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Estamos cheios ou abundantes?

Em fevereiro passado, o TED promoveu um debate intelectual sobre o uso dos recursos no Planeta Terra.

Paul Gilding disse que a Terra está cheia. (*para ver estes videos com legendas em português, acesse o site do TED)

E Peter Diamandis falou que a tecnologia nos salvará, pois vivemos na era da abundância.

Ao final, Chris Anderson promoveu um mini-debate com os dois no palco.

De que lado você está?

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A sacola plástica e a vida na Terra

Nós e as sacolas plásticas

Como as indústrias de tabaco e madeireira, que despertam muitos sentimentos negativos na sociedade e nos consumidores, a indústria plástica está prestes a se tornar o próximo alvo (se já não se tornou…). Não faltam campanhas com o objetivo de desqualificar o seu uso, lembrando dos terríveis impactos que causam para o meio-ambiente. Só para lembrar, uma sacola plástica pode levar até 500 anos para se decompor. Já há tentativas de produzir o plástico biodegradável (ainda não ouvi nenhuma recomendação positiva sobre isso, se alguém souber favor avisar) e até o esforço da associação de indústrias plásticas de lembrar o valor das sacolinhas.

É inegável a praticidade que trouxeram ao dia-a-dia. Ainda lembro de ir ao supermercado e voltar com as compras em sacolas de papel. Aposto que nenhum Geração Y (como são conhecidas as pessoas nascidas na década de 80 – ou millennials em outra abordagem) lembra disso. Mas também lembro de minha mãe usando carrinho de feira para trazer aquelas coisas que não se podia transportar nas sacolas de papel, como objetos de geladeira, que molhavam o papelão e faziam todas as compras caírem no chão.

Como tudo na vida, a sacola plástica tem seu lado positivo e negativo. O problema é o excesso. Uso em excesso neste caso… A já famosa mancha de plástico no Oceano Pacífico é dar medo. Ainda não vi nenhuma foto sobre isso, parece uma lenda urbana, mas os estudos confirmam que existem. Afinal, para onde iriam as sacolas plásticas. Os balões, feitos de plástico, vão para um lugar idílico (veja aqui).

Já as sacolas, vão para o seu próprio paraíso. A grande mancha plástica do pacífico… Como conta, em tom épico, este vídeo produzido pela ONG Heal the Bay, na Califórnia, onde se utilizam 19 bilhões de sacolas plásticas por ano.

Esta outra versão apresenta um filme que é parte da série FutureStates, feita de 11 mini-ficções que exploram cenários hipotéticos para o nosso futuro por meio da lente da realidade hoje. É uma biografia da sacola plástica. De dar dó. A sacola humanizada, falando em inglês, com sotaque estrangeiro (voz de Werner Herzog), procurando o seu genitor (maker). Quase uma andróide de Blade Runner, buscando sentido para a vida… Coitada.

Mais impactante que isso só a cena da sacola rodando no vazio, no belíssimo “Beleza Americana”:

Não há mensagem aparente na versão do diretor Sam Mendes, do vencedor do Oscar Beleza Americana. Só aquela que a poesia consegue entregar. Lúgubre. Melancólica. Existencial.

Pausa. Corta para a Plastivida. Tentando mostrar a importância da sacola plástica.

Pense no lixo da sua cozinha. Para onde ele vai depois que entra no saco plástico? Pouca gente sabe. Pouca gente se preocupa com isso. Poucos têm tempo para fazer compostagem de lixo ou mesmo para ir até o “ecoponto” mais próximo reciclar o lixo. É mais fácil ser contra a sacola. E não estou aqui para criticar, querer banir o uso da sacola plástica. É, sim, algo para se preocupar. Mas ainda está longe o dia que vou deixar de usar sacolas plásticas. Recuso-as no supermercado, onde quer que eu vá. Levo sacolas de lona (que estão quase ficando chics), mas ainda é pouco perto do problema do uso indiscriminado das sacolinhas. O que fazer? Aceita-se sugestões.

