Arquivo do mês: abril 2011

É preciso saber cuidar

“O cuidado hoje não é uma opção. Ou aprendemos a cuidar ou vamos perecer”

No TEDx Amazônia, tive a honra de convidar e ajudar na preparação da palestra do Bernardo Toro.

Com toda a suspeição (existe esta palavra?) para falar, acho que foi uma das melhores.

Bernardo deu uma lição de humildade e inteligência ao falar da ética do cuidado.

Vale a pena ouvir cada palavra, pausada, sábia, cheia de significado desta palestra. É de ver e rever para não esquecer das lições que este colombiano, uma das maiores referências em educação do mundo. É preciso ter coragem de pedir ajuda.

O que os colegas do TEDx Amazônia escreverem no e-mail anunciando a palestra é um bom resumo:

“Bernardo Toro é um pensador colombiano decido a repensar a educação. Ele acredita que é preciso que as crianças sejam capazes de compreender o contexto que as cerca para poder fortalecer a democracia. Para ele temos que mudar o paradigma atual de êxito, de ganhar, vencer para o paradigma do cuidado: saber cuidar, saber fazer transações de ganha/ganha e saber conversar.

Entrou no ar no site do TEDx Amazônia. Aproveite.

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Vida saudável? Vá a uma loja de fast food…

Quando lançou o SupersizeMe, o documentarista Morgan Spurlock provavelmente sabia que iria incomodar a maior rede de fast food de todos os tempos, o McDonald’s. Com a quase ingênua e genial ideia de comer todos os dias no McDonald’s durante um mês e aceitar tudo aquilo que era oferecido, Spurlock ganhou 11,1 kg, um aumento de 13% em sua massa corporal. Seu colesterol foi a 230 e ele ainda experimentou mudanças repentinas de humor, disfunção sexual e acúmulo de gordura no fígado. Depois, levou 14 meses para perder tudo o que tinha ganho de peso.

Spurlock mirou no que viu e acertou no que não viu

Ninguém em sã consciência comeria no McDonald’s ou em qualquer marca de fast food por 30 dias seguidos em todas as refeições, mas Spurlock conseguiu chamar a atenção. Mais do que isso: mirou no que viu e acertou no que não viu. O McDonald’s correu para renovar o cardápio, lançou iogurtes, saladas e passou a vender maçãs. Mas agora acho que foram longe demais. A notícia abaixo soa a desespero, uma nova forma de passar o que as marcas não têm: healthwashing (o equivalente ao greenwashing que as marcas estão fazendo para falar de sustentabilidade quando não são tão sustentáveis assim).

A tentativa de fazer fast food parecer saudável… O consumidor não é besta. O que as marcas deveriam fazer, na minha opinião, é encontrar um outro jeito de falar sobre a alimentação. A vida sem um big mac ou um burger king ou mesmo um brigadeiro é muito chata (vegetarianos que me perdoem). Talvez este seja um jeito de comunicar num mundo politicamente correto. O que não dá é querer associar fast food a coisa saudável. Saudável para mente, talvez. Para o corpo, nem pensar.

E agora, com vocês, a academia do Ronald McDonald!

Academia do Ronald...

‘Saudável e descolado’, a nova cara do fast-food

2011-04-19 09:45‘Saudável e descolado’, a nova cara do fast-food

No lugar dos duros bancos de plástico, sofás aconchegantes. As lâmpadas incandescentes cedem espaço para uma iluminação mais intimista.

E a sensação de comer com urgência, provocada pelo conjunto “cores berrantes, mesas desconfortáveis e atendimento impessoal”, é esquecida pela facilidade de conectar o notebook à internet, em um ambiente de Wi-Fi gratuito, sem limite de tempo.As lanchonetes McDonald’s na América Latina estão mudando de cara e parte do capital obtido com a oferta pública inicial de ações ontem na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) deve acelerar essa transformação.

“Vamos reformar cerca de cem lojas na América Latina neste ano, para adaptá-las ao novo layout adotado pela rede, e abrir outras cem nesse conceito”, disse ao Valor o presidente-executivo e presidente do conselho de administração da Arcos Dorados, Woods Staton.A empresa, maior franqueada mundial do McDonald’s, que opera 1.775 restaurantes em 19 países da América Latina, incluindo o Brasil, fez uma oferta de US$ 1,3 bilhão. Dos recursos que vão para o caixa da empresa, US$ 150 milhões serão empregados na expansão e na reforma de lojas, valor que deve se somar ao capital que a rede já tinha em caixa no fim de 2010 – US$ 208 milhões.

