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Duas visões de mundo

Há uns meses, encontrei o blog do Jonathan Harris, um lugar onde ele colocava uma foto por dia antes de dormir. Eram fotos aleatórias, do seu cotidiano. Ele diz que começou a fazer quando fez 30 anos, como uma maneira de capturar a memória. Passei a seguir suas fotos e não raro me deliciava com a qualidade do material, altamente inspirador. Ainda mais quando vinha seguido de alguns textos. Até que um dia, no lugar da foto, ele enviou um e-mail, dizendo que o projeto tinha acabado.

Hoje, vi o vídeo abaixo, com as fotos em sequência, acompanhadas de comentários de Harris. Em determinado momento, ele diz que o projeto estava dominando sua vida, quando era para ser o contrário. E aí, ele parou. Interessante saber como ele percebeu a hora de parar. Nem sempre percebemos quando esta hora chega. Os atletas mais bem-sucedidos param no auge. Como fez Pelé. Alguns, como Schumacher, param, mas resolvem voltar, para não ser nem sombra do que eram. Outros, param antes da hora. E voltam para arrebentar, como fez Kelly Slater no surfe, que depois de voltar ainda foi campeão mais duas vezes, tornando-se o único surfista decacampeão da história, muito a frente de qualquer outro competidor.

No video abaixo, Harris mostra que parou no auge e as imagens dele, com a vida do dia-a-dia, inspiram para o famoso Carpe Diem. Aproveite o momento e aprecie 8 minutos com imagens de um ano de vida de um artista de mão cheia.

E se isto não for o suficiente para inspirar, que tal este time lapse estelar, filmado na semana passada (entre 4 e 11 de abril) na montanha mais alta da Espanha? O lugar chama-se El Teide, um dos melhores do mundo para fotografar estrelas. O autor deste filme magnífico chama-se Terje Sorgjerd. Aproveite e reflita sobre o lugar maravilhoso em que vivemos! A vida é bela. Só tem que parar e apreciar de vez em quando! 😉

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Exploro, logo existo

E a National Geographic sempre enchendo os olhos e a alma com ângulos incríveis do mundo.

Essa foi dica da Gabriela Werner, no blog Eudaimonia . O video abaixo é da nova campanha do NatGeo, absolutamente inspirador. O texto está em inglês e aqui vai uma tradução livre:

É de um cartesianismo exploratório. Um “penso, logo existo” com alguns passos no meio. Como qualquer show da National Geographic. Os criadores desta obra de arte conseguiram transformar verbos em filosofia visual.  Exploro, logo existo…

Vale a pena ver o filme e a tradução logo abaixo.

(Minha ideia era colocar o filme aqui mesmo, mas estou apanhando feio para conseguir “embeddar” filmes aqui no WordPress. Se alguém tiver uma dica…)

http://channel.nationalgeographic.com/channel/live-curious

Se você é, você respira.

Se você respira, você fala.

Se você fala, você pergunta.

Se você pergunta, você pensa.

Se você pensa, você procura.

Se você procura, você experimenta.

Se você experimenta, você aprende.

Se você aprende, você cresce.

Se você cresce, você deseja.

Se você deseja, você encontra.

Se você encontra, você questiona.

Se você questiona, você entende.

Se você entende, você sabe.

Se vocês sabe, você quer saber ainda mais.

E se você quer saber ainda mais, você está vivo!

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Poluição: nuvem negra na cabeça de 15 milhões de paulistanos

Acordei razoavelmente cedo hoje e não pude escapar de registrar essa cena. A poluição de São Paulo é algo com o qual nos acostumamos, mas que é extremamente danosa para a saúde. No TEDxSP, em uma das palestra mais inspiradas, o cientista Paulo Saldiva falou sobre o absurdo de a poluição não ser considerada um caso de saúde pública (leia mais aqui). Segundo ele, morrem por ano na capital paulista cerca de 1000 pessoas em função da AIDS, 500 por tuberculose e – pasmem – 4 000 pessoas por conta da poluição! E a poluição, isso é o pior, não é tratada como problema de saúde.

Com  uma foto como essa, é impossível não ficar chocado. A massa cinza chumbo é uma verdadeira nuvem negra na cabeça de cerca de 15 milhões de pessoas. Tanto já virou rotina, que meu filho de 5 anos saiu correndo da cama, me perguntando: “Pai, deixa eu ver a foto da poluição.”

É por causa disso que me nego a comprar um segundo carro para a família.  Enquanto for possível evitar, farei minha parte para não contribuir com essa poluição e com o trânsito infernal. São Paulo pode e precisa ser melhor. Será que a tecnologia automotiva e o investimento no transporte público vai permitir isso?

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Paredes e vitrines de San Francisco

São Francisco

Com câmera nova na mão, fiz algo que gosto muito, mas que raramente acho tempo para fazer: tirar fotos erraticamente por cidades.

