Arquivo da tag: Cinema

A sacola plástica e a vida na Terra

Nós e as sacolas plásticas

Como as indústrias de tabaco e madeireira, que despertam muitos sentimentos negativos na sociedade e nos consumidores, a indústria plástica está prestes a se tornar o próximo alvo (se já não se tornou…). Não faltam campanhas com o objetivo de desqualificar o seu uso, lembrando dos terríveis impactos que causam para o meio-ambiente. Só para lembrar, uma sacola plástica pode levar até 500 anos para se decompor. Já há tentativas de produzir o plástico biodegradável (ainda não ouvi nenhuma recomendação positiva sobre isso, se alguém souber favor avisar) e até o esforço da associação de indústrias plásticas de lembrar o valor das sacolinhas.

É inegável a praticidade que trouxeram ao dia-a-dia. Ainda lembro de ir ao supermercado e voltar com as compras em sacolas de papel. Aposto que nenhum Geração Y (como são conhecidas as pessoas nascidas na década de 80 – ou millennials em outra abordagem) lembra disso. Mas também lembro de minha mãe usando carrinho de feira para trazer aquelas coisas que não se podia transportar nas sacolas de papel, como objetos de geladeira, que molhavam o papelão e faziam todas as compras caírem no chão.

Como tudo na vida, a sacola plástica tem seu lado positivo e negativo. O problema é o excesso. Uso em excesso neste caso… A já famosa mancha de plástico no Oceano Pacífico é dar medo. Ainda não vi nenhuma foto sobre isso, parece uma lenda urbana, mas os estudos confirmam que existem. Afinal, para onde iriam as sacolas plásticas. Os balões, feitos de plástico, vão para um lugar idílico (veja aqui).

Já as sacolas, vão para o seu próprio paraíso. A grande mancha plástica do pacífico… Como conta, em tom épico, este vídeo produzido pela ONG Heal the Bay, na Califórnia, onde se utilizam 19 bilhões de sacolas plásticas por ano.

Esta outra versão apresenta um filme que é parte da série FutureStates, feita de 11 mini-ficções que exploram cenários hipotéticos para o nosso futuro por meio da lente da realidade hoje. É uma biografia da sacola plástica. De dar dó. A sacola humanizada, falando em inglês, com sotaque estrangeiro (voz de Werner Herzog), procurando o seu genitor (maker). Quase uma andróide de Blade Runner, buscando sentido para a vida… Coitada.

Mais impactante que isso só a cena da sacola rodando no vazio, no belíssimo “Beleza Americana”:

Não há mensagem aparente na versão do diretor Sam Mendes, do vencedor do Oscar Beleza Americana. Só aquela que a poesia consegue entregar. Lúgubre. Melancólica. Existencial.

Pausa. Corta para a Plastivida. Tentando mostrar a importância da sacola plástica.

Pense no lixo da sua cozinha. Para onde ele vai depois que entra no saco plástico? Pouca gente sabe. Pouca gente se preocupa com isso. Poucos têm tempo para fazer compostagem de lixo ou mesmo para ir até o “ecoponto” mais próximo reciclar o lixo. É mais fácil ser contra a sacola. E não estou aqui para criticar, querer banir o uso da sacola plástica. É, sim, algo para se preocupar. Mas ainda está longe o dia que vou deixar de usar sacolas plásticas. Recuso-as no supermercado, onde quer que eu vá. Levo sacolas de lona (que estão quase ficando chics), mas ainda é pouco perto do problema do uso indiscriminado das sacolinhas. O que fazer? Aceita-se sugestões.

Independente da mensagem, fica a lição de buscar novos jeitos (interessantes) para falar de assuntos sérios e importantes. Nada de ficar “enchendo o saco” do amigo dizendo que ele vai acabar com o planeta se continuar usando sacola plástica, mas, sim, buscar chamar a atenção de maneira criativa…

Leia mais na SuperInteressante

A Terra, a milhões de quilômetros

Enquanto isso, a 114 milhões de milhas de distância, a sonda Messenger, da Nasa, tira uma foto da Terra e da Lua, nos colocando na nossa insignificância. Num universo tão grande, do qual não conseguimos imaginar em nosso cérebro sua vastidão, cá estamos vivendo o privilégio da vida. E transformando petróleo em plástico. Tirando algo que durou milhões de anos para se formar do fundo da terra e jogando para atmosfera, causando aquecimento global e poluição. Espero que ninguém esteja vendo isso ao lado da sonda Messenger.

A Terra e a Lua a 114 milhões de milhas na perspectiva da Messenger

Leia mais: http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1305422/Incredible-image-Moon-orbiting-Earth-taken-Nasa-probe-114-million-miles-away.html#ixzz0y3S4r4rG

TED Talk da semana – Dimitar Sasselov

Como encontramos centenas de planetas parecidos com a Terra (clique aqui para ver em português)

10 Comentários

Arquivado em Comunicação, Mundo 2.0, Nova Sociedade, Sustentabilidade

Avatar é uma mensagem e tanto para nós

Avatar faz pensar

Quando ouvi falar de Avatar, o filme já estava para estrear. Não sabia muito o que esperar, apenas que traria uma grande revolução do cinema em 3D. Com as repercussões positivas na mídia e com o barulho que se criou pré e pós-lançamento, aproveitei a primeira oportunidade de ir ao cinema e consegui assistir.

Futurista, o filme é cheio de referência a clássicos da ficção científica: Star Wars, Robocop, Matrix, Alien, o Oitavo Passageiro e até História Sem Fim. Referências que foram usadas para construir uma história para lá de original e absolutamente afinada com os tempos atuais.

