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De novo: o PIB não é índice de progresso

Felicidade é mais do que um PIB gordo

Felicidade é mais do que um PIB gordo

Não é novidade que este blog é fã de Eduardo Giannetti da Fonseca, um dos economistas (pensador) mais modernos destes trópicos, senão do mundo. Com sua brilhante simplicidade, Giannetti traz metáforas esclarecedoras sobre o modelo de desenvolvimento que temos baseado no crescimento e que traz  problemas como o das mudanças climáticas. No último 4 de setembro, o Estadão publicou uma entrevista excelente em que o economista repercutia a decisão de alguns bilionários pedindo para serem taxados para redistribuir renda. Mas este não era o ponto principal, e sim uma discussão sobre modelos de desenvolvimento, passando pelas decisões dos empresários, quase sempre de olho apenas no lucro, sem levar em conta como este lucro é obtido. E principalmente pela falta de visão da humanidade em geral para colocar na conta tudo o que é utilizado de recursos naturais para produzir o que consumimos. Vou reproduzir alguns trechos aqui:

A valorização do chamado ‘instinto animal do empresariado’ ainda tem lugar em uma sociedade que fala cada vez mais em sustentabilidade e consumo responsável?

Se tivermos que esperar a regeneração moral da humanidade para resolver o problema ambiental, estamos fritos. Ela não vai ocorrer. E quem imaginar que outro modelo econômico implantado de cima para baixo dará conta do recado, também está enganado. A pior experiência ambiental do século 20 é a da União Soviética. O que se percebe agora é que o mercado competitivo regido pelo sistema de preços padece de uma falha extremamente grave no tocante à relação entre o ser humano e o mundo natural. Ele não fornece uma sinalização adequada dos custos ambientais envolvidos em nossas escolhas de produção e consumo.

Explique melhor.

Por exemplo: vamos comparar duas opções de geração de energia elétrica. Na solar, na melhor tecnologia existente, o custo é de US$ 0,17 por quilowatt/hora. Ele está caindo e pode chegar US$ 0,10 nos próximos anos. Já uma termoelétrica a carvão gera um quilowatt/hora, igualzinho, por US$ 0,02 a US$ 0,03. Qual é a opção lógica de uma empresa que esteja no mercado ou de um país que queira ser competitivo? É o que a China está fazendo: termoelétrica a carvão. Só que essa comparação é tremendamente distorcida. E o custo da emissão de CO2 gerado pela queima do carvão? Não aparece na conta. É como se o custo imposto à humanidade e às gerações futuras não existisse. Outro exemplo: quando você come carne, paga a criação do gado, a pastagem, o transporte, a embalagem, mas não a emissão de CO2. Só que se você somar todo o rebanho mundial, bovino, suíno e aviário, a emissão de CO2 equivalente é maior do que de toda a frota automobilística do planeta. Os preços que pagamos pelo que fazemos não estão refletindo o custo total do que estamos consumindo. É essa a falha grave do sistema de preços a corrigir.

Essas coisas terão que custar mais?

Sim. O preço é um pacote de informação econômica: ele reflete, de um lado, o custo de produzir e, de outro lado, a satisfação que o consumidor tem ao consumir. Em nenhuma das duas dimensões hoje em dia está incorporado o aspecto meio ambiente, o uso de recursos naturais não renováveis, água, emissão de gases nocivos. Isso terá que ser incorporado. O problema é que se formos depender da boa vontade das empresas ou dos consumidores, isso não vai mudar. A British Airways introduziu recentemente, para o cliente de passagem aérea, a opção de pagar na emissão do bilhete o crédito de carbono correspondente ao trajeto. Imaginando que, como o mundo está aparentemente desesperado com o aquecimento global, os passageiros conscientes iriam aceitar pagar. Sabe qual foi a adesão? 3%. É a história do jovem Agostinho, que orava: “Dai-me, Senhor, a castidade e a virtude. Mas não agora”. (Risos.)

O sr. se alinha aos economistas que questionam o uso do PIB como índice de progresso.

É claro. Veja que coisa: se você vive em uma comunidade em que a água é um bem livre, como o ar que respiramos, isso não entra nas contas nacionais. Não há registro econômico. Se essa comunidade, ao contrário, polui todas as fontes de água natural e, para continuar sobrevivendo precisa purificar, engarrafar, distribuir ou importar água, o que ocorre com o PIB do país? Ele aumenta! É uma maluquice. A qualidade de vida piorou, você tem que trabalhar mais para beber água, e o sinal que a economia tal como é registrada emite é o de que a vida melhorou. Se você vai a pé para o trabalho, isso não entra no PIB. Mas se passa horas no trânsito, de carro, poluindo a cidade e prejudicando sua saúde física e, o PIB aumenta! Porque uma coisa que não era intermediada pelo sistema de preços passará a ser. As pessoas não têm noção de como os números distorcem a realidade.

