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Colaboração, vida e diversão – o segundo bloco do TEDx Amazônia


Preparação para espalhar ideias, foto por Daniel Deak

Uma semana depois do TEDxAmazônia ainda continuam ecoando as mensagens, ideias, sacadas e  conversas. É impossível ficar indiferente. Fica sempre no ar a vontade de continuar em contato com a energia que emerge de uma reunião de 550 pessoas com o objetivo comum de espalhar ideias que valem a pena. Simples assim…

Há quatro meses, quando começou a preparação do evento, havia uma parede em branco, cheia de nomes para preencher. Com o tempo e a cada uma das duas reuniões semanais que deveriam começar às 20h, mas não raro começavam às 21h, os nomes foram surgindo na parede, o hotel ia sendo definido, o orçamento ia ficando mais apertado com tantas passagens aéreas para comprar e com tanta gente para hospedar e alimentar. Mas se a ideia era deixar as pessoas mais próximas da floresta para conhecê-la melhor, esta seria a contribuição do TEDxAmazônia para isto.

Aos poucos, as reuniões começaram a acontecer em paralelo: curadoria dos palestrantes, curadoria da audiência e logística. A grande maioria das pessoas trabalhando ali, voluntariamente. Peter Drucker tem uma frase que explica a razão: “What motivates – and specially what motivates knowledge workers – is what motivate volunteers. Volunteers, we know, have to get more satisfaction from their work than paid employees, precisely because they do not get a paycheck. They need, above all, challenge. They need to know the organization’s mission and to believe in it. They need continuous training. They need to see results”.

Não poderia ser mais verdadeira. Suficiente até para fazer bem-vinda uma reunião de três ou quatro horas na 2ª feira à noite. Simplesmente porque não era uma reunião, mas sim uma oportunidade de dividir causas, motivações e ideias. Outro dia vi na parede da sede do TEDxSP, TEDxAmazônia, Busk e Webcitizen — praticamente uma usina de ideias –, a seguinte frase,  ouvid em um dos TEDx:  “Aqui nos reunimos para fazer juntos aquilo que não conseguimos fazer sozinhos.” Perfeito: o ideal do TEDx é coletivo e o que aquele time de cerca de 20 ou mais pessoas fez foi um marco. Para a floresta, para o TEDx, e para quem esteve por lá.

Hotel Jungle Palace, sede do incrível TEDxAmazônia

O primeiro bloco encerrou com a emoção em alta. A ideia da curadoria era causar isso. Depois que todos os nomes foram para a parede em cada um dos blocos, olhamos um a um para tentar prever que tipos de emoção causariam. Digo tentar prever porque uma das mágicas da curadoria do TED tem a ver com o momento. Palestrantes que seriam as estrelas podem não estar tão inspirados no momento e decepcionar um pouco. Por outro lado, aqueles de quem se espera uma palestra boa, mas não espetacular, de alguma maneira crescem no espírito TED e entregam palestras matadoras. Tentar adivinhar as conexões é como construir uma revista em cada bloco. Como esta pauta (palestrante) vai se conectar com o próximo e como vai complementar ou contrapor o tipo de emoção que está sendo valorizada ali. Construir este quebra-cabeças é como tecer um texto (lembrando que a palavra texto tem sua origem etimológica em tecer. Tecer fios, tecer palavras, descobrir o fio da meada etc).

O segundo bloco, que chamamos de colaborar melhor, teceu vida, colaboração e diversão. Começou com Aaron Koblin, artista que transforma informações em arte. Koblin é mais um adepto da datavisualização, disciplina que vem emergindo nos últimos anos com o claro propósito de nos ajudar a enxergar o mundo melhor. Em um de seus trabalhos, representou vôos nos Estados Unidos como se fossem feixes de luz, transformando a malha aérea em gigantes fogos de artifício. Koblin também mostrou também o tributo colaborativo para Johnny Cash, feito com pessoas do mundo inteiro via web. (No TED Global deste ano, David McCandless mostrou também a arte de seus infográficos. É uma boa referência para quem quiser saber mais sobre este assunto. )

De certa maneira, a grande maioria dos palestrantes ajuda a plateia do TED ou TEDx enxergar melhor. Joan Roughgarden, que falou em seguida a Koblin, é uma especialista em diversidade. Apesar de ter sido um pouco técnica demais, sua tese ficou mais clara depois de conversar com algumas pessoas. E aqui valem umas palavras sobre isso.

