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Uma playlist de TED Talks sobre redes

No final do ano passado dei uma aula sobre o movimento do TED e do TEDx no mundo num curso sobre redes. Preparei uma lista de 10 TED talks para a turma. Compartilho aqui:

Clay Shirky: Institutions vs. collaboration – http://www.ted.com/talks/clay_shirky_on_institutions_versus_collaboration.html

Misha Glenny investigates global crime networks

Nicholas Christakis: The hidden influence of social networks

Nicholas Christakis: How social networks predict epidemics

Sugata Mitra

Mitchell Besser: Mothers helping mothers fight HIV

Melinda French Gates: What nonprofits can learn from Coca-Cola

Ethan Zuckerman: Listening to global voices

Sebastian Seung: I am my connectome

Thomas Thwaites: How I built a toaster — from scratch

Sherry Turkle: Connected, but alone?

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Procura-se palestrantes para o TED2013

Agora, você pode ser um palestrante do TED2013. Veja como!

E o TED, inspirado no fenômeno dos TEDx pelo mundo, dá um novo passo na missão de projetar pessoas e trabalhos incríveis via ideias que merecem ser espalhadas. Entre abril e junho de 2012, os curadores do TED farão uma busca mundial por possíveis palestrantes que possam se somar às mais de 1000 palestras que já estão disponíveis gratuitamente no site www.ted.com e que já foram  vistas mais de 400 milhões de vezes pelo mundo todo.

A ideia é garimpar em diferentes e inesperados lugares do planeta gente que tenha algo relevante para contar ao mundo. Para isso, serão feitas audições em 14 cidades do mundo, inclusive em São Paulo, a única localidade na América Latina.

Nestas 14 cidades (Doha, Londres, Joanesburgo, Nairobi, Tunis, Shangai, Bangalore, Seoul, Sydney, Tokyo, Vancouver, Nova Iorque, São Paulo e Amsterdã, pela ordem), os organizadores selecionarão os melhores candidatos para fazerem palestras de até 18 minutos no TED2013, em Long Beach, na Califórnia. O tema da conferência será: “The Young. The Wise. The Undiscovered”.

A audição do TED em São Paulo acontecerá no dia 11 de junho, em local ainda não definido. As inscrições para os participantes a serem escolhidos pelo TED ocorrerão entre os dias 3 e 23 de abril através de uma plataforma online. Os participantes poderão adicionar vídeos que mostrem por quê devem ser escolhidos para as palestras nas cidades. A partir das inscrições, serão escolhidos pelos organizadores até 30 palestrantes para participar da etapa de São Paulo. Todas as falas da audição serão gravadas e alguns dos vídeos poderão até ser publicados no site do TED (www.ted.com).

As palestras deverão ser feitas em inglês e em um período de no mínimo 3 e no máximo 6 minutos. A palestra a ser dada no TED 2013, no entanto, poderá ser ministrada em até 18 minutos. Todos os custos de viagem, hospedagem e alimentação dos vencedores será coberto pelo TED.

O TED está procurando pessoas que possam se destacar nos seguintes tópicos:

  • O Inventor: que divida uma invenção com potencial para mudar o mundo
  • O professor: que divida conhecimento de maneira memorável para jovens ou adultos
  • O prodígio: jovem talento pronto para emergir
  • O artista: que possa mostrar seu trabalho de uma forma completamente diferente
  • O performista – música, dança, comédia, drama… ou algo totalmente diferente
  • O sábio –  a sabedoria que o mundo precisa por aqueles que aprenderam do jeito mais difícil
  • O entusiasta: com paixão contagiosa pelo tópico que escolher falar
  • O agente de mudanças: que ajude a moldar o mundo com um trabalho que realmente importa
  • O contador de histórias: intenso, original e significativo… com um talento para se conectar
  • O que despertará a faísca para mudança: com uma ideia poderosa que valha a pena espalhar

Procura-se gente nova: os candidatos não podem ter participado em alguma conferência do TED ou ter seu vídeo publicado no TED.com.

Esta é uma excelente chance de pessoas incríveis poderem mostrar seu trabalho para o  mundo. Você pode ajudar espalhando esta boa nova e ajudando a encontrar possiveis palestrantes. Aguarde mais informações e prepare-se para ajudar a montar o programa do TED2013 com suas indicações!

