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Crianças aprendem (muito) com crianças

TED Talk da semana – Sugata Mitra

O video abaixo não é novo, mas é muito poderoso e sempre vale ver de novo.

Fala sobre o que as crianças podem aprender com os adultos e suas atitudes. O filósofo americano Ralph Emerson tem um  frase lapidar sobre isso: “Suas atitudes falam tão alto, que não consigo ouvir o que você diz”. Mas ainda bem que os adultos não aprendem somente com as crianças… Por isso, vale conhecer o trabalho de Sugata Mitra, que mostra como as crianças ensinam a elas mesmas. Usando isso de forma consciente, é possível potencializar seu aprendizado.  O vídeo abaixo foi publicado em 2007. Em julho passado, Mitra fez outra palestra, em Oxford. Ainda não foi traduzido para o português.

Ainda na pegada “criançada”, este site de uma escola de enfermaria reuniu 25 TED Talks que todos pais deveriam assistir. Vale  conhecer o link.

Mais sobre crianças: conheça o projeto The great football giveaway – este projeto maravilhoso entrega bolas de futebol para crianças carentes africanas. Incrível a felicidade que uma coisa redonda, que pica e é macia é capaz de proporcionar. O futebol é e sempre será uma caixinha de surpresas.

Bolas de sabão gigante

Poesia pura, ainda mais por ser na praia. Quem não lembra de infância…

Diversidade animal

Existem algo como 30 a 50 milhões de espécies animais no planeta. Estamos acostumados a ver em nosso dia-a-dia apenas uma parte bem pequena deste total. Este link mostra espécies incrivelmente estranhas de bichos. É interessante para adultos, mas quem gosta mesmo de ver bichos como este abaixo é a criançada!

Apenas uma amostra dos animais incríveis das fotos do link

Eleições em dois turnos

Tem muita gente que fica em dúvidas sobre votar ou não em quem realmente gosta para não correr o risco de ver eleito no primeiro turno o candidato que não gostaria. Na verdade, não é bem isto que acontece. Para quem tem dúvidas, veja como funciona a eleição em dois turnos neste video abaixo. Ou seja, dá, sim, para votar na Marina no primeiro turno!

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A Fifa e a transparência

A Copa do Mundo colocou em evidência o tema transparência, mais uma vez. Graças ao lance do gol inglês contra a Alemanha, não anotado – grosseiramente – pelo juiz uruguaio Jorge Larrionda, voltou a ser discutida a necessidade de se ter recursos tecnológicos para ajudar na correta avaliação das jogadas polêmicas.

Com o avanço das televisões HD – onde a maquiagem cada vez menos esconde a verdade e as imperfeições aparentes -, fica difícil ‘escamotear’. Que o diga Felipe Melo ao tentar dizer que nem foi tão desleal ao pisar no holandês Robben com a nítida intenção de machucar. Todo mundo viu, não adianta esconder.

É isso que a Fifa está tentando fazer – esconder – ao querer proibir o replay. Isso não é mais possível ou aceitável no mundo em que vivemos, em que a velocidade não permite mais que a verdade seja travestida de desinformação. Este mundo acabou e quanto mais instituições tentarem esconder isso, tanto pior.

Só há o que perder.

O texto abaixo, de Alexandre Barros, publicado no Estadão, vale a pena para entender melhor isso.

A censura, agora da Fifa

Alexandre Barros – O Estado de S.Paulo

Organizações gostam de ver divulgadas ideias com as quais concordam. A censura, além de repugnante, é perigosa para quem tem o poder. Quando os poderosos não sabem o que as pessoas pensam, um dia acabam derrubados do conforto do poder.