“Queremos investir mais em outros formatos, como McCafé e quiosques”, disse o empresário. Hoje, a rede tem 616 lanchonetes, 730 quiosques que vendem sorvetes e 67 lojas do McCafé. O Brasil representa 53% da receita líquida da Arcos Dorados, que foi de US$ 3 bilhões no ano passado.Mas a grande mudança ensaiada pela maior cadeia mundial de fast-food está na associação da sua marca a um estilo de vida saudável. “Algumas das novas lojas abertas neste ano adotarão o modelo Ronald Gym Club”, diz Staton. Esse novo conceito, representado até agora no Brasil por apenas uma loja, em Sorocaba (SP), oferece um misto de “academia”, jogos eletrônicos e lanchonete. Entre as atrações, estão minibasquete, parede para escalada e bicicletas ergométricas ligadas a um monitor de LCD que apresenta jogos interativos.

Staton não revelou quantas dessas unidades fazem parte da leva de cem novas lojas, mas afirma ser essa a tendência mundial seguida pelo McDonald’s. “Apostamos na preocupação cada vez maior com a saúde, o lazer e com a comodidade, por isso também vamos abrir mais unidades ‘drive-thru'”, diz.O empenho da rede em se afastar de conceitos como gordura, colesterol e obesidade não é de agora. Desde 2005, o McDonald’s oferece saladas e frutas nas lanchonetes. Mais recentemente, incluiu a água de coco. A investida não convenceu a maior parte dos consumidores, reconhece Staton. “Frutas e saladas devem representar um dígito das vendas totais”, diz ele, sem precisar quanto.

O empresário garante, no entanto, que a rede tem feito a sua lição de casa na oferta de produtos menos nocivos. “Reduzimos a quantidade de sódio dos nuggets, eliminamos a gordura trans e procuramos diminuir a quantidade de açúcar”, diz Staton.Na opinião do consultor Enzo Donna, da ECD Food Service, será preciso mais do que uma mudança no cardápio e novas lojas para o McDonald’s enfrentar a concorrência no Brasil. “Eles estão fazendo a lição de casa, mas é fundamental testar novos formatos de lojas, como fazem o Habib’s e o Bob’s, seu grande rival no país, para atender públicos que têm expectativas diferentes”, diz.

O Burger King, adquirido no ano passado pelo 3G Capital – comandado pelo trio de empresários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, sócios da Ambev -, ainda está longe de oferecer uma ameaça para a liderança do McDonald’s. “Mas é claro que eles estão na fase de imersão no mercado e devem vir com propostas agressivas de conquistas de share”, diz Donna.O mercado de alimentação fora do lar movimenta R$ 181 milhões ao ano e serve 62 milhões de pessoas por dia.

Desse total, segundo a ECD, três milhões de consumidores visitam redes de fast-food, o equivalente a 5%. “Mas enquanto o setor de alimentação fora do lar cresceu 16% no ano passado, as franquias saltaram 40%, o que demonstra o rápido avanço das redes de fast-food, que apresentam um tíquete médio maior”, afirma.O maior desafio deste negócio, no entanto, segundo o consultor, ainda é a qualidade do atendimento. “O consumidor está mais interessado em voltar por ter sido bem atendido do que por ter pago preço menor.”


Fonte: Valor Econômico-15/04/2011

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Duas visões de mundo

Há uns meses, encontrei o blog do Jonathan Harris, um lugar onde ele colocava uma foto por dia antes de dormir. Eram fotos aleatórias, do seu cotidiano. Ele diz que começou a fazer quando fez 30 anos, como uma maneira de capturar a memória. Passei a seguir suas fotos e não raro me deliciava com a qualidade do material, altamente inspirador. Ainda mais quando vinha seguido de alguns textos. Até que um dia, no lugar da foto, ele enviou um e-mail, dizendo que o projeto tinha acabado.

