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O que faz um país feliz?

Já havia escrito sobre a Costa Rica aqui e agora acho que vale voltar ao ponto. Principalmente, porque o tema felicidade volta a ser abordado. Na semana passada, o colunista Nicholas D. Kristoff, no NY Times, falou sobre o país depois de tê-lo visitado com a filha de 12 anos. Ficou impressionado com tudo o que viu e chamou a atenção para o fato de que o país é o mais feliz do mundo em três índices diferentes.

O primeiro é o World Database of Happiness, compilado por pesquisadores Holandeses a partir de pesquisas feitas pelo Gallup. Entre 148 nações, a Costa Rica é o país que fica em primeiro lugar a partir das respostas das pessoas à pergunta sobre qual o seu nível de felicidade em uma escala de 1 a 10. O Brasil está em 18º lugar, com média de 7,5. Os mais felizes são Costa Rica (8,5), Dinamarca (8,3), Islândia (8,2), Suíça (8,0) e Canadá (8,0). Veja a lista completa.

Pesquisadores também tentaram calcular a felicidade determinando “anos de vida felizes”, misturando felicidade autodeclarada com expecativa de vida. Costa Rica ficou em primeiro (66,7 pontos), Estados Unidos em 19º (58) e Zimbábue em último (12,5). O Brasil está acima da média com 53,6.

Uma terceira medida seria o “happy planet index,” da New Economics Foundation, que combina felicidade e longevidade, mas considera também o impacto ambiental. A Costa Rica também fica em primeiro. Nessa, o Brasil está bem, em 9º lugar. (Certamente esse índice não considera o ambiente político…)

Estive na Costa Rica por duas vezes. A primeira foi em 1997, na estreia em surftrips. Estava deslumbrado e era novo demais para me preocupar com a questão ambiental ou qual a importância dessas questões na felicidade das pessoas. Lembro bem de uma coisa, porém. E essa não escapa de nenhuma pessoa que pise por lá. O lema: “Pura Vida”. A felicidade era evidente na maioria das pessoas com as quais conversei. Obviamente, estar perto de turistas é sempre bom, pois significa fonte de receita, novidade, troca de experiências etc. De todo modo saí com a melhor das impressões.

Estive de volta lá em 2008. Desta vez, fiquei apenas no idílico lado do Caribe, no vilarejo de Puerto Viejo. Em um dos dias, depois de uma das intensas sessões de surfe que dão uma fome danada, parei para comer uma pizza de fatia. Achei que uma ia dar conta, mas precisei de outra. Quando fui pedir o segundo pedaço, a atendente olhou para a pilha de pratos plásticos e em seguida olhou para o balcão onde estava parado o prato que eu estava usando. Então, sem nem perguntar, ela pegou meu prato usado e disse: “Hay que cuidar del planeta”. E colocou ali o segundo pedaço de pizza.

Estou para ver consciência ambiental como essa em atendentes de pizzaria no Brasil ou mesmo em outros lugares. Não à toa, depois de 11 anos, o mesmo lugar, a costa caribenha, parecia absolutamente igual. Praias maravilhosas, algumas intocadas, sem especulação imobiliária à beira-mar. Gisele Bundchen, muita esperta, até comprou casa por lá, na costa do Pacífico, um pouco mais urbanizada, mas ainda assim bem cuidada.

E vale repetir aqui o que escrevi em outro post: A Costa Rica aboliu o éxercito na década de 40, e investiu toda a grana em saúde e educação. Um país bem educado, que valoriza a relação com a natureza e, não por acaso, está entre os países mais felizes do mundo.

Leia mais: O que fizemos de errado

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Qual o seu ponto?

Até o dia 30 de março, está sendo feita uma consulta à sociedade para a escolha do tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano Brasil, do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

A ideia é levantar uma questão que possa ser abordada no relatório. Dentro os vários pontos, fico com dois: empreendedorismo e educação.

Temos um ambiente pouquíssimo propício para a criação de empresas (e trabalho) no país. O Brasil é o recordista entre os piores no tempo de abertura de empresa, na quantidade de impostos, na legislação antiquada etc. A lista vai longe. Isso apesar do fato de que a grande maioria das vagas que são criadas está nas pequenas empresas. Em 2002, fiz uma matéria sobre o assunto, mostrando a pujança das pequenas empresas. Desde então, pouco feito para melhorar o ambiente para os empreendedores, além do trabalho de ONGs como Endeavor e de órgãos como o Sebrae. Mas enquanto o tema não entrar na lista de prioridades do governo, pouco vai evoluir.

Sobre educação, cito apenas o exemplo da Coreia do Sul, que em três décadas saiu de posições marginais entre os países mais desenvolvidos do mundo para figurar entre os principais. Simplesmente porque resolvu investir em educação. No site do Todos pela Educação, movimento apoiado por grandes empresas, há muita informação sobre o tema. Esse movimento tem chance de causar a mudança. Não adianta querer dizer o contrário, as grandes transformações estão sempre acompanhadas de capital (com exceções notáveis como Gandhi). E se as grandes empresas apoiam, a chance de dar certo é alta.