Um consultor de empresas, quando convidado a prestar algum serviço, ouvia o que os dirigentes tinham a dizer, suas preocupações e suas ideias de soluções. Logo depois fazia sua proposta e assinava o contrato. A primeira coisa que pedia aos clientes era que o deixassem visitar os banheiros usados pelos funcionários. Sempre escalavam um ou dois assessores para acompanhá-lo. Ele recusava. Fazia questão de ir sozinho. Câmera na mão, fotografava tudo o que via escrito nas paredes. Na visita seguinte já sabia os problemas da firma. Tinha uma vantagem sobre pesquisas em que perguntavam a funcionários o que achavam da empresa. Via nas paredes um retrato realista da companhia, dito com toda a franqueza. As paredes dos banheiros não tinham censura.

Agora a Federação Internacional de Futebol (Fifa) quer proibir a “visita aos banheiros”.

Na Fifa, a censura quer, primeiro, preservar o emprego de juízes e bandeirinhas (e tudo o que vem de bom com esses empregos). Segundo, tentar provar que a tecnologia não é tão boa quanto o olho humano.

A tauromaquia é um caso dramático de como a tecnologia mudou sua visão. Quase nada mudou nas touradas ao longo dos séculos. Só que agora há a tecnologia de câmeras e lentes, não disponível no passado. Sem falar que cinema e televisão antigamente eram em preto e branco. Quem assistia à fiesta brava por estes meios ou na arena sem excelentes binóculos (que eram muito caros) não percebia o que realmente acontecia. Todos esperavam o final, quando a espada deslizava com aparente suavidade para dentro do touro, matando-o depois de uma luta desigual.

Os bandarilheiros espetavam aqueles bastões floridos na nuca do touro e eram vistos como elegantes bailarinos em roupas de lantejoulas faiscantes. O picador, montado num cavalo, com uma lança dava uns toques também na nuca do touro. E eram admirados e aplaudidos por espectadores delirantes. Chamava-me a atenção que o cavalo do picador estava sempre com os olhos vendados. É claro, o cavalo não era bobo e a única forma que os humanos tinham de fazê-lo enfrentar o touro em quase igualdade de condições era censurando a sua vista.

Entram em cena a TV e os progressos da ótica. Tente assistir a uma tourada no seu televisor LCD ou LED, comprado com redução de impostos. O que você vai ver é uma cena inimaginável quando esses recursos não existiam. O picador enfia a lança e gira-a, estropiando os músculos do pescoço do touro de uma maneira e com uma dedicação raramente vistas na maldade humana. Depois os bandarilheiros “confirmam” os ferimentos espetando as bandarilhas, que danificam mais o pescoço do animal a cada movimento que ele faz.

Ainda não ouvi falar de proibir transmissões de touradas pela TV, mormente nos países onde elas são praticadas. Acho que a malta gosta da maldade. A probabilidade de o touro ganhar é de menos de 1%, mas existe. Recentemente um toureiro mexicano, depois de espetado por touros em duas corridas, fez o que lhe mandou o bom senso: fugiu, pulou a cerca e disse que, com ele, touradas, nunca mais.

O futebol está enfrentando problema parecido. Esta é a primeira Copa do Mundo com TV digital, em alta definição, disponível praticamente no mundo inteiro. Agora os fãs veem os horrores que, outrora, juízes e bandeirinhas ignoravam ou deixavam passar, fosse por falta de visão, comodidade ou incompetência. Nenhum daqueles milhares de fãs no estádio ou na TV ia perceber mesmo, então, passava qualquer coisa.

Fiat lux! O lance acontece, você vê em casa com todos os detalhes: a falta, a bola que cruza instantaneamente a lateral e volta, o impedimento, os tombos, os massacres. Em suma, tudo aquilo que, sem a tecnologia, os juízes podiam deixar passar e ninguém notava. E mais, a tecnologia repete em segundos a jogada suja, incompetente ou ilegal. O árbitro é julgado democraticamente por milhões de telespectadores ao redor do planeta. Fica clara a sua incompetência ou a sua parcialidade.

A solução da Fifa é fantástica e aparentemente confortável: censura. Proíba-se mostrar replay de cenas duvidosas. A organização protege-se e protege seus árbitros escondendo a verdade.

