Arquivo do mês: fevereiro 2009

Hora do planeta – 28/03/2009, 20h30

Gosto das manifestações que surgem virtualmente. O poder de mobilização é incrível. Recentemente, li “Um voluntário na campanha de Obama”, de Cezar Busatto, lançado pela Editora Coletiva. O prefácio do livro apresenta os números da campanha digital de Obama:

  • a lista de e-mails de Barack Obama é formada por mais de 13 milhões de endereços  – e mais 5 milhões de apoiadores se reuniram em diversas redes de relacionamento;
  • a assessoria do candidato enviou mais de sete mil diferentes mensagens ao longo da campanha;
  • o número de e-mails encaminhados superou a 1 bilhão;
  • o número de pessoas que se inscreveram para receber mensagens de texto por telefone chegou a 1 milhão;
  • no dia da eleição, pelo menos 3 mensagens de texto foram enviadas a cada eleitor inscrito no programa;
  • os apoiadores de Obama recberam, em média, entre 5 e 20 mensagens por mês, dependendo de onde viviam;
  • foram escritas cerca de 400 mil postagens de blog;
  • mais de 5,4 milhões de ususários clicaram o botão “Eu votei”, no dia da eleição, para avisar seus amigos do Facebook que eles haviam comparecido às urnas.

Uma mobilização que deu no que deu. (Sem isso, Obama provavelmente teria perdido para McCain e os EUA estariam procurando um novo país para atacar no lugar de buscar saídas para as guerras do Iraque e do Afeganistão, onde já chafurdam. )

Nesse momento, há outra mobilização em andamento. É a Hora do Planeta, que tem o objetivo de chamar  a atenção para o aquecimento global por meio de 1h no escuro no mundo inteiro, no dia 28 de março. No Brasil, será às 20h30.

Compartilho abaixo a mensagem que recebi falando nisso:

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É simples: que tal uma hora com as luzes desligadas no dia 28 de março,
sábado, 20:30? Nesse movimento, governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a apagar as luzes para demonstrar sua preocupação com o aquecimento global. A mensagem precisa ser clara e contundente: agora no final do ano em Copenhague precisamos ser muito mais ambiciosos quem em Kyoto para reverter a curva de crescimento da emissão dos gases do efeito estufa.

Mande sua mensagem também para quem está a frente dessas decisões:

1. Desligue a iluminação de sua casa e as luminarias/letreiros da sua
organização

2. Mobilize sua cidade para apagar a iluminação de monumentos tal como
foi feito ano passado na opera de Sidney, no Coliseu em Roma, na Golden
Gate em São Francisco, em todo centro de Atlanta. Esse ano teremos muito
mais como por exemplo a adesão da cidade do Rio de Janeiro.

3. No dia reúna sua família, seus amigos, as crianças, acendam velas,
conversem e debatam soluções para diminuir a nossa pegada sobre a
natureza e o planeta.No ano passado foram 35 países, 370 cidades, 2,2
milhões de pessoas em Sidney, 58 % dos adultos na Austrália, milhares de
blogs… Esse ano é a sua vez de juntar-se a essa manifestação
planetária.

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A importância da ausência em nossas decisões

Retomei a leitura do livro Stumbling on Happiness, do professor de Harvard Dan Gilbert, do qual já coloquei uma ou outra citação por aqui. O capítulo que peguei agora fala sobre a nossa incapacidade de avaliar as situações por meio da ausência. O cérebro humano percebe muito bem a presença, mas não consegue levar em consideração nas decisões aquilo que não aparece. Por isso, em nossos sonhos de viver de água de coco na Bahia, se aposentar em um iate ou de viajar pelo mundo pegando onda, consideramos somente essas possibilidades. E deixamos de lado na análise a falta de opções culturais da vida na beira de uma praia paradisíaca, a preocupção em fazer compras da semana (batata, cebola, desodorante, papel higiênico, sabão em pó) e a falta de amigos nas andanças pelo mundo (ver post O contágio da felicidade).

