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Procura-se palestrantes para o TED2013

Agora, você pode ser um palestrante do TED2013. Veja como!

E o TED, inspirado no fenômeno dos TEDx pelo mundo, dá um novo passo na missão de projetar pessoas e trabalhos incríveis via ideias que merecem ser espalhadas. Entre abril e junho de 2012, os curadores do TED farão uma busca mundial por possíveis palestrantes que possam se somar às mais de 1000 palestras que já estão disponíveis gratuitamente no site www.ted.com e que já foram  vistas mais de 400 milhões de vezes pelo mundo todo.

A ideia é garimpar em diferentes e inesperados lugares do planeta gente que tenha algo relevante para contar ao mundo. Para isso, serão feitas audições em 14 cidades do mundo, inclusive em São Paulo, a única localidade na América Latina.

Nestas 14 cidades (Doha, Londres, Joanesburgo, Nairobi, Tunis, Shangai, Bangalore, Seoul, Sydney, Tokyo, Vancouver, Nova Iorque, São Paulo e Amsterdã, pela ordem), os organizadores selecionarão os melhores candidatos para fazerem palestras de até 18 minutos no TED2013, em Long Beach, na Califórnia. O tema da conferência será: “The Young. The Wise. The Undiscovered”.

A audição do TED em São Paulo acontecerá no dia 11 de junho, em local ainda não definido. As inscrições para os participantes a serem escolhidos pelo TED ocorrerão entre os dias 3 e 23 de abril através de uma plataforma online. Os participantes poderão adicionar vídeos que mostrem por quê devem ser escolhidos para as palestras nas cidades. A partir das inscrições, serão escolhidos pelos organizadores até 30 palestrantes para participar da etapa de São Paulo. Todas as falas da audição serão gravadas e alguns dos vídeos poderão até ser publicados no site do TED (www.ted.com).

As palestras deverão ser feitas em inglês e em um período de no mínimo 3 e no máximo 6 minutos. A palestra a ser dada no TED 2013, no entanto, poderá ser ministrada em até 18 minutos. Todos os custos de viagem, hospedagem e alimentação dos vencedores será coberto pelo TED.

O TED está procurando pessoas que possam se destacar nos seguintes tópicos:

  • O Inventor: que divida uma invenção com potencial para mudar o mundo
  • O professor: que divida conhecimento de maneira memorável para jovens ou adultos
  • O prodígio: jovem talento pronto para emergir
  • O artista: que possa mostrar seu trabalho de uma forma completamente diferente
  • O performista – música, dança, comédia, drama… ou algo totalmente diferente
  • O sábio –  a sabedoria que o mundo precisa por aqueles que aprenderam do jeito mais difícil
  • O entusiasta: com paixão contagiosa pelo tópico que escolher falar
  • O agente de mudanças: que ajude a moldar o mundo com um trabalho que realmente importa
  • O contador de histórias: intenso, original e significativo… com um talento para se conectar
  • O que despertará a faísca para mudança: com uma ideia poderosa que valha a pena espalhar

Procura-se gente nova: os candidatos não podem ter participado em alguma conferência do TED ou ter seu vídeo publicado no TED.com.

Esta é uma excelente chance de pessoas incríveis poderem mostrar seu trabalho para o  mundo. Você pode ajudar espalhando esta boa nova e ajudando a encontrar possiveis palestrantes. Aguarde mais informações e prepare-se para ajudar a montar o programa do TED2013 com suas indicações!

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O único lugar do mundo onde é ruim ter metrô

O pessoal dos bairros ricos de São Paulo, Rio, Porto Alegre, Recife e grandes cidades do Brasil adora ir para Londres, NY e Paris e dizer que o metrô é maravilhoso.

Aí, quando a prefeitura e o governo de São Paulo finalmente resolvem expandir a linha de metrô para um dia ser como nestas grandes cidades, a elite reclama. Mais do que isso, tiram a estação do plano original e “empurram” para longe. Simplesmente porque estavam com medo dos camelôs e da “frequência”.

Estação Higienópolis ou pode chamar de outro nome (fotomontagem - fonte: esquerdopata.blogspot.com)

Então, fica combinado assim: gente da classe C ou D é legal quando trabalha de babá, faxineira, doméstica ou motorista na sua casa. Mas não é legal quando vai pegar o metrô perto de onde a elite leva seus cachorros para passear (ou mesmo emporcalhar o bairro de cocô. Já morei em Higienópolis e lembro de uma vez tive que avisar um sujeito que o cachorro dele tinha feito cocô dentro do shopping chiquérrimo do bairro). Ou seja, é tudo questão de educação e visão de mundo. Egoísta, nestes casos.

