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O poder das empresas de mudar o mundo

Abaixo, compartilho o material que prepararei para minha fala no TEDx Santos, no último 28 de setembro. Em breve, deveremos ter o vídeo da palestra. E aí voltarei ao assunto aqui. Espero que gostem.


O incrível potencial de conexão das pessoas pode provocar a mudança de prática das empresas, que podem mudar o mundo. É claro que ninguém resolve nada sozinho. As empresas precisam da ajuda de governos, academia, mídia, enfim, a sociedade como um todo. Mas quero focar aqui no poder das empresas.

A economia é o jeito pelo qual estamos organizados. Com honrosas exceções que confirmam a regra, como Gandhi, Martin Luther King e Madre Teresa de Calcutá, são os recursos financeiros que influenciam a mudança do mundo.

Nos últimos 10 anos encontrei casos de empresários e empreendedores que estão mudando o mundo com uma série de pequenas ações.

Esta história passa um pouco pela minha carreira. Sou jornalista e depois de alguns anos trabalhando na imprensa em veículos como Veja, Você s/a e Zero Hora, recebi o convite para trabalhar no Banco Real em 2003. Aceitei. Não porque sempre tive o sonho de trabalhar em um banco, mas porque achava que um banco que negava empréstimos de milhões de reais para alguns clientes por questões ambientais e na outra ponta fazia empréstimos de quantias como 1000 reais no microcrédito investia em algo que sempre acreditei: valores.

Tomei a decisão ir trabalhar no Banco e quando me dei por conta, eu, um surfista, estava usando terno, gravato e sapato e meia preta todo o dia. Depois de uma breve passagem pelo marketing, fui para a Diretoria de Desenvolvimento Sustentável para ajudar a estruturar a comunicação sobre o tema. Nestes últimos sete anos, tive a oportunidade de conhecer uma grande quantidade de empreendedores e pessoas que praticam a sustentabilidade como estratégia central de negócio.

Gostaria de apresentar a vocês aqui alguns destes nomes. Quero por meio disso mostrar que está ao alcance de todos e que podemos, sim, fazer um mundo melhor por meio do ambiente dos negócios.

Há um ditado budista que diz que não conseguiremos fazer um mundo melhor com 100 grandes ideias, mas sim com pequenas ações no dia-a-dia.

Há estudos mostrando que das 100 maiores economias do mundo, cerca de 50 são empresas (os dados variam ano a ano de acordo com o faturamento das empresas e PIB dos países). É reflexo de um processo que começou na revolução industrial e fez o poder mudar de mãos: da igreja e Estado para a instituição corporação.

As empresas têm o poder econômico e são capazes de influenciar até decisões de governo e mudanças nas cadeias de negócios.

E aqui fica a pergunta para reflexão: como usar bem este poder? O que valorizar? O que queremos construir com as empresas?

Vou citar alguns exemplos agora: há pouco anos, quando começou a olhar de forma estrutuada para o tema sustentabilidade, o Walmart, uma das maiores empresas do mundo, tomou a decisão de não mais comprar de fornecedores que não pescassem de de maneira sustentável. Isso provocou uma grande mudança em milhares de fornecedores ao redor do mundo que começaram a cuidar destas questões.

Farra do Boi na Amazônia, estudo do Greenpeace

Não precisamos ir longe. No ano passado, o Greenpeace lançou um relatório chamado a Farra do Boi sobre o avanço da pecuária sobre a Amazônia. Em seguida, três grandes varejistas decidiram que não mais comprariam carne de frigoríficos que não conseguissem provar que os animais abatidos não vinham de pastos criados com o desmatamento ilegal. A reação foi rápida e os frigoríficos mudaram suas práticas.

Está cada vez mais claro que as restrições financeiras ajudam a mudar algumas práticas. Mas será que é somente disso que precisamos ou que conseguiremos fazer a mudança necessária?

A resposta é não. E há exemplos disso. São os empresários e empreendedores, os heróis do dia-a-dia, que provam que não.

São líderes que reconhecem a importância da interdependência em nosso dia-a-dia. E sabem que suas atitudes são capazes de mudar o ambiente de negócios para melhor.

As empresas que estão conquistando mercados hoje estão deixando de lado a máxima cristalizada de Milton Friedman, prêmio Nobel, que o negócio dos negócios são os negócios. Sim, são os negócios, mas também algo mais: investir em modelos de negócios sustentáveis.

