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O Greenpeace acertou de novo – campanha para COP15

E a COP15 está rolando em Copenhague. Mais de 30 000 pessoas inscritas para um lugar onde caberiam 15 000. Acho que escolheram a cidade errada para um evento de tamanha importância, com o incrível potencial de decidir o futuro da humanidade. Talvez essa seja a visão negativa. A visão positiva é que o evento ganhou tanta relevância que nem os organizadores esperavam tanto… E aí lotou. Acho que é um bom sinal.

E falando em chamar a atenção, o Greenpeace conseguiu de novo! A campanha que fizeram para chamar a atenção da sociedade civil sobre o papel dos governos no evento em Copenhague é genial. Por alguns motivos:

– Projeta no futuro o possível impacto de uma decisão que está sendo tomada agora – todo mundo sempre quer saber sobre o futuro e por isso chama a atenção. Principalmente pela projeção de idade dos principais líderes mundiais;

– Tem o timing perfeito (começou na semana passada, logo antes do início da COP15);

– Ganhou visibilidade mundial. No Brasil, foi para as páginas da revista mais lida no país;

– Ajuda a dimensionar bem o impacto das decisões dos líderes atuais escolhidos pela própria sociedade e que estão com mandato para tomar decisões que vão impactar a todos no médio prazo.

Há quem diga que o Greenpeace é controverso, que há interesses por trás e tantas outras coisas. Pode ser, mas é inegável a capacidade de comunicação que possuem.

Compartilho aqui três destas peças da campanha “I’m sorry”.

Quem quiser ver todas, só clicar aqui.

Tendo os publicitários tanto poder em influenciar decisões das pessoas, é um desperdício ver mensagens jogadas ao vento, sem reflexão. Propaganda besta, como muitas que vemos por aí e que de nada ajudam a sociedade a evoluir. Pode ser ingenuidade minha achar que toda peça de propaganda deveria fazer isso. Ok, se não isso, que ao menos propaganda responsável já seria algo bastante produtivo.

Dito isso, vale aqui uma referência ao post sobre propaganda bunda-mole. Não conheço o autor do blog, mas já dei uma espiada por lá e achei bacana. E como sempre vale a pena a boa propaganda, vale também linkar para uma boa reflexão.

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É nóis na Economist!

Há três semanas, estive no Economist Summit (veja post “Da Arte de ver a floresta e não só as árvores”), um seminário do semanário inglês cujo tema foi o Brasil. Havia muitos especialistas, empresários, acadêmicos. Todos discutindo os rumos do Brasil. As conversas foram muito boas. Conseguiram captar a essência do ambiente empresarial brasileiro, com toda sua vontade, dinamismo, defeitos e incongruências, mas que inegavelmente está em momento de decolada.

Não tenho dúvidas de que esse espírito que ficou evidente nas discussões foi o principal motivador da publicação dessa matéria de capa da Economist que foi lançada hoje (de tão tosca, chega a ser boa, diga-se de passagem).

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O editorial da revista é muito abonador para o Brasil. Um colega meu jornalista que morou em Londres por muito tempo e é fã da revista não se conteve é mandou o e-mail com o título: “É nóis na Economist”!

É nóis mesmo! A publicação começa dizendo que havia muito ceticismo quando o acrônimo BRIC foi criado, que o Brasil não caberia nesse B. Pois bem, no parágrafo seguinte, começa a enumerar os benefícios do Brasil.

Segundo os jornalistas, o ceticismo foi para o espaço. Diz que o país não evitou a crise, mas foi um dos últimos a entrar e um dos primeiros a sair. A economia está crescendo 5% em taxa anualizada e deve crescer mais com os campos de petróleo descobertos, enquanto a Ásia está ávida pela comida e minerais produzidos no Brasil. E todos sabem que asiáticos são mercadoria em abundância no planeta! E as  previsões indicam que em 2014 o Brasil deve ser a 5a maior economia, superando Grã-Bretanha e França. Motivo de orgulho brazuca! Para a revista, mais motivo de orgulho, o Brasil debutou no primeiro mundo com as Olimpíadas e com a Copa do Mundo.

Muito bem, isso é o que temos hoje, e que não foi conquistado do dia para a noite. Economist aponta o trabalho, a lição de casa, feita pelo país para ‘chegar lá’. Fala do controle da inflação, autonomia do Banco Central, lei de responsabilidade fiscal e privatização. Uma receita eficiente. Grandes empresas como Vale, Petrobras, Embraer, Gerdau e JBS são citadas como companhias de atuação mundial. E cita a imprensa forte e vigorosa (dessa parte eu me orgulho muito!).

Mas….

Mas – sempre tem o mas e isso é muio bom – tem o lado negativo também. Aumento dos gastos do governo, poucos avanços em educação e infraestrutura perto do que precisa e violência em algumas partes do país. E a revista lembra que o governo e a sucessora candidata Dilma pouco caso estão dando para a reforma trabalhista (ponto que emergiu com destaque no seminário em São Paulo).