Hoje, vi o vídeo abaixo, com as fotos em sequência, acompanhadas de comentários de Harris. Em determinado momento, ele diz que o projeto estava dominando sua vida, quando era para ser o contrário. E aí, ele parou. Interessante saber como ele percebeu a hora de parar. Nem sempre percebemos quando esta hora chega. Os atletas mais bem-sucedidos param no auge. Como fez Pelé. Alguns, como Schumacher, param, mas resolvem voltar, para não ser nem sombra do que eram. Outros, param antes da hora. E voltam para arrebentar, como fez Kelly Slater no surfe, que depois de voltar ainda foi campeão mais duas vezes, tornando-se o único surfista decacampeão da história, muito a frente de qualquer outro competidor.

No video abaixo, Harris mostra que parou no auge e as imagens dele, com a vida do dia-a-dia, inspiram para o famoso Carpe Diem. Aproveite o momento e aprecie 8 minutos com imagens de um ano de vida de um artista de mão cheia.

E se isto não for o suficiente para inspirar, que tal este time lapse estelar, filmado na semana passada (entre 4 e 11 de abril) na montanha mais alta da Espanha? O lugar chama-se El Teide, um dos melhores do mundo para fotografar estrelas. O autor deste filme magnífico chama-se Terje Sorgjerd. Aproveite e reflita sobre o lugar maravilhoso em que vivemos! A vida é bela. Só tem que parar e apreciar de vez em quando! 😉

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A era da transparência – o novo Renascimento



Transparência não é só no mar do Oceano Índico (Bali, Indonesia, foto by Rodrigo)

O tema da transparência está em alta hoje, mas ele não é nenhuma novidade como organização da sociedade. Na semana passada, falei sobre isso no TEDx Laçador, em Porto Alegre. Abaixo, as ideias que apresentei, com links e referências para quem quiser se aprofundar.

O exemplo mais antigo registrado de transparência como instrumento de organização vem de Atenas, que criou o modelo de organização democrática que vivemos e valorizamos (em boa parte do mundo) hoje. A civilização grega tinha em Atenas a representação direta de todos os cidadãos livres (não contavam escravos e mulheres). Com esta configuração, havia um nível de transparência com os fundos públicos que dificilmente encontramos hoje. Todos as principais figuras públicas tinham as contas abertas e se sabia exatamente quanto ganhavam para que não se beneficiassem de suas posições.

Atenas: modelo de democracia

Com a queda da civilização grega e conseqüente avanço da Igreja e feudalismo, esta experiência se perdeu. Dando um salto na história, o reconhecimento do papel do indíviduo voltou a ganhar força com o renascimento e com a visão de pensadores como Thomas Hobbes. Hobbes lembrou que o homem é o lobo do homem e que para viver bem em sociedade, as pessoas precisavam tranferir parte de suas liberdades individuais para um ente soberano, o Estado, que controla e regula os limites individuais. A busca da ordem para evitar a guerra. O amigo de Hobbes, nas tiras de Bill Waterson, é o menino Calvin. O reformador religioso João Calvino falava da depravação do homem, que está naturalmente inclinado a fazer o mal para o próximo e que só encontraria salvação em Deus. Em ambos casos, uma abdicação das liberdades individuais em prol do bem comum, provido por alguém. (Em Calvin e Hobbes, Watterson brinca com um menino Calvin em estado natural – rebelde, ousado, contestador – e seu amigo imaginário Hobbes (o tigre Haroldo, em má tradução) o traz à realidade da vida em sociedade todo o tempo).

Calvin, Hobbes e o Contrato Social

Da representatividade direta na mundo grego para a representação política no renascimento e nos Estados-Nação, estamos presenciando agora um momento de síntese. O poder individual no coletivo cibernético. A era da transparência fortalecida pelas vontades e possibilidades individuais.

O mundo que vivemos hoje apresenta uma descomunal miríade de possibilidades, como na imagem abaixo, ainda pré Twitter, Facebook, Tumblr, blogs etc.

E de mensagens também. Há estudos que dizem que cada pessoas recebe em média 3 000 mensagens publicitárias por dia. Outros falam em 800. E alguns falam em 1500, que é a média. Podemos ficar com esta média.

Com tanta informação e exposição, as pessoas ainda estão aprendendo a usar ferramentas.

Alguns ainda não perceberam que qualquer coisa que está sendo dita, pode estar sendo gravada. Frequentemente, temos casos de gafes de homens públicos e alguns corruptos pegos em pleno ato, como a vergonhosa história do dinheiro na cueca e outras recentes.

