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É preciso saber cuidar

“O cuidado hoje não é uma opção. Ou aprendemos a cuidar ou vamos perecer”

No TEDx Amazônia, tive a honra de convidar e ajudar na preparação da palestra do Bernardo Toro.

Com toda a suspeição (existe esta palavra?) para falar, acho que foi uma das melhores.

Bernardo deu uma lição de humildade e inteligência ao falar da ética do cuidado.

Vale a pena ouvir cada palavra, pausada, sábia, cheia de significado desta palestra. É de ver e rever para não esquecer das lições que este colombiano, uma das maiores referências em educação do mundo. É preciso ter coragem de pedir ajuda.

O que os colegas do TEDx Amazônia escreverem no e-mail anunciando a palestra é um bom resumo:

“Bernardo Toro é um pensador colombiano decido a repensar a educação. Ele acredita que é preciso que as crianças sejam capazes de compreender o contexto que as cerca para poder fortalecer a democracia. Para ele temos que mudar o paradigma atual de êxito, de ganhar, vencer para o paradigma do cuidado: saber cuidar, saber fazer transações de ganha/ganha e saber conversar.

Entrou no ar no site do TEDx Amazônia. Aproveite.

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Qual o país que queremos construir?

Quem ainda não viu precisa conhecer o video abaixo. Ontem mesmo, recebi novamente de outra fonte. No e-mail, meu amigo Oswaldo Pepe contava que havia recebido via facebook de uma amiga dizendo que todo mundo precisava ver este video antes de votar amanhã. No ponto. (O vídeo não tem conotação política. Ele fala sobre como cada um pode fazer a diferença.)

Estas eleições foram mornas como nenhuma outra. Quase nada de adesivos nos carros ou bandeiras penduradas. Já houve um tempo em que o PT atraía militantes esperançosos, empolgados com as possibilidades de construir um país moderno, com base na ética e nos valores. Este tempo ficou para trás. A boa notícia é que a nova liderança já começou a emergir com Marina Silva. Ainda vamos conhecer melhor estas ideias de um novo jeito de olhar a sociedade, construindo um modelo de desenvolvimento mais inclusivo

Este video abaixo do Fábio Barbosa, gravado no TEDxSP resume a essência de quem acredita nestas ideias. Ele fala em reforma de valores, ética, respeito… valores que se perderam nas meias, cuecas, malas de petistas e governistas aloprados. Um banho de corrupção que apagou a esperança de muita gente que acreditava no PT. Ideais que cabem hoje numa bolsa-família, importantes para incluir uma boa parte da sociedade, mas insuficientes para construir um projeto consistente de país.

O Brasil é muito maior do que um prato de comida e uma busca inebriante e cega pelo poder. Ainda temos um longo caminho pela frente. E lideranças como a de Fábio Barbosa para ajudar a apontar caminhos.

Vale a pena olhar para se inspirar na votação de domingo.

Leia mais: O poder das empresas de mudar o mundo

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O poder das empresas de mudar o mundo

Abaixo, compartilho o material que prepararei para minha fala no TEDx Santos, no último 28 de setembro. Em breve, deveremos ter o vídeo da palestra. E aí voltarei ao assunto aqui. Espero que gostem.


O incrível potencial de conexão das pessoas pode provocar a mudança de prática das empresas, que podem mudar o mundo. É claro que ninguém resolve nada sozinho. As empresas precisam da ajuda de governos, academia, mídia, enfim, a sociedade como um todo. Mas quero focar aqui no poder das empresas.

A economia é o jeito pelo qual estamos organizados. Com honrosas exceções que confirmam a regra, como Gandhi, Martin Luther King e Madre Teresa de Calcutá, são os recursos financeiros que influenciam a mudança do mundo.

Nos últimos 10 anos encontrei casos de empresários e empreendedores que estão mudando o mundo com uma série de pequenas ações.

Esta história passa um pouco pela minha carreira. Sou jornalista e depois de alguns anos trabalhando na imprensa em veículos como Veja, Você s/a e Zero Hora, recebi o convite para trabalhar no Banco Real em 2003. Aceitei. Não porque sempre tive o sonho de trabalhar em um banco, mas porque achava que um banco que negava empréstimos de milhões de reais para alguns clientes por questões ambientais e na outra ponta fazia empréstimos de quantias como 1000 reais no microcrédito investia em algo que sempre acreditei: valores.

Tomei a decisão ir trabalhar no Banco e quando me dei por conta, eu, um surfista, estava usando terno, gravato e sapato e meia preta todo o dia. Depois de uma breve passagem pelo marketing, fui para a Diretoria de Desenvolvimento Sustentável para ajudar a estruturar a comunicação sobre o tema. Nestes últimos sete anos, tive a oportunidade de conhecer uma grande quantidade de empreendedores e pessoas que praticam a sustentabilidade como estratégia central de negócio.

