeiro turno o candidato que não gostaria. Na verdade, não é bem isto que acontece. Para quem tem dúvidas, veja como funciona a eleição em dois turnos neste video abaixo. Ou seja, dá, sim, para votar na Marina no primeiro turno!

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