Ter um cara como o Giannetti nesta trincheira é um grande alento. É como ter uma camisa 10 craque no seu time. O problema é que este pensamento ainda está fora dos grandes centros. É um jogo que não passa nos veículos de maior audiência – e portanto pouca gente ainda vê. Precisamos de mais Giannettis para este pensamento se tornar cada vez mais aceito e começar a fazer parte de movimentos maiores, como o do Butão e até da França, que querem incorporar a felicidade na maneira de medir o sucesso de um país — e não somente da economia, o velho e quase caquético PIB.

 

Veja aqui posts relacionados sobre PIB e Felicidade

Gerar mais valor para os acionistas ou jogar mais bola com a gurizada?

Só PIB maior não é receita de sucesso

No país mais feliz do mundo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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As pistas falsas para a felicidade

Butão - aqui se mede a felicidade

Eis que na última página da Veja desta semana, um rasgo de brilhantismo. Não poderia vir de outra pessoa que não o genial Roberto Pompeu de Toledo. Faz um contraste dramático com a tese questionável de que o Santo Daime foi o culpado pela morte do Glauco (teria o feitiço virado contra o feiticeiro?). Se o sujeito é um psicopata, qualquer droga vai potencializar seu problema. Desde droga de farmácia até o álcool. E aí, vamos proibir o álcool para que desajustados não causem estragos? Difícil…

E é de pistas falsas que trata a coluna de Pompeu. Ou melhor, de identificar as verdadeiras pistas que levam à felicidade. Não existe o Santo Graal da felicidade – ainda que pílulas consigam simular bem (antidepressivos). Mas existem estudos apontando caminhos diferentes para onde deveríamos olhar. E também para nortear nossas políticas públicas.

Já abordei esse assunto aqui, principalmente de que posses materiais (dinheiro aí incluso) não traz a felicidade per si. Isso já está no ditado, confirmando a sabedoria popular, comprovada por estudos recentes.

Alguns posts sobre o assunto:

Felicidade é contagiosa

Europa rumo à felicidade interna bruta

O que faz um país feliz?

O que faz um país feliz – parte 2

O fim da era do crescimento?

Por isso, é uma honra ver um articulista do nível do Roberto Pompeu de Toledo abordando este assunto. Quer dizer que agora ele entrou – de algum jeito – na mente dos mais de 1 milhão de leitores da Veja. Isso é bom. Segue o texto.

Será a felicidade necessária?

Por Roberto Pompeu de Toledo (Revista Veja)

Os pais costumam dizer que importante é que os filhos sejam felizes. Ora, felicidade é coisa grandiosa. Não há encargo mais pesado para a pobre criança.

Felicidade é uma palavra pesada. Alegria é leve, mas felicidade é pesada. Diante da pergunta “Você é feliz?”, dois fardos são lançados às costas do inquirido. O primeiro é procurar uma definição para felicidade, o que equivale a rastrear uma escala que pode ir da simples satisfação de gozar de boa saúde até a conquista da bem-aventurança. O segundo é examinar-se, em busca de uma resposta. Nesse processo, depara-se com armadilhas. Caso se tenha ganhado um aumento no emprego no dia anterior, o mundo parecerá belo e justo; caso se esteja com dor de dente, parecerá feio e perverso. Mas a dor de dente vai passar, assim como a euforia pelo aumento de salário, e se há algo imprescindível, na difícil conceituação de felicidade, é o caráter de permanência. Uma resposta consequente exige colocar na balança a experiência passada, o estado presente e a expectativa futura. Dá trabalho, e a conclusão pode não ser clara.

Os pais de hoje costumam dizer que importante é que os filhos sejam felizes. É uma tendência que se impôs ao influxo das teses libertárias dos anos 1960.

É irrelevante que entrem na faculdade, que ganhem muito ou pouco dinheiro, que sejam bem-sucedidos na profissão. O que espero, eis a resposta correta, é que sejam felizes. Ora, felicidade é coisa grandiosa. É esperar, no mínimo, que o filho sinta prazer nas pequenas coisas da vida. Se não for suficiente, que consiga cumprir todos os desejos e ambições que venha a abrigar. Se ainda for pouco, que atinja o enlevo místico dos santos. Não dá para preencher caderno de encargos mais cruel para a pobre criança.

