Arquivo do mês: abril 2010

As cinzas do vulcão no caminho

Lisboa, abril, 2010, upload feito originalmente por Rodrigo VdaC.

O plano era visitar o Tâmisa e o Siena, mas acabamos foi no Tejo. A erupção do impronunciável vulcão Eyjafjallajokull, na Islândia, fez com que até 20 000 voos fossem cancelados na Europa. Dentre eles, o nosso.

Depois de confirmado o cancelamento, em pouco menos de 4 horas, refizemos totalmente o roteiro. Foram os dois lados da mesma moeda, a interdependência global. Se os impactos das cinzas do vulcão fizeram com que o prejuízo fosse estimado em 200 milhões de dólares por dia aos países europeus, somente a interdependência possibilitou que as reservas de um hotel fossem derrubadas e novas fossem feitas em 4 horas. Do outro lado do Atlântico.

Mas isso é pouco perto dos impactos que o vulcão islandês causou.
Um casal que viajaria conosco estava indo para um casamento na França, dia 23, 6a feira. Só que havia um detalhe: o casamento era da irmã desta nossa companheira de viagem. E ela também estava no Brasil!. Ela deve conseguir embarcar nos próximos dias.

No site My Way, havia alguns relatos de como a interdependência fica clara com eventos extremos como estes.

Uma mãe na Romênia fica preocupada por ter de organizar o casamento do filho no Texas. Um florista em Nova Iorque se preocupa com os produtos que podem não chegar. Pacientes esperando tratamento na Nigéria precisarão esperar pelos médico por outra semana.

E não há nada que se possa fazer. A natureza ainda é muito mais forte que a vontade dos homens. E provavelmente sempre será.

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Atualização, 6h15, 19 de abril: o NY Times publicou hoje um editorial falando sobre isso, sobre a interconectividade crescente do mundo e sobre o fato de que nossas vidas ainda serem comandadas pela natureza. Clique aqui

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Arquivado em Interdependência, Mundo 2.0, Viagens

Tão perto e tão longe

Padang-Padang, upload feito originalmente por Rodrigo VdaC.

Neste final de semana que passou rolaram altas ondas aqui em São Paulo. Clássicas. Por uma série de motivos, acabei não conseguindo surfar.
E nesta semana, tenho trabalhado mais do que o normal. Também por uma série de motivos. Muito bons. As coisas estão indo bem, projetos evoluindo, possibilidades se abrindo.
Mas alguma coisa está fora da ordem. Está faltando onda. Está aí algo que eu não consigo lidar bem. Com a falta de surfe. Bom que o outono está aí e com ele a promessa de incríveis ondulações.
Enquanto isso, fico com essa imagem na minha cabeça. Um grande amigo, numa grande viagem de surfe, à frente de um grande pico de surfe. Essa foto é grandiosa para mim. Ajuda a animar em tempos de escassez!

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Arquivado em Surfe

Comprar ou não comprar um iPad?

Informações visuais são sempre muito divertidas e úteis para auxiliar nas decisões.

Por isso o sucesso crescente de infográficos, num mundo que nem sempre se tem muito tempo para ler as tantas palavras que se reproduzem em blogs, e-mail, twitter e afins.

Faz pouco um livro ganhou atenção da mídia, o Back of the Napkin, que trata de simplificar ao máximo as informações usando desenhos, ilustrações. Vale a dica.

Lembrei dele quando recebi o gráfico abaixo de um amigo e leitor deste blog, o Douglas Lucarelli, falando sobre o dilema de comprar ou não comprar um iPad! Divirta-se (veio sem a fonte, se alguém souber, favor avisar):

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Arquivado em Comunicação, Mundo 2.0

Quem troca um casamento por uma carreira bem-sucedida?

Recentemente, Sandro Bullock venceu o Oscar e descobriu-se que era uma infeliz proprietária de um casamento em frangalhos. David Brooks pegou essa história como gancho para falar, no NYTimes (e reproduzido pela Folha de S. Paulo) sobre felicidade.

Brooks diz que “A felicidade conjugal é muito mais importante do que qualquer outra coisa para determinar o bem-estar pessoal. Se você tem um casamento bem-sucedido, não importa quantos reveses profissionais sofrer, você será razoavelmente feliz. Se tiver um casamento malsucedido, não importa quantos triunfos tenha em sua carreira -você se sentirá não realizado, em grau importante.”