Sinceramente, pessoal, vai ser provinciano assim lá em Nova York. É de dar vergonha. Enquanto as pessoas não pensarem no bem comum, vai ser difícil evoluir no projeto de país de primeiro mundo.

O artigo do Fernando Canzian, publicado na Folha, ficou muito bom. Veja abaixo.

PS: tenho muitos amigos em Higienópolis e não queria generalizar. Mas a associação envolvida representa o bairro. Então, turma inteligente, que sabe que metrô é solução urbana e não problema, chegou a sua hora de se mobilizar. 

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Droga de elite

Higienópolis (cidade da higiene) rechaçou a chegada do metrô. Haveria uma estação no local onde hoje funciona um supermercado Pão de Açúcar, na av. Angélica, esquina com a rua Sergipe. Morei anos ali.

Para quem não conhece, é um bairro rico e central de São Paulo.

Esse canto abrigaria a ex-futura estação do coletivo, agora deslocada para o Pacaembu, com bem menos concentração de pessoas.

O lobby dos ricos venceu. O governo tucano tucanou de novo diante da pressão dos moradores.

Empregadas, babás, porteiros, faxineiros, feirantes, garis, funcionários do Pão de Açúcar e milhares de empregados do bairro que servem diariamente os moradores continuarão sem a melhor, mais rápida, pontual, organizada e limpa opção de transporte público.

Temia-se o aparecimento de camelôs nas redondezas. De “uma gente diferenciada”, um morador chegou a dizer.

Reclama-se muito que São Paulo não consegue ser cosmopolita, democrática.

Vamos a Nova York e à Europa e voltamos deslumbrados. Carentes da não dependência do carro e saudosos de “civilização”.

Não conseguimos fazer o mesmo onde vivemos.

Conviver com o próprio povo é um porre.

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“Há um certo momento na trajetória de toda e qualquer nação em que ela se considera escolhida. É nesse momento em que ela dá o melhor e o pior de si.” (Emil Cioran, 1911 – 1995).

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Poluição: nuvem negra na cabeça de 15 milhões de paulistanos

Acordei razoavelmente cedo hoje e não pude escapar de registrar essa cena. A poluição de São Paulo é algo com o qual nos acostumamos, mas que é extremamente danosa para a saúde. No TEDxSP, em uma das palestra mais inspiradas, o cientista Paulo Saldiva falou sobre o absurdo de a poluição não ser considerada um caso de saúde pública (leia mais aqui). Segundo ele, morrem por ano na capital paulista cerca de 1000 pessoas em função da AIDS, 500 por tuberculose e – pasmem – 4 000 pessoas por conta da poluição! E a poluição, isso é o pior, não é tratada como problema de saúde.

Com  uma foto como essa, é impossível não ficar chocado. A massa cinza chumbo é uma verdadeira nuvem negra na cabeça de cerca de 15 milhões de pessoas. Tanto já virou rotina, que meu filho de 5 anos saiu correndo da cama, me perguntando: “Pai, deixa eu ver a foto da poluição.”

É por causa disso que me nego a comprar um segundo carro para a família.  Enquanto for possível evitar, farei minha parte para não contribuir com essa poluição e com o trânsito infernal. São Paulo pode e precisa ser melhor. Será que a tecnologia automotiva e o investimento no transporte público vai permitir isso?

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O incrível TEDxSP e sua ebulição de ideias

Final de domingo, filhos na cama (ufa!). Fiquei o dia inteiro refletindo sobre o que vi no TEDxSP ontem, o evento mais incrível que participei nos últimos tempos. Talvez o melhor que eu tenha participado até hoje. Não consigo lembrar de outro assim. Desde que acordei estive pensando no que poderia escrever. Então, hoje não vai ter foto, mas vai ter texto. (Muito texto, confiando que vocês vão até o final acreditando na máxima de que não existe texto longo, existe, sim, texto chato!)

