Arquivo do mês: novembro 2009

Uma visita a uma loja da Patagonia

Dia desses, escrevi esse post para o trabalho. Ele foi editado para ficar no padrão. Segue agora a versão redux, sem cortes (a melhor parte do blog é que você é o seu próprio editor – para o bem e para o mal!)

=================

Sou fã de carteirinha, como se diz, de uma empresa chamada Patagonia (uma fabricante de roupas e equipamentos esportivos com um modelo de negócios sustentável – LEIA MAIS). Busco sempre informações sobre esse incrível caso de empreendedorismo, de negócios sustentáveis. O fundador Yvon Chouinard não abre mão de valores para fazer seu negócio prosperar. E no lugar de isso ser um problema, acabou se tornando um diferencial para o negócio. É um excelente exemplo para aqueles que acham que precisa passar a perna na concorrência, ‘molhar’ a mão do fiscal ou ter práticas “agressivas” (no pior sentido do termo) para fazer bons negócios.


Chouinard é bem radical em suas posições (veja matéria no site Treehugger, em inglês). Acredito que seja a maneira que encontrou para manter vivos os ideais do negócio, que continua extremamente inspirador. Quando hoje vemos empresas dizendo que são sustentáveis, logo ficamos com aquele pé atrás. É tanta gente sustentável que já não sabemos mais quem é, quem não é. Assim, para quem se importa com isso, fica um tanto difícil ter certeza de que o que você está comprando (produto ou serviço) vem mesmo de uma empresa que se preocupa sustentabilidade. Ainda mais quando vemos a pesquisa britânica que diz que 98% dos produtos dito sustentáveis pela própria propaganda, na verdade não o são (veja notícia no site TreeHugger).


Recomendo algo para quem quer ter certeza sobre as práticas da empresa. Fale com quem está no balcão. Vá até a loja, ligue para o call center, faça perguntas e você descobrirá facilmente se o que a empresa está falando em 30 segundos na televisão ou na página dupla da revista resiste a cinco com o funcionário na linha de frente.


Foi o que fiz na Patagonia, há cerca de um mês, em São Francisco, Califórnia (EUA). Quando pisei lá, vou exagerar um pouco, foi como entrar em um templo — no sentido de ser um lugar que carrega valores em que você acredita. E que no fundo é o que todas as marcas pregam e buscam, relacionamentos baseados em sentimentos e valores comuns.


A Patagonia fabrica roupas com algodão orgânico, reutiliza fibras de roupas usadas, busca diminuir o uso de químicos na produção da roupa e faz até fibras a partir de reciclagem de garrafas PET. É um jeito de fazer negócios em que eu acredito e por isso meu contentamento ao entrar lá. Fui logo apresentando as credenciais para o vendedor: disse que era do Brasil, já havia lido o livro “Let my people go surfing (foto abaixo), de Chouinard, e tinha ido até a loja só para conhecê-los e que acreditava muito nos valores da Patagonia.

O livro de Yvon Chouinard, com a história da Patagonia

O vendedor ficou para lá de feliz e começou a falar da empresa. Diz que realmente acreditavam naquelas coisas, começou a me apresentar os benefícios do produto e — melhor de tudo — me deixou totalmente à vontade para olhar as coisas, sem ficar ao meu lado perturbando e dizendo: “Essa fica bem em você, ou então temos essa e mais essa e mais essa.” Em certo momento, um deles me perguntou se eu estava precisando de alguma ajuda. Respondi que o outro vendedor estava me atendendo. Ele respondeu: “Pode perguntar para qualquer um. Não trabalhamos por comissão aqui e todos se ajudam.” Me senti um babaca…


Eu queria ficar lá meia hora. Acabei ficando 1 hora e meia. Por três motivos: vi praticamente todas as peças de roupa, tocando, vendo a etiqueta, checando como cada palavra era colocada para apresentar o produto. Segundo, não resisti às compras… Ok, podem me chamar de consumista, mas quem não precisa de camiseta, uma blusa mais quente e um casaco? E quem não gosta de dar presentes para alguém? Ninguém anda nu por aí e uma das principais vantagens dos produtos da Patagonia são sua durabilidade. Ou seja, você compra roupas e não precisa renová-las com frequencia. Por outro lado, são mais caras. Mas, obviamente, não se pode ter tudo (ainda, já que poucas empresas fabricam produtos dessa maneira).