Em outras palavras, nossas previsões sobre eventos futuros somente consideram o efeito que imaginamos e não o resto das coisas que faremos. Exatamente por esse motivo, aceitamos convites que parecem interessantes com seis meses de antecedência e quando chega perto da data nos arrependemos amargamente.

Nas decisões sobre o futuro, consideramos pensar na razão, no ‘por quê’, de determinada decisão e não no ‘como’. O convite para jantar na casa de conhecidos daqui a 30 dias pode parecer excelente hoje porque pensamos em como pode ser bom o bate-papo, a comida etc. Entretanto, na véspera do evento, o ‘como” começa a impactar. Você pensa que vai ter fazer tudo correndo no trabalho e em casa, no  trânsito até chegar lá. Lembra também que que vai ter que acordar cedo no dia seguinte e que vai perder o jogo de futebol na tevê justamente no horário do jantar…

Em um estudo conduzido na universidade da Virgínia (EUA), um grupo de estudantes foi convidados a prever qual seria o impacto de uma derrota ou vitória contra outra universidade em um jogo de futebol americano e a descrever esses impactos. Outro grupo não precisou descrever. Mais tarde, chegou-se à conclusão que aqueles que não descreveram superestimaram o que aconteceriam (ou ficariam muito felizes ou sofreriam muito). Porque quando eles imaginaram os efeitos que a vitória ou a derrota causariam neles, deixaram de lado outras coisas que impactam no seu estado de felicidade, como beber com os amigos na derrota (que seria ótimo) ou ter que estudar para a prova de química, no caso da vitória (o que não seria tão bom).

A ficha caiu. Podemos sofrer ou ficar muito excitados por antecipação simplesmente porque focamos apenas em um aspecto do futuro, o evento em si. Pense nisso da próxima vez que sofrer por antecipação por conta de um evento de família no domingo justo na hora do jogo de futebol (pode ser que tenha TV por lá e isso fará com o que o evento fique melhor). Ou levar em conta só o lado bom de uma questão em uma decisão importante. Como se mudar para viver e trabalhar em uma cidade menor, mais tranqüila, e chegar lá e perceber que o mercado é muito pequeno, que a população local é pouca receptiva a estrangeiros e que o inverno pode ser muito deprimente.

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Fôlego

‘”A vida vem em ondas, como o mar…”, já cantava o sábio Lulu Santos. Pois os últimos quatro dias esse refrão ficou na minha cabeça. No mar, acontece mais ou menos assim: está tudo na maior tranquilidade, com asuperfície da água lisa. Então,  a linha do horizonte fica um pouco elevada. Nesse momento, vale se preparar, virar a prancha em direção ao horizonte e remar. Em alguns segundos, a série vai chegar. E ficar na zona de impacto da primeira onda não é nada recomendável. Assim, quando as ondas chegam, quem estiver melhor posicionado se dá bem.

Malcomparando, nos últimos dias, as séries vieram direto. Séries de tosse intermitente, que roubam o fôlego, tiram a respiração e a tranquilidade. Está tudo ok num minuto. Respiração numa boa, sorrisos fartos, chocalho de um lado para o outro. Então, o ar começa a entrar ruidosamente pela garganta. Até que vira um ronco que lembra um ronronar de um gato amplificado. Nesse momento, vale se preparar porque a tosse vai chegar. Primeiro, uma tosse tímida, que lembra um engasgo. Em seguida, um guincho que lembra uma buzina ao final. E aí, o nenê fica vermelho e começa a perder a respiração. E se quem for acudir estiver bem posicionado nessa hora, o sofrimento vai ser bem menor.

Diagnóstico: laringite.

