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Qual nosso tamanho correto no mundo? Pequeno, bem pequeno…

Excelente entrevista de Martin Rees no Estadão. Uma incrível capacidade de nos colocar em nosso lugar certo, como um estágio da evolução mais ou menos na metade dos 9 bilhões de anos de vida útil do sol.

Uma incrível dose de humildade.

Jornal *O Estado de S.Paulo* – Domingo, 7 de março de 2010

UMA TERRA DE NINGUÉM?

Para cosmólogo, a pior catástrofe não são os terremotos, mas a onda de desleixo que avassala o planeta

*MARTIN REES*

em entrevista para Christian Carvalho Cruz

Terremotos, inundações, nevascas, tsunamis e outros desastres naturais matando tantas pessoas pelo mundo seriam sinais do início do fim dos tempos?

Não há evidência sólida de que esses eventos sejam mais freqüentes agora do que no passado. Mas é claro que as sequências são mais severas, porque há mais pessoas e por causa da maneira como nós vivemos nas cidades.

Gelo diminuindo no Ártico, iceberg que se desprende da Antártida. O sr. crê em aquecimento global?

Acho que há indícios bastante fortes de que o mundo está se aquecendo por causa das atividades humanas. Mais importante: nós sabemos que a concentração de dióxido de carbono no ar é maior hoje do que foi por centenas de milhares de anos e, se continuarmos a depender da energia de combustíveis fósseis, no final deste século essa concentração terá duas ou até três vezes o nível observado no período pré-industrial. A física simples sugere, então, que há um risco alto e real de mudanças climáticas graves e irreversíveis.

A capacidade do ser humano de se adaptar a condições de vida adversas impede que ele reaja e faça algo para evitar o próprio fim?

Sim, nós podemos nos adaptar. Mas será que, em vez disso, não deveríamos tentar impedir que o mundo se altere a ponto de o meio ambiente ser irreversivelmente degradado e a biodiversidade, destruída? O mundo desenvolvido precisa ser mais eficiente no uso da sua energia. Uma enorme quantidade de calor é desperdiçada por ineficiência das edificações e (especialmente nos Estados Unidos) por conta do excessivo transporte rodoviário, extravagante na utilização de combustível. Temos de embarcar nas novas tecnologias do século 21 e garantir que o resto do mundo evite os erros cometidos pelos Estados Unidos e pela Europa.

Ainda temos tempo para evitar o fim ou devemos nos resignar?

A aplicação prudente da ciência e a distribuição justa dos benefícios da globalização entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento reduziriam o risco de danos à nossa civilização. A crise financeira nos fez lembrar do perigo de acontecimentos imprevisíveis – eles têm baixa probabilidade de acontecer, mas, quando acontecem, as consequências podem ser desastrosas. A ação internacional foi eficaz na prevenção de um colapso financeiro completo. Mas o foco sobre os bancos destacou as injustiças sociais decorrentes das enormes desigualdades em termos de riqueza. A crescente desigualdade, especialmente entre a elite financeira e o resto, é socialmente corrosiva. O prestígio dos banqueiros deve ser reduzido ao dos corretores de imóveis ou dos vendedores de automóveis.

Por que o sr. diz que temos 50% de chance de sobreviver ao século 21?

Eu não digo exatamente isso. Eu acredito que iremos sobreviver, mas há 50% de chance de nossa civilização sofrer um sério revés até lá. É difícil prever em que grau estará a evolução tecnológica 25 anos adiante. Lembre-se que décadas atrás a internet, o iPhone e a navegação por satélite (GPS) pareceriam bruxaria. Precisamos garantir que as inovações tecnológicas que virão sejam usadas para o bem, como essas que citei têm sido. E temos que aceitar que os riscos e os

desafios éticos da biologia sintética sejam tratados por um acordo internacional. Acima de tudo há o desafio político para evitar conflitos em um mundo no qual será cada vez mais difícil obter equilíbrio entre o autoritarismo e a anarquia.

Por que o sr. acredita nisso?

Porque pequenos grupos criminosos ou dissidentes (ou mesmo indivíduos) estarão mais habilitados pela tecnologia moderna, podendo causar perturbações muito maiores. Vai ser mais difícil preservar as liberdades tradicionais.

