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O melhor de 2010 (final) + inspiração para 2011

Vamos lá, com a última parte do melhor de 2010 aqui no Blog. Seguem os cinco posts mais acessados do ano. Numa análise rápida e rasteira, vou tentar explicar o que aconteceu abaixo.

Os post #4 e #1 são um tanto aberrações. Aparecem aí mais pela busca no google do que por qualquer outra coisa. No post  #1, sobre Brasil, buscas sobre semana de arte moderna, arte moderna etc levam a ele. Somente porque coloquei uma imagem do Abaporu, com legenda Mas é um post legal (tem alguns “likes”, fala de perspectivas do Brasil, tem um video inspirador ao final. Enfim, mostra que se usarmos os termos certos, a internet faz aparecer! O do Obama também aparece pelas buscas. Ambos são de 2009 e continuam aí.

Bom, vamos descartar estes e considerar os outros como realmente campeões de 2011.

O post #5 fala dos impactos da construção da usina de Belo Monte. Tem a reprodução de um artigo escrito pela Marina Silva no período da eleição. Acho que ganhou ibope pela onda verde, mas não só por isso, também por ser muito didático e direto ao ponto. O #2 é bem legal, conta a aventura dos caras que surfaram no arroio Dilúvio, em Porto Alegre. Muito antes de eu conhecer a fundo a história do surfe na Pororoca, via o principal embaixador do assunto, meu amigo Serginho Laus. Pessoal do surfe sempre em busca de novas fronteiras.

Mas o post entre os mais populares e do qual mais gosto é o #3, que falou sobre a loucura da baleia Orca que matou um dos treinadores. Trabalhei no Sea World, onde isso aconteceu, e acho que entendo direitinho os motivos da baleia. Vai lá, é um post mais pessoal, gostei de escrever.

Antes de deixar os links, queria compartilhar aqui com vocês o e-mail que recebi do pessoal do WordPress, avaliando a “performance” deste blog em 2010. Veja o que escreveram:

“Números apetitosos

Imagem de destaque

Um navio de carga médio pode transportar cerca de 4.500 contentores. Este blog foi visitado 17,000 vezes em 2010. Se cada visita fosse um contentor, o seu blog enchia cerca de 4 navios.

Em  2010, foram 88 novos posts, aumentando para 283 posts o arquivo deste blog.

O dia mais ativo foi em 6 de novembro, quando foi publicado o post TEDxAmazônia e a seca do século.”

Achei meio boba a comparação com os navios, mas enfim, ficam os números.

E aí vão os post mais acessados de 2010.

5. Entenda o impacto da construção da usina de Belo Monte

4. Vitórias rápidas de Obama

3. A baleia Orca e a falta que faz a liberdade

2.O surf no arroio Dilúvio em Porto Alegre

1. Da arte de ver a floresta e não só as árvores

Inspiração para 2011

Já pensando em 2011, e lembrando que retorno à rotina daqui algumas horas, segue um video publicitário da RedBull para lembrar que neste ano, surfei em 85% dos dias!

Continuando na natureza e na inspiração, este video fala que o “crescimento é para sempre”. Desde que com renovação e na natureza, ok. Ao contrário do crescimento da economia, que se for para sempre, como querem os economistas, vai trazer muitos problemas (ainda mais que os que já temos) para a raça humana no planeta.

Economia, dinheiro, bancos. Encontrei agora este vídeo na internet, naquelas incríveis voltas que a web dá. Excelente trabalho, fechando o ciclo de inspiração. Vamos que vamos!

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Arquivado em Comunicação, Felicidade, Ideias, Interdependência, Mundo 2.0, Nova Sociedade, Surfe, Sustentabilidade, Viagens

O surf no arroio Dilúvio em Porto Alegre

O último post foi pesado, sobre poluição. Baixo astral total. Agora, vai um que é meio mix das duas coisas: baixo e alto astral. O ponto é que na minha cidade natal — Porto Alegre, tchê — uns caras fizeram uma coisa muito louca: surfaram nas águas do Arroio Dilúvio, que corta a Avenida Ipiranga, uma das principais da cidade. (Para os que moram em São Paulo, seria um Tietê em bem menores proporções de tamanho e poluição, acredito.)