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Os mais acessados de 2011

Pegaram até o Bin Laden em 2011

Parecia que não ia, mas 2011 acabou. O último mês foi incrivelmente intenso, não deu nem tempo de atualizar o blog. Mas para não deixar a tradição morrer, aqui vão os 20 post mais acessados de 2011. (Gostei do resultado final – a maioria dos mais vistos acessados são temas que fazem cumprir o objetivo deste blog, que é discutir assuntos relevantes e que podem impactar a maneira como vivemos no mundo. E já são mais de 53 000 acessos!).

Então, aí vai.

Top 10 de 2011

1. Gerar mais valor para os acionistas ou jogar mais bola com a gurizada?

2. A era da transparência – o novo Renascimento

3. 10 coisas que aprendi com o mar

4. O único lugar do mundo onde é ruim ter metrô

5. “Imagine se…”: o melhor do TED 2011 – parte 1

6. De onde vem tanta safadeza? Da moral de cuecas…

7. A superpotência do amor

8. O futuros dos TEDx

9. Transparência e diálogo: tendências do TED2011

10. É preciso saber cuidar

Hors concours

E aqui vão alguns posts que não foram publicados em 2011 mas estiveram entre os mais acessados (na verdade, os dois mais acessados de 2011).

A baleia Orca e a falta que faz a liberdade

Entenda o impacto da construção da usina de Belo Monte

 

Feliz 2012 para todos!

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Ray Anderson e o Monte Sustentabilidade

Por muitos anos, repetimos no trabalho trechos do filme The Corporation, com o CEO da Interface Ray Anderson falando sobre seu desafio de tornar a empresa  totalmente sustentável até 2020. Uma bela de uma utopia. Daquelas positivas, mobilizadoras. A fala dele costumava estimular executivos do banco em que eu trabalhava e também de clientes que participavam dos treinamentos de sustentabilidade. Com a voz mansa, mas cheia de firmeza, Ray Anderson criou alguns gestos e frases que ficaram imortalizados no imaginário de quem lida com o movimento de sustentabilidade nas empresas.

Na segunda-feira passada, ele faleceu, depois de lutar por um bom tempo contra um câncer. Deixa um belo legado de transformação empresarial e o exemplo para quem quiser praticar. Está tudo contado nos livros abaixo:

Product Details

Product Details

Product Details

Ray Anderson também fez uma palestra no TED, que resume bem sua visão.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=iP9QF_lBOyA]

No site da Ideia Sustentável, há um bom texto sobre quem foi Ray Anderson.

Segue um parágrafo:

“Impactado pela demanda dos clientes e pelo contundente ideário verde de Hawken, Anderson decidiu, pouco antes de sua empresa completar 21 anos, que a partir daquele momento a InterfaceFlor só “tomaria da Terra o que fosse natural e rapidamente renovável”. Como resultado desse desafio, gestou-se o projeto chamado Missão Zero, que prevê eliminar os impactos ambientais até 2020. “Quatorze anos atrás, quando ousei descrever a alguns amigos as aspirações que me motivavam a construir o modelo de empresa que tenho hoje, ouvi que eram impossíveis de ser realizadas. O impossível hoje se traduz no uso altamente eficaz do petróleo (energia e matéria-prima) para a fabricação do carpete, com redução de 88%, em toneladas absolutas, nas emissões de gases de efeito estufa e de 80% no uso de água, em relação a 1996. Fizemos tudo isso num contexto de aumento de dois terços nas vendas e 100% no faturamento”, afirmou o chairman da InterfaceFlor, empresa com 4.000 empregados e atuação em 110 países.

Os números da InterfaceFlor comprovam que ser sustentável é um bom negócio. A iniciativa de eliminar resíduos, sozinha, proporcionou à companhia uma economia de custos da ordem de U$ 372 milhões em 13 anos, quantia suficiente para cobrir todos os investimentos feitos no esforço de implantar a nova missão verde da empresa. Cerca de 42% de fumaça e 81% de efluentes foram evitados em virtude de mudanças de processos. E ainda 133 milhões de libras de produtos usados e coletados no end-of-life acabaram reciclados em carpete novo. Mais de 20% das matérias-primas provêm de fontes renováveis, recicladas ou biomateriais (a meta é 100% até 2020), a energia derivada de combustíveis fósseis foi reduzida em 55% e seis das 11 fábricas já operam com 100% de eletricidade gerada a partir de fontes renováveis (solar, eólica, geotérmica e de biomassa).”

Descanse em paz, Ray Anderson, e obrigado por toda a inspiração.