“É a felicidade necessária?” é a chamada de capa da última revista New Yorker (22 de março) para um artigo que, assinado por Elizabeth Kolbert, analisa livros recentes sobre o tema. No caso, a ênfase está nas pesquisas sobre felicidade (ou sobre “satisfação”, como mais modestamente às vezes são chamadas) e no impacto que exercem, ou deveriam exercer, nas políticas públicas. Um dos livros analisados, de autoria do ex-presidente de Harvard Derek Bok (The Politics of Happiness: What Government Can Learn from the New Research on Well-Being), constata que nos últimos 35 anos o PIB per capita dos americanos aumentou de 17 000 dólares para 27 000, o tamanho médio das casas cresceu 50% e as famílias que possuem computador saltaram de zero para 70% do total. No entanto, a porcentagem dos que se consideram felizes não se moveu. Conclusão do autor, de lógica irrefutável e alcance revolucionário: se o crescimento econômico não contribui para aumentar a felicidade, “por que trabalhar tanto, arriscando desastres ambientais, para continuar dobrando e redobrando o PIB?”.

Outro livro, de autoria de Carol Graham, da Universidade de Maryland (Happiness Around the World: The Paradox of Happy Peasants and Miserable Millionaires), informa que os nigerianos, com seus 1 400 dólares de PIB per capita, atribuem-se grau de felicidade equivalente ao dos japoneses, com PIB per capita 25 vezes maior, e que os habitantes de Bangladesh se consideram duas vezes mais felizes que os da Rússia, quatro vezes mais ricos. Surpresa das surpresas, os afegãos atribuem-se bom nível de felicidade, e a felicidade é maior nas áreas dominadas pelo Talibã. Os dois livros vão na mesma direção das conclusões de um relatório, também citado no artigo da New Yorker, preparado para o governo francês por dois detentores do Nobel de Economia, Amartya Sen e Joseph Stiglitz. Como exemplo de que PIB e felicidade não caminham juntos, eles evocam os congestionamentos de trânsito, “que podem aumentar o PIB, em decorrência do aumento do uso da gasolina, mas não a qualidade de vida”.

Embora embaladas com números e linguagem científica, tais conclusões apenas repisariam o pedestre conceito de que dinheiro não traz felicidade, não fosse que ambicionam influir na formulação das políticas públicas. O propósito é convidar os governantes a afinar seu foco, se têm em vista o bem-estar dos governados (e podem eles ter em vista algo mais relevante?). Derek Bok, o autor do primeiro dos livros, aconselha ao governo americano programas como estender o alcance do seguro-desemprego (as pesquisas apontam a perda de emprego como mais causadora de infelicidade do que o divórcio), facilitar o acesso a medicamentos contra a dor e a tratamentos da depressão e proporcionar atividades esportivas para as crianças. Bok desce ao mesmo nível terra a terra da mãe que trocasse o grandioso desejo de felicidade pelo de uma boa faculdade e um bom salário para o filho.

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O que faz um país feliz – parte 2

Mais sobre o post de ontem sobre o que faz a Costa Rica ser um dos países mais felizes do mundo, se não o mais. Encontrei um contraponto do pessoal do Freakonomics, que levantou uma discussão interessante dizendo que há outras maneiras de medir e que não é bem assim. Não vou entrar aqui na questão, pois é uma muito técnica. Para quem quiser, vale ler aqui. O que fica, porém, é o seguinte: em todos os rankings analisados, a Costa Rica é o país que sempre está entre os mais felizes, mesmo que não seja o primeiro. Não há nenhuma fórmula mágica, mas vale, sim, prestar atenção na relação entre felicidade e cuidado ao meio ambiente. Mas, ao final, Justin Wolfers, autor do artigo, menciona que não se pode perder de vista que o desenvolvimento econômico, que é esmagadoramente a principal explicação para um país estar no topo das tabelas de felicidade.

Será mesmo? Não é o que diz o Happy Planet Index. Vejamos os dez primeiros: Costa Rica, Rep. Dominicana, Jamaica, Guatemala, Vietnã, Colômbia, Cuba, El Salvador, Brasil e Honduras! Não são todos reconhecidamente países exemplares em desenvolvimento econômico. A questão é: o que queremos medir? O desenvolvimento econômico apenas? Mesmo considerando que desastres de carro ou mesmo terremotos como o do Haiti são bons para o PIB, afinal a reconstrução vai mobilizar dinheiro para lá? Ou precisamos olhar as questões de forma mais abrangente, considerando itens como satisfação de vida, expectativa de vida, impacto no meio ambiente etc?