Conversar sobre as palestrantes freqüentemente ajuda a enxergá-las sobre um novo ângulo. Não à toa, os intervalos do TED são um pouco maiores do que o normal, para dar tempo para alimentar as ideias. Faz toda a diferença. No caso de Roughgarden, bióloga que estuda a diversidade, captei da palestra dela a tese de que as relações íntimas existem para aumentar os laços e a colaboração entre as espécies. Nas conversas pós-evento, veio a sacada. Com um gráfico complexo, Roughgarden deu a entender que estamos todos juntos por uma grande “sacanagem”. Ela, que já foi ele antes de se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo, tem documentado cerca de 300 casos de homossexualismo entre animais. Todos criando laços de colaboração. Ao final, Roughgarden disse que a “família é uma empresa cujo produto é a prole”.

Já ouvi que o casamento é um negócio, um contrato. Mas confesso que ficou difícil pensar nestes termos frente à sensibilidade que a parteira Suely Carvalho trouxe para a entrega da vida, o parto. Com fotos cruas de partos naturais, Suely foi firme para dizer que é preciso dignificar a vida como um milagre e recebê-la como tal. “A cesariana salva vidas, mas deve ser usada como tal, e não como uma escolha para receber a vida.” Depois dela, veio a cineasta Diana Whitten, que durante três anos acompanhou o trabalho da Womenonwaves.org, conhecida como o “barco do aborto”, filmando o documentário Vessel. A entidade leva a possibilidade do aborto para lugares onde isso é proibido, apoiadas na crença de que mulheres que querem o aborto acabam fazendo isso de qualquer maneira, muitas vezes colocando em risco à própria vida.

André Abujamra, divertindo a plateia, foto de Daniel Deak

Depois de Whitten, era mesmo necessária uma pausa para sentir. O músico Andre Abujamra, um fã do TEDx, que aceitou com o maior prazer o convite de palestrar, subiu ao palco e ajudou a descontrair. Ele tocou “na unha” depois de tentar três vezes que o retorno funcionasse. Abujamra cantou, simulou voar e divertiu.

“Duvião o rio é veia, du rio vião é passarim
Olha só aquele prédio, duvião é drops
Olha só o elefante, no Zimbabwe
Duvião é ratim, e as pessoas
Duvião é formiguim”

A diversão continuou no palco com a excelente palestra de Rafael Kenski, que acabou de voltar de Londres onde fez pós-graduação sobre análise, design e gestão de sistemas. A tese de Rafael é que o melhor jeito de trabalhar é se divertindo e que é possível mudar o mundo, fazendo isso. “O contrário de diversão não é trabalho, é depressão”, disse. Na seqüência, o carismático Edgard Gouveia Jr contou sobre o Oásis, projetos colaborativos baseados em jogos entre equipes para a cuidar de localidades, como ajudar na recuperação de desastres, como Santa Catarina na enchente de 2008. Com o sucesso, o Oásis se espalhou por outros 90 projetos no Brasil e no mundo.

Colaboração, vida e diversão. O segundo bloco do TEDx Amazônia trouxe três assuntos que não deixam ninguém indiferente.

(CONTINUA)

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Vida, rara e cara

Neste final de semana, o cientista e colunista da Folha Marcelo Gleiser escreveu uma coluna muito boa na Folha, falando de quão rara é a vida, o que me faz pensar como devemos aproveitá-la bem. Certamente não temos noção da grande sequência de coincidências que nos traz até aqui e uma reflexão destas nos ajuda a pensar melhor.

Uma breve história de quase tudo, livraço de Bill Bryson

Compartilho aqui pela genialidade das breves palavras e aproveito para colocar um link para a resenha do livro ˜Uma breve história de quase tudo”. Escrevi para o Planeta Sustentável, da Editora Abril, como tarefa de `povoar` o site com resenhas logo no seu início. No livro, o autor Bill Bryson teve a ousadia de querer falar dos detalhes da formação da vida e o fez com maestria. Contar 13 bilhões de anos em 484 páginas, de forma lógica e empolgante é tarefa de gênio. Os pontos que estão neste link foram os que mais chamaram a atenção. Principalmente para a ˜loteria” da vida.