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A era da transparência – o novo Renascimento



Transparência não é só no mar do Oceano Índico (Bali, Indonesia, foto by Rodrigo)

O tema da transparência está em alta hoje, mas ele não é nenhuma novidade como organização da sociedade. Na semana passada, falei sobre isso no TEDx Laçador, em Porto Alegre. Abaixo, as ideias que apresentei, com links e referências para quem quiser se aprofundar.

O exemplo mais antigo registrado de transparência como instrumento de organização vem de Atenas, que criou o modelo de organização democrática que vivemos e valorizamos (em boa parte do mundo) hoje. A civilização grega tinha em Atenas a representação direta de todos os cidadãos livres (não contavam escravos e mulheres). Com esta configuração, havia um nível de transparência com os fundos públicos que dificilmente encontramos hoje. Todos as principais figuras públicas tinham as contas abertas e se sabia exatamente quanto ganhavam para que não se beneficiassem de suas posições.

Atenas: modelo de democracia

Com a queda da civilização grega e conseqüente avanço da Igreja e feudalismo, esta experiência se perdeu. Dando um salto na história, o reconhecimento do papel do indíviduo voltou a ganhar força com o renascimento e com a visão de pensadores como Thomas Hobbes. Hobbes lembrou que o homem é o lobo do homem e que para viver bem em sociedade, as pessoas precisavam tranferir parte de suas liberdades individuais para um ente soberano, o Estado, que controla e regula os limites individuais. A busca da ordem para evitar a guerra. O amigo de Hobbes, nas tiras de Bill Waterson, é o menino Calvin. O reformador religioso João Calvino falava da depravação do homem, que está naturalmente inclinado a fazer o mal para o próximo e que só encontraria salvação em Deus. Em ambos casos, uma abdicação das liberdades individuais em prol do bem comum, provido por alguém. (Em Calvin e Hobbes, Watterson brinca com um menino Calvin em estado natural – rebelde, ousado, contestador – e seu amigo imaginário Hobbes (o tigre Haroldo, em má tradução) o traz à realidade da vida em sociedade todo o tempo).

Calvin, Hobbes e o Contrato Social

Da representatividade direta na mundo grego para a representação política no renascimento e nos Estados-Nação, estamos presenciando agora um momento de síntese. O poder individual no coletivo cibernético. A era da transparência fortalecida pelas vontades e possibilidades individuais.

O mundo que vivemos hoje apresenta uma descomunal miríade de possibilidades, como na imagem abaixo, ainda pré Twitter, Facebook, Tumblr, blogs etc.

E de mensagens também. Há estudos que dizem que cada pessoas recebe em média 3 000 mensagens publicitárias por dia. Outros falam em 800. E alguns falam em 1500, que é a média. Podemos ficar com esta média.

Com tanta informação e exposição, as pessoas ainda estão aprendendo a usar ferramentas.

Alguns ainda não perceberam que qualquer coisa que está sendo dita, pode estar sendo gravada. Frequentemente, temos casos de gafes de homens públicos e alguns corruptos pegos em pleno ato, como a vergonhosa história do dinheiro na cueca e outras recentes.

Em função da novidade do tema, há a discussão dos limites entre transparência e privacidade. Já está surgindo inclusive a expressão Tirania da Transparência. Pode ser que isso um dia venha até a acontecer, mas acho que o que o movimento que estamos vivenciando agora é o da Transparência da Tirania.

É o que fica explícito quando, por exemplo, o governo egípcio derrubou a internet para tentar esconder os protestos que estavam ganhando o país. Foi tarde demais e pegou mal. Muito mal. O estrago já estava feito. De Mahalla, uma cidade no interior do Egito, os protestos começaram a se espalhar pelo país via YouTube, Twitter etc. Em pouco tempo, tornaram-se muito forte e irreversíveis. Deu no que deu, o governo caiu e o Egito se tornou o segundo caso de uma revolução Árabe bem-sucedida no início do século 21.

 

O governo egípcio achou que ia acabar com a revolução derrubando a internet

O primeiro caso recente de revolução Árabe que terminou em queda no governo foi na Tunísia. Alguns atribuem à insurgência na tunísia às revelações dos conteúdos explosivos dos telegramas diplomáticos americanos. Indignados com o que descobriram via Wikileaks, os árabes se organizaram e derrubaram outro governo. Neste momento, Líbia e Bahrein estão conflagrados e outros países emitiram sinais de alerta, preocupados com a dimensão dos protestos.

Há quem diga que a internet teve papel não muito relevante em todos estes protestos. Ouso dizer que sim. Teve um papel de catalisar estes eventos e de fazê-los se disseminarem rapidamente pela sociedade.

