Arquivo do mês: janeiro 2011

Só PIB maior não é receita de sucesso

Atenção, pessoal de Davos, só um PIBão não basta

Em um momento em que todo mundo comemora em Davos que a “a recuperação pegou” e que há muito dinheiro em caixa para a retomada, a minha questão é a mesma de sempre: dinheiro é fundamental para gerar valor. Mas qual o tipo de valor que queremos gerar?

Por isso, veio em hora superoportuna o artigo de André Lara Resende, publicado no Valor Econômico na sexta-feira passada. O ponto principal é que somente o crescimento, a geração de renda, não é suficiente para aumentar a qualidade de vida. Não é uma equação óbvia ou fácil, mas fica claro que a redução da desigualdade é o grande ponto a ser atacado.

Hoje mesmo li no jornal que o Brasil tem fundos de investimento em vinho e arte. Muito bem. Mostra pujança econômica e que há cada vez mais espaço para cuidar e investir no prazer – o que só acontece depois de cumpridas as necessidades básicas. Enquanto isso, no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano, o Brasil ocupa a 73a posição entre 169 países (leia aqui).

Pior: o Brasil tem o terceiro pior índice de desigualdade do mundo, de acordo com o Gini, índice criado para medir distribuição de renda (leia aqui).

O modelo mental econômico que faz a economia girar passa ao largo das questões que são importantes para o planeta. Só que uma coisa não está separada da outra, como muito bem lembrou o Hugo Penteado, no TEDx Amazônia.

Vale a pena ler o texto abaixo para entender como as coisas funcionam ou não para continuar achando que o PIB maior é a salvação da lavoura.

Desigualdade e bem-estar — Portal ClippingMP.

Por André Lara Resende, economista

1 – O crescimento sempre foi o objetivo da política econômica. A teoria associa o crescimento ao aumento da renda e ao aumento do bem-estar. Até muito recentemente, utilizar o crescimento como o objetivo primordial de uma economia bem administrada não merecia maiores explicações. O aumento da renda nacional estava de tal forma associado a uma vida melhor que não era preciso introduzir indicadores de bem-estar entre os objetivos da política econômica. Se a economia crescesse e a renda aumentasse, todos os demais indicadores de bem-estar acompanhariam. Tão alta era a correlação entre o crescimento e o aumento de bem-estar que não se perdia grande coisa ao simplificar a análise e definir o crescimento como o objetivo da política econômica. Como crescimento econômico é um conceito simples e as estatísticas da renda nacional estão disponíveis, é uma grande vantagem, tanto teórica como empírica, utilizar o crescimento como a variável-objetivo da teoria e da política econômica.

Diante da evidência de que o estrago da atividade econômica sobre o planeta se aproxima do limite do tolerável, a identificação do crescimento econômico com o aumento do bem-estar tornou-se obrigatoriamente questionável.

Transformar a preservação ambiental num objetivo em si, como tão frequentemente se vê entre grupos mais aguerridos de críticos do crescimento econômico, não é uma resposta aceitável. O desafio de continuar a elevar a qualidade de vida, o bem-estar, de uma forma sustentável – palavra que se tornou um horrível lugar comum – continua tão relevante como sempre foi. Assim como a imposição de sacrificar a contínua melhora da qualidade de vida em nome dos limites ecológicos parece irrealista, mais irrealista ainda, absurdo mesmo, é imaginar que a mera incorporação do neologismo “sustentável”, aposto a crescimento, a consumo ou ao que quer que seja, nos permitirá seguir o curso do aumento dos níveis de consumo observados no século passado. Se estivermos necessariamente obrigados a crescer e a enriquecer, para continuar a melhorar a qualidade de vida, estaremos diante de um impasse, pois é evidente que não será mais possível crescer, enriquecer e, sobretudo consumir, nos padrões de hoje, por mais muito tempo, sem esbarrar nos limites físicos do meio ambiente. Será preciso encontrar uma outra forma de prosseguir com a melhora progressiva da qualidade de vida, que não dependa do crescimento econômico ou, sobretudo, do aumento do consumo.

Mas é possível melhorar a qualidade de vida sem aumentar os níveis de consumo? É possível melhorar a qualidade de vida sem crescer? A resposta não é simples nem evidente. Há, entretanto, indícios de que, a partir de um determinado nível de renda, a correlação entre crescimento e bem-estar se enfraquece. Até um determinado nível de renda, a melhora da qualidade de vida é indissociável do crescimento econômico. Não há como melhorar a qualidade de vida de comunidades excessivamente pobres sem aumentar a sua renda, mas, a partir de um patamar mínimo, capaz de assegurar as necessidades básicas, o aumento da renda não está necessariamente associado à melhora da qualidade de vida. Mais renda nem sempre significa mais bem-estar. O debate no plano individual – riqueza garante ou não garante felicidade? – pode não estar resolvido, mas, no plano social, parece que sim: a partir de certo nível, riqueza não garante qualidade de vida.

Ainda que se dê o devido desconto ao saudosismo, à natural tendência de romancear o passado, não há como negar, por exemplo, o efeito deletério sobre a qualidade de vida do crescimento econômico, com o seu impacto sobre o trânsito, em particular, nas grandes cidades. Pode-se sempre argumentar que o problema não é o crescimento propriamente dito, mas o automóvel, as grandes aglomerações urbanas, o estilo de vida, mais do que o enriquecimento diretamente, que podem reduzir a qualidade de vida. Correto, mas crescimento e enriquecimento são hoje indissociáveis do estilo consumista que, a partir de certo ponto, contribui para a redução do bem-estar.

2 Dois médicos infectologistas ingleses, Richard Wilkinson e Kate Pickett, em livro publicado em 2010, “The Spirit Level”, organizam as evidências e chegam a conclusões que, se não totalmente contraintuitivas, surpreendem pela amplitude: a partir de um nível de renda, a redução das desigualdades contribui mais para o bem-estar do que o crescimento. No limite, a desigualdade é evidentemente detratora do bem-estar, até mesmo dos mais afortunados, como demonstram o aumento da criminalidade, a necessidade de se viver confinado em condomínios fortificados e se locomover em carros blindados, cercado de seguranças privados. Mas não é óbvio que a redução da desigualdade, mesmo longe dos extremos, contribua para o aumento do bem-estar. É, entretanto, o que afirmam de forma peremptória Wilkinson e Pickett.

Seu trabalho é fruto de anos de estudos dedicados inicialmente a entender as diferenças de saúde, medidas por expectativa de vida, entre grupos de diferentes estratos nas sociedades modernas. O foco inicial era compreender por que a saúde piora a cada degrau inferior na escala social. Como infectologistas, utilizaram a metodologia dos que trabalham com os determinantes sociais da saúde para explicar por que alguns grupos são mais propensos a certas doenças do que outros, ou por que certas doenças se tornam mais frequentes em determinados grupos. Perceberam que poderiam generalizar o método, para compreender não apenas questões ligadas à saúde física, mas também à saúde emocional e a outros determinantes da qualidade de vida, do bem-estar ou da felicidade.

Ora, melhorar a qualidade de vida, ou aumentar o bem-estar, é o objetivo da atividade econômica. Por se tratar de uma variável com um grande coeficiente de subjetividade, sua mensuração exige a coleta de dados sobre múltiplas dimensões da vida de uma população. Até algumas décadas atrás, isso não era factível e, portanto, os dados não estavam disponíveis. A utilização do crescimento econômico como o objetivo primordial da atividade econômica, como uma “proxy” para o bem-estar, além de não sofrer séria contestação teórica, era uma imposição da prática. Não mais. Os avanços da tecnologia e os esforços de pesquisa social das últimas décadas criaram um formidável banco de dados acessível a todos.