E o terceiro motivo da demora foi o melhor de todos: a conversa que tive com os vendedores. A Patagonia prevê em seu modelo de negócios tempo para que as pessoas possam fazer atividades das quais gostam. Como nasceu de um montanhista e surfista e faz roupas e aparelhos para quem pratica esses esportes, quem trabalha lá também gosta disso. Diz o livro que nos dias de melhores ondas, o pessoal pode largar as coisas e ir para o mar, surfar! A conversa girou em torno de viagens, lugares que eles tinham visitado em função de viagens de bicicleta ou escalada.


Conversamos sobre Olimpíadas, sobre as condições (segurança, infra-estrutura) de o Brasil sediar os jogos. O vendedor não estava preocupado com isso. Dizia apenas que tinha chegado a hora de um país “diferente” sediar os jogos. E ali ficamos por quase 20 minutos jogando conversa fora.  Uma conversa bem animada, com consistência e valor, emoldurada por um quadro maravilhoso com uma onda perfeita quebrando embaixo da ponte Golden Gate. O bate-papo teve a cara da marca agradável da Patagonia, refletindo as práticas sustentáveis da empresa. Saí de lá ainda mais fã e com a certeza de que a motivação das pessoas em trabalhar por uma causa é mais um benefício de que vale a pena investir em práticas sustentáveis


Leia mais: “Deixe as pessoas surfarem”

Teste in loco

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Comunicação, Surfe, Sustentabilidade

O filme paradoxal do carro ‘sustentável’ da Audi

Mais um da série de filmes publicitários que ofendem a inteligência alheia ao fazer piadinha engraçadinha às custas dos outros.

É um filme da Audi falando que cada um quer fazer a sua parte por um planeta melhor. Até aí, tudo bem. Mas para valorizar o carro em questão, o A3 DTI, um carro híbrido de 30 mil dólares e que supostamente causaria 30% a menos de emissões, a Audi ridiculariza ciclistas e outros que buscam jeitos de fazer a sua parte.

Não é caso de ser ecochato ou biodesagradável ao criticar esse filme, mas uma das bases da sustentabilidade é o respeito ao outro, à diversidade. Então, é absolutamente contraditória a mensagem que esse filme quer passar. Dá até vergonha alheia.

Avalie por si:

3 Comentários

Arquivado em Comunicação, Sustentabilidade

Lugar de filho de político é na escola pública?

Votei no Cristovam Buarque no 1º turno da última eleição. Não que eu achasse que ele teria qualquer chance. Mas eu quis dar um voto para a educação. Para colocar o tema na vitrine. E o Cristovam era o cara ideal para isso, pois sua campanha foi monotemática. Independente de sua estratégia, ficou patente para mim que ele é coerente ao ler sobre a lei abaixo no blog Nosso Futuro Comum.

Trata-se de uma ideia supersimples, mas com um potencial incrível. A proposta é que todos os políticos coloquem seus filhos na escola pública. O objetivo é que com isso haveria uma boa melhora na qualidade da educação pública.

Confesse que andei pensando ultimamente na hipótese de colocar meu filho em escola pública. Mas simplesmente não tenho coragem. Já ouvi de pessoas que pouparam tudo o que seria gasto (ou investido?) em uma escola particular no ensino fundamental e médio para dar aos filhos quando completassem 18 anos. Assim, poderiam escolher estudar em uma escola particular ou pública. Não sei se sou muito medroso ou mesmo conservador, mas o fato é que no papel de pai todo o esforço é feito para que o filho tenha o melhor. E o melhor em questão de educação é mesmo a escola privada, ainda que para lá de cara.

Talvez seja o caso de esperar para uma lei dessas ser aprovada para então poder colocar os filhos na escola pública. Conheçam a lei abaixo.

Pergunta: já está disponível para votação no VoteNaWeb?

========================

SE VOCÊ CONCORDA COM A IDÉIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM.

Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país.
O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.

http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007
Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

PARABÉNS PARA O SENADOR CRISTOVAM BUARQUE.
BOA SORTE JUNTO A SEUS PARES.

IDÉIA SENSACIONAL!!!!

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº , DE 2007

PLS – PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 480 de 2007

Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º
Os agentes públicos eleitos para os Poderes Executivo e Legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica.