Gostaria de apresentar a vocês aqui alguns destes nomes. Quero por meio disso mostrar que está ao alcance de todos e que podemos, sim, fazer um mundo melhor por meio do ambiente dos negócios.

Há um ditado budista que diz que não conseguiremos fazer um mundo melhor com 100 grandes ideias, mas sim com pequenas ações no dia-a-dia.

Há estudos mostrando que das 100 maiores economias do mundo, cerca de 50 são empresas (os dados variam ano a ano de acordo com o faturamento das empresas e PIB dos países). É reflexo de um processo que começou na revolução industrial e fez o poder mudar de mãos: da igreja e Estado para a instituição corporação.

As empresas têm o poder econômico e são capazes de influenciar até decisões de governo e mudanças nas cadeias de negócios.

E aqui fica a pergunta para reflexão: como usar bem este poder? O que valorizar? O que queremos construir com as empresas?

Vou citar alguns exemplos agora: há pouco anos, quando começou a olhar de forma estrutuada para o tema sustentabilidade, o Walmart, uma das maiores empresas do mundo, tomou a decisão de não mais comprar de fornecedores que não pescassem de de maneira sustentável. Isso provocou uma grande mudança em milhares de fornecedores ao redor do mundo que começaram a cuidar destas questões.

Farra do Boi na Amazônia, estudo do Greenpeace

Não precisamos ir longe. No ano passado, o Greenpeace lançou um relatório chamado a Farra do Boi sobre o avanço da pecuária sobre a Amazônia. Em seguida, três grandes varejistas decidiram que não mais comprariam carne de frigoríficos que não conseguissem provar que os animais abatidos não vinham de pastos criados com o desmatamento ilegal. A reação foi rápida e os frigoríficos mudaram suas práticas.

Está cada vez mais claro que as restrições financeiras ajudam a mudar algumas práticas. Mas será que é somente disso que precisamos ou que conseguiremos fazer a mudança necessária?

A resposta é não. E há exemplos disso. São os empresários e empreendedores, os heróis do dia-a-dia, que provam que não.

São líderes que reconhecem a importância da interdependência em nosso dia-a-dia. E sabem que suas atitudes são capazes de mudar o ambiente de negócios para melhor.

As empresas que estão conquistando mercados hoje estão deixando de lado a máxima cristalizada de Milton Friedman, prêmio Nobel, que o negócio dos negócios são os negócios. Sim, são os negócios, mas também algo mais: investir em modelos de negócios sustentáveis.

Peter Drucker, o grande guru da administração moderna, lembra que as empresas existem por uma finalidade: o cliente. Vamos pensar por um momento no cliente como sociedade, ousando criar algo em cima da obra de Drucker.

O aumento da percepção da interdependência e da relevância de todos interessados nas decisões do cliente, a empresa só existe se estiver de acordo com as vontades da sociedade. Regulações, disputas de clientes, multas ambientais – se a empresa fizer algo que não agrada ao cliente, à sociedade, será processada por isso.

Neste sentido, o lucro não é um fim, algo a ser buscado – mas sim uma medida de sucesso, o teste de viabilidade. Se atender ao cliente, à sociedade, o lucro será consequência.

Essa perspectiva tira o foco de resultados e leva para a visão de que é necessário gerar valor. O que importa cada vez mais quando olhamos para os resultados da empresa não é somente o quanto os resultados mostram, mas como eles foram atingidos.

Nos próximos anos, quatro tendências vão marcar o mundo dos negócios: colaboração, ética, transparência e sustentabilidade. De certa maneira, elas estão todas ligadas e as empresas que olharem para isso terão grandes vantagens competitivas.

Algumas empresas conseguem lucrar colocando estas questões no dia-a-dia dos negócios. Empresas que negligenciam ou ignoram estão virando pó.

Vale lembrar do que aconteceu com as grandes empresas em casos nem tão recentes, mas emblemáticos: Enron, WorldCom. Estas empresas manipularam os balanços para mostrar bons resultados para os acionistas. Acabaram desmascaradas.

A capa da Time com as mulheres que denunciaram os escândalos da Enron e outros


Pesquisas indicam que os seres humanos são movidos à reciprocidade. As redes sociais espelham isso. O famoso toma-lá-dá-cá. Se você fizer algo que eu gosto, devolverei isso a você. Se me fizer mal, farei mal a você também. Estas empresas trapacearam, tiveram falhas graves de gestão e tentaram esconder isso dos consumidores e da sociedade. A WorldCom entrou em processo de falência e foi adquirida por outra empresa. A Enron faliu em 2001 e levou junto a consultoria Arthur Andersen, que aprovara os balanços.