3 A primeira constatação é que o crescimento econômico, por tanto tempo o motor do progresso e da melhora de vida, já não o é mais. A expectativa de vida aumenta com a renda per capita nos países pobres, mas, a partir de um determinado nível – acima do qual já estão todos os países latino-americanos, por exemplo – já não há mais aumento da expectativa de vida com o aumento da renda. Não por que a expectativa de vida tenha atingido o limite fisiológico, pois continua a elevar-se para todos com o passar do tempo e a melhora tecnológica. Apenas, deixa de haver correlação observável entre os dois indicadores.

Saúde e longevidade são excelentes indicadores de bem-estar, mas não esgotam, evidentemente, os componentes determinantes da qualidade de vida e da felicidade. Estudos recentes, que procuram correlacionar felicidade com o nível de renda, chegam a resultados semelhantes aos encontrados para a expectativa de vida: a felicidade aumenta com a renda, mas só até um determinado nível, a partir do qual, assim como para a expectativa de vida, o aumento da renda não tem mais efeito. A expectativa de vida deixa de estar associada ao aumento da renda antes que da percepção de ser feliz, mas os dois indicadores de qualidade de vida se tornam igualmente insensíveis ao aumento da renda a partir de certo ponto.

A evidência de que o aumento da renda torna-se incapaz de melhorar a qualidade de vida pode ser constatada, tanto num determinado momento no tempo, entre países de diferentes níveis de renda, quanto para um mesmo país ao longo do tempo. O que não chega a ser totalmente surpreendente, pois, à medida que se tem mais gratificação adicional, ou marginal, como gostam de dizer os economistas, o benefício torna-se decrescente. A contribuição marginal da renda de uma sociedade para o bem-estar e a felicidade de sua população torna-se praticamente insignificante a partir do ponto em que as necessidades básicas estão satisfeitas. Países pobres se beneficiam extraordinariamente com o crescimento econômico e com o aumento da renda, mas, a partir de certo ponto, o aumento da renda tem resultados decrescentes, que se tornam muito rapidamente nulos, em relação à melhoria da qualidade de vida.

4O que, então, explicaria o aumento da qualidade de vida a partir do patamar mínimo de renda que a grande maioria dos países já atingiu? Qual o mais importante fator para a melhoria do bem-estar nos países que já saíram da pobreza absoluta? Segundo “The Spirit Level”, a resposta é uma só: a redução das desigualdades. A melhor distribuição de renda é o mais importante fator determinante da melhora da qualidade de vida, do bem-estar, da felicidade, de um país.

Sempre se soube que redução das desigualdades é desejável. Não a qualquer custo, nem necessariamente através da intervenção desastrada do Estado, protestarão sempre os que acreditam que a igualdade de oportunidades é mais importante do que a igualdade de resultados, que defendem que não se deve sacrificar o sistema de estímulos da meritocracia em nome do ideal igualitário. De toda forma, uma melhor distribuição de renda, embora o tema tenha saído de moda na discussão teórica, sempre esteve entre os objetivos da boa política econômica. A incontestável vitória do capitalismo de mercado como sistema produtor de riqueza explica, em grande parte, a perda de importância do tema da distribuição de renda, apesar de nos países centrais, especialmente nos Estados Unidos, ter havido uma significativa deterioração da distribuição de renda, nas três últimas décadas.

Nos países em desenvolvimento, como no caso do Brasil, onde a desigualdade sempre foi e ainda é extraordinariamente alta, a ênfase no esforço de redução das desigualdades deslocou-se para a elevação do poder aquisitivo das camadas mais pobres da população. O capitalismo competitivo tornou-se indissociável, ao menos na imaginação pública, de um sistema que exige grandes vitoriosos. Incensados pela mídia, os novos ricos, milionários, bilionários, são promovidos a ícones da prosperidade recém-descoberta, modelos das novas possibilidades, em tese, acessíveis a todos os de espírito empreendedor.

O fato é que, justificada ou injustificadamente, a equanimidade tornou-se percebida como incompatível com o sistema de mercado competitivo. A pujança geradora de riquezas do capitalismo não apenas exigiria a tolerância com a existência de extraordinariamente ricos, como deles dependeria como elemento indispensável de seu sistema de incentivos. Desde que os muito pobres deixassem de ser muito pobres, tivessem acesso a um nível de vida minimamente condizente com as necessidades essenciais de nosso tempo, a existência de uma péssima distribuição de renda não deveria ser motivo de preocupação. Ao contrário, se as oportunidades fossem igualmente acessíveis, a existência de remediados, ricos, muito ricos e riquíssimos apenas refletiria o sistema de incentivos e premiação indispensável para o bom funcionamento do capitalismo competitivo.

Deixemos de lado, por um momento, a suposição de que o sistema de mercado competitivo exige má distribuição de renda. O fato é que uma sociedade iníqua, em que a distribuição de renda é excessivamente desigual, independentemente do seu nível de renda, é uma sociedade em que o nível de bem-estar é inferior ao de uma sociedade mais equânime, em que a renda é mais bem distribuída.

Nada de novo, exclamarão alguns. Uma sociedade em que há menos pobres é uma sociedade mais feliz. Sim, mas atenção: não por que os pobres são menos pobres e, portanto mais felizes. Estaríamos de volta à correlação entre riqueza e bem-estar. O ponto crucial do argumento é que, independentemente do nível de renda, a pobreza relativa contribui para a perda de bem-estar. Infelicidade está associada a renda, mas também à renda relativa.

5 A evidência dos estudos feitos nas últimas décadas, em universidades e institutos de pesquisa por toda parte no mundo, sugere que todos os possíveis indicadores de bem-estar, sejam relativos tanto à saúde, física e mental, quanto a questões sociais, como delinquência juvenil, gravidez adolescente, desempenho escolar, criminalidade, entre muitos outros, estão invariavelmente correlacionados com o nível de desigualdade social.

Willkinson e Pickett utilizaram dados para cinquenta países ricos da OCDE e também para os cinquenta estados americanos. A desigualdade da renda está associada à piora de todos os indicadores de bem-estar. Maior desigualdade está correlacionada com menor expectativa de vida, maior incidência de doenças físicas e mentais, maior taxa de homicídios, maiores índices de delinquência juvenil, de gravidez adolescente, maior percentual da população encarcerada, maiores índices de “stress” e obesidade, maior índice de crianças que abandonam a escola, piores índices de aprendizado escolar. A lista é impressionante, mas não são apenas os indicadores objetivos e quantificáveis de bem-estar que estão negativamente correlacionados com a desigualdade. Também aqueles com maior dose de subjetividade, como a sensação de felicidade ou o grau de confiança nos outros, medidos através de questionários, em que diferenças culturais, até mesmo sobre o dever de se declarar feliz, por exemplo, poderiam mascarar os resultados, são fortemente correlacionados com a desigualdade.

Todos esses indicadores, como era de se esperar, são invariavelmente piores para os estratos mais pobres da sociedade. Esta é uma das razões que nos levam a inferir que o aumento da renda levaria a uma melhora do bem-estar em todas as camadas da população. Mas não é o que ocorre. Os indicadores de bem-estar continuam muito piores para os mais pobres, independentemente do nível médio de renda da sociedade, porque não é a baixa renda absoluta, mas sim a baixa renda relativa, que reduz a saúde e o bem-estar. Não é o fato de ser pobre que faz alguém infeliz, mas o fato de ser mais pobre do que seus pares.