Não é fácil cuidar de dois filhos pequenos no final de semana! Só consegui bater o olho nos jornais do dia agora. Nada de interessante. Ia olhar as semanais, mas decidi que não. As revistas semanas são muito factuais. Demais até. Há tempos que não conseguem nos levar para o futuro, levar nossas mentes adiante. Vou investir meu tempo no futuro, escrevendo minhas impressões sobre o TEDxSP (ao longo do texto, coloquei em itálico alguns dos tweets que enviei durante o evento, assim como coloco também os endereços no Twitter dos palestrantes – @nomedo palestrante).

Imagem do TEDxSP

O evento me fez pensar, repensar, reler e me entusiasmou com as possibilidades do Brasil. Muita coisa interessante, muito combustível para a mente. Pessoas das quais eu nunca tinha ouvido falar, fazendo coisas incríveis! Teve o publicitário Danilo Mendes, que apresentou a máquina que tira água do ar e teve a química Milena Boniolo (@milena_anelim), que mostrou como a casca da banana pode tirar metais pesados da água. Valério Dornelles mostrou o case da Tecnologys, inovador em construção civil, com tijolos inspirados no Lego e Anysio Campos mostrou o incrível Obvio, carro movido a eletricidade (brasileiro!)

A designer Fernanda Viegas (@viegasf) mostrou o site Many Eyes, que ela co-desenvolveu com a IBM e que ajuda a visualizar dados, a filtrar a quantidade absurda de informação que a gente recebe. Sem dúvidas, vamos precisar de algo assim, até para enxergar as coisas de um jeito novo, que vai fazer muita diferença no mundo que teremos pela frente, com temas novos em pauta, coisas que ainda precisaremos conhecer melhor.

Como a bioinformática, por exemplo. Sandro Souza falou sobre isso, sobre o avanço nos estudos do Genoma. Ele é um dos pesquisadores brasileiros mais reconhecidos no meio e trouxe questões intrigantes sobre o futuro.

**Sandro Souza no #tedxsp. Genoma e Bioinformática vão mudar vidas nos próximos anos. Desde 1995 já deciframos genomas de espécies.

**Em 2001, custava US$ 3 bilhões p/ sequenciar um genoma. Em 2009, chegou a 50 mil. E deve chegar a 3 mil p/ vc sequenciar o seu. S. Souza #tedxsp

**Logo, logo, você vai chegar no médico c/ pendrive c/ genoma e ele vai dar remédio. Não há proteção legal para info genética. S. Souza #tedxsp

Além de criatividade por todo o lado, alguns temas chamaram a atenção pela onipresença: educação, redes sociais e bicicleta (!).

Vou começar pelo último, que é mais fácil de analisar.

Bicicleta (!)

Além da palestra do designer Flavio Deslandes, que criou uma bicicleta com quadro de bambu, que de tão resistente chegou a quebrar a máquina de testes, o médico Paulo Saldiva recebeu destaque por ser um ciclista desde os tempos de faculdade, quando ia para a USP, pedalando. Saldiva fez um paralelo interessante entre a doença do planeta e doenças humanas.

A lógica dele foi a seguinte: pensemos que cada país é um órgão e que as pessoas são as células do planeta. Estamos com febre (aquecimento global), viciados em uma droga (petróleo), com obstrução das vias áereas (trânsito caótico), com infecção renal (acúmulo de lixo, pois não conseguimos eliminar os dejetos), com alguma flatulência (tornados que estão cada vez mais freqüentes) e com disfunção cognitiva (alguns neurônios – cientistas – dizem que o planeta vai esquentar graças ao homem, outros dizem que é algo normal). Fora essa brincadeira genial, Saldiva contribui com a precisa afirmação de que a poluição deveria ser considerada problema de saúde pública.

Cerca de 4 mil pessoas morrem por ano em São Paulo em função da poluição, ao passo que menos de mil pessoas morrem em função de AIDS e cerca de 500 por tuberculose. Tem ou não tem razão?

Osvaldo Stella, doutor em ecologia, também pedalou. Abandonou um curso de engenharia para cruzar de bicicleta a Transamazônica com dois sujeitos que não conhecia.

Stella foi responsável por um dos momentos mais engraçados do dia. Ele deve ter sido o décimo palestrante. Entrou ‘perdido’ no site, dizendo que não sabia mais o que ia falar e pedindo desculpas para quem tinha feito o power point, que ele não ia mais usar.

E se pôs a falar de sua vida, rodando como se fosse um peão, atordoado com tudo que tinha ouvida até então, nas suas palavras. Acabou falando da Iniciativa Verde, a primeira ONG de compensação ambiental do Brasil. Neutralizar os efeitos do padrão de vida é importante, mas não é suficiente, vale lembrar. Melhor é diminuir a chamada ‘pegada ecológica’.