O sr. também diz que, se sobrevivermos, um futuro glorioso nos espera. Que futuro é esse?

Como astrônomo, eu sei que o Sol não está nem sequer na metade de sua existência. Levou 4 bilhões de anos para que nós evoluíssemos desde o primeiro sinal de vida. Mas, tendo em vista o que resta de tempo ao Sol, ainda há pelo menos 5 bilhões de anos pela frente para uma evolução “pós-humana”, sobre ou fora da Terra. Os seres humanos não são o ponto culminante da evolução, assim como não o era o primeiro peixe que rastejou para a terra seca.

O que é evolução pós-humana?

Não há mais tempo pela frente do que o tempo que foi necessário para evoluirmos até aqui, a partir do lodo primitivo. Assim, a vida pós-humana poderia ser diversa e maravilhosa – e tão diferente de nós como nós somos de um inseto.

Quais os três maiores perigos que enfrentaremos neste século?

Primeiro: que os seres humanos, coletivamente, devastem a biosfera, destruam a biodiversidade e mudem o clima de maneira nociva. Segundo: que possa haver uma guerra nuclear entre novas superpotências. Terceiro: que alguma tecnologia nova possa apresentar risco se for usada de modo equivocado ou por terroristas.

Afora as pessoas muito religiosas, gostamos de acreditar que a ciência sempre será a nossa salvação, sempre encontrará maneiras de nos manter aqui, num razoável bem-estar. Quando leio seus textos fico com a sensação de que a ciência, na verdade, possa se tornar o nosso maior algoz. O sr. é um cientista que teme o que a ciência pode fazer?

Eu tenho grandes esperanças, e também grandes medos. Acredito que a resposta para os problemas do mundo não seja parar a ciência, mas prosseguir com ela e conduzi-la melhor. As tecnologias que alimentam o crescimento econômico hoje – miniaturização, tecnologia da informação e medicina – são benéficas no modo como estão poupando energia e matérias-primas e beneficiam tanto os ricos quanto os pobres.

A ciência deve ser controlada? Quem estabeleceria os limites?

Os limites são fixados pela prudência e pela ética. As decisões sobre esses limites não devem ser feitas só por cientistas, mas pelo grande público em geral. É por isso que é importante que todos tenham algum interesse pela ciência. Do contrário não há debate político sério sobre os problemas (e há cada vez mais deles) nos quais a ciência desempenha um papel, como meio ambiente, energia, saúde, segurança.

A humanidade precisava da ovelha Dolly?

Nós não queremos a reprodução humana por clonagem, mas podemos obter reais benefícios médicos e agrícolas a partir da biotecnologia moderna. Na ciência sempre há riscos quando fazemos algo pela primeira vez. Mas, obviamente, devemos aceitar alguns desses riscos. Do contrário não avançamos.

O sr. mantém a aposta de que um evento bioterrorista ou de bioerro fará 1 milhão de vítimas até 2020?

Eu tenho esperança de perder essa aposta. Mas o risco é real.

Os ambientalistas repetem que a Terra não terá recursos suficientes para manter uma população mundial de 8 bilhões de pessoas em 2050. O sr. concorda?

A “capacidade de carga” do mundo depende do nosso estilo de vida. Ela nunca será sustentável se 8 bilhões de pessoas viverem como os americanos. Mas podemos viver de forma civilizada, com base nas novas tecnologias. Certamente seria melhor se, após 2050, a população mundial começasse a diminuir em vez aumentar. Há uma preocupação especial com o crescimento rápido na África, onde será difícil escapar da “armadilha da pobreza” a menos que as taxas de fecundidade caiam para os níveis de outras partes do mundo.

O que o fim da Terra e da raça humana significará para o Universo?

Depende se a vida inteligente é algo raro ou comum. Se é uma Exclusividade da Terra, nossa destruição seria uma catástrofe cósmica. Se ela está generalizada no Universo, seria uma catástrofe para a humanidade, mas uma trivialidade em perspectiva cósmica.

Nós devemos pensar em como manter a vida sem uma Terra para viver? Que opções teríamos?