Independente da mensagem, fica a lição de buscar novos jeitos (interessantes) para falar de assuntos sérios e importantes. Nada de ficar “enchendo o saco” do amigo dizendo que ele vai acabar com o planeta se continuar usando sacola plástica, mas, sim, buscar chamar a atenção de maneira criativa…

Leia mais na SuperInteressante

A Terra, a milhões de quilômetros

Enquanto isso, a 114 milhões de milhas de distância, a sonda Messenger, da Nasa, tira uma foto da Terra e da Lua, nos colocando na nossa insignificância. Num universo tão grande, do qual não conseguimos imaginar em nosso cérebro sua vastidão, cá estamos vivendo o privilégio da vida. E transformando petróleo em plástico. Tirando algo que durou milhões de anos para se formar do fundo da terra e jogando para atmosfera, causando aquecimento global e poluição. Espero que ninguém esteja vendo isso ao lado da sonda Messenger.

A Terra e a Lua a 114 milhões de milhas na perspectiva da Messenger

Leia mais: http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1305422/Incredible-image-Moon-orbiting-Earth-taken-Nasa-probe-114-million-miles-away.html#ixzz0y3S4r4rG

TED Talk da semana – Dimitar Sasselov

Como encontramos centenas de planetas parecidos com a Terra (clique aqui para ver em português)

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No cheque especial ambiental….

Viver no cheque especial pode ameaçar lugares como este em Bali, Indonésia

Todo ano, a Global Footprint Network calcula como estamos consumindo os recursos naturais da Terra. E o dado surpreendente é que a cada ano que passa, gastamos cada vez mais do que temos. Gastamos mais do que a Terra consegue repor. É mais ou menos como uma família vivendo no cheque especial.

E a cada ano que passa, o dia em que estouramos esse cheque especial chega mais cedo. Amanhã, 21 de agosto, seria teste dia. Quase um mês antes do que o do ano passado. Os números são alarmantes e a diferença é tão grande em função de mudanças de cálculo.

De qualquer jeito, neste sábado, você, eles, nós, estamos já devendo pro Planeta.

A new economics foundation, ONG inglesa que busca novos modelos de desenvolvimento, fala de dados patéticos. Veja só: o Reino Unido exporta 131 mil toneladas de gomas de mascar para a Espanha e importa 125 mil toneladas de volta. Faz sentido?

Certa vez, tive uma conversa com um amigo que questionava o fato de os holandeses comerem bananas todo o dia. “Isso é viável? Os holandeses moram em um lugar em que não cresce banana. Por que eles precisam comer banana todo dia. Temos que questionar este modelo de desenvolvimento˜, disse ele. Eu não consigo ser tão radical e acho que as pessoal devem ter as opções – e fazer as melhores escolhas. Mas o fato é que daqui para frente, cada vez mais ouviremos falar de dúvidas como estas…

Para saber mais:

>> Find out more about our work on ecological debt

>> From the blog: Professor Herman Daly explains the opportunity cost of economic growth

>> TreeHugger: Eco-friendly ways to measure the economy

>> Global Footprint Network

Terra termina recursos do ano no sábado, calcula ONG

DA FRANCE PRESSE, EM PARIS

No próximo sábado (21), os habitantes da Terra terão esgotado todos os recursos que o planeta lhes proporciona para o período de um ano, passando a viver dos créditos relativos ao próximo ano, segundo cálculos efetuados pela ONG Global Footprint Network (GFN).

De acordo com o estudo, “foram necessários 9 meses para esgotar o total do período”, em termos ecológicos.

A GFN calcula periodicamente o dia em que vão se esgotar os recursos naturais que o planeta é capaz de fornecer pelo período de um ano, consumidos pela humanidade, aí incluídos o fornecimento de água doce e matérias-primas, entre elas as alimentares.