Há algo profundamente corrosivo na desigualdade. O crescimento econômico, nas sociedades em que existe grande desigualdade, não aumenta o bem-estar. Ao contrário, substitui as doenças e as dificuldades da pobreza absoluta pelas doenças e as infelicidades da afluência. Nas sociedades desiguais, o crescimento transfere para os pobres as doenças anteriormente associadas ao ricos, que se tornam muito mais frequentes nos pobres do que nos ricos.

Os indicadores de bem-estar permanecem sempre piores para os pobres do que para os ricos, em qualquer nível de renda, mas o ponto fundamental é que maior desigualdade piora tanto a qualidade de vida dos pobres como a dos ricos, qualquer que seja o nível médio de renda de uma sociedade, depois de ultrapassado o patamar mínimo capaz de garantir as necessidades biológicas básicas para todos. Wilkinson e Pickett sustentam que não são apenas os pobres, que, por serem menos pobres, numa sociedade mais igualitária, são mais felizes. Também os ricos são mais felizes numa sociedade mais equânime.

6 – A conclusão é tão surpreendente quanto polêmica. Comprende-se a repercussão de “The Spirit Level”, sobretudo na Inglaterra, onde o livro foi originalmente publicado e onde a desigualdade aumentou significativamente nas últimas três décadas. Uma coisa é defender a redução das desigualdades em nome de um ideal de justiça social ou de empatia pelos menos favorecidos. Outra é defender a redução das desigualdades com base na evidência empírica de que a desigualdade reduz o bem-estar, não apenas dos mais pobres, mas de todos, os ricos inclusive.

A econometria de Wilkinson e Pickett é relativamente primária. As corrrelações estão lá, mas não são devidamente trabalhadas para testar quão robustas são suas conclusões. Os críticos não perdoaram. Um trabalho de 2010, publicado pelo instituto inglês Policy Exchange, faz uma dura e bem formulada crítica das conclusões de “The Spirit Level”. O ponto central da crítica é que a maioria das conclusões, no caso da análise internacional, depende de alguns casos extremos. No caso da análise dos estados americanos, argumenta-se que há uma variável excluída – o percentual de negros na população – que explicaria bem melhor os resultados. As correlações entre bem-estar e igualdade seriam, portanto, frágeis. Infelizmente, por mais que a base de dados tenha crescido e melhorado, em relação à grande maioria dos temas sócio-econômicos, não há como pretender declarar vitória incontestável, com base exclusivamente na evidência empírica. As grandes questões, ainda que iluminadas pela evidência empírica, a qual não se pode desrespeitar, exigirão sempre algum julgamento de valor. Negar o elemento valorativo das questões econômicas, políticas e sociais, pretender que seriam passíveis de tratamento científico, à semelhança das ciências naturais, é um equívoco quase tão sério como pretender desconsiderar integralmente a evidência empírica.

Policy Exchange é uma instituição que se define como um centro de reflexão que tem como “missão desenvolver e promover novas ideias de políticas, com o objetivo de promover uma sociedade livre, baseada em comunidades fortes, liberdade individual, governo limitado, autoconfiança nacional e uma cultura empresarial.” Não surpreende que não tenham gostado do livro de Wilkinson e Pickett, e o título do trabalho, “Beware of False Prophets”, não deixa dúvidas sobre as intenções dos autores. Depois das experiências comunistas de inspiração marxista do século XX, há uma justificada desconfiança, a priori, dos que defendem os princípios liberais clássicos, em relação a toda proposta de corte igualitário. A defesa da igualdade está quase sempre associada à maior intervenção do governo para implementá-la. As implicações negativas sobre as liberdades individuais são as tradicionalmente associadas aos Estados fortes com ideias redentoras. A experiência do século XX, à esquerda e à direita, com o comunismo, o fascismo e o nazismo desmoralizou as propostas idealistas totalizantes. Para o liberalismo contemporâneo, a única igualdade desejável é a de oportunidades. Garantir a igualdade de oportunidades não é questão trivial, assim como, com certeza, também não exclui a intervenção do Estado.

A maior igualdade dos padrões de consumo parece ser desejável para o bem-estar de todos. Mais importante do que isso, entretanto, é compreender que é essencial para compatibilizar os atuais níveis da população mundial com os limites físicos e ecológicos do planeta. É possível transitar para uma sociedade de padrões de consumo menos extravagantes e mais igualitários, sem comprometer o dinamismo das economias de mercado e as liberdades individuais? Creio que sim. Este é o desafio de nosso tempo.

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Chega de guerra contra as drogas

Essa discussão sempre dá o que falar, mas o ponto principal está claro logo na primeira linha do artigo abaixo publicado por Fernando Henrique Cardoso no Valor Econômico: é uma guerra perdida.

Está mais do que na hora do que rever a estratégia e neste sentido concordo em gênero, número e grau com FHC.

A capacidade das pessoas de avaliar riscos e fazer escolhas estando informadas será tão importante para regular o uso das drogas quanto leis e políticas mais humanas e eficientes. A repressão aos usuários de drogas é também ameaça à liberdade.”

Veja o que aconteceu com o consumo de cigarro nos Estados Unidos desde que se começou a falar que era prejudicial à saúde.

Não seria melhor os recursos contra o uso de drogas na prevenção no lugar de na caça aos traficantes?

Vale lembrar que este assunto já foi pauta da Economist e também deste blog.

A guerra contra as drogas

Valor Econômico
Fernando Henrique Cardoso

18/01/2011

A guerra contra as drogas é uma guerra perdida e 2011 é o momento para afastar-se da abordagem punitiva e buscar um novo conjunto de políticas baseado na saúde pública, direitos humanos e bom senso. Essas foram as principais conclusões da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia que organizei, ao lado dos ex-presidentes Ernesto Zedillo, do México, e César Gaviria, da Colômbia.

Envolvemos-nos no assunto por um motivo persuasivo: a violência e a corrupção associadas ao tráfico de drogas representam uma grande ameaça à democracia em nossa região. Esse senso de urgência nos levou a avaliar as atuais políticas e a procurar alternativas viáveis. A abordagem proibicionista, baseada na repressão da produção e criminalização do consumo, claramente, fracassou.

Após 30 anos de esforços maciços, tudo o que o proibicionismo alcançou foi transferir as áreas de cultivo e os cartéis de drogas de um país a outro (conhecido como efeito balão). A América Latina continua sendo a maior exportadora de cocaína e maconha. Milhares de jovens continuam a perder as vidas em guerras de gangues. Os barões das drogas dominam comunidades inteiras por meio do medo.

Concluímos nosso informe com a defesa de uma mudança de paradigma. O comércio ilícito de drogas continuará enquanto houver demanda por drogas. Em vez de aferrar-se a políticas fracassadas que não reduzem a lucratividade do comércio – e, portanto, seu poder – precisamos redirecionar nossos esforços à redução do consumo e contra o dano causado pelas drogas às pessoas e sociedade.

Ao longo da história, sempre existiu algum tipo de consumo de droga nas mais diversas culturas. Hoje, o uso de droga existe por toda a sociedade. Pessoas de todos os tipos usam drogas por motivos de todos os tipos: para aliviar dores ou experimentar prazer, para escapar da realidade ou para incrementar a percepção dela.