Nada de novo, só que, sempre que alguma instituição tentou escamotear seus erros ou atrasar mudanças trazidas pela tecnologia, por meio da censura, a tecnologia ganhou. A humanidade acabou mais feliz, mais gratificada e melhorou seu nível de conforto e prazer. (Antes que alguém reclame, isso não se aplica ao desenvolvimento de armas cada vez mais mortíferas.)

A solução da Fifa de tentar esconder a verdade de milhões de fãs também não dará certo. A médio ou a longo prazo, a tecnologia ganhará. Daqui a pouco teremos árbitros eletrônicos muito mais severos e precisos do que os humanos. É nessa direção e com uma velocidade cada vez maior que caminham a tecnologia e a humanidade. O erro, a crueldade, a incompetência ficam a cada dia mais evidentes e intoleráveis. Censurá-los só adia o problema e preserva a estrutura arcaica da Fifa um pouco mais.

Árbitros eletrônicos ganharão dos humanos. Aceitar isso só traz a verdade mais cedo. Como caem as ditaduras políticas, cairão as esportivas. A tecnologia reduz dia a dia o espaço disponível para os totalitarismos ? políticos, econômicos e esportivos.

A Fifa está sendo reprovada no teste básico do liberalismo: admitir que alguém diga a verdade que mais o detentor do poder odeia que seja divulgada. Outras pessoas, organizações, governos e religiões aprenderam que, no fim, a tecnologia mata o totalitarismo.

CIENTISTA POLÍTICO, É DIRETOR-GERENTE DA EARLY WARNING: OPORTUNIDADE E RISCO POLÍTICO (BRASÍLIA). E-MAIL: ALEX@EAW.COM.BR

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Perder é diferente de entregar

Estou me divertindo com a polêmica do Brasileirão. Sobre se o Grêmio entrega ou não o jogo para o Flamengo.

Ora, colorados, que passaram a exaltar o Grêmio, é ingenuidade mesmo achar que por causa de palavras bonitas o Grêmio vai se esforçar para ganhar do Flamengo.

A questão é quase lógica, binária. O Grêmio está no pelotão do meio do campeonato. Não tem chance de vaga de Libertadores e não tem possibilidade de cair para a 2ª divisão. Ou seja, nada a fazer.

O Flamengo é candidato ao título. Só depende dele para ser campeão. Uma simples vitória e o Mengão é hexa.

Dito isso, a pergunta é: quem vai se esforçar para ganhar o jogo? Quem tem motivação para ganhar, jogando em um estádio lotado, com sede de título? E mais, contra um adversário que fez uma ridícula campanha fora de casa no campeonato inteiro, ganhando apenas de um time, o Náutico?

O campeonato já está decidido.

E o Grêmio não vai precisar entregar nada. Só vai perder o jogo. Pela lógica.

É engraçado ver os colorados apelando para o Grêmio, como se toda a responsabilidade pelo título estivesse no rival. São 38 rodadas de campeonato. A responsabilidade de o Inter estar 2 pontos atrás do Flamengo é toda colorada. Eu, se fosse jogador colorado, me preocuparia com o Santo André e não com o Grêmio. Seria lindo ver o Grêmio ganhar do Flamengo e o Inter perder do Santo André. A primeira hipótese é bem improvável pela lógica já descrita acima. A segunda eu não descartaria.

Segue abaixo um e-mail de um colorado desesperado pedindo para o Grêmio fazer o que eles não fizeram no ano passado contra o São Paulo, e perderam para o Grêmio perder a liderança.

Logo em seguida, vem a resposta de um gremista amigo meu.

É ou não é divertido?

— Email do colorado sobre o que teria sido o jogo mais importante da história do Grêmio (esse já aconteceu, foi em 1983, contra o Hamburgo, quando fomos campeões mundiais).