Para 2010, a ONG prevê o “Earth Overshoot Day” (ou Dia do Excesso, em tradução livre), no próximo sábado, significando que em menos de nove meses esgotamos o que seria o orçamento ecológico do ano, diz o presidente da GFN, Mathis Wackernagel.

No ano passado, segundo ele, o limite foi atingido no dia 25 de setembro, mas não é que o desperdício tenha sido diferente.

“Este ano revisamos os nossos próprios dados, verificando que, até então, havíamos superestimado a produtividade das florestas e pastos: exageramos a capacidade da Terra” de se regenerar e absorver nossos excessos.

Para o cálculo, a GFN baseia-se numa equação formada pelo fornecimento de serviços e de recursos pela natureza e os compara ao consumo humano, aos dejetos e aos resíduos –as emissões poluentes, como o CO².

“Em 1980, a nossa “pegada ecológica” foi equivalente aos recursos disponíveis da Terra. Hoje, é de 50 % a mais, explica a ONG.

ORÇAMENTO

Assim, “se você gasta seu orçamento anual em nove meses, deve ficar provavelmente muito preocupado: a situação não é menos grave quando se trata de nosso orçamento ecológico”, explica Wackernagel.

“A mudança climática, a perda da biodiversidade, o desmatamento, a falta de água e de alimentos são sinais de que não podemos mais continuar a consumir o nosso crédito”, completa.

Para inverter a tendência, é preciso “que a população mundial comece a diminuir” –um tabu que começa a ser desmistificado pouco a pouco entre os demógrafos e os defensores do meio ambiente, inclusive no seio das Nações Unidas.

“As pessoas pensam que seria terrível mas, para nós, representaria uma vantagem econômica. É uma escolha”, comenta Wackernagel.

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Qual nosso tamanho correto no mundo? Pequeno, bem pequeno…

Excelente entrevista de Martin Rees no Estadão. Uma incrível capacidade de nos colocar em nosso lugar certo, como um estágio da evolução mais ou menos na metade dos 9 bilhões de anos de vida útil do sol.

Uma incrível dose de humildade.

Jornal *O Estado de S.Paulo* – Domingo, 7 de março de 2010

UMA TERRA DE NINGUÉM?

Para cosmólogo, a pior catástrofe não são os terremotos, mas a onda de desleixo que avassala o planeta

*MARTIN REES*

em entrevista para Christian Carvalho Cruz

Terremotos, inundações, nevascas, tsunamis e outros desastres naturais matando tantas pessoas pelo mundo seriam sinais do início do fim dos tempos?

Não há evidência sólida de que esses eventos sejam mais freqüentes agora do que no passado. Mas é claro que as sequências são mais severas, porque há mais pessoas e por causa da maneira como nós vivemos nas cidades.

Gelo diminuindo no Ártico, iceberg que se desprende da Antártida. O sr. crê em aquecimento global?

Acho que há indícios bastante fortes de que o mundo está se aquecendo por causa das atividades humanas. Mais importante: nós sabemos que a concentração de dióxido de carbono no ar é maior hoje do que foi por centenas de milhares de anos e, se continuarmos a depender da energia de combustíveis fósseis, no final deste século essa concentração terá duas ou até três vezes o nível observado no período pré-industrial. A física simples sugere, então, que há um risco alto e real de mudanças climáticas graves e irreversíveis.

A capacidade do ser humano de se adaptar a condições de vida adversas impede que ele reaja e faça algo para evitar o próprio fim?

Sim, nós podemos nos adaptar. Mas será que, em vez disso, não deveríamos tentar impedir que o mundo se altere a ponto de o meio ambiente ser irreversivelmente degradado e a biodiversidade, destruída? O mundo desenvolvido precisa ser mais eficiente no uso da sua energia. Uma enorme quantidade de calor é desperdiçada por ineficiência das edificações e (especialmente nos Estados Unidos) por conta do excessivo transporte rodoviário, extravagante na utilização de combustível. Temos de embarcar nas novas tecnologias do século 21 e garantir que o resto do mundo evite os erros cometidos pelos Estados Unidos e pela Europa.