Peter Drucker, o grande guru da administração moderna, lembra que as empresas existem por uma finalidade: o cliente. Vamos pensar por um momento no cliente como sociedade, ousando criar algo em cima da obra de Drucker.

O aumento da percepção da interdependência e da relevância de todos interessados nas decisões do cliente, a empresa só existe se estiver de acordo com as vontades da sociedade. Regulações, disputas de clientes, multas ambientais – se a empresa fizer algo que não agrada ao cliente, à sociedade, será processada por isso.

Neste sentido, o lucro não é um fim, algo a ser buscado – mas sim uma medida de sucesso, o teste de viabilidade. Se atender ao cliente, à sociedade, o lucro será consequência.

Essa perspectiva tira o foco de resultados e leva para a visão de que é necessário gerar valor. O que importa cada vez mais quando olhamos para os resultados da empresa não é somente o quanto os resultados mostram, mas como eles foram atingidos.

Nos próximos anos, quatro tendências vão marcar o mundo dos negócios: colaboração, ética, transparência e sustentabilidade. De certa maneira, elas estão todas ligadas e as empresas que olharem para isso terão grandes vantagens competitivas.

Algumas empresas conseguem lucrar colocando estas questões no dia-a-dia dos negócios. Empresas que negligenciam ou ignoram estão virando pó.

Vale lembrar do que aconteceu com as grandes empresas em casos nem tão recentes, mas emblemáticos: Enron, WorldCom. Estas empresas manipularam os balanços para mostrar bons resultados para os acionistas. Acabaram desmascaradas.

A capa da Time com as mulheres que denunciaram os escândalos da Enron e outros


Pesquisas indicam que os seres humanos são movidos à reciprocidade. As redes sociais espelham isso. O famoso toma-lá-dá-cá. Se você fizer algo que eu gosto, devolverei isso a você. Se me fizer mal, farei mal a você também. Estas empresas trapacearam, tiveram falhas graves de gestão e tentaram esconder isso dos consumidores e da sociedade. A WorldCom entrou em processo de falência e foi adquirida por outra empresa. A Enron faliu em 2001 e levou junto a consultoria Arthur Andersen, que aprovara os balanços.

Aparte a visão maniqueísta, são exemplos claros da visão sistêmica, de que as empresas fazem parte de um todo e não operam de maneira independente.

Na outra ponta, temos empresas como a Natura, que alavancou sua marca investindo em questões relevantes para seus consumidores, fornecedores e sociedade, criando produtos que valorizam o meio ambiente e as relações entre as pessoas. Em 2005, depois de uma trajetória brilhante, a Natura abriu o capital, num processo muito bem-sucedido. Em 2007, no entanto, teve problemas de gestão de produtos e não conseguiu atender a demanda dos consumidores. O mercado penalizou as ações das empresas e o momento serviu para a Natura se apoiar firmemente nos seus valores. Não cedeu às pressões do mercado e deu a volta por cima e em 2009 foi escolhida a empresa do ano pela revista Exame.

A Natura, melhor empresa de 2009

Outro exemplo vem dos Estados Unidos. Em 1972, foi fundada a incrível Patagônia, empresa de roupas e materiais esportivos, que ajudou a criar uma rede de empresas chamada 1% para o planeta e entre outras coisas, deixa que os funcionários montem suas agendas de acordo com suas vontades, como surfar ou escalar montanhas em dias perfeitos para isso. O fundador escreveu um livro chamado Let My People Go Surfing. Nele, fala da maturidade de reconhecer a responsabilidade de cada um e valorizar isso para criar um bom ambiente de trabalho. Então, não se trata de ser ‘bom mocinho’, mas de apostar na maturidade.

O livro com a biografia de Yvon Chouinard e a história da Patagonia

Mas eu queria também falar aqui de outros casos nem tão conhecidos, mas igualmente relevantes. Nem só de grandes empresas é feito o mundo dos negócios. Muito pelo contrário. As pequenas empresas, que representam o maior contingente de empregos no Brasil. Hoje, de cada três novas vagas, duas são geradas nas PMEs.

Há empreendedores de pequenas e médias empresas que encontraram seus nichos e encontram eco para o que fazem no reconhecimento do mercado.