Art. 2º
Esta Lei deverá estar em vigor em todo o Brasil até, no máximo, 1º de janeiro de 2014.
Parágrafo Único. As Câmaras de Vereadores e Assembléias Legislativas Estaduais poderão antecipar este prazo para suas unidades respectivas.

JUSTIFICAÇÃO
No Brasil, os filhos dos dirigentes políticos estudam a educação básica em escolas privadas. Isto mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público.
Talvez não haja maior prova do desapreço para com a educação das crianças do povo, do que ter os filhos dos dirigentes brasileiros, salvo raras exceções, estudando em escolas privadas. Esta é uma forma de corrupção discreta da elite dirigente que, ao invés de resolver os problemas nacionais, busca proteger-se contra as tragédias do povo, criando privilégios.
Além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos.
Pode-se estimar que os 64.810 ocupantes de cargos eleitorais – vereadores, prefeitos e vice-prefeitos, deputados estaduais, federais, senadores e seus suplentes, governadores e vice-governadores, Presidente e Vice-Presidente da República – deduzam um valor total de mais de 150 milhões de reais nas suas respectivas declarações de imposto de renda, com o fim de financiar a escola privada de seus filhos alcançando a dedução de R$ 2.373,84 inclusive no exterior. Considerando apenas um dependente por ocupante de cargo eleitoras.
O presente Projeto de Lei permitirá que se alcance, entre outros, os seguintes objetivos:
a) ético: comprometerá o representante do povo com a escola que atende ao povo;
b) político: certamente provocará um maior interesse das autoridades para com a educação pública com a conseqüente melhoria da qualidade dessas escolas.
c) financeiro: evitará a “evasão legal” de mais de 12 milhões de reais por mês, o que aumentaria a disponibilidade de recursos fiscais à disposição do setor público, inclusive para a educação;
d) estratégica: os governantes sentirão diretamente a urgência de, em sete anos, desenvolver a qualidade da educação pública no Brasil.
Se esta proposta tivesse sido adotada no momento da Proclamação da República, como um gesto republicano, a realidade social brasileira seria hoje completamente diferente. Entretanto, a tradição de 118 anos de uma República que separa as massas e a elite, uma sem direitos e a outra com privilégios, não permite a implementação imediata desta decisão.
Ficou escolhido por isto o ano de 2014, quando a República estará completando 125 anos de sua proclamação. É um prazo muito longo desde 1889, mas suficiente para que as escolas públicas brasileiras tenham a qualidade que a elite dirigente exige para a escola de seus filhos.
Seria injustificado, depois de tanto tempo, que o Brasil ainda tivesse duas educações – uma para os filhos de seus dirigentes e outra para os filhos do povo –, como nos mais antigos sistemas monárquicos, onde a educação era reservada para os nobres.
Diante do exposto, solicitamos o apoio dos ilustres colegas para a aprovação deste projeto.
Sala das Sessões,
Senador CRISTOVAM BUARQUE

2 Comentários

Arquivado em Questões

O surf no arroio Dilúvio em Porto Alegre

O último post foi pesado, sobre poluição. Baixo astral total. Agora, vai um que é meio mix das duas coisas: baixo e alto astral. O ponto é que na minha cidade natal — Porto Alegre, tchê — uns caras fizeram uma coisa muito louca: surfaram nas águas do Arroio Dilúvio, que corta a Avenida Ipiranga, uma das principais da cidade. (Para os que moram em São Paulo, seria um Tietê em bem menores proporções de tamanho e poluição, acredito.)

Todo surfista gaúcho alguma vez na vida já sonhou que estava pegando onda no rio Guaíba, que na verdade se chama Lago Guaíba. Há milhares e milhares de anos atrás, o Guaíba, que desemboca na Lagoa dos Patos (parte em azul no mapa abaixo ), já foi mar. Ele está separado em um de seus pedaços por uma faixa de terra que é o litoral gaúcho. As praias do lago Guaíba em Porto Alegre são recortadas. Seriam perfeitas para receber ondulações.

O Guaíba e a Lagoa dos Patos entre o surfe e Porto Alegre

 

“Porto” ia ser tipo um Rio de Janeiro. Já foi há milhares de anos… Pena que não deu para pegar as ondas que quebraram lá.