Todo surfista gaúcho alguma vez na vida já sonhou que estava pegando onda no rio Guaíba, que na verdade se chama Lago Guaíba. Há milhares e milhares de anos atrás, o Guaíba, que desemboca na Lagoa dos Patos (parte em azul no mapa abaixo ), já foi mar. Ele está separado em um de seus pedaços por uma faixa de terra que é o litoral gaúcho. As praias do lago Guaíba em Porto Alegre são recortadas. Seriam perfeitas para receber ondulações.

O Guaíba e a Lagoa dos Patos entre o surfe e Porto Alegre

 

“Porto” ia ser tipo um Rio de Janeiro. Já foi há milhares de anos… Pena que não deu para pegar as ondas que quebraram lá.

Mas o ser humano é muito inventivo e não se rende a pequenos acidentes geográficos. O fato é que ninguém contava com o indomável espírito do surfe que tomou a gurizada que surfou nas águas do dilúvio. Um lendário amigo meu que de vez em quando soltava uma história para lá de inverossímil, chegou a dizer que uns amigos dele surfaram no Guaíba em dia de vento forte. Sei lá se era verdade ou não. O fato é que no mundo 2.0 é bem mais fácil de documentar as façanhas, essas histórias de pescador…

Eis abaixo o vídeo dos surfistas de rio.

E o ponto que eu queria fazer com o post de ontem é a poluição. Prestaram atenção no vídeo como o lixo flui? Os caras tiveram coragem de surfar no meio desse lixão líquido. Devem ter ficado com algum problema de pele, não é possível… Houve quem os chamasse de irresponsáveis, um bando de moleques querendo chamar a atenção. Li a versão deles e gostei do ângulo que deram para a ação: o de chamar a atenção para o problema, mesmo que tenha sido pós-aventura:

Milhares de comentários surgiram e iam do “nossa que legal” até o “babaca que não tinha mais nada para fazer e quis chamar atenção”. Todos estavam cientes dos riscos que estavam correndo e quão grandes estes eram. Por isso, o ato não foi realizado no intuito de promover novas aventuras arriscadas na capital ou em qualquer lugar que proporcionasse condições perigosas. Bem pelo contrário, nossa maior infelicidade seria se alguém tentasse realizar o mesmo e se prejudicasse de alguma maneira.
Revendo os vídeos, nota-se que ali não está registrado somente um momento de uma aventura maluca, e sim a notável e absurda a quantidade de garrafas, sacolas e todos objetos inimagináveis que eram levados pela correnteza.

Até acho que não tinham o propósito de fazer isso para chamar a atenção para a poluição, mas funcionou – e bem. O video foi parar em grandes veiculos de comunicação e virou assunto. Confirmando a máxima de quem sempre há espaço para ações novas e inventivas de comunicação. Até lembrou uma ação do Greenpeace.

Não conheço Nelson, Ricardo ou Juliano, mas fica aí a homenagem aos radicais surfistas do Dilúvio e uma sacada que tiveram parapotencializar um pouco mais a ação.

Camiseta do Surf no Dilúvio

Para outros tipos de esportes radicais ‘desconstruídos’, clique aqui (piscina de ondas) e aqui (simulação de skate em prédio de POA).

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Kayapó e casamento em Porto Alegre

Nesse final de semana que passou fui até Porto Alegre para o casamento do Marcelo, amigo de infância. No sábado, aproveitei para jogar futebol no Kayapó, time de futebol onze de várzea que ajudei a fundar. Uma das coisas que ainda sinto falta dos pagos gaudérios é desse futebol, quase 10 anos depois de sair de lá. Mais do que um time, o Kayapó era uma espécie de terapia semanal. Em São Paulo, consegui trocar por finais de semana de surfe. Mas são atividades complementares, não substituíveis. Menos mal que desde que cheguei em Sampa já comecei a bater bola semanalmente. Ver o Kayapó em ação 15 anos depois de fundado foi muito legal. Bacana de ver funcionando uma ‘instituição’ que começamos há tanto tempo, por pura diversão. Antes do jogo começar, Leandrinho juntou a turma, trocou umas palavras com o time e me ‘apresentou’. Conhecia quatro caras dos 15 que estavam lá. Tinha até moleque de 20 anos. Que tinha 5 quando o time foi formado! É a renovação do Kayapó. O resultado? Ganhamos de 3×2. Joguei 45 minutos e foi como se tivesse jogado 90. Oito anos sem jogar futebol de campo fazem uma diferença! 