Para encerrar, resgato aqui um trecho de um discurso de Kennedy: Robert Kennedy: “O que faz a vida valer a pena é a saúde de nossas crianças, a qualidade de sua educação, a alegria de suas brincadeiras, a força de nossos casamentos, nossa devoção ao país, nosso humor, sabedoria e coragem. E nada disso se mede no PIB”.

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Europa rumo à felicidade interna bruta

Sobre a discussão da revisão do PIB, temos boas notícias (veja abaixo). A Europa está planejando incluir indicadores ambientais no PIB. Essa é uma discussão para lá de vanguardista. Hoje, os países são medidos apenas pelo quanto movimentam de dinheiro. Chega a ser estúpido, pois guerras, doenças, acidentes automobilísticos são todos bons para o país se olharmos de acordo com esse ponto de vista. São as pessoas a serviço da economia, e não o contrário, como deveria ser. A questão da felicidade, importantíssima para a vida em sociedade, não é considerada nesse cálculo.

É da natureza humana querer sempre mais e por vezes usar os fins para justificar os meios. Então, melhor não estimular… Pois o PIB faz justamente isso.

O marido da Carla Bruni, o Sarkozy, falou sobre isso hoje. “Uma grande revolução está nos esperando. Durante anos, as pessoas disseram que o mundo das finanças é um formidável criador de riqueza, até descobrirem que os riscos acumulados são tantos que o mundo quase afundou neles. A crise não só nos deixa livre para pensar em outros modelos, em outro futuro. Ela nos obriga a fazê-lo.”

Enfim, são sinais de que a sociedade está em permanente evolução — e eu acredito muito nisso. Assim, deveremos ter boas novidades nesse front nos próximos anos. Veja a notícia completa abaixo e aqui mais sobre o Sarkozy e sua cruzada no seguinte link.

14/09/2009 – 12h09
Europa planeja inclusão de indicador ambiental no PIB

Por Redação do Carbono Brasil


A União Européia utilizará a partir de 2010 indicadores ambientais como suplemento ao Produto Interno Bruto (PIB), anunciou o secretário de meio ambiente da Comissão Européia, Stavros Dimas.

“Para mudar o mundo precisamos mudar a maneira como entendemos o mundo”, falou Dimas adicionando que o PIB é nada mais do que um indicador da atividade econômica e não visa mensurar o bem estar.

O índice utilizará como indicadores o nível de poluição e de impactos ambientais dentro do bloco europeu, incluindo questões como biodiversidade, mudanças climáticas, uso de água e geração de resíduos.

As críticas ao PIB como ferramenta para a construção de políticas e para a avaliação dos países crescem há décadas, já que este índice não leva em consideração o capital natural das nações e o passivo ambiental das atividades.

A União Européia também se comprometeu a melhorar o tempo de divulgação dos dados ambientais, que atualmente levam dois a três anos para serem atualizados. Dimas usou como exemplo o PIB, que dentro de poucas semanas é divulgado.

O índice ambiental será “tão simples, confiável e amplamente aceito quando o PIB”, comentou. “Seria um catalisador para mudar a maneira como vivemos”.

Outros padrões, criados por diversas instituições, já podem ser utilizados para se ter uma visão mais ampla do que a oferecida pelo PIB. Por exemplo, as Nações Unidas lançaram o Índice de Desenvolvimento Humano, que une dados do PIB, saúde e educação.

A organização londrina New Economic Foundation criou o Índice do Planeta Feliz (HPI – Happy Planet Index), que leva em consideração três indicadores particulares, a pegada ecológica, satisfação de vida e expectativa de vida. A última edição do índice foi encabeçada pela Costa Rica, que se obteve um dos maiores níveis de satisfação de vida, expectativa de vida longa de 78,5 anos e 99% da sua necessidade energética suprida com fontes renováveis.

Fonte: Agências Internacionais
(Envolverde/CarbonoBrasil)

14/09/2009 – 12h09
Europa planeja inclusão de indicador ambiental no PIB

Por Redação do Carbono Brasil


A União Européia utilizará a partir de 2010 indicadores ambientais como suplemento ao Produto Interno Bruto (PIB), anunciou o secretário de meio ambiente da Comissão Européia, Stavros Dimas.

“Para mudar o mundo precisamos mudar a maneira como entendemos o mundo”, falou Dimas adicionando que o PIB é nada mais do que um indicador da atividade econômica e não visa mensurar o bem estar.