**Osvaldo Stella é a surpresa engraçada do dia. Largou engenharia e se transformou pedalando na transamazônica. #tedxsp

**Impacto da crise financeira diminuiu mais a emissão de gases de efeito estufa do que o Protocolo de Quito. Osvaldo Stella #tedxsp

Redes Sociais

O outro assunto que rendeu pano para manga foi redes sociais. Augusto de Franco (@augustodefranco) foi o grande palestrante sobre o tema. Apresentou conceitos técnicos, a origem do relacionamento em rede e mostrou como se faz.

**Augusto de Franco sobre redes sociais. #tedxsp Diz que a Matrix existe!, interligando todos nós agora. Social é o q está entre as pessoas.

**Paul Baran, da RAND. 3 organizações d redes: centralizada, descentralizada e distribuída. Boa fonte p/ redes. #tedxsp (via @augustodefranco)

Luiz Algarra, (@lalgarra) designer de redes sociais, da Papagallis, entre outras, também falou sobre redes sociais. Achei a palestra dele viajante pacas. Tinha o nome de Solilóquio Reflexivo. Falou de redes sociais, de amor, física quântica, misturou tudo. Disse até que o amor era empírico metafísico.  Valeu para conhecer mais um doidão no mundo. Algarra fez uma pergunta interessante: “Eu quero querer o que quero?”

**”Somos humanos porque percemos nossa humanidade, com base no cuidar, no fluir da emoção.” Papo bicho-grilo total. Tá legal. @lalgarra #tedxsp

O outro que falou sobre redes sociais foi o Silvio Meira (@srlm), grande cara. Silvio tem domínio do palco e sempre rabisca os pensamentos no laptop tablet (lembra dele?) causando um efeito interessante. A melhor sacada de Silvio foi dizer que educação deve ir de ‘just in case’ para ‘just in time’. Ou seja, aprender o que se usa. Ou faz algum sentido aprender números imaginários para quem, como eu, é um jornalista?

**Mamíferos vivem em média 2milhões de anos como espécie. Seres humanos já vivem há 200mil anos e tentando se matar logo! @slrm #tedxsp|

**Quem acha que já viu tudo em possibilidades de computação, ainda não viu nada. Próximos 25 anos vao criar oportunidades de cooperação e educação.

**@slrm diz que dormiu em 75% das aulas de graduação, passou e ganhou duas hérnias de disco. +1 crítica p/ educação. #tedxsp

**Humanos, gregários, coletivos e conectados viverão na rede para sempre, pois é onde sempre estiveram. Redes sociais forever. @srlm #tedxsp

Educação

A revista Economist publicou uma matéria há algum tempo falando que o grande fator responsável por mudar o padrão de desenvolvimento de uma nação é a educação, seguida pelo crédito. Os psicologistas costumam dizer que o primeiro passo para resolver um problema é reconhecê-lo. Pois bem, juntando Economist, psicologia e TEDxSP, chego à conclusão que podemos ter esperança. Praticamente todo palestrante falou sobre educação em algum momento de sua palestra, quando não era o tema principal.

Dona Adozinda Kuhlman, educadora, 92 anos, (escolhida via twitter a palestrante mais fofa do evento) mostrou uma mente para lá de afiada. Ficou a certeza de que uma mente ativa ajuda a saúde física. Ela ficou lá até às 22h e a palestra dela foi de uma lucidez impressionante para quem tem 92 anos. O conhecimento é a pílula da juventude!

**Dona Adozinda, educadora de 92 anos, diz q BR é terra jovem, c/ mto a oferecer ao mundo. Matèria-prima somos todos nós e as ideias #tedxsp

**Dona Adozinda: “Minha profissão tem a função de alicerçar as outras profissões”. #tedxsp

**Consciência s/ seu papel é fundamental para satisfação no trabalho. Dona Adozinda dá show de lucidez aos 92 anos. #Tedxsp

Guti Fraga, do Nós do Morro, também foi pela linha de educação. Fraga foi o responsável pela apresentação mais vibrante, emocionante do dia. O cara transpirava emoção em cada palavra e mostrou como o teatro ajuda na inserção social de pessoas que vivem na favela.