Depois do futebol, o casamento. Rever amigos de infância e conversar como se a última vez que tivéssemos conversado fosse ontem é mesmo sensacional. Em um bate-papo filosófico com minha amiga Sha, chegamos à conclusão de que não é fácil manter essa rede de amigos viva. É preciso assiduidade e compromisso. Se marcar um encontro com a turma, é preciso ir. Afinal, só a presença de todos é que faz sentido e mantém a rede viva. Ela estava comentando que tem outra turma do colégio que tenta se manter unida, mas não com a mesma eficiência. Parece simples, mas não é. Pense aí quantas vezes a turma do colégio ou da faculdade marcou encontro e meia dúzia apareceu. Falei com o Gugu sobre isso também. A tese dele: “essa galera toda só se reúne aqui para essa festa porque o nosso passado comum foi muito afudê”. Concordo 100%.

E toda vez é a mesma coisa, relembrando as mesmas histórias. E rindo sem parar. Deveríamos ter mais festas como essas. Só faltou levar a Ju, o Gutão e o Vico, que com 2 meses de idade ainda está muito novinho para viajar longe. Mas festas de casamento não vão faltar para ele!

No domingo, deu tempo de acordar, trocar uma idéia com meus pais (muito bom voltar às origens — valeu, pai e mãe, pelo alto astral de sempre!), almoçar e pegar o avião de volta. Apesar da Gol, que tentou atrapalhar cancelando meu vôo de volta sem avisar nada. Por sorte, ainda deu para entrar no avião seguinte, devidamente munido de chocolates especiais, atendendo à encomenda do Gutão. Só não deu para comprar o o copo do Grêmio que ele pediu. Fica para a próxima!

PS: Porto Alegre continua uma cidade muito agradável. Cheia de árvores, limpa, bem sinalizada, com distâncias reduzidas (o aeroporto fica a apenas 10 minutos do centro da cidade). Já imaginaram São Paulo assim? Uma corrida de táxi que atravessa a cidade custa só 35 reais. Ah, se fosse mais perto de Santa Catarina e de uma praia com boas e constantes ondas…

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Liberdade e endorfina

“A espécie humana não aceita lidar com a realidade.” – T.S. Eliot

Ontem li uma matéria na revista Trip que perguntava para as pessoas qual tinha sido o momento em que elas haviam sido mais livres. Lembrei de alguns momentos na hora e de outros depois. Mas só há pouco caiu a ficha do momento em que me senti mais livre. Meu amigo Marcelo, que vai casar nesse final de semana (e está deixando a ‘liberdade’ para trás, na visão de alguns, mas não na minha), deve lembrar.

Estávamos em uma surftrip no Farol de Santa Marta, em Santa Catarina. Para quem nunca foi para lá, o farol me lembra a imagem dos filmes de Hollywood sobre a Baja California. Uma vegetação meio rasteira com bastante areia para todo o lado. Só faltariam aqueles fuscas com rodão, que não por acaso se chamavam Baja. É um lugar atípico no litoral de Santa Catarina, que é farto em vegetação da Mata Atlântica. Tem uma paisagem lunar, com praias belíssimas. Uma delas, a Galheta Norte, é a que a gente estava nesse dia.

A viagem desde Porto Alegre durou 3 horas e meia. Fomos  no Uno Mille preto de guerra, com vários quilômetros rodados atrás da onda perfeita. Fomos direto para a praia, depois de ultrapassar as dunas que teimavam em invadir a estrada de terra. Não havia absolutamente ninguém. Era um final de tarde. Ainda deveria ter no máximo mais 30 minutos de surfe. Desci do carro, olhei para um lado: só mar. Olhei para o outro: um morro verde, enorme. Olhei para trás, algumas casas, quase soterradas pela areia, todas fechadas. Olhei para o outro lado, a imensidão da baía que se perdia centenas de metros adiante. Tive uma vontade súbita de gritar e pular. Uma catarse estimulada pela sensação gostosa de estar ao ar livre. Um minuto de insanidade, com gritos, pulos e uma euforia inexplicável.