Ione Antunes é outro exemplo. Ela criou em 1996 a empresa Help Express, de entregas de materiais por meio dos famosos motoboys. Ione desde o início acreditou que os motoboys não precisariam ser maltratados ou que era necessário remunerá-los por entrega em vez de assinar suas carteiras. Sempre cuidou bem deles e até os estimulou a criar um código de ética, onde constam pérolas como: Não ficarás no fliperama e não chutarás o retrovisor alheio. Na última década, com estes cuidados simples, mas poderosos, Ione conseguiu fazer sua empresa crescer na faixa dos 40% ao ano.

Vamos pensar em outro exemplo. Academia de ginástica. Quem nunca começou a fazer academia e se sentiu incomodado com a barriguinha ou mesmo com o ritmo que os treinadores tentavam impor? E aquele ambiente 100% geração saúde… Tony, um empresário paulistano, percebeu que isso incomodava seus pais e por conta disso nunca encararam uma academia. Segundo ele, muita gente vai fazer atividade física por recomendação médica e precisa se sentir à vontade para continuar o ritmo de exercícios. Então, ele, que sempre gostou de esportes, criou um conceito diferente de academia, a Ecofit, para acolher estas pessoas. Cresce 30% ao ano…

(Este caso não entrou na fala por conta do tempo.) Agora, vamos pensar no turismo. Em pousadas em locais paradisíacos. Estes locais, quando viram moda, correm o risco de perder seu maior encanto, o caráter preservado. Em 1992, um empresário dono de pousada, decidiu reproduzir no Brasil o conceito de Relais Chateau, de pousadas de charme, que existe na Europa e em outros lugares do mundo. E criou por aqui a Roteiros de Charme. Para fazer parte da associação, a pousada precisa cumprir requisitos básicos de charme, sofisticação, estar em um lugar agradável e ter cuidados sociais e ambientais. Todos os associados passam por vistoria periódica. Mais do que isso: cada associado leva para sua região a preocupação com os cuidados das pessoas e do meio ambiente por meio de palestras para outros hotéis da região. A Roteiros de Charme vai muito bem, obrigado.

(Este caso também não entrou na fala por conta do tempo.) Em outro exemplo, o americano Ray Anderson, fundador da Interface, fabricante de carpetes, diz que mudou seu negócio por basicamente duas situações. Por que leu um livro chamado Ecologia do Comércio, de Paul Hawken e por que um consumidor perguntou a ele o que fazia com os carpetes usados… Ele não sabia a resposta. Mas não teve medo da pergunta e a levou para dentro da empresa, para transformar seu negócio.

Estes casos mostram empresas absolutamente afinadas com seu tempo. O Brasil e o mundo evoluem rapidamente, junto com o ambiente dos negócios. Os consumidores estão mais exigentes e cobrando seus direitos. Há muitos lugares para se fazer ouvir: além dos tradicionais rádio, TV e jornal, há sites de Procon, de estímulo a cidadania, sem falar das redes sociais: Facebook, Orkut, Twitter etc.

Os jovens e consumidores em geral já não prestam atenção somente às propagandas, mas cada vez mais naquilo que é dito sobre as marcas em diversos lugares, como nas redes sociais. É lá que eles buscam informações de compra.

O mundo é cada vez mais transparente, não há como empurrar uma imagem para o consumidor e entregar outra coisa. Este ano tivemos um episódio que já ganhou seu espaço na história. Foi o caso da British Petroleum, a BP, que estava querendo mudar seu nome para Beyond Petroleum, para ligar a marca ao desenvolvimento de energia limpa. O desastre com a plataforma Deepwater Horizon, um dos maiores da história, jogou tudo por água acima. Independente de quem tenha sido a culpa, este foi um abalo tremendo na imagem da BP. E uma perda de 70 bilhões de dólares em valor de mercado… Além do CEO que foi demitido.

O vazamento que custou 70 bilhões de dólares para a BP

Imagem é tudo neste novo mercado. A reputação está na lista principal das prioridades de CEOs mundo inteiro. Ignorar a voz dos consumidores é se fechar para este mundo. Ouvi-la é se conectar.

O que importa é o que fazemos no dia-a-dia. Cada decisão de negócio. Os empreendedores e empresários que são movidos por uma causa, querendo transformar o ambiente onde atuam suas empresas não buscam desculpas nos impostos ou na fiscalização antiética. Eles direcionam o foco dos seus negócios para colocar em práticas seus valores, sua visão de mundo. Estes empreendedores têm o lucro trabalhando a favor da causa.