Ainda temos tempo para evitar o fim ou devemos nos resignar?

A aplicação prudente da ciência e a distribuição justa dos benefícios da globalização entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento reduziriam o risco de danos à nossa civilização. A crise financeira nos fez lembrar do perigo de acontecimentos imprevisíveis – eles têm baixa probabilidade de acontecer, mas, quando acontecem, as consequências podem ser desastrosas. A ação internacional foi eficaz na prevenção de um colapso financeiro completo. Mas o foco sobre os bancos destacou as injustiças sociais decorrentes das enormes desigualdades em termos de riqueza. A crescente desigualdade, especialmente entre a elite financeira e o resto, é socialmente corrosiva. O prestígio dos banqueiros deve ser reduzido ao dos corretores de imóveis ou dos vendedores de automóveis.

Por que o sr. diz que temos 50% de chance de sobreviver ao século 21?

Eu não digo exatamente isso. Eu acredito que iremos sobreviver, mas há 50% de chance de nossa civilização sofrer um sério revés até lá. É difícil prever em que grau estará a evolução tecnológica 25 anos adiante. Lembre-se que décadas atrás a internet, o iPhone e a navegação por satélite (GPS) pareceriam bruxaria. Precisamos garantir que as inovações tecnológicas que virão sejam usadas para o bem, como essas que citei têm sido. E temos que aceitar que os riscos e os

desafios éticos da biologia sintética sejam tratados por um acordo internacional. Acima de tudo há o desafio político para evitar conflitos em um mundo no qual será cada vez mais difícil obter equilíbrio entre o autoritarismo e a anarquia.

Por que o sr. acredita nisso?

Porque pequenos grupos criminosos ou dissidentes (ou mesmo indivíduos) estarão mais habilitados pela tecnologia moderna, podendo causar perturbações muito maiores. Vai ser mais difícil preservar as liberdades tradicionais.

O sr. também diz que, se sobrevivermos, um futuro glorioso nos espera. Que futuro é esse?

Como astrônomo, eu sei que o Sol não está nem sequer na metade de sua existência. Levou 4 bilhões de anos para que nós evoluíssemos desde o primeiro sinal de vida. Mas, tendo em vista o que resta de tempo ao Sol, ainda há pelo menos 5 bilhões de anos pela frente para uma evolução “pós-humana”, sobre ou fora da Terra. Os seres humanos não são o ponto culminante da evolução, assim como não o era o primeiro peixe que rastejou para a terra seca.

O que é evolução pós-humana?

Não há mais tempo pela frente do que o tempo que foi necessário para evoluirmos até aqui, a partir do lodo primitivo. Assim, a vida pós-humana poderia ser diversa e maravilhosa – e tão diferente de nós como nós somos de um inseto.

Quais os três maiores perigos que enfrentaremos neste século?

Primeiro: que os seres humanos, coletivamente, devastem a biosfera, destruam a biodiversidade e mudem o clima de maneira nociva. Segundo: que possa haver uma guerra nuclear entre novas superpotências. Terceiro: que alguma tecnologia nova possa apresentar risco se for usada de modo equivocado ou por terroristas.

Afora as pessoas muito religiosas, gostamos de acreditar que a ciência sempre será a nossa salvação, sempre encontrará maneiras de nos manter aqui, num razoável bem-estar. Quando leio seus textos fico com a sensação de que a ciência, na verdade, possa se tornar o nosso maior algoz. O sr. é um cientista que teme o que a ciência pode fazer?

Eu tenho grandes esperanças, e também grandes medos. Acredito que a resposta para os problemas do mundo não seja parar a ciência, mas prosseguir com ela e conduzi-la melhor. As tecnologias que alimentam o crescimento econômico hoje – miniaturização, tecnologia da informação e medicina – são benéficas no modo como estão poupando energia e matérias-primas e beneficiam tanto os ricos quanto os pobres.