E a parte que o presidente Lula não deve nada nada ter gostado de ouvir foi a de que é um presidente de sorte e que o crescimento do país nesses anos se deu na esteira das reformas promovidas pelo seu antecessor FHC. E que para manter o desempenho o próximo presidente terá de tratar de alguns problemas que foram deixados de lado. “O resultado da eleição pode determinar a velocidade com a qual o Brasil avançará na era pós-Lula.”

O melhor da matéria está reservado para o final, quando a revista diz que tudo isso foi conseguido em um ambiente livre e democrático, que o presidente Lula, apesar dos arroubos totalitários que de vez em quando lhe arrebatam (essas são palavras minhas), faz questão de manter e reforçar.

Certa vez estive em um almoço com FHC (sorte a minha) e não resisti a fazer a pergunta sobre qual tinha sido o maior legado dele para o país. Ele não pestanejou em falar que foi o de lutar para manter o ambiente democrático, conquistado a muitas penas. Mais estadista impossível. Senti o mesmo orgulho que ao ver essa matéria na Economist.

Mas — e aqui tem outro ‘mas’ — é bom que essa capa não seja pretexto para dizer que tá tudo bem, porque não tá. Provavelmente enquanto estava sendo impressa a revista, aconteceu o apagão (e sobre isso não há uma linha). Temos ainda tiro ao helicóptero e agora perseguição social, como na menina da Uniban.

Ou seja, é para ter orgulho, sim, mas não para esquecer que somos ainda uma sociedade em amadurecimento. Melhor lembrar disso pelos próximos sete anos para a maré boa não passar no pós Olimpíadas.

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Rio 2016 – uma bela campanha de comunicação

Consegui ver, por acaso, confesso, a apresentação brasileira na candidatura à Olimpíada. Estava acompanhando à distância o assunto e fiquei até surpreso na semana passada em saber que o resultado sairia dali a alguns dias. E fiquei ainda mais surpreso quando vi a delegação brasileira defendendo o Rio. Foi de arrepiar. Todo mundo seguro, falando com paixão e emoção do que o país faria para sediar os jogos em 2016. Então, subiu Lula ao palanque. Pela primeira vez fiquei realmente orgulhos de ver o Nosso Guia, como diria Elio Gaspari, falando do país. O discurso foi uma obra prima. Gostaria de saber quem fez para aprender um pouco mais sobre a arte de escrever discursos. Tenho trabalhado bastante com isso nos últimos anos e sei o quanto é difícil inserir emoção nas palavras alheias. O discurso é uma coisa estranha, porque é algo que você escreve, mas que no final não ‘sai’ de quem escreveu. O maior desafio, e o que me deixa feliz, é conseguir encaixar as palavras, os pensamentos, como em uma matéria. Tem que ter lógica, razão, ritmo, dados, pensatas e… emoção!

Por isso, vale aqui a referência. Esse discurso do Lula é uma obra-prima. Interpretado com maestria. Nada como falar ou fazer algo em que se realmente acredita. O resultado final é sempre o melhor possível.

Aproveitando, segue aqui também dois clipes da candidatura. Belas obras de arte, produzidas pela O2 (Fernando Meirelles).

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O político mais popular da Terra

Vejam só o que Barack Obama falou de Luis Inácio Lula da Silva na reunião do G20 hoje. Incrível ter um presidente assim. Lula deveria ser estudado por Harvard como um case de político carismático.

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Vitórias rápidas de Obama

Para quem já fez algum treinamento em gestão de projetos, certamente ouviu falar do conceito de ‘quick win’. A ideia é que grandes projetos, que envolvem muita gente e muitas áreas, precisam de vitórias rápidas para dar a sensação de que a coisa está andando. Serve também para motivar a equipe e para passar sinais para quem está de fora.

A gestão de Obama está cheia desses quick wins.Veja alguns:

  1. Na semana passada, a sensacional notícia da lei que determina que homens e mulheres devem ter salários iguais.
  2. Hoje, Obama criou um teto de 500 mil dólares de bônus para executivos de bancos que tenham recebido ajuda do governo. O argumento é de que não faz sentido esses profissionais ganharem bônus milionários quando as empresas que geriam estiveram à beira da falência por alguns anos. É uma resposta à pressão da sociedade sobre essa questão. Quick win.
  3. Também hoje, aumentou os impostos sobre os cigarros. Essa verba será direcionada para o programa de seguro saúde para crianças.

Obama dá sinais de que não está para brincadeira e precisa aplacar a ansiedade de milhões de pessoas que estão de olho no seu governo. Até os 100 dias se completarem, a vigilância vai ser forte.

Enquanto isso, lembrei de uma das primeiras, se não a primeira, ação do governo Lula. A criação do programa Fome Zero. Ele estava morto, mas ressuscitou num artigo no periódico The Economist, onde Lula fala que o programa vai bem, obrigado. Literalmente, para inglês ver… Mesmo assim, a popularidade de Lula está em 84%, em plena crise finaceira internacional. Realmente, o homem é um fenômeno político. Há muito o que se aprender com ele.

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