O índice utilizará como indicadores o nível de poluição e de impactos ambientais dentro do bloco europeu, incluindo questões como biodiversidade, mudanças climáticas, uso de água e geração de resíduos.

As críticas ao PIB como ferramenta para a construção de políticas e para a avaliação dos países crescem há décadas, já que este índice não leva em consideração o capital natural das nações e o passivo ambiental das atividades.

A União Européia também se comprometeu a melhorar o tempo de divulgação dos dados ambientais, que atualmente levam dois a três anos para serem atualizados. Dimas usou como exemplo o PIB, que dentro de poucas semanas é divulgado.

O índice ambiental será “tão simples, confiável e amplamente aceito quando o PIB”, comentou. “Seria um catalisador para mudar a maneira como vivemos”.

Outros padrões, criados por diversas instituições, já podem ser utilizados para se ter uma visão mais ampla do que a oferecida pelo PIB. Por exemplo, as Nações Unidas lançaram o Índice de Desenvolvimento Humano, que une dados do PIB, saúde e educação.

A organização londrina New Economic Foundation criou o Índice do Planeta Feliz (HPI – Happy Planet Index), que leva em consideração três indicadores particulares, a pegada ecológica, satisfação de vida e expectativa de vida. A última edição do índice foi encabeçada pela Costa Rica, que se obteve um dos maiores níveis de satisfação de vida, expectativa de vida longa de 78,5 anos e 99% da sua necessidade energética suprida com fontes renováveis.

Fonte: Agências Internacionais
(Envolverde/CarbonoBrasil)

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Felicidade é contagiosa

No final do ano passado, cientistas da Universidade de San Diego e de Harvard publicaram um estudo provando que a felicidade se dissemina na rede social. Os achados dizem que se você conhece alguém feliz, tem 15,3% de chances de aumentar sua felicidade. Um amigo feliz de um amigo aumenta em 9,8% essa chance.  E até a amiga da irmã de seu vizinho pode aumentar em 5,6% essas chances, apontam os resultados.

Esse estudo faz parte de uma tendência maior de ligar a questão da felicidade a saúde pública. Existe uma grande discussão na sociedade hoje sobre isso. Uma delas é a criação do FIB, o índice de Felicidade Bruta, um contraponto ao PIB, uma medida econômica que não considera os intangíveis na conta. O PIB é até burro nesse sentido (ou não…). Se houver uma guerra, com muitas mortes e movimentações em hospitais, em planos de saúde, em armas etc, o PIB aumenta. Mas na conta não entra o que o senador americano Robert Kennedy colocou muito bem em um discurso: “O que faz a vida valer a pena é a saúde de nossas crianças, a qualidade de sua educação, a alegria de suas brincadeiras, a força de nossos casamentos, a devoção ao país, nosso humor, sabedoria e coragem. E nada disso se mede no PI B.”

Os cientistas que fizeram o estudo acima acompanharam 5 mil pessoas e chegaram à conclusão que felicidade é contagiosa como uma doença. Para chegar às conclusões, eles perguntaram se concordavam com algumas afirmações como “Eu sou feliz”, “Eu gosto da vida”, por três rodadas entre 1983 e 2003.

Os resultados foram impactantes com relação à poximidade geográfica. Um amigo feliz que vive a cerca de 1 km de distância é capaz de aumentar suas chances de ser feliz em 42%. Se o mesmo amigo vive a 3 km de distância, a possibilidade diminui para 22%.

Alguns resultados são curiosos. Esposas ou maridos felizes só podem aumentar em 8% a possibilidade de ser feliz. Vizinhos felizes podem aumentar em 34%, mas só aqueles da porta ao lado. Os outros não causam o nenhum efeito. “Nós suspeitamos que as emoções se disseminam pela frequência do contato”, diz o pesquisador James H. Fowler, da Universidade de San Diego. “Como resultado, as pessoas que moram muito longe e se veem com muita frequência não fazem muito efeito nessa questão.”

Há uma exceção considerável no estudo e tem a ver com o ambiente de trabalho. Os pesquisadores acham que há alguma barreira que impede a felicidade de ser contagiosa. Taí a deixa para descobrir porque a 6a feira é sempre melhor que a 2a feira.

A ficha caiu. No final das contas, esse estudo traz base científica aquela motivação que nos faz querer ficar perto de amigos bacanas e longe de gente chata.

The one exception was co-workers, perhaps because something in the work environment prevented their happiness from spreading, the study found. The research was funded by the National Institute on Aging and the Robert Wood Johnson Foundation.

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