A abordagem recomendada no informe da comissão, no entanto, não significa complacência. As drogas são prejudiciais à saúde. Minam a capacidade dos usuários de tomar decisões. O compartilhamento de agulhas dissemina o HIV/Aids e outras doenças. O vício pode levar à ruína financeira e ao abuso doméstico, especialmente de crianças.

A capacidade das pessoas de avaliar riscos e fazer escolhas estando informadas será tão importante para regular o uso das drogas quanto leis e políticas mais humanas e eficientes. A repressão aos usuários de drogas é também ameaça à liberdade.

Reduzir o consumo o máximo possível precisa, portanto, ser o objetivo principal. Isso, contudo, requer tratar os usuários de drogas como pacientes que precisam ser cuidados e não como criminais que devem ser encarcerados. Vários países empenham-se em políticas que enfatizam a prevenção e tratamento, em vez da repressão – e reorientam suas medidas repressivas para combater o verdadeiro inimigo: o crime organizado.

A cisão no consenso global em torno à abordagem proibicionista é cada vez maior. Um número crescente de países na Europa e América Latina se afastam do modelo puramente repressivo.

Portugal e Suíça são exemplos convincentes do impacto positivo das políticas centradas na prevenção, tratamento e redução de danos. Os dois países descriminalizaram a posse de drogas para uso pessoal. Em vez de registrar-se uma explosão no consumo de drogas como muitos temiam, houve aumento no número de pessoas em busca de tratamento e o uso de drogas em geral caiu.

Quando a abordagem política deixa de ser a de repressão criminal para ser questão de saúde pública, os consumidores de drogas ficam mais abertos a buscar tratamento. A descriminalização do consumo também reduz o poder dos traficantes de influenciar e controlar o comportamento dos consumidores.

Em nosso informe, recomendamos avaliar do ponto de vista da saúde pública – e com base na mais avançada ciência médica – os méritos de descriminalizar a posse da canabis para uso pessoal.

A maconha é de longe a droga mais usada. Há um número cada vez maior de evidências indicando que seus danos são, na pior hipótese, similares aos provocados pelo álcool ou tabaco. Além disso, a maior parte dos problemas associados ao uso da maconha – desde o encarceramento indiscriminado dos consumidores até a violência e a corrupção associadas ao tráfico de drogas – é resultado das atuais políticas proibicionistas.

A descriminalização da canabis seria, portanto, um importante passo à frente para abordar o uso de drogas como um problema de saúde e não como uma questão para o sistema de Justiça criminal.

Para ter credibilidade e eficiência, a descriminalização precisa vir acompanhada de campanhas sólidas de prevenção. O declínio acentuado e persistente no consumo de tabaco nas últimas décadas mostra que as campanhas de prevenção e informação pública podem funcionar, quando baseadas em mensagens consistentes com a experiência das pessoas que são alvo desses esforços. O tabaco foi desglamourizado, tributado e regulamentado; não foi proibido.

Nenhum país concebeu uma solução abrangente ao problema das drogas. A solução, no entanto, não exige uma escolha cabal entre a proibição e a legalização. A pior proibição é a proibição de pensar. Agora, enfim, o tabu que impedia o debate foi quebrado. Abordagens alternativas estão sendo testadas e precisam ser cuidadosamente avaliadas.

No fim das contas, a capacidade das pessoas de avaliar riscos e fazer escolhas estando informadas será tão importante para regular o uso das drogas quanto leis e políticas mais humanas e eficientes. Sim, as drogas corroem a liberdade das pessoas. É hora, no entanto, de reconhecer que políticas repressivas em relação aos usuários de drogas, baseadas, como é o caso, em preconceito, medo e ideologia, são da mesma forma uma ameaça à liberdade.

Fernando Henrique Cardoso é ex-presidente do Brasil (1995-2002), copresidente da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia e organizador da Comissão Global sobre Políticas para Drogas

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Os economistas estão errados

Os economistas estão errados (foto: Bruno Fernandes)

Entrou no ar a palestra do Hugo Penteado no TEDx Amazônia.

Recomendo por vários motivos.

Recomendo porque Hugo é um economista que fala contra as ideias clássicas dos economistas. Ele reforça a tese de que a economia não considera o estoque nos cálculos e, portanto, não leva em conta que os recursos são finitos. O que explica muita coisa dos problemas que temos por aí.

Recomendo porque Hugo tem um didatismo impressionante para explicar algo que não é fácil de ser explicado.

Recomendo porque ele fala com paixão sobre o tema.

Recomendo porque ele está dentro do sistema, tentando mudar o sistema. Não há como ser mais eficiente do que isso.

Veja a palestra dele e se quiser ler mais sobre este assunto, há outro post aqui no blog que fala sobre isso. Também há mais sobre a sessão dele no TEDx Amazônia aqui neste post.

 

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Como ajudar as famílias atingidas pelas chuvas

Faço parte de uma rede de profissionais que trabalham com sustentabilidade, que enviou a lista abaixo com opções para ajudar na tragédia da região serrana do Rio de Janeiro e em outras cidades afetadas pelas cheias. Compartilho aqui para quem quiser ajudar.

Contas Bancárias para Doações em Dinheiro

Cruz Vermelha (fonte)
Banco Real, Agencia 0201, conta 1793928-5

Defesa Civil do Rio de Janeiro (fonte)
Caixa Econômica Federal, número 2011-0, agência 0199, operação 006.
Fundo Estadual de Assistência Social do Estado do Rio de Janeiro (fonte)
Bradesco, agência 6570-6, conta corrente 2011-7
Itaú Unibanco, agência 5673, conta 00594-7, CNPJ: 02932524/0001-46

Prefeitura Municipal de Teresópolis (fonte)
Nome da conta: “SOS Teresópolis – Donativos”
Banco do Brasil, agência: 0741-2, conta: 110000-9
Caixa Econômica Federal, agência 4146, conta 2011-1

Petkovic abre conta para ajudar
O jogador Petkovic entrou na corrente para ajudar. O atleta abriu uma conta no Bradesco para arrecadar dinheiro para as vítimas da Região Serrana.
Banco-Bradesco Ag. 213-5 C/p. 1008425-3.

Doações de Sangue

Hemorio
O Hemorio recebe doações de sangue para as vítimas das chuvas. Os voluntários devem ir, das 7h às 18h, todos os dias da semana, inclusive aos sábados, domingos e feriados, à Rua Frei Caneca 8, Centro do Rio. Informações: 0800-2820708.

Em Rio Bonito
As doações de sangue podem ser feitas na Praça Fonseca Portela. O sangue pode ser doado no Hemonúcleo, no endereço abaixo:
Rua Martinho de Almeida, 222 – Mangueirinha – Rio Bonito – Anexo ao Ambulatório Manoel Loyola. Ele funciona de segunda a sexta-feira no período da manhã.

Doações de alimentos e produtos diversos

Estado do Rio de Janeiro

Cruz Vermelha
Praça da Cruz Vermelha 10, Centro do Rio. Estão sendo arrecadados: água mineral, alimentos de pronto consumo (massas e sopas desidratadas, biscoitos, cereais), leite em pó, colchões, roupa de cama e banho e cobertores.