Assim como o Wikileaks teve o papel de catalisar e colocar em outro nível a discussão sobre a transparência. Até onde queremos ser transparentes? Sugiro fazermos uma reflexão entre o que é de interesse público ou de interesse de alguns.

Esta informação é útil para melhorar a sociedade? Se ela não for publicada, dá para explicar porque ela não foi publicada? Enfim, ter transparência sobre a falta de transparência como falou com genialidade Thimothy Garton Ash em artigo recente.

Afinal, ninguém quer falsa transparência (como nas imagens abaixo, em uma moda de gosto discutível)… Principalmente, porque transparência é uma oportunidade de fazer melhor, de compartilhar problemas, dilemas, jeito de fazer.

 

Falsa transparência...

Junte a isso o conceito de Data Visualization e temos um poder enorme de ver possibilidades e impactos. Vejam este gráfico do jornalista David McCandless no site Information is Beautiful. Aí estão valores como os gastos americanos com defesa, o tamanho do mercado farmacêutico global, o valor gasto na guerra contras as drogas, o valor de mercado da Apple, Google etc.

E tudo isso é igual a: o valor das perdas da crise financeira internacional.

Outro exemplo sobre nosso impacto no mundo e o trajeto percorrido pelo lixo, do MIT SenseableCity Lab, que mede a interação das pessoas com o ambiente via aparelhos digitais, como câmeras, chips, smartphones. Veja como o lixo anda pelos Estados Unidos, com impactos ambientais.

 

O caminho do lixo desde Oregon, EUA

A visualização e a transparência nos ajudam a enxergar outras questões. Por exemplo, uma das grandes causas de engarrafamentos talvez não seja a grande quantidade de carros ou a falta de estradas, mas os grandes deslocamentos que as pessoas fazem para trabalhar hoje. Este gráfico abaixo da revista Good mostra a dispersão das moradias em torno de regiões metropolitanas. Grandes deslocamentos talvez sejam a causa principal. Sabendo disso, é possível atacar as causas certas dos problemas.

A transparência pode ser uma grande ferramenta para as cidades. A Rede Nossa São Paulo vem tentando criar um espaço de discussão e acompanhamento do progresso da cidade em relação a indicadores sociais, ambientais e econômicos, com a apresentação de propostas.

Como a cidade está indo? Sem saber disso, não é possível melhorar.

Por isso, algumas cidades como Amsterdam, Dublin, Cidade do Cabo, Atlanta, estão criando relatórios de sustentabiidade, o melhor exemplo do que pode ser feito com a transparência na gestão de uma cidade.

Dados disponíveis e mensuráveis para todos. A democracia da informação.

As pessoas estão tomando a frente destes movimentos, criando, independente de governos, espaços para discussão, transparentes e abertos. São embrionários, mas mostram uma tendência de organização.

Ninguém precisa esperar pelos governos, cada um pode fazer a sua parte e até ajudar os governos a caminharem mais rapidamente na busca pela transparência.

Temos o exemplo do Cidade Democrática, baseado em Sao Paulo, mas disponível para qualquer cidade no país e o PortoAlegre.cc., que apresentam oportunidades de melhorias para as cidades.

Da Índia, vem um exemplo ainda mais radical, o I Paid a Bribe. Cada pessoa pode entrar no site e dizer anonimamente quanto e para quem pagou determinada propina, expondo, dando transparência ao tamanho da corrupção e onde ela acontece.

O mapa da corrupção na Índia, feito pelas vítimas

Mais exemplos que partiram de iniciativas dos consumidores. No site comacomosolhos, o autor compra comidas anunciadas e compara a foto da propaganda com a foto do produto comprado. Uma diferença e tanto (exemplo abaixo)!

Imagem e semelhança

E no ano passado um músico americano mal atendido por uma companhia aérea, a United Airlines, que não quis pagar o violão que havia quebrado durante o transporte. O cantor criou o hit United Breaks Guitars, uma música que teve 10 milhões de acessos até agora! É claro que a companhia foi atrás dele para tentar resolver a questão.

É a era da transparência e democratização da informacão, com um potencial enorme de transformar para melhor a sociedade.

Vamos lá: ninguém está falando aqui do mundo de Pollyanna, ingenuamente otimista, que tudo será melhor com transparência absoluta. Os interesses e a necessidade de sobrevivência são inerentes à natureza humana. Isso sempre existirá.