A ciência deve ser controlada? Quem estabeleceria os limites?

Os limites são fixados pela prudência e pela ética. As decisões sobre esses limites não devem ser feitas só por cientistas, mas pelo grande público em geral. É por isso que é importante que todos tenham algum interesse pela ciência. Do contrário não há debate político sério sobre os problemas (e há cada vez mais deles) nos quais a ciência desempenha um papel, como meio ambiente, energia, saúde, segurança.

A humanidade precisava da ovelha Dolly?

Nós não queremos a reprodução humana por clonagem, mas podemos obter reais benefícios médicos e agrícolas a partir da biotecnologia moderna. Na ciência sempre há riscos quando fazemos algo pela primeira vez. Mas, obviamente, devemos aceitar alguns desses riscos. Do contrário não avançamos.

O sr. mantém a aposta de que um evento bioterrorista ou de bioerro fará 1 milhão de vítimas até 2020?

Eu tenho esperança de perder essa aposta. Mas o risco é real.

Os ambientalistas repetem que a Terra não terá recursos suficientes para manter uma população mundial de 8 bilhões de pessoas em 2050. O sr. concorda?

A “capacidade de carga” do mundo depende do nosso estilo de vida. Ela nunca será sustentável se 8 bilhões de pessoas viverem como os americanos. Mas podemos viver de forma civilizada, com base nas novas tecnologias. Certamente seria melhor se, após 2050, a população mundial começasse a diminuir em vez aumentar. Há uma preocupação especial com o crescimento rápido na África, onde será difícil escapar da “armadilha da pobreza” a menos que as taxas de fecundidade caiam para os níveis de outras partes do mundo.

O que o fim da Terra e da raça humana significará para o Universo?

Depende se a vida inteligente é algo raro ou comum. Se é uma Exclusividade da Terra, nossa destruição seria uma catástrofe cósmica. Se ela está generalizada no Universo, seria uma catástrofe para a humanidade, mas uma trivialidade em perspectiva cósmica.

Nós devemos pensar em como manter a vida sem uma Terra para viver? Que opções teríamos?

Espero que algumas pessoas que vivem hoje possam caminhar em Marte. Mas acho que isso será alcançado por meio de um programa de alto risco e custo baixo (em vez do estilo atual da Nasa, mais voltado para a questões de segurança e, por isso, caro demais). As primeiras pessoas a irem a Marte poderão ter um bilhete só de ida e nunca mais voltar.

Em qualquer lugar no espaço o ambiente é mais inclemente do que na Antártida ou nos picos dos Andes. Só os aventureiros vão querer ir.

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Avatar é uma mensagem e tanto para nós

Avatar faz pensar

Quando ouvi falar de Avatar, o filme já estava para estrear. Não sabia muito o que esperar, apenas que traria uma grande revolução do cinema em 3D. Com as repercussões positivas na mídia e com o barulho que se criou pré e pós-lançamento, aproveitei a primeira oportunidade de ir ao cinema e consegui assistir.

Futurista, o filme é cheio de referência a clássicos da ficção científica: Star Wars, Robocop, Matrix, Alien, o Oitavo Passageiro e até História Sem Fim. Referências que foram usadas para construir uma história para lá de original e absolutamente afinada com os tempos atuais.

A grande mensagem do filme é verde. Fala de sustentabilidade. Fala na diversidade. Na possibilidade de convivência. No amor como liga de um mundo melhor. Os vilões inescrupulosos estão lá. Donos do progresso. Com os fins prontos a justificar os meios. O herói do filme é um herói por acaso. Alguém por quem o destino escolheu. E o roteiro é uma catapulta para jogar a platéia dentro do filme via tecnnologia 3D.