Aparte a visão maniqueísta, são exemplos claros da visão sistêmica, de que as empresas fazem parte de um todo e não operam de maneira independente.

Na outra ponta, temos empresas como a Natura, que alavancou sua marca investindo em questões relevantes para seus consumidores, fornecedores e sociedade, criando produtos que valorizam o meio ambiente e as relações entre as pessoas. Em 2005, depois de uma trajetória brilhante, a Natura abriu o capital, num processo muito bem-sucedido. Em 2007, no entanto, teve problemas de gestão de produtos e não conseguiu atender a demanda dos consumidores. O mercado penalizou as ações das empresas e o momento serviu para a Natura se apoiar firmemente nos seus valores. Não cedeu às pressões do mercado e deu a volta por cima e em 2009 foi escolhida a empresa do ano pela revista Exame.

A Natura, melhor empresa de 2009

Outro exemplo vem dos Estados Unidos. Em 1972, foi fundada a incrível Patagônia, empresa de roupas e materiais esportivos, que ajudou a criar uma rede de empresas chamada 1% para o planeta e entre outras coisas, deixa que os funcionários montem suas agendas de acordo com suas vontades, como surfar ou escalar montanhas em dias perfeitos para isso. O fundador escreveu um livro chamado Let My People Go Surfing. Nele, fala da maturidade de reconhecer a responsabilidade de cada um e valorizar isso para criar um bom ambiente de trabalho. Então, não se trata de ser ‘bom mocinho’, mas de apostar na maturidade.

O livro com a biografia de Yvon Chouinard e a história da Patagonia

Mas eu queria também falar aqui de outros casos nem tão conhecidos, mas igualmente relevantes. Nem só de grandes empresas é feito o mundo dos negócios. Muito pelo contrário. As pequenas empresas, que representam o maior contingente de empregos no Brasil. Hoje, de cada três novas vagas, duas são geradas nas PMEs.

Há empreendedores de pequenas e médias empresas que encontraram seus nichos e encontram eco para o que fazem no reconhecimento do mercado.

Ione Antunes é outro exemplo. Ela criou em 1996 a empresa Help Express, de entregas de materiais por meio dos famosos motoboys. Ione desde o início acreditou que os motoboys não precisariam ser maltratados ou que era necessário remunerá-los por entrega em vez de assinar suas carteiras. Sempre cuidou bem deles e até os estimulou a criar um código de ética, onde constam pérolas como: Não ficarás no fliperama e não chutarás o retrovisor alheio. Na última década, com estes cuidados simples, mas poderosos, Ione conseguiu fazer sua empresa crescer na faixa dos 40% ao ano.

Vamos pensar em outro exemplo. Academia de ginástica. Quem nunca começou a fazer academia e se sentiu incomodado com a barriguinha ou mesmo com o ritmo que os treinadores tentavam impor? E aquele ambiente 100% geração saúde… Tony, um empresário paulistano, percebeu que isso incomodava seus pais e por conta disso nunca encararam uma academia. Segundo ele, muita gente vai fazer atividade física por recomendação médica e precisa se sentir à vontade para continuar o ritmo de exercícios. Então, ele, que sempre gostou de esportes, criou um conceito diferente de academia, a Ecofit, para acolher estas pessoas. Cresce 30% ao ano…

(Este caso não entrou na fala por conta do tempo.) Agora, vamos pensar no turismo. Em pousadas em locais paradisíacos. Estes locais, quando viram moda, correm o risco de perder seu maior encanto, o caráter preservado. Em 1992, um empresário dono de pousada, decidiu reproduzir no Brasil o conceito de Relais Chateau, de pousadas de charme, que existe na Europa e em outros lugares do mundo. E criou por aqui a Roteiros de Charme. Para fazer parte da associação, a pousada precisa cumprir requisitos básicos de charme, sofisticação, estar em um lugar agradável e ter cuidados sociais e ambientais. Todos os associados passam por vistoria periódica. Mais do que isso: cada associado leva para sua região a preocupação com os cuidados das pessoas e do meio ambiente por meio de palestras para outros hotéis da região. A Roteiros de Charme vai muito bem, obrigado.

(Este caso também não entrou na fala por conta do tempo.) Em outro exemplo, o americano Ray Anderson, fundador da Interface, fabricante de carpetes, diz que mudou seu negócio por basicamente duas situações. Por que leu um livro chamado Ecologia do Comércio, de Paul Hawken e por que um consumidor perguntou a ele o que fazia com os carpetes usados… Ele não sabia a resposta. Mas não teve medo da pergunta e a levou para dentro da empresa, para transformar seu negócio.