O que existe por trás desta visão do casamento é o bom relacionamento social. A análise de Brooks, fundamentada em muitas pesquisas sobre o assunto, deixa claro que uma vida repleta de interações sociais, de amizades, é muito importante para qualquer um. Mais do que um cargo bonito ou uma empresa em expansão.

Mas chama a atenção ainda outro ponto no texto. Está no último parágrafo:

A maioria dos governos divulga toneladas de dados sobre tendências econômicas, mas não divulga informações suficientes sobre a confiança e outras condições sociais. Em suma, as sociedades modernas desenvolveram instituições imensas orientadas às coisas que são fáceis de contabilizar, mas não às coisas que são mais importantes. Elas têm afinidade com as preocupações materiais e um medo primordial das preocupações morais e sociais.

É a velha discussão que tenho abordado aqui sobre a busca por novos índices de desenvolvimento, que possam aposentar aqueles que estamos acostumados, como o PIB, que mede o crescimento sem levar em conta o desenvolvimento. Se um país entrar em guerra, por exemplo, e milhares de pessoas morrerem, isso será bom porque ‘movimentou’ a economia. É ou não uma estupidez.

Já que a economia é um jeito de organizar a sociedade, acho que precisamos nos organizar melhor… Medindo — ou tentanto medir — a felicidade.

Segundo pesquisas, situação conjugal é mais importante do que outros itens para determinar o bem-estar pessoal

Sexo, encontros sociais e jantares são atividades associadas à felicidade; deslocamento de ida e vinda do trabalho é prejudicial

DAVID BROOKS
DO “NEW YORK TIMES”

Duas coisas aconteceram com Sandra Bullock em março. Primeiro, ela ganhou um Oscar de melhor atriz da Academia. Depois, a mídia noticiou que seu marido é um canalha adúltero. Assim, a pergunta filosófica é: você aceitaria trocar um triunfo profissional tremendo por um golpe pessoal pesado?
Por um lado, um Oscar não é de se jogar fora. Sandra Bullock conquistou a admiração de seus pares de uma maneira que poucas pessoas chegam a fazer. Ela ganhará mais dinheiro durante anos. É possível que ela até viva mais tempo. Uma pesquisa constatou que os premiados com o Oscar vivem em média quase quatro anos mais do que os indicados ao Oscar que não recebem o prêmio.
Mesmo assim, se você precisou de mais de três segundos para refletir sobre essa pergunta, você está completamente louco. A felicidade conjugal é muito mais importante do que qualquer outra coisa para determinar o bem-estar pessoal. Se você tem um casamento bem-sucedido, não importa quantos reveses profissionais sofrer, você será razoavelmente feliz. Se tiver um casamento malsucedido, não importa quantos triunfos tenha em sua carreira -você se sentirá não realizado, em grau importante.
Este não é um discurso vazio. Nas últimas décadas, pesquisadores vêm estudando a felicidade. Seu trabalho, que inicialmente pareceu inconsistente, desenvolveu um rigor impressionante, e uma das descobertas importantes é que, como previam os sábios do passado, o sucesso no mundo tem raízes superficiais, enquanto os laços interpessoais permeiam tudo.
Um exemplo: o vínculo entre felicidade e renda é complicado e tênue. É fato que os países pobres se tornam mais felizes à medida que se tornam países de classe média. Mas, alcançada a satisfação das necessidades básicas, há pouca ligação entre a renda futura e o bem-estar. Os países em crescimento são ligeiramente mais felizes do que os países com índice de crescimento mais baixo.