Secretaria de Assistência Social
Está com bases montadas em Petrópolis, Teresópolis e Friburgo para coordenar as ações de atendimento aos desabrigados e recebimento de doações. A doações podem ser feitas nos seguintes locais:

  • Sede da FIA (Fundação da Infância e Adolescência)- Rua Voluntários da Pátria, 120, em Botafogo.
  • FIA Niterói – Rua General Castrioto, 589, Barreto.
  • Petrópolis (Fundação Leão XIII) – Rua General Osório, 12, 2º piso, Centro.
  • Teresópolis (Fundação Leão XIII) – Rua Josafá Cupelo, 390, Bairro de Fátima.
  • Nova Friburgo (Polo da FIA) – Avenida Julius Antônio Thuller, 480, Olaria.

Secretaria Estadual de Saúde
As Farmácias Populares estão recebendo doações, exceto as de Friburgo e Petrópolis. O mesmo ocorre nos 106 quartéis do Corpo de Bombeiros, em todo o Estado.

Ministério Público
O Ministério Público do Rio de Janeiro também está recebendo doações. Elas podem ser feitas na portaria do edifício-sede do MPRJ, na Avenida Marechal Câmara 370, Centro, Rio de Janeiro, no período das 10h às 17 horas, de segunda a sexta-feira. Os itens de maior necessidade no momento são água mineral, alimentos não perecíveis e prontos para consumo, roupas e cobertores.

Polícia Militar / RJ
Todos os batalhões da PM do Rio de Janeiro estão recebendo doações de água mineral, alimentos não perecíveis e material de higiene pessoal.

Polícia Rodoviária Federal
A PRF montou quatro postos de arrecadação de alimentos e produtos de higiene pessoal. As doações serão entregues para a Cruz Vermelha, que ficará encarregada de fazer a distribuição às vítimas.

  • BR-116: Km 133, na altura do pedágio da Rio-Magé (funciona 24h)
  • BR-101: Km 269, no trecho de Casimiro de Abreu (funciona 24h)
  • BR-040 – Rio-Petrópolis: Km 109 (das 8h às 17h)
  • BR-116 – Rodovia Presidente Dutra: Km 227 (das 8h às 17h)
  • Praças de pedágio da BR-040 (Concer)
  • De acordo com informações da Concer, as praças de pedágio da BR-040 situadas em Duque de Caxias (km 104), Areal (km 45) e Simão Pereira (km 816), além da sede da empresa (km 110/JF, em Caxias) funcionarão a partir desta semana como postos de arrecadação de doações para os desabrigados. A Concer pede que sejam doados, preferencialmente, água mineral, produtos de higiene pessoal e de limpeza, roupas de cama, mesa e banho, além de colchonetes. Nas praças de pedágio, as doações podem ser entregues nos postos do Serviço de Informação ao Usuário da rodovia, que funcionam de segunda a segunda, 24 horas por dia.

Rodoviária Novo Rio
A Rodoviária Novo Rio recebe doações para a Cruz Vermelha. Os donativos serão recebidos no piso de embarque inferior, das 9h às 17h.
Avenida Francisco Bicalho 1, Santo Cristo, no Rio, no embarque inferior, das 9h às 17h.

Metrô
Também em parceria com o Viva Rio, o Metrô Rio está recolhendo doações para os desabrigados. A coleta será feita em 11 estações das linhas 1 e 2, Carioca, Central, Largo do Machado, Catete, Glória, Ipanema/General Osório, Pavuna, Saens Peña, Botafogo, Nova América/Del Castilho e Siqueira Campos. Poderão ser doados até o dia 11 de fevereiro água, alimentos não perecíveis e material de higiene pessoal.

Viva Rio
O Programa de Voluntariado do Viva Rio também iniciou uma campanha de arrecadação de roupas e mantimentos para a região serrana do Rio de Janeiro, especialmente Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis. Para ajudar, basta fazer a doação na sede do Viva Rio (Rua do Russel, 76, Glória). Para mais informações o Viva Rio disponibiliza os telefones (21) 2555-3750 e (21) 2555-3785.

Universidades

  • A Unisuam está arrecadando produtos de higiene pessoal (escova de dente, pasta de dente, toalha, sabonete, álcool em gel) e limpeza (detergente, desinfetante, esponja, pano de chão), além de fósforo e vela. Os postos funcionam das 8h às 21h, em Bonsucesso (Av. Paris, 72) e Campo Grande (Rua Campo Grande, 1.508); e das 15h às 21h, nas Unidades Bangu (Rua Fonseca, 240), Vila da Penha (Av. Braz de Pina, 1.744), e Jacarepaguá (Rua Apiacás, 320).
  • A Unigranrio montou postos de coleta em 12 unidades. Informações pelo 0800-2820007.
  • A Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) também está solidária. Aceita doações das 13h às 19h, na Avenida Madre Benvenuta 2007, Itacorubi, Florianópolis. Todas as doações serão encaminhadas para a Cruz Vermelha, em Santa Catarina

SENAC
As unidades do Senac no Rio também recebem doações. As coletas são feitas das 9h às 19h, de segunda a sexta. Aos sábados, das 9h às 12h:

  • Niterói: Rua Almirante Teffé, 680 – Centro
  • Copacabana: Rua Pompeu Loureiro, 45
  • Marapendi: Avenida das Américas, 3.959
  • Barra da Tijuca: Av. Ayrton Senna, 2150 Bloco E
  • Botafogo: Rua Bambina, 107
  • Faculdade Senac Rio: Rua Santa Luzia, 735 – Centro

SESC
As unidades do Sesc no Rio também estão coletando água mineral, alimento não perecível, roupas de cama e banho, material de limpeza e de higiene pessoal e colchões:
-São Gonçalo, Niterói, Copacabana, Tijuca, Ramos, Madureira, São João de Meriti, Nova Iguaçu, Teresópolis e Quitandinha (Petrópolis)

Circo Voador
A casa está recebendo donativos em sua sede, nos Arcos da Lapa.

Fecomércio
A sede do Sistema Fecomércio-RJ estão coletando água mineral, alimento não perecível, roupas de cama e banho, material de limpeza e de higiene pessoal e colchões para as vítimas das enchentes na região serrana:
Rua Marquês de Abrantes, 99, Flamengo
Horário de coleta: das 9h às 18h, de segunda a sexta

Shoppings

  • Os shoppings administrados pelo Grupo Aliansce – Shoppings Leblon, Via Parque, Grande Rio, Caxias, Bangu, Carioca, Passeio e Santa Cruz – estão recebendo doações para as vítimas das enchentes. A campanha pede agasalhos, colchonetes, alimentos não perecíveis, água mineral e material de higiene pessoal.
  • Os seis shoppings administrados pela Ancar Ivanhoe criou a campanha “Fazendo a Diferença”: Botafogo Praia Shopping, Rio Design Barra, Rio Design Leblon, Shopping Nova América, São Gonçalo Shopping e Downtown, além da sede da empresa, na Barra. As doações poderão ser feitas no SAC/Espaço Cliente, das 10h às 22h, inclusive nos fins de semana (domingo, a partir das 13h).
  • O BarraShopping também está em campanha. Doações devem ser feitas no Conciérge do shopping, em frente à C&A do Nível Américas, na altura da entrada C, ou no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), durante o horário de funcionamento do shopping.
  • Bangu Shopping: Rua Fonseca, 240 – Bangu – RJ

Pão de Açúcar
O Grupo montou postos de coleta em todas as 100 lojas das redes Pão de Açúcar, ABC CompreBem, Sendas, Extra Supermercado e Hipermercados e Assaí em todo o estado para que os clientes possam cooperar com doações de alimentos não perecíveis, roupas e cobertores. A ação acontece até o dia 26 de janeiro. Todo material arrecadado será levado às regiões afetadas por meio do sistema logístico do Grupo.
Carrefour – Jd. Sulacap
Av. Marechal Fontenelli 3555, (Campo dos Afonsos) – Jd. Sulacap – Rio de Janeiro
Tel: (21) 2401-7600

Frozen Spa
A empresa de alimentos congelados disponibilizou sua cozinha industrial para produzir refeições que estão sendo levadas para os abrigos de Petrópolis. Dois postos de coleta foram criados: na Estrada União e Indústria 12.300, Itaipava, e Praça Visconde de Mauá 89, Centro, gabinete do vereador Thiago Damaceno.