Na década de 80, a indústria tabagista fez de tudo para esconder os impactos do cigarro no corpo humano, lembrou um artigo da Harvard Business Review recentemente. No início deste milênio, a indústria alimentícia foi pró-ativa para substituir a gordura trans na alimentação, para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Também no início desta década, os bancos começaram a analisar os impactos socioambientais dos empréstimos. Ou seja, o dinheiro que estou concedendo para clientes. Como ele vai ser usado? Se, por exemplo, em negócios como o desmatamento ilegal, além de prejudicial ao meio ambiente, pode virar uma multa que vai inviabilizar a empresa e vai impactar no pagamento do empréstimo. Uma incrível mudança de atitude num curto período de tempo.

Ao contrário da visão cartesiana, as empresas são cada vez menos vistas como sistemas mecânicos, mas sim como organismos vivos, que fazem parte de um todo. E organismos vivos possuem valores, que influenciam as atitudes na sua essência.

As empresas e os empreendedores não podem ser vistos como mal necessário, que precisa ser vigiado ou regulado. Mas para ganhar esta confiança, os líderes precisam expandir o alcance da empresa para além do lucro, criando um novo jeito de fazer negócios. E vejam só: empresas que se preocupam mais com estas questões têm uma melhor performance financeira. É o que temos percebido na análise de risco socioambiental das empresas elegíveis.

A preocupação com o novo jeito de fazer negócios está cada vez mais sendo valorizada pelo mercado, como na criação de índices e rankings. Um índice que mostra as 100 empresas mais éticas, feita pelo instituto Ethisphere, mostra que as empresas mais éticas tiveram performance até 50% superior comparado às empresas presentes no S&P 500, índice que reúne 500 grandes empresas. Outro estudo, da A.T. Kearney, mostrou que durante a crise financeira em 2008, as empresas que mais se preocupavam com sustentabilidade tiveram também performance melhor. A listas das melhores empresas para trabalhar tem retorno na bolsa maior do que as listadas nas maiores e melhores da Exame.

Ou seja, Respeito é bom – e dá lucro!

Pergunte para Ione e seu time de motoboys. Tony na Academia. Helenio no Roteiros de Charme. Ray na Interface. Yvon na Patagonia. Fábio Barbosa no Santander…

A causa de cada um deles é muito clara. É a mesma que a minha: acreditar que podemos transformar o mundo por meio da ação das empresas.

Para encerrar fica a pergunta: que mundo queremos valorizar com nossas empresas? Como podemos usar o poder transformador das empresas para construir um mundo melhor? Qual a sua causa?

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Dá para viver no limite? Isso é bom?

Será que estamos ultrapassando demais os limites?

Ontem participei de um debate incrível no OnWeek mediado pelo mestre Ricardo Guimarães (@ricardo_thymus) e acompanhado por Denise Hills (Itaú) e Angélica Blanco (Managemente & Excellence).

A conversa era sobre sustentabilidade e dinheiro, mas o Ricardo soube nos conduzir para discutir algo muito maior, sobre limites, nossa relação com o planeta, o tamanho da consciência dos empresários e empreendedores, biomimética. Enfim, foi um grande papo. Brinquei ao final que só faltou a cerveja, de tão descontraído e divertido que foi.

Era tarde, pouca gente ficou até o fim do evento para pegar o debate que começou às 20h. Mas quem ficou lá, deu contribuições incríveis, como o Bob Wolheim (@bobwolheim), idealizador do evento, e Luiz Algarra (@lalgarra), da Papagallis. Algarra contou do seu vizinho Afrânio, que não se importa com os limites e é feliz mesmo assim.

O resumo da conversa foi: “Pode ser bom viver dentro dos limites”.

A humanidade não respeita limites, em geral, por que sempre pode superá-los. O chip cada vez menor e cada vez com mais informações. O smartphone com cada vez mais tecnologia. A banda larga cada vez mais rápida. O carro cada vez mais barato e mais fácil de comprar. A passagem de avião cada vez mais acessível. Parece que não limites. Mas onde isso tudo vai acabar?