Muitos escreveram que essa era a ressurreição da tecnologia 3D. Não por acaso. Já havia visto o Viagem ao Centro da Terra, que esboçava alguns truques de ilusão em 3D. Com Avatar, por meio de seres mistos, meio humanos, meio felinos, de 3m de altura, esculpidos em computador, a experiência 3D é levada ao extremo. O filme ganha muita vida graças a essa tecnologia.

É na Floresta que James Cameron fez seu grande serviço para a humanidade neste final de primeira década do terceiro milênio. Com a projeção de Hollywood + 300 milhões de dólares, Cameron colocou o tema sustentabilidade em evidência com um filme de primeira categoria — que vai concorrer a muitos oscars, não tenho dúvida.

Os azuis (smurfs galácticos) Na’Vi, vivem em absoluta harmonia com a floresta, soberana em Pandora, um planeta inóspito para a raça humana. Os humanos precisam do raro mineral Unobtainium (um nome estranho, em um dos poucos deslizes do filme) para sustentar os lucros e satisfação dos acionistas de uma grande corporação. Como em nossa economia contemporânea, os acionistas são pintados como capitalistas sedentos por lucros de curto prazo, pouco se importando com as conseqüências disso. Ainda mais por estarem em um planeta a mais ou menos 6 anos de viagem da distante Terra, longe das repercussões da mídia e da sociedade…

Pandora, terra dos Na’Vi é um velho oeste galáctico. É uma luta de nós vs eles. O problema é que o ‘nós’ é construído de maneira tão estereotipada e ao mesmo tempo tão real, que o espectador, nós, não consegue se reconhecer como espécie. Em pouco tempo, conseguimos identificação no outro, nos Na’Vi. Como se fôssemos avatares da nossa consciência, imersos numa vida paralela, idealizada, em harmonia com a natureza, com algo que viemos nos afastando desde a revolução industrial. E para a qual estamos desesperadamente tentando voltar agora.

Como metáfora de um momento da espécie humana, na sua incrível aventura na espaçonave Terra, Avatar passa uma mensagem e tanto (longe do ‘ecochatismo’). A mensagem de que sem a Terra (Eywa, para os Na’Vi), nós não somos nada. Tão simples e tão óbvio. Nada além de uma espécie que poderia ser chamada de ‘baratas’, tal qual os humanos chamam o povo Na’Vi a bordo de uma gigantesca bolha pressurizada. Realmente para pensar. Segue o trailer:

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A casa encolhe dia após dia

Fui ver nesse final de semana o documentário Terra com o Augusto e a coleguinha Bruna (já que o Vico ainda é muito pequeno para o cinema eu e a Ju nos dividimos para atender as crianças). Gutão e Bruna ficaram vidrados e curtindo cada cena, principalmente aquelas em que os bichos passavam por dificuldades (migração, caça & caçador, primeiros passos etc). E falaram para caramba – umas três ou quatro vezes fizeram pssshhhhhhh para eles. A Bruna, que quer ser veterinária, torcia em voz alta para os bichos escaparem do predador. E o Gutão (disse no carro que quer ser cantor de Rrrock ‘n’ Rrroll, com todas as letras devidamente enroladas), no auge da gostosa ingenuidade dos cinco anos, achava que o lobo só queria ajudar, quando cercou e preparou o bote no filhote de Rena que perseguia.

O que eles mais gostaram – ou sofreram – foi com o personagem Urso Polar que a equipe de aventureiros conseguiu filmar (vale ver os créditos do filme com os bastidores das filmagens). A grande mensagem do filme é a luta do urso para tentar encontrar comida no gelo cada vez mais escasso do Ártico. Na hora lembrei desse vídeo-sacada do Greenpeace.

O filme é um alerta esteticamente perfeito do impacto do aquecimento global no planeta maravilhoso em que vivemos (e precisamos conhecer melhor). E esse vídeo é uma sacada genial para falar de um jeito simples sobre algo complexo. Ponto para a comunicação da sustentabilidade.

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