Mas o que existe agora é uma intolerância maior à mentira, a agendas ocultas e de mão única. Empresas estão falindo, governos estão caindo e pessoas estão cada vez mais poderosas, como na brilhante charge abaixo, de Emad Hajjaj

O poder na mão das pessoas, charge de Emad Hajjaj

Há segredos e há transparência.

A BP (British Petroleum) há pouco tempo pagou caro por querer esconder a informação do vazamento no Golfo do México, que contaminou uma área 1500 quilômetros quadrados. Mais do que o problema, a postura da empresa ao tratar do vazamento, escondendo informação, virou contra. A BP gastou 3 bilhões de dólares para tratar o vazamento e perdeu cerca de metade de seu valor de mercado. Simplesmente porque em uma economia de mercado, livre, transparente, o preço da mentira pode custar caro…

A democracia como conhecemos hoje, um modelo baseado na transparência, demorou milhares de anos para chegar no formato atual, ainda cheio de imperfeições. E justamente por não vivermos num mundo de Pollyanna, precisamos de controles, de regulação. O homem é o lobo do homem, lembrou bem Thomas Hobbes. O nosso contrato social precisa de transparência.

Ainda mais neste momento em que a disseminação de informações avança rapidamente. O mundo da transparência chegou, queira-se ou não.

A era da transparência veio para ficar

O governo britânico, por exemplo, criou a seção transparência no seu website, uma das cinco nas quais o site está dividido. Lá estão valores de contratos, quem faz o quê no governo (e quanto ganha!) e há até a agenda diária dos principais governantes. No site, o governo britânico diz que sua missão é ser o governo mais aberto e transparente do mundo.

Por curiosidade, procurei a palavra Transparência em nossa Constituição. Sabe quantas vezes ela aparece por lá? ZERO! Sim, temos algumas iniciativas, como o Portal da Transparência. A ideia é boa é bem-vinda, mas o acesso ao site é ruim, truncado. Falta datavisualização para ajudar na disseminação da transparência.

Ainda temos muito o que avançar. Mais transparência siginifica uma sociedade mais justa e inclusiva. Ninguém quer o mundo de aparências do Show de Truman. Queremos transparência!

O mundo das aparências do Show de Truman

Indíviduo poderoso, mas parte de um todo. É uma evolução das visões da democracia ateniense e do fortalecimento do Estado. Podemos chamar de Sociedade do Conhecimento, era da Transparência, de Interdependência. Ou talvez a gente possa chamar de um novo Renascimento (pegando emprestada a frase do meu amigo Oswaldo Pepe), uma época única na história da humanidade. Uma era na qual temos o privilégio de viver e agir. A mudança – mais do que nunca – está em nossas mãos.

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A verdade da internet

Passei a mensagem abaixo para alguns amigos. Nem todos entenderam. Quem não tinha Twitter ou Facebook, não pescou a piada. Então, aí vai para aqueles que em algum momento já se acharam isso e já desenvolveram o senso de noção! (risos)

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Os movimentos avançam mais rápido com a internet

Internet foi útil para a revolução no Egito

Recentemente, o brilhante jornalista Malcolm Gladwell, autor de Blink e Outliers, escreveu no blog da revista New Yorker dizendo que o Twitter e Facebook foram menos importantes na revolução do Egito do que se faz crer. Gladwell escreveu um parágrafo que é de encher os olhos dos românticos que acham que revolução de verdade eram aquelas que aconteceram na Europa por mobilizações espontâneas, como a turma que derrubou o muro de Berlim ou antes disso o pessoal da Revolução Francesa. Ninguém vai desmerecer o fato e a importância dos movimentos e que isso se deu sem telefone ou Facebook e mesmo assim fizeram a revolução.

Mas discordo que no Egito o fato menos importante de tudo é o quanto as pessoas que estavam na rua foram ou não mobilizados por alguma rede social.

Right now there are protests in Egypt that look like they might bring down the government. There are a thousand important things that can be said about their origins and implications: as I wrote last fall in The New Yorker, “high risk” social activism requires deep roots and strong ties. But surely the least interesting fact about them is that some of the protesters may (or may not) have at one point or another employed some of the tools of the new media to communicate with one another. Please. People protested and brought down governments before Facebook was invented. They did it before the Internet came along. Barely anyone in East Germany in the nineteen-eighties had a phone—and they ended up with hundreds of thousands of people in central Leipzig and brought down a regime that we all thought would last another hundred years—and in the French Revolution the crowd in the streets spoke to one another with that strange, today largely unknown instrument known as the human voice. People with a grievance will always find ways to communicate with each other. How they choose to do it is less interesting, in the end, than why they were driven to do it in the first place.