Estes casos mostram empresas absolutamente afinadas com seu tempo. O Brasil e o mundo evoluem rapidamente, junto com o ambiente dos negócios. Os consumidores estão mais exigentes e cobrando seus direitos. Há muitos lugares para se fazer ouvir: além dos tradicionais rádio, TV e jornal, há sites de Procon, de estímulo a cidadania, sem falar das redes sociais: Facebook, Orkut, Twitter etc.

Os jovens e consumidores em geral já não prestam atenção somente às propagandas, mas cada vez mais naquilo que é dito sobre as marcas em diversos lugares, como nas redes sociais. É lá que eles buscam informações de compra.

O mundo é cada vez mais transparente, não há como empurrar uma imagem para o consumidor e entregar outra coisa. Este ano tivemos um episódio que já ganhou seu espaço na história. Foi o caso da British Petroleum, a BP, que estava querendo mudar seu nome para Beyond Petroleum, para ligar a marca ao desenvolvimento de energia limpa. O desastre com a plataforma Deepwater Horizon, um dos maiores da história, jogou tudo por água acima. Independente de quem tenha sido a culpa, este foi um abalo tremendo na imagem da BP. E uma perda de 70 bilhões de dólares em valor de mercado… Além do CEO que foi demitido.

O vazamento que custou 70 bilhões de dólares para a BP

Imagem é tudo neste novo mercado. A reputação está na lista principal das prioridades de CEOs mundo inteiro. Ignorar a voz dos consumidores é se fechar para este mundo. Ouvi-la é se conectar.

O que importa é o que fazemos no dia-a-dia. Cada decisão de negócio. Os empreendedores e empresários que são movidos por uma causa, querendo transformar o ambiente onde atuam suas empresas não buscam desculpas nos impostos ou na fiscalização antiética. Eles direcionam o foco dos seus negócios para colocar em práticas seus valores, sua visão de mundo. Estes empreendedores têm o lucro trabalhando a favor da causa.

Na década de 80, a indústria tabagista fez de tudo para esconder os impactos do cigarro no corpo humano, lembrou um artigo da Harvard Business Review recentemente. No início deste milênio, a indústria alimentícia foi pró-ativa para substituir a gordura trans na alimentação, para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Também no início desta década, os bancos começaram a analisar os impactos socioambientais dos empréstimos. Ou seja, o dinheiro que estou concedendo para clientes. Como ele vai ser usado? Se, por exemplo, em negócios como o desmatamento ilegal, além de prejudicial ao meio ambiente, pode virar uma multa que vai inviabilizar a empresa e vai impactar no pagamento do empréstimo. Uma incrível mudança de atitude num curto período de tempo.

Ao contrário da visão cartesiana, as empresas são cada vez menos vistas como sistemas mecânicos, mas sim como organismos vivos, que fazem parte de um todo. E organismos vivos possuem valores, que influenciam as atitudes na sua essência.

As empresas e os empreendedores não podem ser vistos como mal necessário, que precisa ser vigiado ou regulado. Mas para ganhar esta confiança, os líderes precisam expandir o alcance da empresa para além do lucro, criando um novo jeito de fazer negócios. E vejam só: empresas que se preocupam mais com estas questões têm uma melhor performance financeira. É o que temos percebido na análise de risco socioambiental das empresas elegíveis.

A preocupação com o novo jeito de fazer negócios está cada vez mais sendo valorizada pelo mercado, como na criação de índices e rankings. Um índice que mostra as 100 empresas mais éticas, feita pelo instituto Ethisphere, mostra que as empresas mais éticas tiveram performance até 50% superior comparado às empresas presentes no S&P 500, índice que reúne 500 grandes empresas. Outro estudo, da A.T. Kearney, mostrou que durante a crise financeira em 2008, as empresas que mais se preocupavam com sustentabilidade tiveram também performance melhor. A listas das melhores empresas para trabalhar tem retorno na bolsa maior do que as listadas nas maiores e melhores da Exame.

Ou seja, Respeito é bom – e dá lucro!

Pergunte para Ione e seu time de motoboys. Tony na Academia. Helenio no Roteiros de Charme. Ray na Interface. Yvon na Patagonia. Fábio Barbosa no Santander…

A causa de cada um deles é muito clara. É a mesma que a minha: acreditar que podemos transformar o mundo por meio da ação das empresas.

Para encerrar fica a pergunta: que mundo queremos valorizar com nossas empresas? Como podemos usar o poder transformador das empresas para construir um mundo melhor? Qual a sua causa?