O Jogo Mais Importante da História do Grêmio

“Domingo, dia 06 de dezembro de 2009, o centenário Grêmio Futebol Portoalegrense joga o jogo mais importante de sua história. No próximo domingo o tricolor gaúcho não defenderá apenas seu azul, preto e branco. Neste dia, o Grêmio terá a honra de ser o Rio Grande na sua plenitude e terá a difícil tarefa de provar que existe um Brasil sério, comprometido com princípios éticos mais elevados, pelos quais há anos todos brasileiros clamam.

Todos sabem da dificuldade do jogo contra o Flamengo, que vai ter um Maracanã completo ao seu lado torcendo. A derrota do time azul é previsível. Sendo derrotado o Grêmio, sagra-se campeão o Flamengo. Acontece o lógico. Como conseqüência, o Grêmio evita o campeonato colorado. Por uma, duas semanas, o assunto tomará conta da província. Mas logo a polêmica se abrandará e vida voltará a normalidade. Entretanto, como uma brasa que jamais se apagará, sempre ficará a dúvida se o Grêmio se fez vítima para prejudicar seu arqui-rival. Essa dúvida será sempre uma mancha na história de honradez gremista e servirá sempre de centelha para fomentar debates vis e mesquinhos.

Mas e se o Grêmio evitar a vitória do Flamengo? Quem será o tricolor gaúcho depois disso? Quem será o Rio Grande? Que exemplo ficará para o Brasil?

Caso o Grêmio evite a vitoria flamenguista, o tricolor gaúcho será de vez eternizado. Viverá para sempre na memória, na estrela da camisa, na sala de troféus colorada. Obterá o respeito digno e absoluto que todo arqui-rival merece e que somente o Internacional o poderá dar. Para sempre o Inter reverenciará o Grêmio como mais honrado e leal oponentes.

Um saldo positivo gremista no Rio de Janeiro no próximo domingo será a expressão máxima da virtude gaúcha. Aquela que significa a força moral, a pré-disposição firme e habitual para prática do bem do povo gaúcho, e que por isso é cantada com máximo de orgulho e fervor em todos o rincões deste planeta quando entoam sempre alto e em bom som: “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”. O Grêmio domingo defende o hino, defende a liberdade rio-grandense!

Uma vitória ou até mesmo um empate do Grêmio domingo demonstrará ao Brasil que há neste País gente séria. Gente comprometida com valores mais altos que simples interesses pessoais. Uma vitória gremista significa o repúdio ao político que não conclui os projetos do seu adversário; que emprega seu filho quando tinha que fazer concurso público; que deixa de comprar merenda escolar para fazer viagem pro exterior; que muda a lei apenas para se beneficiar.

Dar esse exemplo de retidão, hombridade por meio do futebol é comunicar diretamente ao povo. É dar o recado da forma mais clara, é direitamente avisar que a Justiça e a honestidade ainda existem e são exercitadas aqui no Sul deste nosso País.

Que difícil a tarefa gremista, que tem colocado em jogo, sob sua responsabilidade: a sua honra, a virtude gaúcha e a esperança brasileira.

Domingo é o jogo mais difícil da história gremista.

Mas como diz o ditado: “Deus jamais dá o fardo mais pesado do que possa carregar”.”

— Resposta do Gremista:

“Nunca vi tamanho desperdício da língua portuguesa! Quem quer que tenha escrito isto, ou endossado, não demonstra a seriedade que exige do Grêmio. Parece um discurso do Pedro Simon: pretensamente rebuscado, recorrendo seguidamente a moral e a ética, mas sem efeito pratico. Tibieza e atribuir a possível perda do campeonato a uma derrota do Grêmio para o líder jogando como mandante… Ou não? O que aconteceu na vida do Inter nas outras 37 rodadas também e de responsabilidade do Grêmio?

O titulo do email (Programação do Grêmio para o próximo jogo) contradiz o hino e a pregação vermelha. No domingo o Grêmio defendera a liberdade, a sua liberdade: não se deixara intimidar, não se deixara influenciar pelos que maltratam a lógica e fazem péssimo uso do hino.