(Acabei de encontrar esse trecho sobre educação na internet.

“Vejo a Reforma da Educação como um dos maiores desafios de nosso país. Em parte porque se trata de uma questão econômica: não podemos desenvolver nosso potencial econômico quando tantos estudantes saem do segundo grau e nunca vão para a universidade. E parte porque se trata de uma questão de justição social: como um país, nós colocamos os estudantes que mais precisam para as escolas de terceira classe, onde eles nunca têm a ajuda que pode tirá-los da pobreza.

Engraçado é que não se trata do Brasil, mas dos EUA – foi escrito pelo colunista do NY Times Nicholas Krystoff, falando sobre o discurso de educação que Barack Obama acabou de fazer. A ficha caiu: Ou seja, se o país líder do mundo se preocupa com isso e nós não quer dizer que não seremos líderes tão cedo…)

Sobre o Relatório do PNUD, segue abaixo o e-mail que recebi:

“Peço que divulguem para suas redes, suas bases, seus blogs e páginas, suas famílias, seus amigos, seus colaboradores, suas comunidades, sua gente.
O próximo Relatório de Desenvolvimento Humano Brasil está em processo. Será pioneiro e, talvez, modelo para futuros Relatórios da ONU.
Pela primeira vez os dados estatísticos, todos os números, cifras, percentuais, índices terão alma.
Está sendo conduzida uma Consulta à Sociedade para a escolha do foco e do tema desse nosso Relatório.
Isso dará cor, cheiro, gosto, sensibilidade à radiografia da qualidade de vida no Brasil.
A Consulta termina dia 30 de março. Até lá, quanto mais contribuições vindas de todos nós, mais rico e relevante será o Relatório.
O objetivo é devolver o Relatório à Sociedade, depois de concluído, como ferramenta de conscientização e mobilização, de ação mesmo.
A utopia é virmos a ter um país mais justo e equilibrado, com mais desenvolvimento humano, além de crescimento.

http://www.brasilpontoaponto.org.br”

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Quanto vale o NY Times?

1.Conteúdo de graça -Finalmente essa questão chegou para ficar. Até hoje fico desconfiado quando vejo tanta informação de graça por aí na Web. Acesso irrestrito ao NY Times? Notícias do dia do Estadão. Matérias de revistas importantes. Desse jeito, parece que a informação brota do chão. Que ninguém foi atrás. Que ninguém parou para pensar e escrever. Se ninguém paga pela informação, porque alguém enviaria repórteres para cobrir eventos em locais como o Sudão, Chade ou algum outro país fora do mapa na África? Quem vai pagar as passagens, a hospedagem, a aventura e o trabalho do repórter? Hoje, o Estadão publicou um artigo excelente de Walter Isaacson, ex-editor da revista Time e atual presidente do Instituto Aspen. Chamado de “Como salvar os jornais (e o jornalismo), ele escreve que está na hora de se discutir opções como micropagamentos para artigos, como se paga por música, por exemplo. Uma pergunta dele: alguém pagaria US$ 2 para ter acesso mensal ao conteúdo do NY Times via web? Eu pagaria! Vejam o artigo (de graça)…

2. Jeito de olhar – Revista The Economist está falando no surgimento de uma nova classe e o Brasil seria o país onde esse fenômeno é mais visível. Basicamente, a classe está emergindo nas favelas, onde há crescimento econômico – e até filiais das Casas Bahia, como em Paraisópolis, em São Paulo. Elio Gaspari, na Folha de hoje,  foi preciso no comentário: “Um barão brasileiro que visitasse os subúrbios de Londres na metade do século 19 veria um favelão. Era a desordem social e urbana da revolução industrial. Felizmente, a cidade teve um escritor como Charles Dickens para mostrar que ali vivia o pedaço de baixo da sociedade inglesa, lembrando ao pedaço de cima que os dois formavam um só povo.” Tudo é uma questão de como se olha… E só não vê oportunidade financeira na favela quem não quer. O que precisa é outra coisa: saber fazer negócios por lá.

3. Cigarro eletrônico – inventaram um cigarro que solta nicotina e simula fumaça (uma espécie de névoa). A empresa que fabrica disse que já vendeu mais de 300 mil unidades em 2008. Isso é incrível. Olha o que escreveu o autor: “Eu acabo de “acender” um e-cigarro. Parece um cigarro de verdade e, com cada tragada, alguns microgramas de nicotina de um cartucho descartável deveriam chegar ao meu pulmão. Meu e-cigarro até produz “fumaça” -mas não queima, então, não é proibido. No número crescente de locais públicos onde o fumo é banido, uma nova raça de fumante surgiu, tragando essas bugigangas.” Veja a matéria (para assinantes da Folha ou do UOL – taí, conteúdo fechado…). Saiu na New Scientist também.

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