Hortifruti
A rede tem postos em todas as lojas do Rio. Estão arrecadando roupas, roupas de cama, água mineral e alimentos não perecíveis poderão ser entregues no balcão de atendimento. Tudo será entregue diretamente nas regiões afetadas por meio do sistema logístico da Hortifruti.

Nas cidades afetadas

Em Petrópolis
As doações podem ser entregues na sede da Secretaria de Trabalho, Ação Social e Cidadania, na Rua Aureliano Coutinho, número 81.

Em Teresópolis
A prefeitura está recebendo doações de alimentos não perecíveis, água, roupas e cobertores para os desabrigados das chuvas. Os donativos podem ser entregues no Ginásio Pedrão, na Rua Tenente Luiz Meirelles 211, Centro.
Informações podem ser obtidas pelo 199 da Defesa Civil.

São Paulo

Capital

Cruz Vermelha de São Paulo
Avenida Moreira Guimarães, 699, em Indianópolis, em São Paulo

Defesa Civil de São Paulo
Rua Afonso Pena, 130, no Bom Retiro, em São Paulo

Nas cidades afetadas SP

Guarulhos
Você pode doar alimentos não perecíveis, roupas, águas, fraldas e produto de higiene.
Fundo Social – Galpão Solidário
Endereço: Av. Salgado Filho, 302 (Próximo a Sonolayer) ou solicitar a retirada através dos telefones: (11) 2408-3153 / 2409-8612.
Os Supermercados Sonda, Barbosa, e Lopes estão com caixas para a arrecadação.

Atibaia
As famílias estão precisando de água, leite longa vida, bolacha, achocolatado, café, material de limpeza (água sanitária, sabão em pó), material de higiene pessoal (shampoo, sabonete, creme dental, escova de dente, papel higiênico), pano de chão, rodo e vassoura (em bom estado).

O Galpão da Solidariedade está localizado na rua Adolfo André, 1055, no centro de Atibaia. (fonte)

Piracicaba

Para doar roupas, calçados e colchões, faça contato com:

Central de Voluntários
Rua Dom Pedro I , 1544 (atrás do SENAI)
Contato: 3422-6170 / 3422-9677 – Assistente Social Cássia ou estagiária Sandra
Horários: Segunda, Quarta e Sexta-feira das 08:00 às 14:00hs, Terça e quinta-feira das 11:00 às 17:00hs

Para a doação de alimentos, contato com:

Banco de Alimentos
Rua José Rosário Losso, 954 – Jaraguá (próximo Laranjal Telhas)
Contato: 3434-6332 – Tatiana / Suelen
Horários: das 08:00 às 17:00hs

Estação do Idoso – para doação de móveis
Av. Doutor João Conceição, 659
Contato: 3422-2919
Tiro de Guerra – recebe todas as doações
Rua Anhanguera, 362
Contato: 3426-6337

Quem precisar que as doações sejam retiradas em domicílio pode ligar em qualquer um dos pontos de doação.

Cidades solidárias:

Angra dos Reis
Uma central para receber as doações que atenderão as vítimas das chuvas na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro (Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo).será implantada em Angra dos Reis, com o apoio da Cultuar, na Casa Laranjeiras, em frente à Praça Zumbi dos Palmares, Centro da cidade. Para fortalecer a estratégia de arrecadação, será montada uma tenda na Praça Codrato de Vilhena, Rua do Comércio, também no Centro. A Secretaria de Ação Social e a primeira-dama Alessandra Jordão, subsecretária de Gestão e Projetos, também desencadeiam a campanha.
Serão aceitas doações de água potável; fralda descartável, alimentos não-perecíveis e produtos de higiene e limpeza. A equipe da Defesa Civil estará nesses pontos durante a semana, das 9h às 16h30. O material arrecadado será levado para uma central montada no Rio.
Vale destacar que donativos também estão sendo arrecadados na Delegacia da Polícia Federal de Angra, localizada na Rua Cônegos Bittencourt, 108, Centro. (fonte)

Itaipava
Em Itaipava, as doações podem ser entregues na Igreja Wesleyana, no Vale do Cuiabá, e na Igreja de Santa Luzia, na Estrada das Arcas.

Rio Bonito
A prefeitura está recolhendo donativos: podem ser doados água mineral, alimentos não perecíveis, roupas, cobertores, materiais de limpeza e higiene pessoal.

Curitiba
A Cruz Vermelha de Curitiba está recebendo água, cobertor e alimentos não perecíveis para as vítimas das chuvas do Rio de Janeiro e de São Paulo. As doações podem ser entregues na avenida Vicente Machado, número 1310, no Batel. Telefone para informações (41) 3016-6622.

Campinas
Para ajudar as famílias atingidas pelas enchentes na região, a Prefeitura de Campinas iniciou no dia 11 de janeiro uma campanha de arrecadação de roupas e calçados. A campanha vai até 31 de janeiro. O telefone para quem quiser tirar alguma dúvida sobre as arrecadações é (19) 2116-0281.
• Subprefeitura Nova Aparecida: Avenida Cardeal Dom Agnelo Rossi, 532 – Vila Padre Anchieta
• Subprefeitura de Barão Geraldo: Rua Francisco Rezende, 103- Barão Geraldo
• Subprefeitura de Sousas: Praça São Sebastião, 32 – Sousas
• Subprefeitura de Joaquim Egídio: Rua José Ignácio, 14 – Centro – Joaquim Egídio
• Administração Regional – AR 1: Rua Francisco Teodoro, 72 – Vila Industrial
• Administração Regional – AR 2: Avenida José de Sousa Campos, 1600 – Jardim Planalto
• Administração Regional – AR 3: Rua Nuno Alvares Pereira, 160 – Vila Nogueira
• Administração Regional – AR 4: Avenida Marechal Rondon, 183 – Jardim Chapadão
• Administração Regional – AR 5: Rua Pingüim, 33 – Vila Padre Manoel da Nóbrega
• Administração – AR 6: Avenida Rio de Janeiro, 401 – São Bernardo
• Administração – AR 7: Avenida Amoreiras, 4200 – Jardim Campos Elíseos
• Administração Regional – AR 8: Rua Venezuela, 939 – Jardim Nova Europa
• Administração Regional – AR 9: Rua Comendador Julio Fernandes, 624 – Jardim São Pedro
• Administração Regional – AR 10: Rua Amadeu Mendes, 85 – Vila Lemos
• Administração Regional – AR 11: Rua Altemiro de Solsa Leite, 252 – Jardim Eulina
• Administração Regional – AR 12: Rua Igaci, 124 – Jardim Cristina
• Subprefeitura Nova Aparecida: Avenida Cardeal Dom Agnelo Rossi, 532 – Vila Padre Anchieta
• Subprefeitura de Barão Geraldo: Rua Francisco Rezende, 103- Barão Geraldo
• Subprefeitura de Sousas: Praça São Sebastião, 32 – Sousas
• Subprefeitura de Joaquim Egídio: Rua José Ignácio, 14 – Centro – Joaquim Egídio
• Paço Municipal – Atendimento ao Cidadão: Avenida Anchieta, 200 – Centro
• Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento – Sanasa: Avenida da Saudade, 500 – Ponte Preta
• Serviços Técnicos Gerais (Setec): Praça dos Voluntários, 32 (ao lado do Cemitério da Saudade)
• Shopping Unimart: Rua Marginal a Avenida John Boyd Dunlop, 350
• Padaria Riviera: Rua Olavo Bilac, 28 – Cambuí
• Carrefour Iguatemi: Avenida Projetada, s/n°- Vila Brandina
• Carrefour Dunlop: Avenida Império do Sol Nascente – Jardim Aurélia
• Robert Bosch Ltda.
• Supermercado Galassi, nos endereços:
– Avenida da Saudade, 960 – Ponte Preta
– Rua Rei Salomão, 180 – Sousas
– Avenida Engenheiro Francisco de Paula Souza, 3471 – Jardim São Vicente
– Rua Antonio Vilela Junior, 33 – Bandeirantes
• Supermercado Dalben, nos endereços:
– Avenida Nossa Senhora de Fátima, 1270 – Taquaral
– Avenida Albino José Barbosa, 511- Barão Geraldo
• Supermercado Covabra, nos endereços:
– Avenida Imperatriz Leopoldina, 290 – Vila Nova
– Avenida John Boy Dunlop, 1000 – Jardim Londres