Viva o Santo Andre!”

Se for pouco, segue também o blog de outro amigo meu, o Adriano Silva, que escreve bem pacas, mas torce para o time errado.


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Um grande time só se faz com um grande rival

Estive em Porto Alegre para o casamento de um amigo nesse final de semana. Impressionante como a cidade e o Estado respiram rivalidade. Rivalidade que vem desde os imemoriais de Chimangos e Maragatos, imortalizados em O Tempo e o Vento, de Erico Verissimo. Mais recentemente, Chimangos e Maragatos se converteram em petistas e outros partidos (PMDB, PPS, PDT) ou vice-versa — já nem sei quem herdou o quê de quem. E atualmente, com a débacle petista no quesito ética (ainda que Lula e Dilma venham fortes por aí), o que resta é a polarização do futebol, do Grenal.

Grêmio e Inter estão por todo o lado, em bonés, chaveiros, adesivos (como há adesivos nos carros dos gaúchos) e, claro, camisetas. Por todo o lado, em toda a cidade. E calhou que esse meu amigo, o Luiz “Teta” Felipe, resolveu casar no dia do centenário do Inter. Não foi por acaso. Foi proposital mesmo. Ainda que o gremista mais doente que eu conheço, o César “Cecé” Krebs estivesse indignado com os conselheiros gremistas, da família da noiva, que haviam permitido aquele disparate.

E lá estava eu, inocente, na entrada da festa, quando adentram os noivos. O Teta portando uma flamejante bandeira vermelha. Empunhando com todo o orgulho. E ao passar por mim, esfregando na minha cara, com toda a empáfia.

De raiva, para me vingar, estava esperançoso que o Grêmio estragaria a festa do centenário ganhando o Grenal  no Beira-Rio no dia seguinte. Mas não rolou. (Pelo menos serviu para derrubar o técnico tricolor, que já estava incomodando à beça.)

E em meio a toda rivalidade, o Grêmio publicou o anúncio abaixo no jornal Zero Hora.

Anuncio-gremio-centenario-vermelho

anuncio-gremio-centenario-vermelho-2Achei bacana. Acolhedor. Reconhecedor da beleza do adversário. Lembro do Senna na Fórmula 1, cujo brilho sempre era exaltado pela habilidade e genialidade de Alain Prost. Privilégio que Schumacher nunca teve, pois foi um campeão sem rival à altura. Ao contrário de Grêmio e Inter. Na eterna gangorra, quando um está por cima, o outro está por baixo.

E de nada adianta colorados engraçadinhos falarem em freguesia, pois o Gremio é bicampeão da America e tem mais pontos nos rankings de futebol.

A rivalidade continua…

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Domingo de futebol

Ontem peguei o boné, o óculos de sol, passei um Sundown, coloquei um tênis velho no pé, uma bermuda larga e uma camiseta cinza e fui camuflado ao Palestra Itália assistir Grêmio x Palmeiras.

Na chegada, um pouco de apreensão com os palmeirenses rodando a entrada da torcida do Grêmio. Nada demais.

A bola já estava rolando quando entrei. Um gramado para lá de verde. O estádio cheio de vaga-lumes no sol. A camisa nova do Palmeiras é um verde-fosforescente de gosto duvidoso. Quase da cor da camisa do juiz, que foi obrigado a vestir uma camisa cor-de-romã.

No primeiro tempo, um susto com a bola na trave na cabeçada do Alex Mineiro. Depois, boa jogada do Tcheco, que lançou Reinaldo, que passou para Marcel. De frente para o gol… para fora. Burro! Teve ainda um chute do Souza e outro do Reinaldo. E poucas jogadas do Palmeiras. O Grêmio estava com sorte. As bolas divididas estavam sobrando para nós.

