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Qual o país que queremos construir?

Quem ainda não viu precisa conhecer o video abaixo. Ontem mesmo, recebi novamente de outra fonte. No e-mail, meu amigo Oswaldo Pepe contava que havia recebido via facebook de uma amiga dizendo que todo mundo precisava ver este video antes de votar amanhã. No ponto. (O vídeo não tem conotação política. Ele fala sobre como cada um pode fazer a diferença.)

Estas eleições foram mornas como nenhuma outra. Quase nada de adesivos nos carros ou bandeiras penduradas. Já houve um tempo em que o PT atraía militantes esperançosos, empolgados com as possibilidades de construir um país moderno, com base na ética e nos valores. Este tempo ficou para trás. A boa notícia é que a nova liderança já começou a emergir com Marina Silva. Ainda vamos conhecer melhor estas ideias de um novo jeito de olhar a sociedade, construindo um modelo de desenvolvimento mais inclusivo

Este video abaixo do Fábio Barbosa, gravado no TEDxSP resume a essência de quem acredita nestas ideias. Ele fala em reforma de valores, ética, respeito… valores que se perderam nas meias, cuecas, malas de petistas e governistas aloprados. Um banho de corrupção que apagou a esperança de muita gente que acreditava no PT. Ideais que cabem hoje numa bolsa-família, importantes para incluir uma boa parte da sociedade, mas insuficientes para construir um projeto consistente de país.

O Brasil é muito maior do que um prato de comida e uma busca inebriante e cega pelo poder. Ainda temos um longo caminho pela frente. E lideranças como a de Fábio Barbosa para ajudar a apontar caminhos.

Vale a pena olhar para se inspirar na votação de domingo.

Leia mais: O poder das empresas de mudar o mundo

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Os rumos deste século, segundo Quino

Quino, o autor da Mafalda expressa abaixo sua visão de mundo. Pessimista, é claro. Mas no traço de um cartunista, tudo pode. E aí, é esse mundo que queremos?

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Devassando os limites?

A polêmica da cerveja Devassa dá muito pano para manga. Sob o ponto de vista de marketing, a marca que contratou a atriz-barra-modelo Paris Hilton fez um golaço. Conseguiu a atenção de todos: no youtube, no twitter, no jornal, na boca das pessoas. Perfeito. Alguns dias depois, passada a ressaca do Carnaval, veio a ressaca do anúncio. O jornal de hoje traz a notícia de que algumas pessoas estão tentando tirar o anúncio do ar, sob a pecha de sexista, com apelo à sensualidade e apelo imperativo ao consumo. Em suma: perturbador da moral. E é mesmo?

Foi interessante acompanhar reações no Twitter, onde a palavra #devassa se tornou trending topic (entre as mais citadas):

@lalcubierre: O anúncio da Devassa tem a ver com um Brasil de fachada. O Brasil real é moralista enrustido.

@mulhermidia: Se queremos um mundo mais humano e justo, como podemos aceitar que comparem uma cerveja com nome Devassa ás mulheres?

@andrelalves: Mais uma vez o Brasil dá provas de sua HIPOCRISIA!! #Devassa não pode mas o apelo sexual que vemos em tudo é “normal”! http://bit.ly/akryOp

@Marcello_Serpa: Devassa perseguida pelo ministério Público? Se eu fosse uma cervejaria lançaria hj a cerveja “Santa”, “Recatada” , “Virtuosa” ou “Virgem”.

@Evalenesilva: Conar qr tirar Paris H. da propag.”cerveja Devassa”alegando apelo à sensualidade e apelo imperativo ao consumo. http://tinyurl.com/ycbuqwt

@fabiobetti O Brasil pode ser moralista enrustido, mas nunca proibiu a bunda de fora e nem a grana na cueca.

Falei com um amigo (@umlitrodeletras ) sobre sobre isso. Ele ligou para dar a dica de fazer esse post. Começou questionando se eu não achava muito moralista essa repercussão da mídia. Eu disse que achava, sim, mas que queria fazer uma ponderação. A seguinte: a sociedade precisa de limites para a vida ser aceitável coletivamente. Talvez a Devassa não seja tão devassa assim (apesar de que a Paris Hilton é para lá de devassa, como vocês devem ver nas fotos abaixo e lembrar do vídeo quente que retratava ela em ação com o namorado), mas ela está beliscando alguns limites.

O Brasil não é tão moralista como a reação das pessoas. Porém, se uma mensagem que testa os limites não tiver repercussão, provavelmente a próxima dará um passo além. Foi assim com a novela quando a Flavia Alessandra testava os limites do pole dancing, não foi? Foi assim quando a atriz Lilian-alguma-coisa apareceu com a periquita de fora ao lado do nada saudoso Itamar Franco.

Durante os quatro dias do Carnaval, tudo pode. Até vagabunda sem calcinha ao lado do Presidente. Mas aí, a ressaca passa e a vida volta ao normal.

Lembro do vocalista de uma banda gringa (não lembro o nome…) que tocou pelado em um show aqui no Brasil e foi parar na delegacia. O sujeito se saiu com essa: “Vejo pela TV todo mundo pelado no carnaval no Brasil. Por que eu também não poderia?” Não sei se alguém explicou para ele, mas isso só vale no Carnaval….