Mas o ser humano é muito inventivo e não se rende a pequenos acidentes geográficos. O fato é que ninguém contava com o indomável espírito do surfe que tomou a gurizada que surfou nas águas do dilúvio. Um lendário amigo meu que de vez em quando soltava uma história para lá de inverossímil, chegou a dizer que uns amigos dele surfaram no Guaíba em dia de vento forte. Sei lá se era verdade ou não. O fato é que no mundo 2.0 é bem mais fácil de documentar as façanhas, essas histórias de pescador…

Eis abaixo o vídeo dos surfistas de rio.

E o ponto que eu queria fazer com o post de ontem é a poluição. Prestaram atenção no vídeo como o lixo flui? Os caras tiveram coragem de surfar no meio desse lixão líquido. Devem ter ficado com algum problema de pele, não é possível… Houve quem os chamasse de irresponsáveis, um bando de moleques querendo chamar a atenção. Li a versão deles e gostei do ângulo que deram para a ação: o de chamar a atenção para o problema, mesmo que tenha sido pós-aventura:

Milhares de comentários surgiram e iam do “nossa que legal” até o “babaca que não tinha mais nada para fazer e quis chamar atenção”. Todos estavam cientes dos riscos que estavam correndo e quão grandes estes eram. Por isso, o ato não foi realizado no intuito de promover novas aventuras arriscadas na capital ou em qualquer lugar que proporcionasse condições perigosas. Bem pelo contrário, nossa maior infelicidade seria se alguém tentasse realizar o mesmo e se prejudicasse de alguma maneira.
Revendo os vídeos, nota-se que ali não está registrado somente um momento de uma aventura maluca, e sim a notável e absurda a quantidade de garrafas, sacolas e todos objetos inimagináveis que eram levados pela correnteza.

Até acho que não tinham o propósito de fazer isso para chamar a atenção para a poluição, mas funcionou – e bem. O video foi parar em grandes veiculos de comunicação e virou assunto. Confirmando a máxima de quem sempre há espaço para ações novas e inventivas de comunicação. Até lembrou uma ação do Greenpeace.

Não conheço Nelson, Ricardo ou Juliano, mas fica aí a homenagem aos radicais surfistas do Dilúvio e uma sacada que tiveram parapotencializar um pouco mais a ação.

Camiseta do Surf no Dilúvio

Para outros tipos de esportes radicais ‘desconstruídos’, clique aqui (piscina de ondas) e aqui (simulação de skate em prédio de POA).

3 Comentários

Arquivado em Comunicação, Mundo 2.0, Surfe, Sustentabilidade

Poluição: nuvem negra na cabeça de 15 milhões de paulistanos

Acordei razoavelmente cedo hoje e não pude escapar de registrar essa cena. A poluição de São Paulo é algo com o qual nos acostumamos, mas que é extremamente danosa para a saúde. No TEDxSP, em uma das palestra mais inspiradas, o cientista Paulo Saldiva falou sobre o absurdo de a poluição não ser considerada um caso de saúde pública (leia mais aqui). Segundo ele, morrem por ano na capital paulista cerca de 1000 pessoas em função da AIDS, 500 por tuberculose e – pasmem – 4 000 pessoas por conta da poluição! E a poluição, isso é o pior, não é tratada como problema de saúde.

Com  uma foto como essa, é impossível não ficar chocado. A massa cinza chumbo é uma verdadeira nuvem negra na cabeça de cerca de 15 milhões de pessoas. Tanto já virou rotina, que meu filho de 5 anos saiu correndo da cama, me perguntando: “Pai, deixa eu ver a foto da poluição.”

É por causa disso que me nego a comprar um segundo carro para a família.  Enquanto for possível evitar, farei minha parte para não contribuir com essa poluição e com o trânsito infernal. São Paulo pode e precisa ser melhor. Será que a tecnologia automotiva e o investimento no transporte público vai permitir isso?

1 comentário

Arquivado em Fotografia, Nova Sociedade, Questões, Sustentabilidade

Quando o líder falha – a briga dos jogadores do Palmeiras

O imponderável é o que há de mais incrível nos esportes, particularmente no futebol. Ontem, no jogo do Grêmio x Palmeiras aconteceu uma cena raríssima, dessas que deixam todos com a boca aberta, tentando entender o que aconteceu.