Vicente tem sofrido nesses últimos dias. A tosse é forte. Começa tímida. Dois pigarrinhos. E em seguida vem o guincho terrível. Ele perde a respiração e começa a ficar vermelho. A única coisa a fazer nessa hora é virá-lo levemente de cabeça para baixo e esfregar suas costas, de baixo para cima, até ficar mais tranquilo. (Exige sangue frio. Ver o filho de seis meses se engasgando e perdendo a respiração nas suas mãos é angustiante. Em duas ocasiões, não aguentamos e corremos para o hospital. Para chegar lá e os médicos dizerem que estava tudo bem…)

Com a tosse, entra ar na boca escancarada. Com a mão com que segura a barriga, consigo sentir bolas de ar passando pelo aparelho digestivo. Deve doer para caramba. A ‘série’ vem com três, quatro e até seis ondas de tosse. Quando acaba, Vicente tem um chorinho contido, apertado e espremido. Aí, começa a relaxar, chora mais um pouquinho e volta a dormir ou a brincar. Não poucas vezes, 30 segundos depois de levar a vaca na série* já estava sorrindo. Enquanto os pais já estavam em vigília (dormindo ou acordado), esperando pela próxima série.

A ficha caiu. Vamos olhar a metade cheia do copo: que bom que estávamos de férias nessa semana. Não ia ser fácil aguentar o sono-Amyr-Klink (45 minutos no máximo) tendo que trabalhar no outro dia… Valeu, Ju, pela parceria na madrugada. Haja trabalho em equipe para aguentar o tranco!

ps: Um brinde aos amigos. Pela segunda vez que a laringite atacou em casa, amigos estavam por perto para socorrer na correria desenfreada para o hospital e ficar lá por até 2 horas (na madrugada) em toda a função envolvida (consulta, inalação, raio-X etc). Com família longe, ter amigos  por perto é como ter luz em um caminho escuro. Dá um alívio… Valeu, Ale (duas vezes), Duda, Zé (na vez do Augusto) e esposas.

*Linguajar de surfista, quer dizer cair da onda.

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Com quem você se relaciona

No último post, falei sobre o contágio da felicidade. Nesse, vou falar do descaso com pessoas alheias de acordo com a função social delas.  Impressionante esse relato abaixo. Não sei se é novo ou velho, o fato é que eu não conhecia.

Essa questão da função social é muito forte. Você cumprimenta o ascensorista? Você sabe o nome da pessoa que deixa limpo o ambiente de trabalho? Você fala de igual para igual com a empregada doméstica ou com o sujeito que cuida do ar condicionado do prédio? E com o manobrista? Enfim, formalmente não há castas ou discriminação. Mas no dia-a-dia, é isso que se vê abaixo. Leia e reflita:

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‘O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE’
‘Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível’

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da ‘invisibilidade pública’. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são ‘seres invisíveis, sem nome’. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da ‘invisibilidade pública’, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

‘Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência’, explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. ‘Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão’,  diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num
grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
‘E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?’ E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando – professor meu – até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma ‘COISA’.

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Felicidade é contagiosa

No final do ano passado, cientistas da Universidade de San Diego e de Harvard publicaram um estudo provando que a felicidade se dissemina na rede social. Os achados dizem que se você conhece alguém feliz, tem 15,3% de chances de aumentar sua felicidade. Um amigo feliz de um amigo aumenta em 9,8% essa chance.  E até a amiga da irmã de seu vizinho pode aumentar em 5,6% essas chances, apontam os resultados.

Esse estudo faz parte de uma tendência maior de ligar a questão da felicidade a saúde pública. Existe uma grande discussão na sociedade hoje sobre isso. Uma delas é a criação do FIB, o índice de Felicidade Bruta, um contraponto ao PIB, uma medida econômica que não considera os intangíveis na conta. O PIB é até burro nesse sentido (ou não…). Se houver uma guerra, com muitas mortes e movimentações em hospitais, em planos de saúde, em armas etc, o PIB aumenta. Mas na conta não entra o que o senador americano Robert Kennedy colocou muito bem em um discurso: “O que faz a vida valer a pena é a saúde de nossas crianças, a qualidade de sua educação, a alegria de suas brincadeiras, a força de nossos casamentos, a devoção ao país, nosso humor, sabedoria e coragem. E nada disso se mede no PI B.”