Segue abaixo o texto do Marcelo Gleiser e logo em seguida uma maravilha da vida.

Quão rara é a vida?

(Marcelo Gleiser)

NO DOMINGO PASSADO, escrevi sobre as recentes afirmações de Stephen Hawking. Para ele, a ciência demonstrou que Deus não é necessário para explicar a criação. Outro argumento que Hawking usou é que o Universo é especialmente propício à vida, em particular à vida humana. Mais uma vez vejo a necessidade de apresentar um ponto de vista contrário. Tudo o que sabemos sobre a evolução da vida na Terra aponta para a raridade dos seres vivos complexos. Estamos aqui não porque o Universo é propício à vida, mas apesar de sua hostilidade.

Note que, ao falarmos sobre vida, temos de distinguir entre vida primitiva (seres unicelulares) e vida complexa. Vida simples, bactérias de vários tipos e formas, deve mesmo ser abundante no Cosmos.
Na história da Terra -o único exemplo de vida que conhecemos-, os primeiros seres vivos surgiram tão logo foi possível. A Terra nasceu há 4,5 bilhões de anos e sua superfície se solidificou em torno de 3,9 bilhões de anos atrás. Os primeiros sinais de vida datam de pelo menos 3,5 bilhões de anos, e alguns cientistas acham que talvez possam ter 3,8 bilhões de anos. De qualquer modo, bastaram algumas centenas de milhões de anos de calma para a vida surgir. Não é muito em escalas de tempo planetárias.
Esses primeiros seres vivos, os procariontes, reinaram durante 2 bilhões de anos. Só então surgiram os eucariontes, também unicelulares, mas mais sofisticados. Os primeiros seres multicelulares (esponjas) só foram surgir em torno de 700 milhões de anos atrás.
Ou seja, por cerca de 3,5 bilhões de anos, só existiam seres unicelulares no nosso planeta. O que aprendemos com esses estudos é que a vida coevoluiu com a Terra. O oxigênio que existe hoje na atmosfera foi formado quando os procariontes descobriram a fotossíntese em torno de 2 bilhões de anos atrás. Estamos aqui porque oxigenaram o ar.
Devemos lembrar que seres multicelulares são mais frágeis, precisando de condições estáveis por longos períodos. Não é só ter água e a química correta. O planeta precisa ter uma órbita estável e temperaturas que não variem muito. Só temos as quatro estações e temperaturas estáveis porque nossa Lua é pesada.
Sua massa estabiliza a inclinação do eixo terrestre (a Terra é um pião inclinado de 23,5), permitindo a existência de água líquida durante longos períodos. Sem a Lua, a vida complexa seria muito difícil.
A Terra tem também dois “cobertores” que a protegem contra a radiação letal que vem do espaço: o seu campo magnético e a camada de ozônio. Viver perto de uma estrela não é moleza. Precisamos de seu calor, mas ele vem com muitas outras coisas nada favoráveis à vida.
Quem afirma que o Universo é propício à vida complexa deve dar uma passeada pelos outros planetas e luas do nosso Sistema Solar.
Ademais, o pulo para a vida multicelular inteligente também foi um acidente dos grandes. A vida não tem um plano que a leva à inteligência. A vida quer apenas estar bem adaptada ao seu ambiente. Os dinossauros existiram por 150 milhões de anos sem construir rádios ou aviões. Portanto, mesmo que exista vida fora da Terra, a vida inteligente será muito rara. Devemos celebrar nossa existência por sua raridade, e não por ser ordinária.

Uma onda perfeita em slow motion

A capacidade de surfar uma onda como esta é algo que não se pode descrever com palavras. Capturar em slow motion é a segunda coisa mais próxima que se pode fazer para entender isso sem passar pela experiência. A primeira é ver as imagens cada vez mais frequentes dos surfistas dentro do tubo. Abaixo, do meu amigo Pedro Manga em ação no Taiti.

TED Talk da semana – Peter Tyack

Peter Tyack fala sobre a oculta maravilha do som submarino na expedição Mission Blue, do TED:

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Qual nosso tamanho correto no mundo? Pequeno, bem pequeno…

Excelente entrevista de Martin Rees no Estadão. Uma incrível capacidade de nos colocar em nosso lugar certo, como um estágio da evolução mais ou menos na metade dos 9 bilhões de anos de vida útil do sol.

Uma incrível dose de humildade.

