Tempos de barbárie


Há duas semanas, morria Zé Cláudio Ribeiro junto com sua esposa Maria do Espírito Santo, quando voltava para casa, no Asssentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna, no sul do Pará. Eram apenas mais dois dos centenas de agricultores que nada mais queriam do que viver em paz, protegendo a floresta que tanto gostavam.

Segundo escreveram os colegas do TEDx Amazônia no dia seguinte à morte dele: “José Claudio Ribeiro era castanheiro e vivia da extração de castanhas e outras frutas na floresta. O lugar onde morava é protegido por lei e o corte de árvores, ilegal. Assim, Zé Claudio negava-se a negociar as árvores com os madereiros da região. A pressão era grande: muita gente já tinha abandonado o assentamento e vendido, ilegalmente, as terras. Zé Claudio denunciava os crimes e, por isso, as ameaças eram constantes. Sua palestra no TEDxAmazônia conta exatamente essa história. Num trecho, ele diz: “A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes, querem fazer comigo”. E fizeram.”

A fraqueza de Zé Cláudio e demais é que vivem em terras valorizadas pelo que contém: madeira de primeira qualidade. Grande parte da madeira consumida em São Paulo vem da Amazônia. Em última instância, somos todos responsáveis por estes crimes quando não perguntamos a origem da madeira.

Zé Cláudio foi explícito no video dele (abaixo) no TEDx Amazônia. O pior de tudo é que a morte dele foi anunciada. Ele veio a público falar isso como uma última medida de desespero. E ninguém ouviu…

Na semana passsada, o jornalista amigo Felipe Milanez, que também palestrou no TEDx Amazônia e foi o autor do convite para que Zé Cláudio falasse lá, escreveu uma excelente matéria na Carta Capital sobre os últimos momentos do casal. Vale a pena ler e lembrar disso na próxima vez que formos comprar madeira.

http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/os-ultimos-momentos

3 Comentários

Arquivado em Interdependência, Sustentabilidade

3 Respostas para “Tempos de barbárie

  1. Fábio Rodrigues

    Ele é um dos que, infelizmente, ficamos sabendo. Não temos como saber dos outros milhares que morrem por atrapalhar estes madereiros gananciosos. O que será agora com o novo código florestal?

  2. Sem dúvidas… Não sei como ficará com o novo código florestal. O governo tem buscado fazer reuniões sobre isso, mas quero ver como se transformará em ação. Parte das pessoas destes acampamentos vive sem telefone, em plena era da internet! É quase inconcebível esta situação. Joga contra o Brasil que estamos querendo construir, como nova potência mundial. Temos um longo caminho… Abraço

  3. Pingback: Amazônia tóxica, o documentário | A Ficha Caiu

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