A grande mensagem do filme é verde. Fala de sustentabilidade. Fala na diversidade. Na possibilidade de convivência. No amor como liga de um mundo melhor. Os vilões inescrupulosos estão lá. Donos do progresso. Com os fins prontos a justificar os meios. O herói do filme é um herói por acaso. Alguém por quem o destino escolheu. E o roteiro é uma catapulta para jogar a platéia dentro do filme via tecnnologia 3D.

Muitos escreveram que essa era a ressurreição da tecnologia 3D. Não por acaso. Já havia visto o Viagem ao Centro da Terra, que esboçava alguns truques de ilusão em 3D. Com Avatar, por meio de seres mistos, meio humanos, meio felinos, de 3m de altura, esculpidos em computador, a experiência 3D é levada ao extremo. O filme ganha muita vida graças a essa tecnologia.

É na Floresta que James Cameron fez seu grande serviço para a humanidade neste final de primeira década do terceiro milênio. Com a projeção de Hollywood + 300 milhões de dólares, Cameron colocou o tema sustentabilidade em evidência com um filme de primeira categoria — que vai concorrer a muitos oscars, não tenho dúvida.

Os azuis (smurfs galácticos) Na’Vi, vivem em absoluta harmonia com a floresta, soberana em Pandora, um planeta inóspito para a raça humana. Os humanos precisam do raro mineral Unobtainium (um nome estranho, em um dos poucos deslizes do filme) para sustentar os lucros e satisfação dos acionistas de uma grande corporação. Como em nossa economia contemporânea, os acionistas são pintados como capitalistas sedentos por lucros de curto prazo, pouco se importando com as conseqüências disso. Ainda mais por estarem em um planeta a mais ou menos 6 anos de viagem da distante Terra, longe das repercussões da mídia e da sociedade…

Pandora, terra dos Na’Vi é um velho oeste galáctico. É uma luta de nós vs eles. O problema é que o ‘nós’ é construído de maneira tão estereotipada e ao mesmo tempo tão real, que o espectador, nós, não consegue se reconhecer como espécie. Em pouco tempo, conseguimos identificação no outro, nos Na’Vi. Como se fôssemos avatares da nossa consciência, imersos numa vida paralela, idealizada, em harmonia com a natureza, com algo que viemos nos afastando desde a revolução industrial. E para a qual estamos desesperadamente tentando voltar agora.

Como metáfora de um momento da espécie humana, na sua incrível aventura na espaçonave Terra, Avatar passa uma mensagem e tanto (longe do ‘ecochatismo’). A mensagem de que sem a Terra (Eywa, para os Na’Vi), nós não somos nada. Tão simples e tão óbvio. Nada além de uma espécie que poderia ser chamada de ‘baratas’, tal qual os humanos chamam o povo Na’Vi a bordo de uma gigantesca bolha pressurizada. Realmente para pensar. Segue o trailer:

10 Comentários

Arquivado em Nova Sociedade, Questões, Sustentabilidade

Muito com pouco

Acabei de ver esse video e fiquei totalmente impressionado. O que é possível fazer com o talento? A versão que corre é que se trata de um trabalho que custou menos de 300 dólares. Não posso acreditar que seja tão baixo.

Trata-se de um curta metragem uruguaio de ficção científica sensacional: “Ataque de Pânico”.

Os efeitos especiais são maravilhosos, melhor que 99% dos filmes de ficção científica que passam na Sessão da Tarde.

A vida do diretor Frederico Alvarez mudou de uma hora para outra depois de publicado esse curta.

Do momento que ele postou o vídeo no You Tube até a assinatura do contrato com o produtor de Hollywood Sam Haimi da triologia Homem Aranha foram 10 dias, inacreditável

Uma produtora bancou 30 milhões de dólares para ele fazer o próximo filme. Somente ele será remunerado com 1 milhão de dólares.

A grande questão é: como isso seria possível, descobrir um talento desses, há 15 anos, sem web, sem redes sociais, sem youtube? Além de tudo, o mundo 2.0 é um revelador de talentos, um incrível estopim para a criatividade humana. Quero ver o que esse cara ainda vai aprontar por aí. :


Deixe um comentário

Arquivado em Comunicação, Mundo 2.0, Nova Sociedade, Uncategorized

Rio Breaks – o incrível documentário sobre o surfe na favela

Recebi uma grande notícia hoje: a de que o documentário de um grande amigo, o Vince Medeiros (ex-colega de Faculdade de jornalismo e ciências sociais), havia ficado pronto. Tudo começou quando o cara fez uma matéria sobre o surfe na favela. A turma do Cantagalo que ia surfar no Arpoador. O assunto era bom demais e chamou a atenção de um filmmaker, que resolveu fazer um documentário. (Foi assim, certo, Vince?)

E o timing não poderia ser mais perfeito. O surfe do pessoal da favela joga na cara de todos a incrível possibilidade que o esporte traz. E veio a público pouco depois da divulgação do Rio nas Olimpíadas. Muito bom. Vai ajudar a dar uma boa turbinada na divulgação.

Segue o link do trailer e alguns links de onde foi selecionado. Agora, é torcer para levar!

festival do rio:

http://www.festivaldorio.com.br/site2009/filmes/mostras.php?id_mostra=12

hawaii international film festival (best doc):

http://hawaii.bside.com/2009/films/riobreaks_hawaii2009;jsessionid=7C9EB6409B74F1D3401B43D254A70912

sundance channel:

http://www.sundancechannel.com/films/500532654

little white lies review:

http://www.littlewhitelies.co.uk/blog/rio-breaks-

ps: O Vince toca uma revista muito legal em Londres a Huck Magazine.

4 Comentários

Arquivado em Comunicação, Surfe, Sustentabilidade, Uncategorized