Jornal *O Estado de S.Paulo* – Domingo, 7 de março de 2010

UMA TERRA DE NINGUÉM?

Para cosmólogo, a pior catástrofe não são os terremotos, mas a onda de desleixo que avassala o planeta

*MARTIN REES*

em entrevista para Christian Carvalho Cruz

Terremotos, inundações, nevascas, tsunamis e outros desastres naturais matando tantas pessoas pelo mundo seriam sinais do início do fim dos tempos?

Não há evidência sólida de que esses eventos sejam mais freqüentes agora do que no passado. Mas é claro que as sequências são mais severas, porque há mais pessoas e por causa da maneira como nós vivemos nas cidades.

Gelo diminuindo no Ártico, iceberg que se desprende da Antártida. O sr. crê em aquecimento global?

Acho que há indícios bastante fortes de que o mundo está se aquecendo por causa das atividades humanas. Mais importante: nós sabemos que a concentração de dióxido de carbono no ar é maior hoje do que foi por centenas de milhares de anos e, se continuarmos a depender da energia de combustíveis fósseis, no final deste século essa concentração terá duas ou até três vezes o nível observado no período pré-industrial. A física simples sugere, então, que há um risco alto e real de mudanças climáticas graves e irreversíveis.

A capacidade do ser humano de se adaptar a condições de vida adversas impede que ele reaja e faça algo para evitar o próprio fim?

Sim, nós podemos nos adaptar. Mas será que, em vez disso, não deveríamos tentar impedir que o mundo se altere a ponto de o meio ambiente ser irreversivelmente degradado e a biodiversidade, destruída? O mundo desenvolvido precisa ser mais eficiente no uso da sua energia. Uma enorme quantidade de calor é desperdiçada por ineficiência das edificações e (especialmente nos Estados Unidos) por conta do excessivo transporte rodoviário, extravagante na utilização de combustível. Temos de embarcar nas novas tecnologias do século 21 e garantir que o resto do mundo evite os erros cometidos pelos Estados Unidos e pela Europa.

Ainda temos tempo para evitar o fim ou devemos nos resignar?

A aplicação prudente da ciência e a distribuição justa dos benefícios da globalização entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento reduziriam o risco de danos à nossa civilização. A crise financeira nos fez lembrar do perigo de acontecimentos imprevisíveis – eles têm baixa probabilidade de acontecer, mas, quando acontecem, as consequências podem ser desastrosas. A ação internacional foi eficaz na prevenção de um colapso financeiro completo. Mas o foco sobre os bancos destacou as injustiças sociais decorrentes das enormes desigualdades em termos de riqueza. A crescente desigualdade, especialmente entre a elite financeira e o resto, é socialmente corrosiva. O prestígio dos banqueiros deve ser reduzido ao dos corretores de imóveis ou dos vendedores de automóveis.

Por que o sr. diz que temos 50% de chance de sobreviver ao século 21?

Eu não digo exatamente isso. Eu acredito que iremos sobreviver, mas há 50% de chance de nossa civilização sofrer um sério revés até lá. É difícil prever em que grau estará a evolução tecnológica 25 anos adiante. Lembre-se que décadas atrás a internet, o iPhone e a navegação por satélite (GPS) pareceriam bruxaria. Precisamos garantir que as inovações tecnológicas que virão sejam usadas para o bem, como essas que citei têm sido. E temos que aceitar que os riscos e os

desafios éticos da biologia sintética sejam tratados por um acordo internacional. Acima de tudo há o desafio político para evitar conflitos em um mundo no qual será cada vez mais difícil obter equilíbrio entre o autoritarismo e a anarquia.

Por que o sr. acredita nisso?

Porque pequenos grupos criminosos ou dissidentes (ou mesmo indivíduos) estarão mais habilitados pela tecnologia moderna, podendo causar perturbações muito maiores. Vai ser mais difícil preservar as liberdades tradicionais.

O sr. também diz que, se sobrevivermos, um futuro glorioso nos espera. Que futuro é esse?

Como astrônomo, eu sei que o Sol não está nem sequer na metade de sua existência. Levou 4 bilhões de anos para que nós evoluíssemos desde o primeiro sinal de vida. Mas, tendo em vista o que resta de tempo ao Sol, ainda há pelo menos 5 bilhões de anos pela frente para uma evolução “pós-humana”, sobre ou fora da Terra. Os seres humanos não são o ponto culminante da evolução, assim como não o era o primeiro peixe que rastejou para a terra seca.