Os cientistas que fizeram o estudo acima acompanharam 5 mil pessoas e chegaram à conclusão que felicidade é contagiosa como uma doença. Para chegar às conclusões, eles perguntaram se concordavam com algumas afirmações como “Eu sou feliz”, “Eu gosto da vida”, por três rodadas entre 1983 e 2003.

Os resultados foram impactantes com relação à poximidade geográfica. Um amigo feliz que vive a cerca de 1 km de distância é capaz de aumentar suas chances de ser feliz em 42%. Se o mesmo amigo vive a 3 km de distância, a possibilidade diminui para 22%.

Alguns resultados são curiosos. Esposas ou maridos felizes só podem aumentar em 8% a possibilidade de ser feliz. Vizinhos felizes podem aumentar em 34%, mas só aqueles da porta ao lado. Os outros não causam o nenhum efeito. “Nós suspeitamos que as emoções se disseminam pela frequência do contato”, diz o pesquisador James H. Fowler, da Universidade de San Diego. “Como resultado, as pessoas que moram muito longe e se veem com muita frequência não fazem muito efeito nessa questão.”

Há uma exceção considerável no estudo e tem a ver com o ambiente de trabalho. Os pesquisadores acham que há alguma barreira que impede a felicidade de ser contagiosa. Taí a deixa para descobrir porque a 6a feira é sempre melhor que a 2a feira.

A ficha caiu. No final das contas, esse estudo traz base científica aquela motivação que nos faz querer ficar perto de amigos bacanas e longe de gente chata.

The one exception was co-workers, perhaps because something in the work environment prevented their happiness from spreading, the study found. The research was funded by the National Institute on Aging and the Robert Wood Johnson Foundation.

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Quanto vale o NY Times?

1.Conteúdo de graça -Finalmente essa questão chegou para ficar. Até hoje fico desconfiado quando vejo tanta informação de graça por aí na Web. Acesso irrestrito ao NY Times? Notícias do dia do Estadão. Matérias de revistas importantes. Desse jeito, parece que a informação brota do chão. Que ninguém foi atrás. Que ninguém parou para pensar e escrever. Se ninguém paga pela informação, porque alguém enviaria repórteres para cobrir eventos em locais como o Sudão, Chade ou algum outro país fora do mapa na África? Quem vai pagar as passagens, a hospedagem, a aventura e o trabalho do repórter? Hoje, o Estadão publicou um artigo excelente de Walter Isaacson, ex-editor da revista Time e atual presidente do Instituto Aspen. Chamado de “Como salvar os jornais (e o jornalismo), ele escreve que está na hora de se discutir opções como micropagamentos para artigos, como se paga por música, por exemplo. Uma pergunta dele: alguém pagaria US$ 2 para ter acesso mensal ao conteúdo do NY Times via web? Eu pagaria! Vejam o artigo (de graça)…

2. Jeito de olhar – Revista The Economist está falando no surgimento de uma nova classe e o Brasil seria o país onde esse fenômeno é mais visível. Basicamente, a classe está emergindo nas favelas, onde há crescimento econômico – e até filiais das Casas Bahia, como em Paraisópolis, em São Paulo. Elio Gaspari, na Folha de hoje,  foi preciso no comentário: “Um barão brasileiro que visitasse os subúrbios de Londres na metade do século 19 veria um favelão. Era a desordem social e urbana da revolução industrial. Felizmente, a cidade teve um escritor como Charles Dickens para mostrar que ali vivia o pedaço de baixo da sociedade inglesa, lembrando ao pedaço de cima que os dois formavam um só povo.” Tudo é uma questão de como se olha… E só não vê oportunidade financeira na favela quem não quer. O que precisa é outra coisa: saber fazer negócios por lá.