Aos 46 minutos do primeiro tempo, já nos descontos, o guerreiro argentino Máxi Lopez, livre na área, recebeu, virou e chutou. Marcos defendeu e sobrou para Marques, que empurrou para o gol. Até aí, tudo bem. O incrível veio depois, quando os jogadores do Palmeiras começaram a brigar. O ‘craque’ Obina foi tirar satisfação de Maurício, que deveria ter marcado Lopez. Claro que ele não gostou, mas a reação foi tentar acertar o Obina. Obina se esquivou e encheu a mão na cara do sujeito. Ai, veio a turma do deixa disso. Mas já era tarde demais. O juiz tinha visto e mandou os caras para a rua quando o jogo recomeçou.

O Palmeiras liderou o campeonato brasileiro por 18 rodadas. Aí, não conseguiu segurar o rojão e começou a ceder espaço para outros times. À medida que o time ia perdendo a distância, começaram a jogar mal, cada vez pior. O problema que estava em campo extrapolou para extra-campo.

Em um dos jogos, o juiz anulou um gol legítimo de Obina. O dirigente do Palmeiro, Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos economistas mais respeitados do país perdeu as estribeiras e chegou a dizer que ia dar porrada em Simon.

Pronto.

O Palmeiras se perdeu de vez. O destempero de Belluzzo passou para o campo no jogo seguinte, quando os palmeirenses empataram em casa com o Sport. E destrambelhou de vez com o episódio de ontem, no Olímpico.

É incrível o poder do exemplo, da liderança. Por mais que um líder precise colocar para fora suas emoções, ele nunca pode fazer isso de forma descontrolada — ainda mais via imprensa. Isso reflete claramente na equipe. Os jogadores do Palmeiras passaram a acreditar em conspiração, por meio de seu líder. Isso abala a moral, pois se há conspiração, não adianta você jogar bem, pois sempre darão um jeito de colocar você para baixo.

Dia desses, vi o filme Into the Storm, que mostra os dias em que Churchill jogou xadrez de guerra com Hitler na 2ª guerra mundial. Há vários momentos em que fica evidente o poder das ações e das palavras do líder. Muito simbolismo. Um grande craque com o qual a humanidade foi presenteada para derrubar Hitler (sobre isso há o fantástico filme “Cinco Dias em Londres”, do historiador John Lukácz, veja no Google Books ou na Livraria Cultura.)

O paralelo é abissal, eu sei, mas é de liderança que estamos falando. O Palmeiras perdeu o campeonato graças ao líder que não agiu conforme se esperava dele em um momento crucial.

Juca Kfouri escreveu sobre isso aqui. E o Belluzzo enviou uma resposta muito interessante para ele. Mostrando que voltou à razão, com estilo e verve apurada. Com a tranqüilidade e o distanciamento crítico que o escrever possibilita. Mas foi tarde demais…

(P.s.: Hoje, os jogadores do Palmeiras fizeram as pazes.)

Deixe um comentário

Arquivado em Futebol, Grêmio, Literatura, Questões

Pense bem antes de não deixar alguém entrar em sua rede!

Esse vai rápido para compartilhar uma impressão muito bacana sobre o funcionamento de redes (fonte: professor e filósofo Rogério da Costa, da USP). A teoria das redes, que é estudada desde a década de 80, pelo menos, e serve de base para o funcionamento de coisas como internet e suas ferramentas como Orkut, Facebook, Twitter etc tem o conceito de laços fortes e fracos.

Essa teoria diz que os laços fortes são aquelas pessoas que você conhece muito bem e os laços fracos é aquele colega de trabalho que você encontra de vez em quando em uma reunião ou um ex-colega de escola. Pois bem, as ferramentas sociais de mais sucesso hoje são Facebook, Orkut, MySpace, Twitter, etc porque se apóiam nos laços fracos.

A lógica é a seguinte: os laços fortes pensam exatamente como você, têm os mesmos interesses, portanto, não agregam muito valor sob o ponto de vista do conhecimento. Já os laços fracos, eles têm um incrível potencial de agregar mais conhecimento, assim como o de ampliar a disseminação de qualquer mensagem. A atualização de status nas ferramentas já citadas. Então, pense melhor antes de confirmar aquele cara que quer participar de sua rede, mas você não deixa!

Leia mais sobre o problema de se fechar nas próprias informações no post “Eu Diário – Ou você mesmo edita suas notícias”

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized