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Quem nasceu para Rio de Janeiro pode virar Costa Amalfitana?

Rio de Janeiro algum dia pode virar a Costa Amalfitana?

Quando pisei em Positano, em 2002, foi impossível não lembrar das favelas do Rio de Janeiro. Lembro direitinho de ter brincado com minha esposa dizendo que aquilo ali não era muito diferente do Rio de Janeiro, só mais chic. Casas penduradas em uma encosta à beira mar, uma colada na outra, pequenas ruelas servindo de ruas. É ou não é uma descrição que lembra as favelas do Rio? Com um pouco de boa vontade e um banho de IDH, não poderia o Rio virar um pedaço do mediterrâneo em solos tropicais? No meio desta semana tive a sensação de que essas ideias não eram delírios só meus.

Não, teve alguém que foi mais a fundo nessa ideia maluca. O nome dele é Rolf Glaser, um empresário alemão, que colocou R$ 1,1 milhão de reais na ideia de transformar o Rio em Positano! A matéria que conta a história dele no Estadão fala de sonhos de banho de IDH, mas entregue um belo balde de água fria. Esbarrou na burocracia, na falta de vontade, em obstáculos intransponíveis. A frase dele é melancólica: “Perdi muito dinheiro. A prefeitura fez uma série de exigências e inviabilizou o negócio. Acho que algumas pessoas não gostam da favela, mas também não querem fazer nada para mudar a comunidade”, avaliou Rolf.

O alemão sonhou grande e morreu longe da praia. Foi embora para a Alemanha. Detalhe que está perdida em um canto da matéria: Positano já foi uma região pobre, resgatada com investimentos privados.

Quanto teremos de coragem, audácia e vontade de mudar para fazer o Rio de Janeiro diferente, melhor, até 2016. É um sonho ou um delírio?

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A malandragem do Galvão

Ontem, no final do jogo entre Brasil x Bolívia, chegou a informação de que uma favela estava queimando em São Paulo. Imagens impressionantes começaram a aparecer na televisão.

Fogo na favela do Jaguaré

Quando disseram que era em uma favela próximo ao Jaguaré, corri para a janela, de onde é possível enxergar um bom pedaço de São Paulo. Dava para ver o clarão laranja da favela ardendo. Chocante. E aí, vem a pérola do Galvão Bueno, que estava narrando o jogo. Disse algo como: “As imagens são impressionantes. Imaginem o pavor dos moradores dos condomínios residenciais.”

Fiquei duplamente chocado. Com as imagens e com a asneira do Galvão. Acredito que ele não tenha falado por maldade. Afinal, ninguém seria tão mauassim. Mas o significado que a simples frase carrega me deixou pensando. Quer dizer então que 200 famílias perderem o seu barraco não é nada perto do pavor que os moradores classe média estavam sentindo. Ô, Galvão, que coisa, hein?

E pensar que o cara vai ficar aí pelo menos até 2016, pós Copa no Brasil e ano das Olimpíadas. Enquanto o Brasil se moderniza, a Globo vai entronando o status quo perdido no passado. Volta e meia o Galvão ainda fala: “Ronaldinho, cheio de malandragem, levou o juiz na convesa.” Ou então: “É malandro, é experiente…” Estímulo à malandragem no sentido de levar vantagem é algo que não precisamos mais. Numa boa…

Essas bobagens que o Galvão fala e que impactam milhões de pessoas têm quase o mesmo apelo, o mesmo peso, que o sushi erótico que foi sabiamente banido do Faustão. Alguém lembra da bizarrice? Uma bonita modelo deitada, nua, servindo de bandeja para dezenas de peças de sushi e sashimi. Nem lembro para que serviam, mas lembro que tinham um mau gosto incrivel.

Uma história de bastidores diz que alguém da Globo, indignado, saiu a perguntar quem tinha criado aquilo. Não tinha sido o produtor, não tinha sido o diretor do programa, não tinha sido o Faustão, não tinham sido os Marinho. É claro que não. Ninguém com bom senso deixaria isso acontecer. O fato é que demoraram a se dar conta. Mas se deram. Alguém, agora, precisa ir lá e passar o recado para o Galvão deixar de usar o poderoso microfone que lhe serve para falar bobagens. Ele não chegou lá por acaso. Não foi por ‘maladragem’ (espero). Tem muito mérito, mas precisa lembrar que o Brasil não é feito só de classe média ou de time paulista.