E qual o papel das empresas nisto tudo? Certo momento, Ricardo perguntou: “Ok, mas qual o bom exemplo de empresa que faz isso, reconhece limites e olha para isso e para a sustentabilidade como algo positivo?” Não resisti e falei da Patagonia (veja mais aqui). Yvon Chouinard, o empreendedor, criou um negócio em que não está muito preocupado em crescer, crescer, crescer. Ele tem seu público definido, pessoas que não se importam em pagar a mais por determinados produtos, sabendo que vão encontrar qualidade e design. No caso dele, crescer talvez seja abrir mão disso. Mas ele não quer abrir mão dos valores. E a empresa é um sucesso. Não porque é grande. Mas porque tem seu tamanho certo. Reconhece seus limites e acha bom viver dentro deles.

Ou seja, limite pode ser bom. Agora, vai contar isso pro filho pequeno!

Segue abaixo alguns tweets com o melhor da discussão por quem estava acompanhando.

@ItsDigital

Pq fazemos o q fazemos? RT @BobWollheim Temos um vazio, nos falta SIGNIFICADO. Por isso queremos + @ricardo_thymus #onweek

@pvcampos10

#onweek O significado é a finalidade da vida, mas é preciso mudar de percepção de “ser o melhor do mundo” para ” ser o melhor para o mundo”

@BobWollheim

Vc não é consumidor, mas usuário. Fica mais sustentável! @ricardo_thymus #onweek

@LucasCSantos

#OnWeek Sustentabilidade não precisa ser limite, pode ser só otimização, bom-senso…

@LucasCSantos

#OnWeek @ricardo_thymus O significado traz felicidade…

@BobWollheim

Temos um vazio, nos falta SIGNIFICADO. Por isso queremos + @ricardo_thymus #onweek

@pvcampos10

RT @BobWollheim: Prefiro estar certo do que ser coerente @ricardo_thymus #onweek // e qdo se fala em sustentabilidade como fica a coerência?

@BobWollheim

Sustentabilidade é uma utopia – @rodrigocvc – #onweek

@BobWollheim

A gente não é coerente em quase nada. Denise/Itau – #onweek

@luisguggen

Case da marca Patagonia como uma boa referência sobre negócios x sustentabilidade #onweek

@BobWollheim

Sensualizar a sustentabilidade! @ricardo_thymus – #onweek

@BobWollheim

Insight: o limite fica bom quando é escolha! Denise/Itau – #onweek

@la_perroni

Estamos prontos pra ver ética como inspiração? #onweek

about 15 hours ago via web

@BobWollheim

A gente tá pronto ou temos empresários excessivamente jovens? @ricardo_thymus – #onweek

about 15 hours ago via Twitter for iPad

@LucasCSantos

#OnWeek @ricardo_thymus sendo o melhor mediador de debates q já vi. Tem q cutucar e questionar o participante! =)

@smwsaopaulo

RT @BobWollheim Todo mundo diz q sustentabilidade é fundamental. Mas qdo a gente traz o tema, o povo não vem. INCOERENCIA ou o QUÊ? #onweek

about 15 hours ago via HootSuite

@BobWollheim

Quando coloca limite pro seu filho isso é bom ou ruim? R Guimarães – #onweek

about 15 hours ago via Twitter for iPad

@la_perroni

“Quer coisa pior que tomar banho rápido?” Ricardo/Thymus – #onweek

about 15 hours ago via web

@resultson

“tem que entender que sustentabilidade não é só falar de meio ambiente, mas de questões que permeiam a nossa vida como um todo” #onweek

about 15 hours ago via web

4 Retweets

@BobWollheim

Decrescimento é algo que se começa a pensar e discutir @rodrigocvc – #onweek

about 15 hours ago via Twitter for iPad

@BobWollheim

Temos que fazer as pazes entre LIMITE e LUCRO. Ricardo Guimaraes – #onweek

about 15 hours ago via Twitter for iPad

1 Retweet

camacedo1

Na natureza não existe desperdício, quem inventou isso foi o homem! #onweek

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Felicidade, blogs, bancos, surfe, TED etc – a seleção da semana

Está cada vez mais difícil manter a regularidade neste blog em função do dia-a-dia atribulado no trabalho e mais as funções de família.

Estava pensando como equacionar esta questão neste final de semana e vou tentar fazer algo diferente. Como passo por dezenas (talvez centenas) de artigos, links, sites etc durante a semana e acho muita coisa legal, vou tentar fazer regularmente uma espécie de curadoria com aquilo que me interessa e que pode interessar a vocês que acompanham por aqui.