Em São Francisco, consegui explorar dois bairros dessa maneira, Mission, comunidade de latinos (preciso confessar que me senti em casa com a bagunça e com as pessoas cruzando olhares!) e Nob Hill, bairro que começou a receber os ricos da cidade depois que o bondinho (cable car) ficou pronto.

As máscaras de bruxas estavam em toda a parte, assim como as pinturas na parede. No bairro Mission, principalmente. Muitas mensagens de sustentabilidade, ecologia e consumo local, reforçando a fama progressista da cidade. E até pinturas no chão, retratando o cosmopolitanismo de uma cidade nem tão grande assim, cerca de 800 000 habitantes, sem contar as cidades satélites.

São Francisco recebe de braços abertos.

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São Francisco, bege e outras

Tirava a foto e algo estava estranho. Os tons eram sempre de bege. Mexi na luz, mexi na lente e mexi na câmera. Continuou estranho. E não poderia ser diferente. Vista de Mission Dolores Park, San Francisco é bege. Uma cidade grande, bege. E não cinza.

São Francisco, cidade grande e bege

E também azul, para pássaros equilibristas.

Passáros equilibristas em 25th St, São Francisco

E também de cores quentes do pôr-do-sol.

Pôr do sol no Pier 39, São Francisco

E do prata da lua também.

Lua nascendo no Pier 39, São Francisco

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Quem nasceu para Rio de Janeiro pode virar Costa Amalfitana?

Rio de Janeiro algum dia pode virar a Costa Amalfitana?

Quando pisei em Positano, em 2002, foi impossível não lembrar das favelas do Rio de Janeiro. Lembro direitinho de ter brincado com minha esposa dizendo que aquilo ali não era muito diferente do Rio de Janeiro, só mais chic. Casas penduradas em uma encosta à beira mar, uma colada na outra, pequenas ruelas servindo de ruas. É ou não é uma descrição que lembra as favelas do Rio? Com um pouco de boa vontade e um banho de IDH, não poderia o Rio virar um pedaço do mediterrâneo em solos tropicais? No meio desta semana tive a sensação de que essas ideias não eram delírios só meus.

Não, teve alguém que foi mais a fundo nessa ideia maluca. O nome dele é Rolf Glaser, um empresário alemão, que colocou R$ 1,1 milhão de reais na ideia de transformar o Rio em Positano! A matéria que conta a história dele no Estadão fala de sonhos de banho de IDH, mas entregue um belo balde de água fria. Esbarrou na burocracia, na falta de vontade, em obstáculos intransponíveis. A frase dele é melancólica: “Perdi muito dinheiro. A prefeitura fez uma série de exigências e inviabilizou o negócio. Acho que algumas pessoas não gostam da favela, mas também não querem fazer nada para mudar a comunidade”, avaliou Rolf.

O alemão sonhou grande e morreu longe da praia. Foi embora para a Alemanha. Detalhe que está perdida em um canto da matéria: Positano já foi uma região pobre, resgatada com investimentos privados.

Quanto teremos de coragem, audácia e vontade de mudar para fazer o Rio de Janeiro diferente, melhor, até 2016. É um sonho ou um delírio?

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Dia perfeito em Padang-Padang

Dia desses encontrei o trabalho genial de um cara chamado Jonathan Harris. O site é chamado número 27. Diz que tem esse nome porque é um número importante para a família.

O sujeito trabalho com projetos que ‘reimaginam’ o que as pessoas podem fazer com as máquinas e vice-versa. Mas o mais legal do site é a foto diária que ele publica. Gostei do formato e vou fazer aqui, devagar, com uma foto semanal, já que não tenho tanto tempo assim!

Dia perfeito
Dia perfeito em Padang-Padang, Bali, 2000

Essa foto foi tirada em um dia perfeito entre os 6o que fiquei na Indonésia, em 2000. A viagem uma janela mágica que se abriu entre dois empregos e que não deixei passar! Não há um dia desde então (sem exagero!) que eu não tenha alguma referência, alguma lembrança a essa aventura no outro lado do mundo.

Essa foto representa nas minhas memórias o que mais próximo se pode chegar perto da onda perfeita (lembrando que nunca existe a onda perfeita — ela é sempre a próxima!). Esse lugar fica na parte sul da ilha de Bali. Chama-se Padang-Padang. Quer dizer algo próximo à “grama” e tem a palavra repetida como em muitos vocábulos balineses. A foto foi tirada com uma lente de 300 mm a partir de um Warung — barracas típicas, construídas com madeira e palha que são onipresentes nas areias da do sudeste asiático. Fazem às vezes de bar e local de descanso. Desse Warung, em Padang-Padang, se pode pode ver uma das ondas mais perfeitas do mundo. Lembro desse dia, de tempo bom, água quente, excelentes ondas e cheio de amigos por perto. O que mais um surfista pode querer?

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