**”Malandragem é universal”, caiu a ficha de Guti Fraga no #tedxsp.

**Guti Fraga: “ninguém tem amor maior que esse: dar a sua vida para os outros”. #tedxsp via @mbtorres

Eduardo Moreira também falou sobre teatro e inserção social, ou educação via arte.

**Artigo de 1a necessidade para as pessoas é exercer ludicamente a vida delas. #tedxsp Eduardo Moreira

**Uso dos espaços públicos por viciados em crack é perigoso para a democracia pq vira lugar de ninguém. #tedxsp Eduardo Moreira

Samara Werner (@samarasa) do Instituto Oi Futuro, bateu na mesma tecla, de que precisamos investir em educação. Uma frase boa dela foi:

**Samara Werner cita Antonio Carlos Gomes da Costa:  Se cuidassémos da educação como da escalação brasileira, BR teria mto + a oferecer. #tedxsp

Ela também citou Einstein:

**A mente que se abre a uma nova ideia nunca volta ao seu tamanho original. Einstein via Samara Crespo #tedxsp

Ao final da palestra dela, fiquei com uma dúvida atroz:

**Pq todo mundo reclama da escola e como ensinamos, mas não conseguimos valorizar  iniciativas diferentes de educação? #tedxsp

A próxima a falar sobre educação foi Maria Alice Setubal, que mostrou projetos bacanas do CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária).  Projetos muito importantes para um país repleto de carências, como o Brasil, mas ainda na milenar batida de dar o peixe e não de ensinar a pescar.

Criatividade

E aqui chegamos num outro bloco que vou chamar de criatividade, embora em quase todas as palestras essa questão tenha estado presente. Meu amigo e jornalista Dênis Burgierman abriu o dia falando do imenso potencial criativo do Brasil, pois estamos cheios de problemas para resolver. Muita gente criativa + um monte de problemas = oportunidades de sobra!

Regina Casé (@reginacase) foi a certeza disso mostrando o seu incrível trabalho antropológica perseguindo a manifestação cultural da periferia. A partir do que descobriu no funk no Rio de Janeira, ela mergulhou em outras regiões suburbanas do mundo e descobriu que na Cidade do México, em Paris, e em Luanda (Angola), existem culturas tão forte quanto o funk, mas relegadas a segundo plano pela mídia.

Ronaldo Lemos, fundador do Overmundo e diretor da Creative Commons no Brasil, ainda que eu não tenha conseguido ver toda a palestra, também foi por essa linha, mostrando o impacto que o mundo underground tem nas redes sociais. Principalmente o que as Lan House fazem pela inclusão digital e como o tecnobrega ganhou o mundo digital.

O mundo 2.0 traz uma incógnita em relação à propriedade intelectual e pirataria. Regina Casé mostrou uma banda de Kuduristas (de Kuduro, um ritmo angolano que quer dizer “bunda dura”), que vendeu 15 000 CDs em 3 horas. E os impostos? Não se falou nada…

**Hermano Viana pelo funk foi chamado com DJMarlboro diversas vezes no departamento de polícia do RJ, mas nunca no de Cultura! Regina Casé no #tedxsp

**Regina Casé no #tedxsp mostrando variações do funk pelo mundo. Incrível! Trabalho antropológico de primeira. Já tem documentário?

**Expressão da periferia é estigmatizada, negligenciada pelo que é cultura, pelo que é popular. Periferia do mundo está à margem. No news. #tedxsp

**Brasil – vamos aproveitar o q já existe, não precisa inventar muito. BR pode ser vanguarda anti-gueto do mundo. #tedxsp Regina Casé

Fabio Barbosa foi incisivo. Lembrou que o Brasil precisa mesmo é fazer uma reforma de valores, que inclui, entre outras coisas, falar “ilegalidade” e não “informalidade” como costumamos dizer. A mensagem foi a mesma e consistente de sempre:  conjugar negócios e ética. No folder do evento, dizia que Fabio valoriza a pontualidade. Foi um dos somente quatro que cumpriu o tempo dado (15 ou 5 minutos, dependendo do palestrante) à risca.

(Achei interessante a visão de Tiago Dória sobre a palestra do Fabio Barbosa: “Gostei também da apresentação do Fabio Barbosa, presidente do Banco Santander. Ele não usou esse termo, mas falou sobre algo que acho bem importante na administração, que é a “teoria da janela quebrada“. É preciso resolver os problemas enquanto ainda são pequenos. Acredito que seja um conceito que se aplica muito bem não somente na administração pública, mas também na privada (gestão de plataformas de redes sociais, por exemplo). Bug em um sistema? Conserte o mais rápido possível.”)