Espero que algumas pessoas que vivem hoje possam caminhar em Marte. Mas acho que isso será alcançado por meio de um programa de alto risco e custo baixo (em vez do estilo atual da Nasa, mais voltado para a questões de segurança e, por isso, caro demais). As primeiras pessoas a irem a Marte poderão ter um bilhete só de ida e nunca mais voltar.

Em qualquer lugar no espaço o ambiente é mais inclemente do que na Antártida ou nos picos dos Andes. Só os aventureiros vão querer ir.

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A importância da ausência em nossas decisões

Retomei a leitura do livro Stumbling on Happiness, do professor de Harvard Dan Gilbert, do qual já coloquei uma ou outra citação por aqui. O capítulo que peguei agora fala sobre a nossa incapacidade de avaliar as situações por meio da ausência. O cérebro humano percebe muito bem a presença, mas não consegue levar em consideração nas decisões aquilo que não aparece. Por isso, em nossos sonhos de viver de água de coco na Bahia, se aposentar em um iate ou de viajar pelo mundo pegando onda, consideramos somente essas possibilidades. E deixamos de lado na análise a falta de opções culturais da vida na beira de uma praia paradisíaca, a preocupção em fazer compras da semana (batata, cebola, desodorante, papel higiênico, sabão em pó) e a falta de amigos nas andanças pelo mundo (ver post O contágio da felicidade).

Em outras palavras, nossas previsões sobre eventos futuros somente consideram o efeito que imaginamos e não o resto das coisas que faremos. Exatamente por esse motivo, aceitamos convites que parecem interessantes com seis meses de antecedência e quando chega perto da data nos arrependemos amargamente.

Nas decisões sobre o futuro, consideramos pensar na razão, no ‘por quê’, de determinada decisão e não no ‘como’. O convite para jantar na casa de conhecidos daqui a 30 dias pode parecer excelente hoje porque pensamos em como pode ser bom o bate-papo, a comida etc. Entretanto, na véspera do evento, o ‘como” começa a impactar. Você pensa que vai ter fazer tudo correndo no trabalho e em casa, no  trânsito até chegar lá. Lembra também que que vai ter que acordar cedo no dia seguinte e que vai perder o jogo de futebol na tevê justamente no horário do jantar…

Em um estudo conduzido na universidade da Virgínia (EUA), um grupo de estudantes foi convidados a prever qual seria o impacto de uma derrota ou vitória contra outra universidade em um jogo de futebol americano e a descrever esses impactos. Outro grupo não precisou descrever. Mais tarde, chegou-se à conclusão que aqueles que não descreveram superestimaram o que aconteceriam (ou ficariam muito felizes ou sofreriam muito). Porque quando eles imaginaram os efeitos que a vitória ou a derrota causariam neles, deixaram de lado outras coisas que impactam no seu estado de felicidade, como beber com os amigos na derrota (que seria ótimo) ou ter que estudar para a prova de química, no caso da vitória (o que não seria tão bom).

A ficha caiu. Podemos sofrer ou ficar muito excitados por antecipação simplesmente porque focamos apenas em um aspecto do futuro, o evento em si. Pense nisso da próxima vez que sofrer por antecipação por conta de um evento de família no domingo justo na hora do jogo de futebol (pode ser que tenha TV por lá e isso fará com o que o evento fique melhor). Ou levar em conta só o lado bom de uma questão em uma decisão importante. Como se mudar para viver e trabalhar em uma cidade menor, mais tranqüila, e chegar lá e perceber que o mercado é muito pequeno, que a população local é pouca receptiva a estrangeiros e que o inverno pode ser muito deprimente.

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Rapidinhas

Dúvida – Augusto comendo frango no almoço. Pai, posso guardar esse osso? Não, filho, a gente não guarda osso. Por quê? Porque osso tem gordura, fica com cheiro ruim, atrai bichos. E quando as pessoas morrem, porque a gente guarda os ossos lá no cemitério? Ops…

FutureMe – Minha colega Gabriela Werner, que sempre descobre coisas legais (entre elas o livro Let my peopleo go surfing, do fundador da Patagonia!), acabou de dar outra dica: o site FutureMe. A ideia é colocar uma mensagem para vc mesmo no futuro. Acabei de mandar uma para mim daqui a um ano. Só para reforçar o pensamento positivo de coisas que estão para acontecer! Já estou curioso para ler!

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