É importante ter o feedback porque não tem a menor graça escrever sozinho. Cada comentário, cada nova ideia, é um estímulo para seguir. Sem isso, vou ficar pelo caminho! Não é um pedido, é só um fato! (risos)

O que vi de legal por aí nesta semana:

Estudo da new economics foundation sobre bem-estar na Inglaterra

O gráfico abaixo (feito pela new economics foundation, organização do Nic Marks, a quem tive a honra de conhecer no TED Global, em Oxford) mostra como as pessoas se sentem em relação ao seu bem-estar. O resumo diz que as pessoas na Inglaterra se sentem melhor do que os europeus na média, mas que ficam para trás em termos de confiança e sentimento de ‘pertencimento’. Um dos pontos mais debatidos é sobre quanto o dinheiro teria impacto nisso. O que a pesquisa mostra é que mais dinheiro impacta mais na falta de sentimentos negativos e aumenta a percepção sobre uma vida satisfatória, mas não significa que aumenta a confiança ou o sentimento de pertencimento. E, aparentemente, traz a sensação de que a confiança aumenta com a idade.

Gráfico sobre o bem-estar inglês

Os melhores blogs de 2010, da Time

Este não é novo, mas sempre vale compartilhar. Lista da Time com os melhores blogs de 2010.

A experiência com blogs do Guardian

Ao contrário de querer resistir às mudanças da maneira como as pessoas se comunicam, o jornal Guardian, da Inglaterra, resolveu fazer uma experiência, reconhecendo o poder dos blogs como disseminadores de notícias. Se você é um blogueiro do wordpress, você poderá postar os artigos do Guardian diretamente na sua página. Ou seja, está liberando seu conteúdo de graça. Há algumas condições, porém: você precisa se registrar e terá que publicar o artigo por completo, com anúncios, inclusive. Desta maneira, o veículo reconhece que muitas pessoas republicam o seu conteúdo, estimulam isso, mas ganham a possibilidade de aumentar a exposição dos anunciantes. Muito engenhoso, transparente e sem querer brigar com o futuro, como estão fazendo os veículos que ‘fecham’ o conteúdo em um mundo que se abre cada vez mais.

O banqueiro das pessoas

Matéria sobre Simon Warburg, mostra que a vocação original dos banqueiros pode ter se perdido com a ganância por acumular dinheiro e que talvez não existem mais banqueiros, como Warburg, que acreditava ser sua principal missão entender, valorizar e satisfazer os clientes.

Editorial de moda e conteúdo da Patagonia

A Patagonia, a marca criada por Yvon Chouinard, faz sempre coisas incríveis. O último editorial de surfe apresenta as novas roupas em uma revista eletrônica, acompanhada por matérias e fotos excelentes. Os temas estão ligados à proteção de praias com excelentes ondas. É um misto de conteúdo editorial com propaganda muito bem-feito. Quem gosta de surfe, vai se deliciar. Quem não gosta, vai ver belas fotos e uma excelente referência de como vender sem invadir, se é que me entendem. O editorial faz ainda referencia à organização Save the waves, que ajuda a proteger as praias de bom surfe. Ou seja, propaganda com causa, um belo caso de branding.

Editorial de moda e conteúdo da Patagonia é um show de imagens

TED Talk da semana – Chip Conley – medindo aquilo que faz a vida valer a pena

“Nem tudo que pode ser medido, conta. E nem tudo que conta, pode ser medido.” Albert Einstein

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Homens inspirados em Netuno

E parece que finalmente conseguimos! Nós, da comunidades dos hominídeos que surfam, conseguimos finalmente criar um pico de surfe. Ou criar as condições para que as ondas possam quebrar em um lugar onde normalmente elas não quebrariam.

Acabei de ver esta notícia no site da Patagonia, marca sobre a qual já escrevi algumas vezes aqui.

A empresa ASR, que cria recifes para diversos fins, conseguiu transformar Kovalam (Índia) um lugar de ondas medíocres para o surfe num lugar de muito boas ondas. É claro que não é um Havaí, mas comparado ao que era antes, ficou incrível. Veja aqui o vídeo.