Brian Solis, um expert em redes sociais e relações públicas, autor do livro Engage, argumentou que Gladwell perdeu o ponto da discussão. Para Solis, o que está por trás do uso das redes sociais neste momento é o poder de ativação. E nisso eu concordo mais com ele do que com Gladwell.

O fato de as pessoas estarem em contato constante umas com as outras sem dúvidas nenhuma ajuda um movimento a ganhar força rapidamente. Há pensadores argumentando que se não fosse pelo fato de que há crise econômica no Egito, ninguém se mobilizaria para sair às ruas para derrubar um ditador. Ok, mas vamos juntar então a insatisfação pela crise econômica, com a velocidade de tráfego de informação com a abertura ao mundo exterior e ver o que acontece: mobilizações potencializadas pela velocidade. Queiram ou não os regimes, as pessoas sabem na velocidade da luz que há uma crise no país vizinho (como a população do Egito soube da revolução na Tunísia).

Queda do acesso na internet no Egito. Fonte: NY Times

Verdade seja dita que os governos não ignoram mais esse poder. Ou o Egito não teria derrubado a internet do país na vã tentativa de estancar o descontentamente que já havia vazado do mundo online para o real (que no fundo, hoje, já são na grande maioria dos casos a mesma coisa). Também a China não teria proibido a busca pela palavra Egito nas ferramentas de busca que aos trancos e barrancos funcionam no país (o Google ameaçou deixar a China, lembram?).

Também por saberem deste potencial, os ditadores podem usar as ferramentas sociais ao seu favor. Na Síria, Bielo-Rússia e Irã, o governo está perseguindo ativistas pelo que eles dizem nos seus perfis no Facebook, Twitter ou qualquer outro. É o outro lado da moeda. Você tem liberdade para se expressar, mas saiba que alguém do outro lado está lendo. Scott Shane escreveu no NY Times sobre isso e o Estadão reproduziu aqui.

O ponto em questão é o quanto as possibilidades de informação se expandem e como se faz importante saber o potencial que oferecem. E aqui vale falar da teoria dos laços fracos, de Mark Granovetter. Os laços fortes são aquelas pessoas que você conhece muito bem e os laços fracos são representados por aquele colega de trabalho que você encontra de vez em quando em uma reunião ou mesmo um ex-colega de escola. Pois bem, as ferramentas sociais de mais sucesso hoje são Facebook, Orkut, MySpace, Twitter etc, porque se apóiam nos laços fracos.

A lógica é a seguinte: os laços fortes pensam exatamente como você, têm os mesmos interesses, portanto, não agregam muito valor sob o ponto de vista do conhecimento. Já os laços fracos têm um incrível potencial de agregar mais conhecimento, assim como o de ampliar a disseminação de qualquer mensagem. Exemplo: quão poderosa e importante para a sensação de que está dando certo um movimento a distribuição de um video destes pela internet, sem filtros, sem interferência do governo, apoiada na distribuição via laços fracos?

Os laços fracos catalisam movimentos à medida que ajudam a disseminar informações mais rapidamente. Aumentam o potencial de qualquer ideia, tema ou projeto. Iniciativas como Kiva e Kickstarter se apóiam nisso para dar visibilidade e viabilidade a projetos do mundo inteiro financiados por pessoas do mundo inteiro.

E, sem dúvidas, tem o potencial de causar terremotos políticos e até de derrubar governos linha-dura que limitam a liberdade (e portanto o potencial) de milhares de pessoas. O video abaixo é um exemplo primoroso da manifestação desta vontade de liberdade.

Tá, pode ser que o Twitter e o Facebook não tenham sido cruciais nestas mobilizações, mas o fato é que minimizar — ou tentar ridicularizar — o seu efeito se presta a duas coisas, na minha opinião: 1) criar polêmica e 2) criar polêmica. Não consigo acreditar que alguém com o calibre intelectual de Gladwell não queira aceitar os efeitos da sociedade conectada em rede.

A pergunta está na direção errada. Não deveria ser se o Egito precisa de Twitter. Mas quando o Twitter e outros ajudaram a disseminar a mensagem de modo mais veloz entre a sociedade.

(Atualização – 10/02/11)

O Estadão de hoje publicou artigo de Thimothy Phelps, do Los Angeles Times, lembrando o quanto as redes foram importantes em 2008, nas raízes do movimento que se alastrou pelo Egito.)

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