No meio da torcida, um gringo e uma gringa. Ele do Canadá, ela da Sérvia-Montenegro. Ambos em roupas estranhas para o estádio. Ele vestia óculos de grife e camisa agarradinha combinando com jeans surrado. Ela vestia um óculos moscão, um chapéu meio-panamá estiloso. Cairia bem no Jóquei. Tiraram várias fotos com a bandeira do Grêmio e tenho certeza que saíram gremistas.

Ao meu lado, um pai e um filho gaúchos que vieram para o Salão do Automóvel e aproveitaram para ver o Grêmio.  Uma paixão que não se explica.

Segundo tempo. O Grêmio continua melhor. A zaga reserva, com jogador de 18 anos estreando, é perfeita. Denílson, o jogador-enganação, é substituído. Diego Souza, que jogou muito no Grêmo em 2008, se lesionou e por sorte não jogou ontem. 27 do segundo. A falta é cobrada para Tcheco. Ele dá dois passos e joga a bola na área. Ninguém toca. Ela quica, e morre no fundo do gol de Marcos. Goooooooooooooooooooooool!!! Dois caras que nunca vi antes me abraçam. Só mesmo em estádio de futebol.

Alguns sustos nos minutos finais, mas nada demais. A torcida vaga-lume se cala. A tricolor vibra como nunca.

Fim de jogo. O time do Grêmio vem correndo para agradecer a torcida, renovando a febre tricolor. É o que explica a vontade de gritar pelo time por 90 minutos.

Na saída, passo firme, sem olhar para o lado. Afinal, melhor não ser reconhecido como adversário em dia de derrota em casa… Tudo tranqüilo.

Agora, só dois pontos de distância do São Paulo. Domingo que vem tem mais.

Na volta, em casa, Gutão fica feliz da vida com o resultado. E pergunta: O Inter teve azar hoje, papai? Não, mas quem se importa com isso hoje? 

Que domingo!

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Fala, louco! – parte 2

Segue a 2a parte do texto sobre Teta e a turma do Rivera (link para a 1 parte):

O contraponto da liberdade era a melancolia da cidade. A praia ficava com cara de cidade-fantasma no inverno. Não tinha nem gente suficiente para jogar futebol. Triste, como a cara de um dia cinzento. Nos feriadões de final de ano, 7 de setembro, 12 de outubro, 15 de novembro, até rolava um jogo de bola. Às vezes a gente encontrava figuras de verão errando por lá, como Dudu Winter, Renatinho Negão, Guto e outros. E aí saía jogo.

À noite, o centro de Capão era o retrato do abandono. Aqueles que se arriscavam encontravam quase tudo fechado: o Gut-gut (que fazia batidas memoráveis), o Bolicho (uma casa de boliche erguida toda de madeira. Um clássico da cidade. Com madeira que estavam lá há décadas, decadente que só. Cada vez que alguém jogava uma bola rezava não para derrubar os pinos, mas sim para não furar o chão!”). Até o fliperama ficava fechado. Não podíamos jogar a Copa do Mundo, em que a regra clara era: “Quem mandou golear o primeiro?. Se isso acontecesse,o segundo ficava mais forte e assim por diante. Era assim o mecanismo do jogo. Ou pelo menos a gente achava que era.

O que funcionava bem na cidade era o vento gelado, que dificilmente era amainado pelo calor das lindas meninas do sul do País. Poucas se arriscavam no inverno… Era quase uma insanidade passear no centro de Capão no inverno. Por isso a gente ficava pelas casas, tomando vinho de garrafão (Sangue de Boi, ou Sâng du boá, em bom francês), fazendo caipirinha de Velho Barreiro, jogando War ou conversa fora.