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A ética do bem comum

No meu trabalho, temos à disposição uma ferramenta muito bacana de redes sociais, com blogs, enquetes, fóruns etc. Estou aprendendo muita coisa bacana.

Compartilhar conhecimento é a melhor coisa que a humanidade inventou desde a internet. Ajuda a todos a terem vidas melhores e mais inspiradas.

Pensando nisso, compartilho aqui um texto que meu colega Fabio Torelli colocou no blog pessoal dele, inspirado em uma fala do genial Oscar Motomura.

Aproveitem:

Copyright © AMANA-KEY • REFLEXÕES SOBRE ÉTICA E O FAZER ACONTECER

 Se ética é a escolha pelo bem comum (o bem de todos os seres vivos, do todo maior) o que seria não ético?

 Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir não agir porque existem dificuldades e incertezas… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir omitir suas propostas, ideias e ações para não ir contra a maioria… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir viabilizar o viável em vez de procurar tornar possível o impossível… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir usar apenas parte do seu potencial (“poupando-o” para interesses pessoais)… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir não agir, se manter em silêncio, deixando o medo prevalecer… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir se conformar com a “letra da lei” em vez de persistir pelo “espírito da lei”… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir não fazer face aos desafios de grande escala e complexidade porque parecem “além da conta” e porque ninguém até hoje tentou… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir protelar ações ousadas de novo e de novo esperando “o momento certo”… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir não ir em frente porque não será reconhecido como o autor da ideia… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir “entrar no jogo” fingindo não perceber manipulações em processo… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir viver no reino das ideias, dos diagnósticos e das teorias em vez de assumir os riscos da ação… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir rejeitar toda e qualquer

proposta “diferente” (inclusive suas próprias) mesmo quando as ideias tradicionais não estiverem funcionando… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir rejeitar qualquer proposta que pareça “idealista” ou “utópica”… não é ético. 

Se ética é a escolha pelo bem comum, decidir deixar tudo como está porque o caminho para a perfeição é muito complexo e difícil de implementar…..definitivamente não é ético. 

(Insights de Oscar Motomura durante o concerto que seguiu o workshop sobre

Limites Morais em Talberg, Suécia, Verão de 2008.)

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Ética, política e sustentabilidade – as lições de um mineirinho

Certa vez, um grupo de colegas do meu trabalho ouviu por uma tarde o professor mineiro Antonio Carlos Gomes da Costa, discípulo de Paulo Freire e um dos maiores pedagogos do país. Com sua prosa mansa, macia e consistente, como um bom pão de queijo, o professor Antonio Carlos conquistou a todos e naquele dia me tornei seu fã.

Foi a primeira vez que ouvi falar na estranha expressão ética biofílica, que significa uma ética de respeito autêntico e profundo à dignidade da vida em todas as suas manifestações. Ou seja, nada é mais importante do que a vida. Aqui nesse link há um texto do professor que explica em detalhes e cheio de erudição o que isso significa.

Algumas semanas atrás, na revista Trip, encontrei uma matéria com o professor Antonio Carlos e lá constava uma definição muito bacana de sustentabilidade, a partir de uma provocação sobre o mensalão e a ética:

O MENSALÃO E A ÉTICA
“Você tem que pensar nas pessoas, no planeta e no lucro das empresas, é aquela coisa do ‘triple bottom line’, o tripé da sustentabilidade. Porque uma empresa não ter lucro é uma falta de responsabilidade social, porque ela não vai pagar os empregados, não vai pagar impostos, ela não vai viver como empresa. O mensalão mostrou claramente pra gente a importância da ética da co-responsabilidade. [O filósofo político italiano] Norberto Bobbio falou o seguinte: ‘Tudo é política, mas a política não é tudo. Acima da política deve existir alguma coisa capaz de colocar limites na luta legítima dos homens para conquistar, manter e expandir o poder político’. Todo partido quer o máximo de poder pra ter o máximo de infl uência na sociedade. Agora, o que coloca limite na política? É a ética. Então ele falou: ‘Tudo é política, mas a política não é tudo, a ética está acima da política’. Eu falo assim: a empresa que não dá lucro é irresponsável socialmente, ela foi feita pra dar lucro; agora, se você colocar o lucro acima de qualquer outro bem ou interesse, você vai quebrar normas boas de convivência social, você vai fazer propaganda enganosa, você vai superfaturar, que são questões éticas. Então, a ética é a capacidade das pessoas de tomar decisões e agir, porque a ética é a teoria da ação humana.”

Genial.

Veja a matéria completa na revista Trip.

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