Enriquecer antes de envelhecer: vamos conseguir?


Os operários de Tarsila do Amaral: a hora de enriquecer é agora

Excelente o texto abaixo de José Roberto de Toledo, que saiu no Estadão no início da semana

É alarmante, pois podemos estar perdendo a oportunidade de nossas vidas. E quem vai nos cobrar depois serão nossos filhos.

Como país, precisamos enriquecer antes de envelhecer. O momento é agora. É hora de educar, cuidar da previdência e investir em pesquisa e desenvolvimento. Não estamos fazendo o que deveríamos, mas ainda há tempo.

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Cinco meias e uma inteira

Cinco fatos que convém você saber sobre como o Brasil está amadurecendo:

1..: A idade média da população brasileira aumentou três anos na última década: pulou de 29 anos em 2000 para 32 anos em 2010. O envelhecimento está acelerando: a idade média era de 27 anos em 1991.

2..: Em duas décadas, o peso das crianças no total da população diminuiu de 35% para 24%. Há 5,1 milhões a menos de brasileiros entre 0 e 14 anos hoje do que havia em 1991. Esse grupo abriga os jovens em idade escolar obrigatória.

3..: O segmento que mais ganhou importância na distribuição etária nos últimos 20 anos foi o dos brasileiros em idade de trabalhar. O grupo daqueles de 25 a 60 anos cresceu de 38% para 47% do total da população. Há 33,5 milhões a mais de brasileiros nessa faixa etária.

4..: O segundo estrato populacional que mais engordou desde 1991 foi o daqueles em tempo de se aposentar. Há cerca de 10 milhões a mais de pessoas com 60 anos de idade ou mais velhas, em comparação ao que havia duas décadas atrás. Já são 11% dos brasileiros e continuam subindo.

5..: O estrato jovem da população, entre 15 e 25 anos, cresceu 5 milhões desde 1991, mas estabilizou seu peso no total da população. Era de 19% há 20 anos, passou a 20% em 2000, e agora está em 18%. Sua tendência é lentamente diminuir de importância.
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Qual o significado das mudanças no perfil etário do brasileiro e quais as implicações dessa nova dinâmica populacional para o País?

Menos crianças significa menos demanda por escolas até o ensino fundamental. É uma chance para os governos de todas as esferas melhorarem a qualidade da educação pública, já que o problema da quantidade e do acesso à escola está encaminhado para uma solução natural.

Entretanto, os passos de tartaruga que carregam a evolução do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) refletem o quão pouco foi feito pela melhoria do ensino.

Daqui para frente, será necessário um esforço cada vez maior para aumentar a escolaridade média do brasileiro. As novas gerações de estudantes, por mais tempo que passem na escola, são menos numerosas do que as anteriores. Terão, portanto, um impacto proporcionalmente menor no grau de instrução da força de trabalho quando se formarem.

Quanto mais tempo for perdido sem investimentos sérios em educação, mais difícil será para o Brasil alcançar os países que deram um salto educacional nos últimos anos, como a Coreia do Sul. A oportunidade está passando sem ser aproveitada. A perda de tempo é irrecuperável.

Os governos Fernando Henrique e Lula se beneficiaram da janela demográfica que fez aumentar em quase 20 milhões a força de trabalho brasileira apenas nos últimos dez anos. Mais gente produzindo significa mais riqueza e melhor distribuição do peso exercido pelos dependentes (crianças e idosos) sobre quem está em idade ativa.

O governo Dilma deve continuar usufruindo dessa tendência, bem como o(a) próximo(a) presidente. Mas, ao mesmo tempo, surgem demandas inerentes ao envelhecimento da população: mais despesas com saúde, com procedimentos médicos caros, e crescimento exponencial do número de aposentadorias e pensões, para citar alguns exemplos.

É preciso previdência para sustentar o conjunto crescente de pacientes e aposentados. Trata-se de uma preocupação que os governantes devem ter, senão pelo bem comum, ao menos para garantir seu próprio futuro. Afinal, os políticos recebem mais aposentadorias do que quaisquer outros brasileiros.

A estabilização da proporção de jovens que deveriam estar no ensino médio ou na faculdade recomenda comedimento na abertura de novas vagas no ensino superior. Em vez de uma expansão ilimitada, melhor seria fechar vagas de administração e jornalismo e aumentar as de medicina e engenharia.

Num futuro não muito distante, o Brasil corre o risco de enfrentar uma bolha universitária semelhante à que os EUA temem que estoure em breve: os custos para pagar a faculdade são tão altos que o recém-formado não consegue um emprego que compense o que ele gastou para obter seu diploma.

Outro risco associado a uma menor proporção de jovens é o País perder capacidade de inovar. Por isso, melhor aproveitar a juventude atual para estimular o desenvolvimento tecnológico e a pesquisa científica.

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