Mas mais do que simplesmente criar um lugar onde se pode surfar, essa iniciativa que ganhou vida no litoral indiano tem a visão um pouco mais ampla. O projeto tem também a preocupação em limitar a erosão da costa e criar habitat para vida marinha.

Taí um excelente e inspirador jeito de melhorar a vida de todos, comunidade, vida marinha e, claro, surfistas.

Fiquei pensando na década de 80, em Capão da Canoa, litoral gaúcho, de quando surfávamos ondas marrons de 2m de altura. Ondas que quebravam a pelo menos 500m da praia. Longe, longe. Distância que provocava aflição nas mães dos surfistas iniciantes, dos quais só se podia ver a cabeça emergindo de tempos em tempos, atrás das vagas que ainda se formavam mais duas vezes antes de virar energia dissipada na beira da praia.

Pois essa memória ficou mesmo na década de 80, pois nos anos 90 estas ondas foram aos poucos deixando de existir. Nos perguntávamos por quê isso acontecia e quase culpávamos de fantasiosas nossas memórias. Mas não. Eram mesmo os prédios grandes que começaram a ser construídos na beira do mar. As construções afetavam a intensidade do vento que soprava de e para o mar, influenciando no vaivém das areias que proporcionavam a boa formação das grandes ondas marrons dos verões gaúchos.

E agora, fico sonhando em um dia voltar à Capão e surfar essas ondas, mesmo que sejam recriadas pelo homem e não mais por Netuno.

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Uma visita a uma loja da Patagonia

Dia desses, escrevi esse post para o trabalho. Ele foi editado para ficar no padrão. Segue agora a versão redux, sem cortes (a melhor parte do blog é que você é o seu próprio editor – para o bem e para o mal!)

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Sou fã de carteirinha, como se diz, de uma empresa chamada Patagonia (uma fabricante de roupas e equipamentos esportivos com um modelo de negócios sustentável – LEIA MAIS). Busco sempre informações sobre esse incrível caso de empreendedorismo, de negócios sustentáveis. O fundador Yvon Chouinard não abre mão de valores para fazer seu negócio prosperar. E no lugar de isso ser um problema, acabou se tornando um diferencial para o negócio. É um excelente exemplo para aqueles que acham que precisa passar a perna na concorrência, ‘molhar’ a mão do fiscal ou ter práticas “agressivas” (no pior sentido do termo) para fazer bons negócios.


Chouinard é bem radical em suas posições (veja matéria no site Treehugger, em inglês). Acredito que seja a maneira que encontrou para manter vivos os ideais do negócio, que continua extremamente inspirador. Quando hoje vemos empresas dizendo que são sustentáveis, logo ficamos com aquele pé atrás. É tanta gente sustentável que já não sabemos mais quem é, quem não é. Assim, para quem se importa com isso, fica um tanto difícil ter certeza de que o que você está comprando (produto ou serviço) vem mesmo de uma empresa que se preocupa sustentabilidade. Ainda mais quando vemos a pesquisa britânica que diz que 98% dos produtos dito sustentáveis pela própria propaganda, na verdade não o são (veja notícia no site TreeHugger).


Recomendo algo para quem quer ter certeza sobre as práticas da empresa. Fale com quem está no balcão. Vá até a loja, ligue para o call center, faça perguntas e você descobrirá facilmente se o que a empresa está falando em 30 segundos na televisão ou na página dupla da revista resiste a cinco com o funcionário na linha de frente.


Foi o que fiz na Patagonia, há cerca de um mês, em São Francisco, Califórnia (EUA). Quando pisei lá, vou exagerar um pouco, foi como entrar em um templo — no sentido de ser um lugar que carrega valores em que você acredita. E que no fundo é o que todas as marcas pregam e buscam, relacionamentos baseados em sentimentos e valores comuns.


A Patagonia fabrica roupas com algodão orgânico, reutiliza fibras de roupas usadas, busca diminuir o uso de químicos na produção da roupa e faz até fibras a partir de reciclagem de garrafas PET. É um jeito de fazer negócios em que eu acredito e por isso meu contentamento ao entrar lá. Fui logo apresentando as credenciais para o vendedor: disse que era do Brasil, já havia lido o livro “Let my people go surfing (foto abaixo), de Chouinard, e tinha ido até a loja só para conhecê-los e que acreditava muito nos valores da Patagonia.