No verão era tudo diferente. Disputávamos aguerridos campeonatos de botão. Na primeira divisão só jogava a gurizada maior. A segunda divisão era para os irmãos menores. Dificilmente alguém saía de uma divisão para outra. A não ser quando o último colocado fosse o Cecé Carapa. Só pelo prazer de vê-lo jogar contra a molecada. A regra não durou mais de um campeonato, pois logo o Cecé subiu para a primeira divisão. Os jogos aconteciam dentro do salão de festas do Rivera, que tinha um grande pátio interno. Lá a galera corria – entrava e saía sem pedir autorização para ninguém, em um tempo em que segurança era uma palavra que pouco preocupava.

Tudo sempre acontecia no Rivera, o ponto de encontro da galera. Tinha cada espécie por lá… O Dudu Gordo era uma delas. Ele não fazia parte da panelinha, mas na volta do centro de Capão era figurinha carimbada nos papos filosóficos, que incluíam as seguintes pautas: a próxima bagunça que seria feita, certa menina da galera que andava saindo com alguém que não era da turma, a tática para vencer o time de futebol rival, a próxima festa da Saac ou da Rocky Point, em Atlântida. No caso do Dudu Gordo, o assunto era o fato de que ele era amigo dos seguranças de porta de puteiro em Porto Alegre…

No Rivera também tinha um pessoal de uma banda chamada Transaminase. O hit deles era uma música da Bandalhera chamado “Campo Minado”. O Dudu Gordo jurava de pé juntos que eles haviam composto. Tinham canções próprias também. Uma delas era: “Capão é um balneário/que acomoda muita gente/no inverno é frio para caralho/ e no verão é quente.” A Bandalheira era a versão praiana das bandas de rock de garagem que abundam em Porto Alegre. De certa maneira (acho que por falta de outras), era a referência para os projetos de roqueiros da turma que nunca vingaram. Marcelinho, meu primeiro grande amigo e ponto de contato com a turma do Rivera, e Cecé eram os que mais chegavam perto de conseguir tocar algo. O panamenho JJ era o mestre – e segue tocando até hoje, muito bem, por sinal. Mas a carreira musical nunca passou de uma brincadeira para todos.

Teve um que até se arriscou a cantar ópera. (continua)

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Tricolur!

Quem me conhece um pouco sabe que não troco duas horas do final de semana quando o Grêmio joga por quase nada. Essa coisa de torcer para um time é um pouco inexplicável. O que justifica o fato de eu pagar R$ 38 por mês para ser sócio de um clube que joga há mais de 1 000 quilômetros daqui? Pior ainda, fazer de tudo para o filho ser gremista também… (Não venham os colorados dizer que é loucura mesmo torcer para o Grêmio porque eu tenho dezenas de argumentos para rebater…)

Em breve vou postar aqui o artigo de “Como fazer seu filho torcer para o seu time mesmo vivendo em outra cidade”. Pois o Gutão virou tão gremista que dia desses perguntou para o meu pai:

– Vovô, qual o time do tio Bru? O vô respondeu: Grêmio.

– E qual o time da vovó? Grêmio… respondeu o vovô.

– E você, vovô, porque não se junta ao Grêmio?

Acho que essa perguntou acabou com todas as esperanças de meu pai ao menos ter um neto simpatizante do Inter! E muito menos ainda ao ouvir Gutão cantar: “Tricolur, tricolur, tricolur!”, de um jeito todo peculiar em referência ao uniforme tricolor azul, preto e branco do Grêmio.

PS: Uma coisa legal em São Paulo é responder para qual time eu torço. Quando respondo Grêmio, os paulistas sempre perguntam: “E aqui em São Paulo, para qual time você torce?”. Juro que no início eu não entendia essa pergunta, mas acredito que ela vem da mesma fonte que faz muita gente aqui dizer: “Vamos combinar de você ir lá em casa” ou “Vamos combinar de almoçar” e nunca concretizarem o convite. É a tal da cordialidade do Sergio Buarque de Holanda, levada ao extremo. Por isso, o pessoal espera que eu diga que torço para um time de São Paulo. Sinceramente, não consigo. E desconfio de gremistas e colorados que vêm para cá e escolhem outro time para torcer.

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