Em função da novidade do tema, há a discussão dos limites entre transparência e privacidade. Já está surgindo inclusive a expressão Tirania da Transparência. Pode ser que isso um dia venha até a acontecer, mas acho que o que o movimento que estamos vivenciando agora é o da Transparência da Tirania.

É o que fica explícito quando, por exemplo, o governo egípcio derrubou a internet para tentar esconder os protestos que estavam ganhando o país. Foi tarde demais e pegou mal. Muito mal. O estrago já estava feito. De Mahalla, uma cidade no interior do Egito, os protestos começaram a se espalhar pelo país via YouTube, Twitter etc. Em pouco tempo, tornaram-se muito forte e irreversíveis. Deu no que deu, o governo caiu e o Egito se tornou o segundo caso de uma revolução Árabe bem-sucedida no início do século 21.

 

O governo egípcio achou que ia acabar com a revolução derrubando a internet

O primeiro caso recente de revolução Árabe que terminou em queda no governo foi na Tunísia. Alguns atribuem à insurgência na tunísia às revelações dos conteúdos explosivos dos telegramas diplomáticos americanos. Indignados com o que descobriram via Wikileaks, os árabes se organizaram e derrubaram outro governo. Neste momento, Líbia e Bahrein estão conflagrados e outros países emitiram sinais de alerta, preocupados com a dimensão dos protestos.

Há quem diga que a internet teve papel não muito relevante em todos estes protestos. Ouso dizer que sim. Teve um papel de catalisar estes eventos e de fazê-los se disseminarem rapidamente pela sociedade.

Assim como o Wikileaks teve o papel de catalisar e colocar em outro nível a discussão sobre a transparência. Até onde queremos ser transparentes? Sugiro fazermos uma reflexão entre o que é de interesse público ou de interesse de alguns.

Esta informação é útil para melhorar a sociedade? Se ela não for publicada, dá para explicar porque ela não foi publicada? Enfim, ter transparência sobre a falta de transparência como falou com genialidade Thimothy Garton Ash em artigo recente.

Afinal, ninguém quer falsa transparência (como nas imagens abaixo, em uma moda de gosto discutível)… Principalmente, porque transparência é uma oportunidade de fazer melhor, de compartilhar problemas, dilemas, jeito de fazer.

 

Falsa transparência...

Junte a isso o conceito de Data Visualization e temos um poder enorme de ver possibilidades e impactos. Vejam este gráfico do jornalista David McCandless no site Information is Beautiful. Aí estão valores como os gastos americanos com defesa, o tamanho do mercado farmacêutico global, o valor gasto na guerra contras as drogas, o valor de mercado da Apple, Google etc.

E tudo isso é igual a: o valor das perdas da crise financeira internacional.

Outro exemplo sobre nosso impacto no mundo e o trajeto percorrido pelo lixo, do MIT SenseableCity Lab, que mede a interação das pessoas com o ambiente via aparelhos digitais, como câmeras, chips, smartphones. Veja como o lixo anda pelos Estados Unidos, com impactos ambientais.

 

O caminho do lixo desde Oregon, EUA

A visualização e a transparência nos ajudam a enxergar outras questões. Por exemplo, uma das grandes causas de engarrafamentos talvez não seja a grande quantidade de carros ou a falta de estradas, mas os grandes deslocamentos que as pessoas fazem para trabalhar hoje. Este gráfico abaixo da revista Good mostra a dispersão das moradias em torno de regiões metropolitanas. Grandes deslocamentos talvez sejam a causa principal. Sabendo disso, é possível atacar as causas certas dos problemas.

A transparência pode ser uma grande ferramenta para as cidades. A Rede Nossa São Paulo vem tentando criar um espaço de discussão e acompanhamento do progresso da cidade em relação a indicadores sociais, ambientais e econômicos, com a apresentação de propostas.

Como a cidade está indo? Sem saber disso, não é possível melhorar.

Por isso, algumas cidades como Amsterdam, Dublin, Cidade do Cabo, Atlanta, estão criando relatórios de sustentabiidade, o melhor exemplo do que pode ser feito com a transparência na gestão de uma cidade.

Dados disponíveis e mensuráveis para todos. A democracia da informação.

As pessoas estão tomando a frente destes movimentos, criando, independente de governos, espaços para discussão, transparentes e abertos. São embrionários, mas mostram uma tendência de organização.