O único estrangeiro do evento foi Casey Caplowe (@caseycaplowe), da revista Good, que debate formas interessantes de fazer o bem e transformar o mundo. Um dos slogans da revista é “América: deixe-a ou conserte-a.” Outro é para “people who give a damn”

**Casey Caplowe mostra gráficos interessantes q a www.good.is usa. Informação visual facilita mto p/ entender a dimensão dos problemas. #tedxsp

**You never change things by fighting the existing reality. To change something, build a new model that makes the new model obsolete. Casey Caplowe

**Brasil pode sair de exportar coisas para exportar solucões como o sistema de ônibus de Curitiba. C Caplowe #tedxsp

**Street art do Brasil é muito valorizada nos EUA. Pq não é aqui? #tedxsp

**Muito pensamento legal, de gente bacana no #tedxsp. Pq a diversão e a arte ficam em 2o plano no mundo ‘sério’ político-empresarial? Perda de tempo?

Sobre revista, Roberta Faria apresentou o modelo da Sorria, que conseguiu mais de 200 000 exemplares por edição com um modelo de negócios inovador, via doação social.

João Paulo Cavalcanti, da Box 1834, propôs que o Brasil deveria ter um sonho como nação. Falou do Poder do Mito, de Joseph Campbell (para quem não sabe, a base que George Lucas usou para construir a história de Guerra nas Estrelas. Cavalcanti lembrou que:

**Há 1 certo momento na trajetória de qquer nação q ela se sente escolhida. Nesse momento, ela dá o melhor e o pior de si. EMCioran #tedxsp

**Poder do mito de Joseph Campbell. O escolhido precisa estar preparado para entregar o que dele se espera. BR pode! JP Cavalcanti #tedxsp

**A nação que não possui um sonho não é uma nação. Dostoievski, 1871. Via JP Cavalcanti #tedxsp. Qual é o sonho brasileiro?

**Criatividade nasce da diversidade. Não ter raízes é a riqueza da nossa pobreza sob o ponto de vista de inovação. #tedxsp JP Cavalcanti

Realmente não sei se precisamos de um sonho ou de um projeto de país, mas que precisamos ter um norte, ah isso precisamos. Cavalcanti chegou a dizer que nosso sonho pode estar na festa, que pode ser nossa grande contribuição ao mundo, essa alegria de viver. Citou Regina Casé, que focou sua palestra no funk. Eu prefiro ficar fora dessa de festa, sob o risco de virar um grande Carnaval. Temos que ter alegria, mas não acho que festa deve ser central.

E acabamos o evento com um babalorixá, Carlos Buby, que falou na Filosofia Guaraciana, do índio caboclo Guaraci. Esse índio ajudou Buby a se encontrar na vida quando tinha 18 anos e essa experiência gerou essa filosofia.

**Carlos Buby: O homem jamais será reconhecido enquanto ele viver à sombra da luz de seu mestre. Ele precisa ser o seu próprio mestre. #tedxsp

**Carlos Buby: Veracidade da história não está diretamente ligada ao fato em si, mas a credibilidade de quem conta a história. #tedxsp

**Carlos Buby: É muito fácil saber o que desejamos, mas não o que necessitamos. #tedxsp

**Carlos Buby: Um país sem raízes é como árvore sem raízes: é só enfeite. #tedxsp

**Carlos Buby. Posso ñ acreditar em 1 só palavra do q vc diz, mas vou lutar com todas as forças para vc ter a liberdade de dizer o q diz. #tedxsp

A palestra de Buby foi carregada de auto-ajuda, mas seu simbolismo é muito maior. Representa o grande ecletismo que foi a seleção de palestrantes do primeiro evento TED independente realizado no Brasil.

Magistralmente realizado, diga-se de passagem. O formato é muito vencedor. Palestras de cinco e quinze minutos são infalíveis. A mensagem central de qualquer pessoa está nesse intervalo de tempo. Mais do que isso é variação sobre o mesmo tema. É claro que é importante falar mais sobre determinados assuntos. Mas em um evento, vale a máxima de que “menos é mais”. Resultado: 30 pessoas fizeram palestras incríveis.