Quem estiver com dificuldades para entregar suas doações, pode fazer suas compras pela internet (sem custo de entrega).
As últimas notícias que li destacam algumas doações menos óbvias, mas de grande importância: absorventes, desodorantes e velas, fósforos.

https://www.paodeacucar.com.br/cadastro/login.asp

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“O homem não deve se submeter à máquina”

"O homem não deve se submeter à máquina"

Ontem, a Apple anunciou que o Steve Jobs estava deixando a empresa por licença médica. Não é a primeira vez que ele faz isso e alguns criticaram por ter feito depois do fechamento da bolsa (como se a Apple fosse uma instituição de caridade, e não uma empresa).

Independente do fato, acho que joga a favor o jeito pelo qual isso foi comunicado externamente. Além dos comunicados habituais, foi publicado no site da empresa a carta que Jobs enviou a sua equipe falando da demissão.

Muito legal saber a maneira pela qual o CEO de uma das maiores empresas do mundo se comunica com sua equipe. É claro que é uma comunicação pensada, já que será obviamente compartilhada com todos.

Jobs fala do amor à empresa, fala que confia em quem ficará em seu lugar, que confia na equipe e ao final pede privacidade.

Há muito se questiona sobre qual será o futuro da Apple sem Jobs. Eu, que recentemente virei usuário convicto da Apple, tendo a me preocupar. Ao mesmo tempo sabendo que se a empresa deixar um espaço, ele logo será ocupado por outras brilhantes empresas inovadores.

Alguns dizem que a Apple é uma seita, que faz reserva de mercado. Pode até ser, mas só conseguem isso por muita competência. E pela visão. Até hoje ecoa para mim a visão da Apple: “O homem não deve se submeter à máquina”. Isso explica muito.

Segue a comunicação integral em inglês e  o link para a matéria

Apple Media Advisory.

Apple CEO Steve Jobs today sent the following email to all Apple employees:

Team,

At my request, the board of directors has granted me a medical leave of absence so I can focus on my health. I will continue as CEO and be involved in major strategic decisions for the company.

I have asked Tim Cook to be responsible for all of Apple’s day to day operations. I have great confidence that Tim and the rest of the executive management team will do a terrific job executing the exciting plans we have in place for 2011.

I love Apple so much and hope to be back as soon as I can. In the meantime, my family and I would deeply appreciate respect for our privacy.

Steve

 

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O importante é deslizar – parte 2

Depois que fiz um post com uma coletânea de filmes incríveis sobre deslizar, acabei recebendo outras referências que merecem ser compartilhadas. A primeira delas é do sujeito que está surfando sem quilhas. Quem já viu alguém pegar onda de bodyboard, conhece aquela manobra em que o bodyboarder gira sobre o próprio eixo, o 360˚. Agora, imagine uma prancha com essa mesma `soltura’. A dica veio do twitter do @lucasmello, que nos próximos dias estará ocupado em uma surftrip. (ai, ai, inveja!).

Esse Derek Hynd expandiu os limites do surf ao colocar uma prancha sem quilhas em ondas deste tamanho. E falando em expandir limites, vale conhecer esse video abaixo de Kite Surf, filmado no Cabo Verde. O português é quase ininteligível para o nosso sotaque, mas quem fizer um esforço, vai perceber que em uma região carente de um país pobre da África, o belo kite surf está criando heróis. Vejam os caras entubando em um kite em ondas grandes. Levando aos limites (e expandindo) o surfe. Com uma qualidade de imagens e narrativa de impressionar. Dica de meu grande amigo de sempre e de surfe Alexandre Maluf (nada a ver com o político, por favor). Vale ver o minuto 5 e depois o 13.

Sobre kite, ainda tem este, que também vale conhecer. Quando eu era moleque, lá em Capão da Canoa, o vento sempre foi um problema. Agora, é coisa boa. Ah, se tivessem inventado o kite há, sei lá, uns 20 anos. A parte boa é que ainda dá (muito) tempo de aprender. É o próximo desafio radical!

Aqui, uma ideia bacana para promover o filme Tron, com skatistas criando ilusões digitais em uma rampa. Ficou bom:

Tem também o surfe na pororoca, nas ondas que não acabam mais. De novo, Serginho Laus:

E para finalizar, a dica do meu ex-colega de Famecos, na PUC-RS, com os doidões que surfaram uma onda criada por explosão de dinamite:

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O matador e os filmes de matadores

Sempre tem discussão boa com as pessoas com quem trabalho. É um ótimo jeito de formar opinião sobre assuntos relevantes para a época em que vivemos. Qualquer coisa é motivo de discussão: wikileaks, política, jeito de usar redes sociais e impactos na imagem e, obviamente, futebol. Mas o assunto de hoje pela manhã foram as mortes nos Estados Unidos. Surgiram bons e argumentos e reflexões a partir do texto abaixo, de Eugenio Bucci, sobre possíveis causas sociológicas dos matadores casuais americanas, que se repetem como avassaladoras chuvas de verão na região Sudeste do Brasil.

O sempre atento @dkeichi enviou o vídeo abaixo, de Charlie Broker, que tem um programa na BBC, em que faz análise da mídia

]

Resumidamente, Daniel elencou abaixo o que dizem os especialistas em relação a como a imprensa deve tratar estes casos:

1) Tratar a notícia da maneira mais entediante possível, sem nenhum sensacionalismo.

2) Não mostrar cenas, reconstituições, depoimentos de pessoas, etc

3) Não divulgar o nome do atirador, puxar perfis do facebook, posts de blogs pessoais, etc.

4) Não mostrar a foto do atirador.