Ninguém precisa esperar pelos governos, cada um pode fazer a sua parte e até ajudar os governos a caminharem mais rapidamente na busca pela transparência.

Temos o exemplo do Cidade Democrática, baseado em Sao Paulo, mas disponível para qualquer cidade no país e o PortoAlegre.cc., que apresentam oportunidades de melhorias para as cidades.

Da Índia, vem um exemplo ainda mais radical, o I Paid a Bribe. Cada pessoa pode entrar no site e dizer anonimamente quanto e para quem pagou determinada propina, expondo, dando transparência ao tamanho da corrupção e onde ela acontece.

O mapa da corrupção na Índia, feito pelas vítimas

Mais exemplos que partiram de iniciativas dos consumidores. No site comacomosolhos, o autor compra comidas anunciadas e compara a foto da propaganda com a foto do produto comprado. Uma diferença e tanto (exemplo abaixo)!

Imagem e semelhança

E no ano passado um músico americano mal atendido por uma companhia aérea, a United Airlines, que não quis pagar o violão que havia quebrado durante o transporte. O cantor criou o hit United Breaks Guitars, uma música que teve 10 milhões de acessos até agora! É claro que a companhia foi atrás dele para tentar resolver a questão.

É a era da transparência e democratização da informacão, com um potencial enorme de transformar para melhor a sociedade.

Vamos lá: ninguém está falando aqui do mundo de Pollyanna, ingenuamente otimista, que tudo será melhor com transparência absoluta. Os interesses e a necessidade de sobrevivência são inerentes à natureza humana. Isso sempre existirá.

Mas o que existe agora é uma intolerância maior à mentira, a agendas ocultas e de mão única. Empresas estão falindo, governos estão caindo e pessoas estão cada vez mais poderosas, como na brilhante charge abaixo, de Emad Hajjaj

O poder na mão das pessoas, charge de Emad Hajjaj

Há segredos e há transparência.

A BP (British Petroleum) há pouco tempo pagou caro por querer esconder a informação do vazamento no Golfo do México, que contaminou uma área 1500 quilômetros quadrados. Mais do que o problema, a postura da empresa ao tratar do vazamento, escondendo informação, virou contra. A BP gastou 3 bilhões de dólares para tratar o vazamento e perdeu cerca de metade de seu valor de mercado. Simplesmente porque em uma economia de mercado, livre, transparente, o preço da mentira pode custar caro…

A democracia como conhecemos hoje, um modelo baseado na transparência, demorou milhares de anos para chegar no formato atual, ainda cheio de imperfeições. E justamente por não vivermos num mundo de Pollyanna, precisamos de controles, de regulação. O homem é o lobo do homem, lembrou bem Thomas Hobbes. O nosso contrato social precisa de transparência.

Ainda mais neste momento em que a disseminação de informações avança rapidamente. O mundo da transparência chegou, queira-se ou não.

A era da transparência veio para ficar

O governo britânico, por exemplo, criou a seção transparência no seu website, uma das cinco nas quais o site está dividido. Lá estão valores de contratos, quem faz o quê no governo (e quanto ganha!) e há até a agenda diária dos principais governantes. No site, o governo britânico diz que sua missão é ser o governo mais aberto e transparente do mundo.

Por curiosidade, procurei a palavra Transparência em nossa Constituição. Sabe quantas vezes ela aparece por lá? ZERO! Sim, temos algumas iniciativas, como o Portal da Transparência. A ideia é boa é bem-vinda, mas o acesso ao site é ruim, truncado. Falta datavisualização para ajudar na disseminação da transparência.

Ainda temos muito o que avançar. Mais transparência siginifica uma sociedade mais justa e inclusiva. Ninguém quer o mundo de aparências do Show de Truman. Queremos transparência!

O mundo das aparências do Show de Truman

Indíviduo poderoso, mas parte de um todo. É uma evolução das visões da democracia ateniense e do fortalecimento do Estado. Podemos chamar de Sociedade do Conhecimento, era da Transparência, de Interdependência. Ou talvez a gente possa chamar de um novo Renascimento (pegando emprestada a frase do meu amigo Oswaldo Pepe), uma época única na história da humanidade. Uma era na qual temos o privilégio de viver e agir. A mudança – mais do que nunca – está em nossas mãos.

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