Um dia desses ainda vou encontrar um pouco dessa substância que meu cérebro gerou naquele momento. Endorfina pura. Tá quase ali com a sensação de uma onda bem surfada. O problema é experimentar essa sensação uma vez. A vontade de encontrar de novo fica sempre, sempre por ali.

Lembrei disso esses dias, quando o Gutão disse que o espaço em casa era muito curto e que isso era ruim porque ele queria correr muito. “Não pode ter nada ali”, disse apontando para o sul, “nem ali, nem ali, nem ali”, virando o braço para leste, norte e oeste. “Quero correr, correr, correr. Para todas as direções.”

____________

Mais uma do Gutão: cheguei em casa hoje, falei com a Ju, com o Zé, amigo nosso e colega dela e fui para o quarto dar um alô para ele. Disse, com a maior cara de quem esperava eu entrar no quarto: “Papai, tava pensando em você. Vi uma foto sua e te lembrei!

Parabéns para meu irmão Brunildo, que fez 29 anos hoje e se diz mais experiente! Dá-lhe, cineasta!

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Seres políticos

Desde que me conheço por gente estou metido em política. Aos meus quatro anos, quando morávamos na rua José do Patrocínio, na Cidade Baixa, em Porto Alegre, meu pai aprontou com os militares. O ano era 1980 e ele dirigia o CooJornal, uma experiência de jornalistas cooperativados que deu certo, foi referência em vários países, e foi eterno enquanto durou, já diria Drummond. O jornal era um dos mais ativos a denunciar as barbaridades dos milicos na ditadura militar e deu alguns furos (notícia em primeira mão, no jargão jornalístico) importantes na época. Pois bem, naquele dia, a família estava voltando da casa do saudoso tio Carlos, irmão do meu impagável avô Paulo (dono do glorioso Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, que recebia os políticos da cidade com uma daquelas almofadas que simula um ‘pum’ quando alguém senta), quando ao chegar em casa, minha mãe subiu para amamentar meu irmão Bruno. Meu pai acabava de tirar as coisas do carro.

De repente, minha mãe ouviu na janela uma série de gritos. Quando se deu conta, era meu pai batendo boca com a Brigada Militar, que havia sido chamada para guinchar o Karmann-Ghia dele da frente da garagem da casa de um milico. “Era perseguição”, pensou ele, achando que alguém tinha empurrado o carroo propositadamente para a frente da garagem a fim de criar um fato que o pusesse na cadeia. Fértil mente de jornalista, em tempos agitados na década de 80. Não era nada disso, mas meu pai ficou furioso o suficiente para dar um chute no carro da polícia, só para acabar na delegacia. Minha mãe ficou em pânico, sem saber o que fazer comigo e com meu irmão. Ligou para alguns familiares e tempos depois meu pai voltou para casa – teve a sorte de encontrar um delegado ex-colega de faculdade…

Meu pai ainda foi secretário de governo, minha mãe subchefe de gabinete de governador e prefeito. Tenho um tio deputado federal (o Vieira da Cunha) e meu primeiro trabalho foi colar etiquetas em envelopes de mala direta pedindo votos para um político em primeiro mandato. Nesse mundo, minha mãe fez grandes amigas, como a Fátima, a Duda e a Marilésia. Meu pai fez grandes contatos e amigos e segue fazendo a vida em volta da política. 

Hoje é um dia de baixa para ele, que fez parte da equipe, como consultor, da equipe que fez a campanha de uma candidata que não passou para o 2o turno em Porto Alegre. Para ele e para meu irmão, que coordenou a produção da campanha de um candidato também derrotado, em Floripa. Foi a primeira experiência dele na área.

Como em tudo na vida, vale olhar para a metade cheia. Para o meu pai, é fim da briga doméstica com minha mãe. Afinal de contas, eles estavam em trincheiras opostas (minha mãe está trabalhando com o prefeito atual) e no calor da campanha, estavam se deixando levar pela emoção. (Aliás, política sem emoção não é política). E para o meu irmão é a chance de conhecer o afilhado Vicente! Se der certo, estará aí nos próximos dias.

E será que a próxima geração vem nessa onda? Hoje Gutão estava preocupadíssimo em saber de qual prefeito o pai e a mãe gostavam… E foi ele que apertou o botão verde da urna eletrônica para mim hoje. Sinal verde para a política. Hoje e sempre!

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