O Brasil está evoluindo, a sociedade está amadurecendo. É bom os formadores de opinião acompanharem essa mudança para não ficarem para trás.

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Rio Breaks – o incrível documentário sobre o surfe na favela

Recebi uma grande notícia hoje: a de que o documentário de um grande amigo, o Vince Medeiros (ex-colega de Faculdade de jornalismo e ciências sociais), havia ficado pronto. Tudo começou quando o cara fez uma matéria sobre o surfe na favela. A turma do Cantagalo que ia surfar no Arpoador. O assunto era bom demais e chamou a atenção de um filmmaker, que resolveu fazer um documentário. (Foi assim, certo, Vince?)

E o timing não poderia ser mais perfeito. O surfe do pessoal da favela joga na cara de todos a incrível possibilidade que o esporte traz. E veio a público pouco depois da divulgação do Rio nas Olimpíadas. Muito bom. Vai ajudar a dar uma boa turbinada na divulgação.

Segue o link do trailer e alguns links de onde foi selecionado. Agora, é torcer para levar!

festival do rio:

http://www.festivaldorio.com.br/site2009/filmes/mostras.php?id_mostra=12

hawaii international film festival (best doc):

http://hawaii.bside.com/2009/films/riobreaks_hawaii2009;jsessionid=7C9EB6409B74F1D3401B43D254A70912

sundance channel:

http://www.sundancechannel.com/films/500532654

little white lies review:

http://www.littlewhitelies.co.uk/blog/rio-breaks-

ps: O Vince toca uma revista muito legal em Londres a Huck Magazine.

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Quanto vale o NY Times?

1.Conteúdo de graça -Finalmente essa questão chegou para ficar. Até hoje fico desconfiado quando vejo tanta informação de graça por aí na Web. Acesso irrestrito ao NY Times? Notícias do dia do Estadão. Matérias de revistas importantes. Desse jeito, parece que a informação brota do chão. Que ninguém foi atrás. Que ninguém parou para pensar e escrever. Se ninguém paga pela informação, porque alguém enviaria repórteres para cobrir eventos em locais como o Sudão, Chade ou algum outro país fora do mapa na África? Quem vai pagar as passagens, a hospedagem, a aventura e o trabalho do repórter? Hoje, o Estadão publicou um artigo excelente de Walter Isaacson, ex-editor da revista Time e atual presidente do Instituto Aspen. Chamado de “Como salvar os jornais (e o jornalismo), ele escreve que está na hora de se discutir opções como micropagamentos para artigos, como se paga por música, por exemplo. Uma pergunta dele: alguém pagaria US$ 2 para ter acesso mensal ao conteúdo do NY Times via web? Eu pagaria! Vejam o artigo (de graça)…

2. Jeito de olhar – Revista The Economist está falando no surgimento de uma nova classe e o Brasil seria o país onde esse fenômeno é mais visível. Basicamente, a classe está emergindo nas favelas, onde há crescimento econômico – e até filiais das Casas Bahia, como em Paraisópolis, em São Paulo. Elio Gaspari, na Folha de hoje,  foi preciso no comentário: “Um barão brasileiro que visitasse os subúrbios de Londres na metade do século 19 veria um favelão. Era a desordem social e urbana da revolução industrial. Felizmente, a cidade teve um escritor como Charles Dickens para mostrar que ali vivia o pedaço de baixo da sociedade inglesa, lembrando ao pedaço de cima que os dois formavam um só povo.” Tudo é uma questão de como se olha… E só não vê oportunidade financeira na favela quem não quer. O que precisa é outra coisa: saber fazer negócios por lá.

3. Cigarro eletrônico – inventaram um cigarro que solta nicotina e simula fumaça (uma espécie de névoa). A empresa que fabrica disse que já vendeu mais de 300 mil unidades em 2008. Isso é incrível. Olha o que escreveu o autor: “Eu acabo de “acender” um e-cigarro. Parece um cigarro de verdade e, com cada tragada, alguns microgramas de nicotina de um cartucho descartável deveriam chegar ao meu pulmão. Meu e-cigarro até produz “fumaça” -mas não queima, então, não é proibido. No número crescente de locais públicos onde o fumo é banido, uma nova raça de fumante surgiu, tragando essas bugigangas.” Veja a matéria (para assinantes da Folha ou do UOL – taí, conteúdo fechado…). Saiu na New Scientist também.

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