O que é evolução pós-humana?

Não há mais tempo pela frente do que o tempo que foi necessário para evoluirmos até aqui, a partir do lodo primitivo. Assim, a vida pós-humana poderia ser diversa e maravilhosa – e tão diferente de nós como nós somos de um inseto.

Quais os três maiores perigos que enfrentaremos neste século?

Primeiro: que os seres humanos, coletivamente, devastem a biosfera, destruam a biodiversidade e mudem o clima de maneira nociva. Segundo: que possa haver uma guerra nuclear entre novas superpotências. Terceiro: que alguma tecnologia nova possa apresentar risco se for usada de modo equivocado ou por terroristas.

Afora as pessoas muito religiosas, gostamos de acreditar que a ciência sempre será a nossa salvação, sempre encontrará maneiras de nos manter aqui, num razoável bem-estar. Quando leio seus textos fico com a sensação de que a ciência, na verdade, possa se tornar o nosso maior algoz. O sr. é um cientista que teme o que a ciência pode fazer?

Eu tenho grandes esperanças, e também grandes medos. Acredito que a resposta para os problemas do mundo não seja parar a ciência, mas prosseguir com ela e conduzi-la melhor. As tecnologias que alimentam o crescimento econômico hoje – miniaturização, tecnologia da informação e medicina – são benéficas no modo como estão poupando energia e matérias-primas e beneficiam tanto os ricos quanto os pobres.

A ciência deve ser controlada? Quem estabeleceria os limites?

Os limites são fixados pela prudência e pela ética. As decisões sobre esses limites não devem ser feitas só por cientistas, mas pelo grande público em geral. É por isso que é importante que todos tenham algum interesse pela ciência. Do contrário não há debate político sério sobre os problemas (e há cada vez mais deles) nos quais a ciência desempenha um papel, como meio ambiente, energia, saúde, segurança.

A humanidade precisava da ovelha Dolly?

Nós não queremos a reprodução humana por clonagem, mas podemos obter reais benefícios médicos e agrícolas a partir da biotecnologia moderna. Na ciência sempre há riscos quando fazemos algo pela primeira vez. Mas, obviamente, devemos aceitar alguns desses riscos. Do contrário não avançamos.

O sr. mantém a aposta de que um evento bioterrorista ou de bioerro fará 1 milhão de vítimas até 2020?

Eu tenho esperança de perder essa aposta. Mas o risco é real.

Os ambientalistas repetem que a Terra não terá recursos suficientes para manter uma população mundial de 8 bilhões de pessoas em 2050. O sr. concorda?

A “capacidade de carga” do mundo depende do nosso estilo de vida. Ela nunca será sustentável se 8 bilhões de pessoas viverem como os americanos. Mas podemos viver de forma civilizada, com base nas novas tecnologias. Certamente seria melhor se, após 2050, a população mundial começasse a diminuir em vez aumentar. Há uma preocupação especial com o crescimento rápido na África, onde será difícil escapar da “armadilha da pobreza” a menos que as taxas de fecundidade caiam para os níveis de outras partes do mundo.

O que o fim da Terra e da raça humana significará para o Universo?

Depende se a vida inteligente é algo raro ou comum. Se é uma Exclusividade da Terra, nossa destruição seria uma catástrofe cósmica. Se ela está generalizada no Universo, seria uma catástrofe para a humanidade, mas uma trivialidade em perspectiva cósmica.

Nós devemos pensar em como manter a vida sem uma Terra para viver? Que opções teríamos?

Espero que algumas pessoas que vivem hoje possam caminhar em Marte. Mas acho que isso será alcançado por meio de um programa de alto risco e custo baixo (em vez do estilo atual da Nasa, mais voltado para a questões de segurança e, por isso, caro demais). As primeiras pessoas a irem a Marte poderão ter um bilhete só de ida e nunca mais voltar.

Em qualquer lugar no espaço o ambiente é mais inclemente do que na Antártida ou nos picos dos Andes. Só os aventureiros vão querer ir.