E a conclusão: “É exatamente o que a imprensa não faz, e esses mesmos especialistas dizem que tal prática só incentiva que mais mass shootings aconteçam. Tudo que um louco desses quer é a glória de uma frontpage e sentir que “I showed the world my feelings”.

Btw, não sei se concordo muito com a influência dos filmes.”

Bom, concordo com tudo que @dkeichi diz, só não com a visão sobre os filmes. Enquanto pensava na argumentação, não pude deixar de lembrar do

Jack Bauer, do seriado 24 horas. É o louco com a arma na mão que faz tudo por justiça. (O seriado é legal, vi algumas temporadas, mas há questões éticas envolvidas.) No final das contas, ele é o herói justiceiro. E no imaginário entorpecido destes matadores (cujo nome não digo aqui também e aliás, nem sei…), isso é o jeito de se fazer justiça.

Estes filmes de heróis justiceiros desde sempre povoam o imaginário coletivo americano. Dirty Harry, Duro de Matar, Chuck Norris, Rambo, Cobra, Exterminador do Futuro. A lista é gigantesca. São filmes famosos, que vendem muito e devem passar toda hora na sessão da tarde americana. Dá nisso. O cinema, a arte, ajuda a moldar a cultura e influenciar atitudes. Se a família estiver por perto e ajudar a contextualizar a violência (“Isso é só um filme!), acredito que ajude a colocar o filme no seu lugar certo. É só um “achismo” e eu adoraria ver algum estudo sobre isso. Portanto, se alguém o tiver aí ou algo para colaborar na discussão, por favor.

Segue o artigo publicado no Estadão hoje.

”Be a killer, be a star

Eugênio Bucci – O Estado de S.Paulo

O leitor haverá de perdoar o título em inglês, mas isso nem é bem um título de artigo – é, isso sim, um imperativo, uma lei não escrita e, não obstante, reiterada diariamente pelos mil alto-falantes da indústria de entretenimento, na língua dos filmes de guerra de Hollywood, com sabor de bombardeio: é um mandamento que tem gosto de slogan publicitário e de sentença de morte. Por isso vai no título assim mesmo, em inglês. Fica mais claro. A adoração da violência, da qual o espetáculo que nos cerca não consegue mais escapar, ordena, todos os dias, a todos os adolescentes que não veem sentido na vida: “Be a killer, be a star.” Mate e fique famoso. Se viver é uma tolice, matar será a sua trilha para o estrelato.

As evidências surgem em profusão. Agora, no fim de semana que passou, explodiu mais uma. Em Tucson, no Arizona, um rapaz de 22 anos, cujo nome não será digitado neste texto, disparou a sua arma contra inocentes aglutinados num evento público. Matou seis pessoas e feriu gravemente a deputada democrata Gabrielle Giffords, que tem chances de sobreviver. Sim, o roteiro é conhecido. Essa modalidade de crime vem se banalizando nos Estados Unidos, num script sempre idêntico, no qual só varia o nome das cidades, dos assassinos e de suas vítimas – o resto é igual: um jovem que, segundo depoimentos dos professores e vizinhos, era “estranho” e “desequilibrado”, tanto que cultuava ideais nazistas ou análogas, sofre um revés na escola, vai a uma loja do bairro, compra um fuzil ou uma garrucha e mata meia dúzia de conterrâneos.

Por quê? Aí está o ponto: as evidências são clamorosas e repetitivas, mas a compreensão do que se passa é mínima, quase miserável.

A maior parte das explicações faz referência ao fetiche que a cultura americana desenvolveu pelas armas de fogo. Alegam que espingardas e pistolas são objetos de desejo e, mais grave, estão à venda em qualquer esquina dos Estados Unidos. Um bom exemplar dessa linha de explicações pode ser visto no filme Tiros em Columbine, de Michael Moore, que levou o Oscar de melhor documentário em 2003. A partir de um caso semelhante a esse de Tucson, o filme de Michael Moore critica acidamente o fascínio da sociedade americana por equipamentos bélicos em geral. É claro que Michael Moore aponta um dado real, mas não resolve a charada. Proibir o comércio de armas de fogo não solucionaria a questão; a causa não é apenas essa e talvez não seja fundamentalmente essa. Há mais fatores a considerar.

Agora, no crime de Tucson, em que uma bala atravessou a cabeça da deputada Gabrielle Giffords, que é odiada pelos republicanos linha-dura, aparece com mais clareza outro ingrediente: as ideologias intolerantes, quase sempre de corte ultraconservador, comparecem como um denominador comum entre esses criminosos. Outra vez, o dado é real, mas parcial e perigosamente enganoso, pois pode levar a crer que esse tipo de crime é coisa de gente “de direita” – e não é, ou não é só de gente “de direita”.

O que falta ser levado em conta, aí, é o papel estruturante da indústria do entretenimento, tal como ela foi moldada pelo mercado americano. É essa indústria que fornece o repertório de signos, símbolos e narrativas pelo qual os valores da violência, da xenofobia e da intolerância ganham sentido. O fetiche da arma de fogo só virou uma categoria sólida na sociedade americana – e na sociedade global, por extensão inevitável – porque encontrou lugar nuclear no modelo do herói consagrado pelo entretenimento. Esse herói é o indivíduo solitário que, com sua integridade (ou turrice) e sua força, moral e física, enfrenta o “sistema”. Para ele, a acusação de ser desajustado é bobagem. Ele não liga. Ao contrário, ele até se sente fortalecido quando cai no estereótipo de “incompreendido”. O herói de Hollywood, tal como foi esculpido ao longo do século 20, é aquele que, em nome do bem, que só ele sabe qual é, recorre à violência mais selvagem; é aquele que se mata em nome de sua própria teimosia. Então, a mocinha que o ignorava irá chorar por ele. É nesse modelo de herói, precisamente nele, que se refugia o psiquismo desse tipo de criminoso. As mesmas manchetes (de jornais, revistas, rádio, televisão e internet) que o denunciam, expondo sua foto, sua biografia e suas esquisitices, fazem com que ele se sinta glorificado, num tempo em que é glamouroso, como nunca foi, fazer o papel de bandido corajoso. São essas as manchetes que ordenam: “Be a killer, be a star.”

Antes que se pense, então, que a saída estaria num recuo da imprensa, que teria de deixar dar destaque aos assassinos, é bom avisar: também nesse ponto existe uma armadilha. Assim como a raiz do problema não está na venda de armas nem nas ideologias “de direita”, ela também não está na tal “mídia”. Ela está, antes, na combinação dos três fatores que foram listados aqui: a idolatria das armas e de seus senhores, a intolerância extremada e, finalmente, o fator que articula os outros dois, o chamado “star system”, no qual ser estrela vale mais do que viver ou deixar viver. Essa é uma combinação poderosa, profunda, que não se resolve com proibições burocráticas. O público deseja (com um ardor demasiado, é verdade) ver de perto essas tragédias reais, e tem o direito de vê-las. Aos jornais cabe narrar as tragédias. A pergunta é: por que o jornalismo não tem sido capaz de ajudar o público a compreender essas tragédias?

Em parte, porque a imprensa se tornou parte da indústria do entretenimento e, com isso, perdeu distanciamento para criticar os fundamentos dessa indústria. Ela vê criticamente o mercado de armas e o obscurantismo das ideologias, mas não visualiza direito como entretenimento e violência se entrelaçam. Sem se dar conta, a imprensa é o céu estrelado pelos assassinos que ela ajudou a convocar.

JORNALISTA, É PROFESSOR DA ECA-USP E DA ESPM”

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