Riqueza
Os EUA hoje são muito mais ricos do que há 50 anos, mas o aumento na riqueza não gerou aumento mensurável na felicidade de seus habitantes.
Em escala pessoal, o fato de ganhar a loteria não parece gerar ganhos duradouros em matéria de bem-estar. As pessoas não são mais felizes durante os anos em que conquistam mais promoções no trabalho. Elas são felizes na casa dos 20 anos; essa felicidade diminui na meia-idade e, em média, as pessoas alcançam seu pico de felicidade logo depois de se aposentarem, aos 65 anos.
A felicidade das pessoas aumenta ligeiramente conforme a renda sobe, mas isso depende de como elas vivenciam o crescimento. Sua riqueza acirra expectativas irrealistas? Desestabiliza relações consolidadas? Ou flui de um círculo virtuoso no qual um trabalho interessante gera trabalho árduo que, por sua vez, conduz a mais oportunidades interessantes?
Se a relação entre dinheiro e bem-estar é complicada, a correspondência entre relacionamentos pessoais e felicidade não o é. As atividades cotidianas mais associadas à felicidade são o sexo, os encontros sociais depois do trabalho e os jantares com outras pessoas. A atividade cotidiana mais prejudicial à felicidade é o deslocamento de ida e vinda do trabalho.
Segundo um estudo, participar de um grupo que se reúne, mesmo que seja apenas uma vez por mês, gera o mesmo ganho de felicidade que uma pessoa tem quando dobra sua renda. Para outro estudo, ser casado gera um ganho psíquico equivalente a mais de R$ 180 mil por ano. A impressão deixada por essa pesquisa é que o sucesso econômico e profissional existe na superfície da vida e que ele emerge dos relacionamentos interpessoais, que são mais profundos e importantes.
Outra impressão é que prestamos atenção às coisas erradas. A maioria das pessoas superestima o grau em que mais dinheiro poderia melhorar suas vidas. A maioria das escolas e faculdades passa tempo demais preparando seus alunos para a vida profissional e tempo insuficiente preparando-os para tomar decisões sociais.
A maioria dos governos divulga toneladas de dados sobre tendências econômicas, mas não divulga informações suficientes sobre a confiança e outras condições sociais. Em suma, as sociedades modernas desenvolveram instituições imensas orientadas às coisas que são fáceis de contabilizar, mas não às coisas que são mais importantes. Elas têm afinidade com as preocupações materiais e um medo primordial das preocupações morais e sociais.
Tradução de CLARA ALLAIN

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Cardápio: redes sociais, sustentabilidade e comunicação

…e mais um almoço inspirador no dia de hoje. O grande amigo recente Pepe, surfista de alma e intelectual (atenção, não são raros, mas também não são comuns!), levou seu sócio Ricardo e quis me apresentar um ‘jornalista especializado em redes sociais’, o Manoel, que eu já conhecia. Foi um grande papo.

Primeiro, um pouco de frustração. Levei para o Pepe uma edição do Let My People Go Surfing, com a história de Yvon Chouinard, fundador da Patagonia, crente que ele gostaria. Ao vê-lo, Pepe mandou essa: “Ah, pouca gente consegue fazer o que ele está falando…”. Verdade, mas argumentei que Chouinard tem o grande mérito de provar que é possível, sim, criar um modelo diferente de negócios, onde o trabalho não impera sobre o resto, como, por exemplo, surfar em um dia útil de altas ondas. Ora, se elas estão lá e o trabalho também pode ser feito em outro horário, porque não surfá-las?

A conversa derivou para imagem das empresas, postura em redes sociais, novas mídias. E de repente, me vi em meio a dois papos paralelos. Eu e Ricado falávamos da imagem de instituições financeiras, como se dá a má fama por conta dos juros, apesar de que eles não são causados exclusivamente por bancos, mas também pelo tal custo Brasil. Ao meu lado, Pepe explicava porque é bom surfar para Manoel. Caramba, que mistura adorável. Papo cabeça sobre economia e surfe. A variedade de assuntos e possibilidades é o que torna a vida tão bela. Fechar os olhos para isso é perder um pedaço incrível do mundo.

Em seguida, começamos a falar de redes sociais, de TED, da intersecção entre sustentabilidade e web 2.0 e porque isso é relevante para o mundo atual. E aqui, compartilho os links que eu faria somente com meus amigos Pepe, Manoel e Ricardo, mas que são bons demais para ficarem com pouca gente.

O tema redes sociais e TED surgiu e eu logo fiz a conexão: Augusto De Franco. Se vocês gostam do tema, precisam conhecer a palestra dele no TEDxSP. Como as referências de “formação e lógica de redes” estavam todas sendo de fora, não poderia deixar de falar do grande Augusto. (E aqui vai um o resumo que fiz do TEDxSP 

Daí, a conversa foi para o tema sustentabilidade. Manoel dizia que essa era “a onda”. Aí, mencionei o Guia de Comunicação & Sustentablidade, do CEBDS (Centro Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), que recém foi lançado.

E não pude falar da grande referência: o Greenwashing Guide, da Futerra.

Links compartilhadas, uma reflexão. O ponto é: cada vez mais sustentabilidade está conectada com mídias socias, pois há uma intersecção entre as duas questões que abrange importantes temas como: transparência, autenticidade e credibilidade. Na Web 2.0, as conversas são de via dupla e o consumidor interage sem pedir licença. Isso é transparência. Isso leva a um modelo de relações mais sustentável. Este é o novo mundo. E este foi o cardápio de mais um almoço inspirador….

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