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Criacionismo e evolucionismo, lado a lado

Esse é bom para colocar lenha na fogueira da discussão criacionismo vs evolucionismo. Duelity é uma obra de arte muito legal para explicar as duas visões de mundo, via storytelling. Ambos são visões do mundo que se propagam da maneira mais básica, desde as fogueiras de nossos ancestrais na entrada das cavernas: via contação de histórias. Encontrei no Brainpicker. Pena que é só em inglês.

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A incrível aventura humana é muito maior que Copenhague

Por muito tempo achamos que tudo girava em torno da Terra. Galileu Galilei – lembra das aulas de história? – foi condenado porque disse o contrário. “Eppur si muove!”, ele disse, para nos mostrar que girávamos em torno do sol. E que o sol era uma entre bilhões de estrelas de uma entre bilhões de galáxias formada por um universo que de alguma forma jogou energia para todos os lados formando partículas que se organizaram em moléculas, que se organizaram em genes, que por sua vez se organizaram em proteínas formando um DNA, a base dos seres humanos.

Somos seres pequenos, ínfimos, que ainda estamos descobrindo como se comunicar uns com os outros (a Web 2.0 nada mais é do que uma tentativa embrionária que potencializa a linguagem em uma potência ainda a ser medida). O que dirá de se comunicar com outras vidas.

O universo é grandioso demais para termos a pretensão de acharmos que somos a única forma de vida viável. Um incrível acidente da natureza? (leia post que escrevi sobre isso no Planeta Sustentável) Pode até ser, dadas as incríveis casualidades que formaram essa espécie inteligente que é capaz de escrever linhas como essas. Mas isso é pouco dada a grandiosidade do universo.

Ainda conhecemos apenas 10% do fundo do mar em nossa própria casa. Ainda não somos capazes de chegar a um consenso sobre o nosso próprio futuro (COP15). Ainda nos matamos para termos o direito de adorar um Deus melhor que o do outro.  Mas temos a ousadia suficiente para voar até o satélite que orbita nosso planeta e também para lançar telescópios para espiar o mundo lá fora. E descobrimos que ainda temos muito para descobrir.

Nesse video abaixo do American Museum of Natural History há um momento angustiante para mim. É quando o Cosmos virá uma esfera com espaços negros ao redor. Impossível não pensar no magnifíco filme o Show de Truman. Há algo fora das fronteiras do universo? Nosso cérebro mal entende a dimensão de nosso universo, o que dirá de um universo de 11 dimensões, como a teoria das cordas propõe?

Estamos todos conectados via uma imensa máquina que nunca desliga (a internet) e ao mesmo tempo vacinamos crianças pequenas via agulhas medievais perfurando quadríceps em formação. Reorganizamos móleculas para criar substâncias pesadas, que fazem mal à nós mesmos, para em seguida descobrir que a casca de banana é capaz de nos livrar do mal que causamos (Milena Bonilo, no TEDxSP).

Aos poucos, vamos descobrindo que apesar de toda racionalidade que tentamos imprimir em nossa vida, não passamos de energia organizada em forma de átomos. E que mal conseguimos conviver no espaço que o universo reservou para nós: a Terra.

Nesse final de ano, pós-fracasso da COP15 (mais um exemplo de que não conseguimos caber no nosso espaço, que gastamos mais do que nosso orçamento), vale investir 24 minutos para assistir a esses dois incríveis videos que falam de grandiosidade, da inevitabilidade do universo à força de vontade da superação. Das possibilidades de entender e escolher. O vago transformado em concreto. A vida na Terra é a vitória do improvável (Deus?). E, somente agora, depois de 500 mil anos depois de começarmos a nos organizar em sociedade, como espécie, estamos começando a aprendendo a valorizá-la. (Nunca é demais lembrar que se a história do planeta fosse um dia de 24 horas, nós, seres humanos teríamos surgido há um minuto e dezessete segundos antes da meia noite.)

The Known Universe by American Museum of Natural History

Jill Bolte Taylor, sobre o funcionamento do cérebro, no TED

No video acima, Jill Bolte Taylor falou uma frase linda: “There is a we inside of me.” Existe um nós dentro de mim. Ela falou dezenas de vezes a palavras ‘beautiful” em sua apresentação. Não à toa. A vida é bela. Como a Terra é bela. E a beleza é difícil, já dizia o poeta americano Ezra Pound.

PS: Vale a pena ver essas incríveis fotos apenas do ano de 2009. É mesmo incrível e grandioso a aventura humana.

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