3. Cigarro eletrônico – inventaram um cigarro que solta nicotina e simula fumaça (uma espécie de névoa). A empresa que fabrica disse que já vendeu mais de 300 mil unidades em 2008. Isso é incrível. Olha o que escreveu o autor: “Eu acabo de “acender” um e-cigarro. Parece um cigarro de verdade e, com cada tragada, alguns microgramas de nicotina de um cartucho descartável deveriam chegar ao meu pulmão. Meu e-cigarro até produz “fumaça” -mas não queima, então, não é proibido. No número crescente de locais públicos onde o fumo é banido, uma nova raça de fumante surgiu, tragando essas bugigangas.” Veja a matéria (para assinantes da Folha ou do UOL – taí, conteúdo fechado…). Saiu na New Scientist também.

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Fábula do tempo

A beira da praia de qualquer praia gaúcha é bastante inóspita no inverno. A água do mar é  marrom, a faixa de areia é extensa e dura o suficiente para os carros trafegarem sem nenhum problema. Ao contrário do verão, quando ficavam cheias, costumavámos invadir a faixa de areia durante dias gelados de maio a setembro para conferir a situação do mar. Num desses dias, estávamos eu e o meu parceiro de trips Cris Rosa olhando desoladamente para o mar, tentando criar coragem para entrar naquela ‘batedeira’ marrom, com vento uivando do lado de fora, o suficiente para levantar areia na beira da praia e fazer a água crispar, ficando com aparência de veludo.

Então, Cris solta a seguinte pérola: “Sempre pensei que nossa vida poderia ser ao contrário. A gente tá aqui com 20 anos, cheio de energia para aproveitar um monte de coisa, mas quando precisa sair, tem que pedir o carro, dinheiro e casa da praia para o pai. Quando a gente mais precisa menos tem. ” De tempos em tempos, aquele momento vem até minha cabeça. Nunca cheguei a uma conclusão definitiva sobre se aquilo faria sentido ou não. Com o tempo, fui dando valor às conquistas (formatura, trabalhos, viagens, casamento, filhos, amizades etc), cada passa dado , conquistado e desfrutado. E cada vez mais, aquela frase (que naquele momento fazia sentido) parece um devaneio juvenil.

Ontem, ela definitivamente ficou no passado. Exatamente no momento em que saímos da sala de projeção depois de assistir ao filme O curioso caso de Benjamin Button. São raras às vezes em que conseguimos ir ao cinema quando se tem nenê pequeno em casa. Por isso é importante acertar o filme. Ontem, foi em cheio.

Baseada em um conto de F. Scott Fitzgerald, a história de Benjamin Button é uma maravilhosa fábula sobre o tempo. Conta o caso de alguém, Benjamin, que nasceu velho e foi rejuvenescendo. Fez a vida ao contrário. É um jeito diferente de olhar o mundo que me provocou reflexões profundas sobre a importância do passo a passo. Benjamin sabia que sua vida era diferente e tratava de aproveitá-la da melhor maneira possível, conforme o corpo permitia. Pensando na história dele, lembrei do poeta espanhol Antonio Machado: “Caminante, no hay camino. El camino se hace al andar.” E lembrei também de Gandhi, que diz que “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o próprio caminho.”

No mundo acelerado em que vivemos, quase não dá tempo de parar e perceber o tempo passar. Estávamos na casa de amigos hoje, visitando a Yasmin, com pouco mais de 1 mês de vida. Ao ver como era pequena, olhei para o Vicente e fiquei um pouco assustado de já não lembrar direito como ele era há apenas cinco meses atrás, tão pequeno como ela. E ao mesmo tempo lembrei de momentos gostosos que já vivemos com ele nos seus seis meses. A FICHA CAIU. O tempo passa rápido demais.  Por mais que algumas vezes a gente queira domá-lo. Como agora, no fim do horário de verão, em que o relógio acabou de querer empurrá-lo 1 hora atrás…

Carpe diem…

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