O livro de Yvon Chouinard, com a história da Patagonia

O vendedor ficou para lá de feliz e começou a falar da empresa. Diz que realmente acreditavam naquelas coisas, começou a me apresentar os benefícios do produto e — melhor de tudo — me deixou totalmente à vontade para olhar as coisas, sem ficar ao meu lado perturbando e dizendo: “Essa fica bem em você, ou então temos essa e mais essa e mais essa.” Em certo momento, um deles me perguntou se eu estava precisando de alguma ajuda. Respondi que o outro vendedor estava me atendendo. Ele respondeu: “Pode perguntar para qualquer um. Não trabalhamos por comissão aqui e todos se ajudam.” Me senti um babaca…


Eu queria ficar lá meia hora. Acabei ficando 1 hora e meia. Por três motivos: vi praticamente todas as peças de roupa, tocando, vendo a etiqueta, checando como cada palavra era colocada para apresentar o produto. Segundo, não resisti às compras… Ok, podem me chamar de consumista, mas quem não precisa de camiseta, uma blusa mais quente e um casaco? E quem não gosta de dar presentes para alguém? Ninguém anda nu por aí e uma das principais vantagens dos produtos da Patagonia são sua durabilidade. Ou seja, você compra roupas e não precisa renová-las com frequencia. Por outro lado, são mais caras. Mas, obviamente, não se pode ter tudo (ainda, já que poucas empresas fabricam produtos dessa maneira).


E o terceiro motivo da demora foi o melhor de todos: a conversa que tive com os vendedores. A Patagonia prevê em seu modelo de negócios tempo para que as pessoas possam fazer atividades das quais gostam. Como nasceu de um montanhista e surfista e faz roupas e aparelhos para quem pratica esses esportes, quem trabalha lá também gosta disso. Diz o livro que nos dias de melhores ondas, o pessoal pode largar as coisas e ir para o mar, surfar! A conversa girou em torno de viagens, lugares que eles tinham visitado em função de viagens de bicicleta ou escalada.


Conversamos sobre Olimpíadas, sobre as condições (segurança, infra-estrutura) de o Brasil sediar os jogos. O vendedor não estava preocupado com isso. Dizia apenas que tinha chegado a hora de um país “diferente” sediar os jogos. E ali ficamos por quase 20 minutos jogando conversa fora.  Uma conversa bem animada, com consistência e valor, emoldurada por um quadro maravilhoso com uma onda perfeita quebrando embaixo da ponte Golden Gate. O bate-papo teve a cara da marca agradável da Patagonia, refletindo as práticas sustentáveis da empresa. Saí de lá ainda mais fã e com a certeza de que a motivação das pessoas em trabalhar por uma causa é mais um benefício de que vale a pena investir em práticas sustentáveis


Leia mais: “Deixe as pessoas surfarem”

Teste in loco

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Deixe as pessoas surfarem!

Estava conversando sobre trabalho com um amigo e ao final ele me falou:

ps2. Estou lendo um livro que você precisa ler. “let my people go surfing” – conhece?

Dei a seguinte resposta:

Esse livro sobre Patagonia é genial! Um dia ainda tenho uma empresa assim! Imagina… Surfar sempre que  as ondas estão boas!

E aí veio a resposta dele, genial:

…um dia quiz ter uma empresa para fazer as coisas do jeito que achava que deveriam ser…funcionou, mas aí percebi que elas eram boas somente para mim.
…Dai cheguei a conclusão que temos que lutar para que as coisas sejam melhores todo o tempo e onde quer que estejamos.
Vamos lá, se parar para surfar significa + qualidade de vida e felicidade no trabalho, por que não?
…assim como Yvon Chouinard fez, é preciso mudar o modelo mental do mundo corporativo, só isso.
Vamos nessa.

Bom, o livro trata da história da empresa Patagonia, que nasceu do sonho de Yvon Chouinard de fazer um negócio que fosse bom para ele, mas também para os clientes.  Hoje, a Patagonia é uma das empresas mais inovadoras na maneira como produz roupas e acessórios, com esforço para diminuir o impacto ambiental. E as pessoas podem surfar (ou fazer outras coisas) na hora em que quiserem, desde que façam direito seu trabalho.

Segue a capa do livro. É uma referência muito legal de um jeito diferente de ver o mundo corporativo. Inspirador.

Let my people go surfing, de Yvon Chouinard

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