Conversando com outros participantes, disse que não me senti surpreendido pelo que vi nos palestrantes. Estava esperando altos e baixos, como em qualquer evento. E isso aconteceu. Agora, me surpreendi, sim, com a realização.

Helder Araújo (@haraujo) e equipe fizeram um trabalho nota 10! Os mínimos detalhes foram perfeitos, o pré, o durante e o pós-evento, com um brinde para comemorar, foram de tirar o chapéu, como fez Silvio Meira no palco. Muitos elogiaram a surpreendente equação juventude + rigor na organização.

Helder não só conseguiu atrair grandes palestrantes, como ainda apresentou, com ajuda de outros Tedsters, como o impagável Bruno (@oestagiario), a vibração do TED original, da Califórnia. Todos que participaram entenderam melhor o que é e como participar.

Responde à pergunta do TED sobre o que o Brasil tem a oferecer ao mundo, fiquei com a certeza de que a efervescência criativa, baseada em nossa grande diversidade cultural é o nosso princiapl ativo. Senti um verdadeiro orgulho, uma brasilidade, muito presente no TEDxSP. A sensação de que o país tem um enorme potencial e que tem muita gente a fim de fazê-lo acontecer.

Fiel ao lema de compartilhar ideias, agora, teremos as 30 palestras disponibilizadas na íntegra, uma por semana: WWW.tedxsaopaulo.com.br.

Minha gratidão ao Helder Araújo, ao Dudu Camargo (@dudex) e a todos os demais envolvidos na organização do TEDxSP. Foi um grande presente de Natal antecipado. Uma ebulição de ideias, uma semente para formar uma comunidade com grande potencial. Que venha o próximo e um brinde ao conhecimento!

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A malandragem do Galvão

Ontem, no final do jogo entre Brasil x Bolívia, chegou a informação de que uma favela estava queimando em São Paulo. Imagens impressionantes começaram a aparecer na televisão.

Fogo na favela do Jaguaré

Quando disseram que era em uma favela próximo ao Jaguaré, corri para a janela, de onde é possível enxergar um bom pedaço de São Paulo. Dava para ver o clarão laranja da favela ardendo. Chocante. E aí, vem a pérola do Galvão Bueno, que estava narrando o jogo. Disse algo como: “As imagens são impressionantes. Imaginem o pavor dos moradores dos condomínios residenciais.”

Fiquei duplamente chocado. Com as imagens e com a asneira do Galvão. Acredito que ele não tenha falado por maldade. Afinal, ninguém seria tão mauassim. Mas o significado que a simples frase carrega me deixou pensando. Quer dizer então que 200 famílias perderem o seu barraco não é nada perto do pavor que os moradores classe média estavam sentindo. Ô, Galvão, que coisa, hein?

E pensar que o cara vai ficar aí pelo menos até 2016, pós Copa no Brasil e ano das Olimpíadas. Enquanto o Brasil se moderniza, a Globo vai entronando o status quo perdido no passado. Volta e meia o Galvão ainda fala: “Ronaldinho, cheio de malandragem, levou o juiz na convesa.” Ou então: “É malandro, é experiente…” Estímulo à malandragem no sentido de levar vantagem é algo que não precisamos mais. Numa boa…

Essas bobagens que o Galvão fala e que impactam milhões de pessoas têm quase o mesmo apelo, o mesmo peso, que o sushi erótico que foi sabiamente banido do Faustão. Alguém lembra da bizarrice? Uma bonita modelo deitada, nua, servindo de bandeja para dezenas de peças de sushi e sashimi. Nem lembro para que serviam, mas lembro que tinham um mau gosto incrivel.

Uma história de bastidores diz que alguém da Globo, indignado, saiu a perguntar quem tinha criado aquilo. Não tinha sido o produtor, não tinha sido o diretor do programa, não tinha sido o Faustão, não tinham sido os Marinho. É claro que não. Ninguém com bom senso deixaria isso acontecer. O fato é que demoraram a se dar conta. Mas se deram. Alguém, agora, precisa ir lá e passar o recado para o Galvão deixar de usar o poderoso microfone que lhe serve para falar bobagens. Ele não chegou lá por acaso. Não foi por ‘maladragem’ (espero). Tem muito mérito, mas precisa lembrar que o Brasil não é feito só de classe média ou de time paulista.

O Brasil está evoluindo, a sociedade está amadurecendo. É bom os formadores de opinião acompanharem essa mudança para não ficarem para trás.

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