O calor dos trópicos, a diversidade, a sensualidade da mulher brasileira, a cordialidade do homem brasileiro são lados positivos de uma cultura que tem uma grande liberalidade política, uma semi-barbárie no trânsito, uma condescendência com os ídolos como jogadores de futebol que aprontam de tudo e nada pagam. Essa antropologia rasa como uma boa conversa de botequim regada a cerveja Devassa são algumas das faces de uma vida atraente que os brasileiros levam. Estrangeiros que provam desse paraíso ou ficam por aqui ou dão um jeito de voltar. É bom viver na liberalidade do Brasil. Mas há limites. Como sociedade em processo de amadurecimento, ainda estamos descobrindo quais são eles.

Deixo uma pergunta: com toda a verba publicitária de uma marca de cerveja, com o poder de escolher o que colocar no ar e com uma agência de publicidade na mão, a coisa a se fazer é uma campanha tipo “Devassa”? Sei lá… cada um trabalha para construir a sociedade que acha melhor. Ou para encher os bolsos e só. Só lembrando, a dona da marca é a Schincariol, que recentemente teve diretor preso em operação de sonegação da Polícia Federal.

Para ler mais:

https://afichacaiu.wordpress.com/2009/09/04/dm9ddb-and-their-video-for-wwf-on-vimeo/

Alguns anúncios criativos de cerveja

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Por que devemos falar de valores?

Quais são os valores aceitos na sociedade hoje? O mundo era muito melhor falando na questão de valores 1 000 anos atrás? Quais eram os valores importantes?

Li um ótimo texto de Luiz Felipe Pondé e refleti sobre isso. Principalmente sobre alguns pontos que emergiram no Twitter a partir desse texto.  Os argumentos eram que não se poderia definir o que eram bons ou maus valores. E que não existe uma crise de valores porque sempre houve a crise de valores. Interessante esse ponto. De fato, a sociedade evoluiu gradualmente. A própria concepção de teorias como a do Contrato Social, de Thomas Hobbes e evoluções que surgiram depois são um exemplo disso. “O homem é o lobo do homem”, escreveu John Locke.  Falei há pouco sobre isso nesse espaço e volto a falar. No mundo animal não existem valores. Simplesmente porque nenhum animal é capaz de pensar sobre isso. É cada um por si. Evolução do mais forte. Darwin… O conceito de valores, certo e errado, só é possível com a organização em sociedade por parte dos humanos. A religião ajudou a moldar isso e com o tempo. Depois, o também avançou nesse terreno, arbitrando por meio da justiça o que é certo e errado. Esse equilíbrio de forças não é novo e vai existir por muito tempo. Assim como as crises de valores…

A novidade é a emergência do poder do indivíduo, possibilitada pela disseminação de tecnologias de comunicação, cujo ápice é, hoje, a internet. Ou a Web 2.0. A sociedade, como nunca antes, tem condições de se manifestar para dizer o que é certo ou errado. O que é um valor aceitável ou não é. Não precisa mais da tutela constante e sufocante da religião ou do Estado. Foi o que aconteceu na repercussão sobre as eleições no Irã, recentemente, onde a sociedade gente denunciou as fraudes nas eleições via uma tecnologia móvel, o Irã. Fraudar eleições não está certo. Quem acha que é certo, tenta coibir o poder de expressão de quem acha que não é… Esse é, sim, um problema de valores.

É claro que ninguém vai a público defender valores questionáveis, mas é saudável questionar a falta de valores. Alguém certa vez disse, falando sobre o mundo empresarial, que custos são que nem unhas. Por mais que se corte, eles sempre crescem. A discussão moral, sobre valores, que se impõe na sociedade, é mais ou menos isso. Há que se discutir sempre, para balizar o que é importante, aceitável e razoável para se viver em sociedade.

Quando alguma discussão emerge, é porque um limite está sendo ultrapassado. Foi o que aconteceu com a repercussão do anúncio que a DM9 fez para a WWF e veiculou sem autorização do cliente. A repercussão da grande maioria (sempre há quem incentive a contracorrente para polemizar ou mesmo para ver o circo pegar foto) foi negativa. Quem se manifestou achou de mau gosto comparar o poder da natureza com ataques de dezenas de aviões a Nova York (link). Para que serve isso?

Para um publicitário não atacar valores considerados importantes pelas pessoas, no primeiro momento. Ou para a sociedade manter um padrão de comportamento que seja mais aceitável para a maioria. Em outras palavras, é a auto-regulação comportamental via sabedoria das multidões, para citar um conceito que está em discussão hoje. Não por acaso.

Por que devemos falar de valores?

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Não vale golear!

Discussão interessante sobre valores. Um técnico americano de basquete foi demitido depois que seu time venceu outro time por 100 x 0. A escola em que ele trabalhava queria que pedisse desculpas ao outro time, pois essa vitória não refletia os valores cristãos da instituição.

Depois de demitido, o técnico enviou a seguinte nota (veja mais aqui):

– Em resposta a nota postada no site, eu discordo do pedido de desculpas e da posição da escola de se sentir envergonhada pela vitória. Nós jogamos a partida como ela deveria ser jogada. Meus valores não me permitem pedir desculpas por obter uma grande margem de pontos na vitória, justamente depois das minhas garotas jogarem com honra e integridade – afirmava a nota emitida por Grimes.

Um time está mais bem preparado do que o outro, porque haveria que pedir desculpas?

Se o jogo foi limpo e dentro das regras, não há, na minha visão, porque pedir desculpas oficiais.

Estranho esse jeito da escola manifestar seus valores. Ainda mais na sociedade americana, onde a questão da meritocracia é muito forte.

O que você faria?

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